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Obstáculos vão da mobilidade ao acesso a ensino
| Data: | 04/07/2010 |
| Hora: | 20:32:39 |
| Publicado por: | reporter.cabeca |
| Publicado na página: | noticias |
*deficientes*
Obstáculos vão da mobilidade ao acesso a ensino
Dilceu mostra como é complicado se deslocar nas ruas e nas calçadas como cadeirante
Crédito: carla ruas
Calçadas, ônibus, prédios públicos e privados constituem desafios permanentes para pessoas com deficiência. Cadeirante há duas décadas, Dilceu dos Santos Flores Júnior, 38 anos, sabe bem como é difícil mover-se pelos espaços urbanos. Ele tornou-se paraplégico aos 6 meses de idade, em decorrência de uma lesão vertebral sofrida após a queda em um hospital. "Eu fui levado para fazer exames porque tive uma intoxicação alimentar. Minha família morava em Arroio dos Ratos. Até hoje não sabemos bem o que aconteceu", desabafa.
Dilceu conta que a percepção das dificuldades veio cedo, desde quando começou a ter necessidade de sair de casa. "Andar na rua é um problema, com calçadas irregulares, buracos e obstáculos. O transporte coletivo também é uma barreira. Em prédios, públicos e privados, o deficiente não consegue usufruir dos mesmos direitos que as outras pessoas têm. Num bar, por exemplo, eu pago o mesmo por uma cerveja, mas não consigo usar o banheiro se eu precisar", afirma.
O cadeirante, que hoje vive em Sapucaia do Sul, destaca que duas conquistas triviais à vida das pessoas comuns - ensino e trabalho - marcaram especialmente sua trajetória. "Minha história escolar daria um livro", brinca Dilceu. Ele conta que, pelo despreparo das instituições, na década de 1970, seu alfabetizador foi o pai, que contava com instrução até a 4 série. "Ele sempre dizia que eu tinha que ser alguém na vida", recorda o filho.
Depois, a educação familiar seguiu com a irmã mais nova, Jaqueline - que chegava da escola e revisava os conteúdos. O ingresso em um colégio só foi ocorrer aos 11 anos de idade. Mesmo assim, boa parte das aulas era ministrada na casa da família, em Viamão, pela voluntariosa professora Marisa.
"Somente com a Constituição em 1988 é que a situação começou a mudar e as escolas iniciaram adaptações para receber deficientes. Antes disso, minha história escolar foi só de exclusão."
Outro capítulo marcante ocorreu quando Dilceu resolveu que era hora de trabalhar. "Eu estava com 20 anos e andava com muletas e órtese (armação metálica para sustentar as pernas). Ia ao Sine, mas nunca tinha vaga para deficiente", lembra. A boa sorte de Dilceu foi pensar em um ofício possível. "Pedi emprego ao senhor Ermínio, um ourives que era amigo da família. Ele me ensinou a consertar relógios", conta. "A oportunidade foi a chave que abriu todas as outras portas", avalia o cadeirante, que atualmente trabalha como servidor na Faders.
fonte: http://correiodopovo.com.br
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