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Argentina repete filme, bate o México
| Data: | 27/06/2010 |
| Hora: | 19:51:59 |
| Publicado por: | edson |
| Publicado na página: | noticias |
*Gol ilegal de Carlitos Tevez abre caminho na vitória por 3 a 1. No sábado,
às 11h, hermanos fazem duelo de campeões contra o algoz da Copa de 2006*
A figura de Maradona à beira do campo, envergando seu terno cinza, ajuda a
lembrar que este não é um filme repetido. O técnico é novo, mas o roteiro
argentino no mata-mata da Copa de 2010 vai se desenhando como um plágio de
2006. Neste domingo, a vítima foi o México, assim como tinha sido há quatro
anos, com a diferença de que, desta vez, foi um gol ilegal de Tevez que
abriu o caminho para a vitória por 3 a 1. Cenas do próximo capítulo: no
sábado, às 11h, na Cidade do Cabo, está marcado para as quartas de final um
duelo de campeões, daqueles que fazem tremer qualquer estádio. Na outra
metade do campo, bate ponto a tricampeã Alemanha, algoz dos hermanos no
último Mundial. Saiam da frente.
Em 2006, a Argentina bateu o México na prorrogação, com gol de Maxi
Rodríguez, e foi eliminada pelos alemães nos pênaltis. Maradona, que estava
em frente à TV há quatro anos, espera que agora a segunda parte do filme
tenha um final mais feliz.
No domingo, os 84.337 torcedores no Soccer City viam um México abusado e bem
armado no início do jogo, quando Tevez abriu o caminho da vitória argentina
em claríssimo impedimento, ignorado pelo juiz. Higuaín fez 2 a 0 e assumiu a
artilharia da Copa, com quatro gols. O próprio Tevez, com um foguete de fora
da área, ampliou o placar, e os mexicanos ainda diminuíram com Hernández.
Bem marcado, Messi fez boas jogadas, mas não conseguiu repetir as atuações
anteriores, e ainda não foi desta vez que conseguiu balançar a rede.
*O jogo
*
Se Maradona era torcedor em 2006, desta vez ele tinha responsabilidades à
beira do gramado. O técnico deixou Verón e Guitérrez no banco, lançando Maxi
Rodríguez e Otamendi. Na zaga, Burdisso foi mantido no lugar do lesionado
Samuel. Do outro lado, Javier Aguirre surpreendeu ao fazer uma pequena
revolução no elenco: "Chicharito" Hernández barrou Franco no ataque e ainda
ganhou um novo companheiro: Baustista, que não tinha atuado um minuto
sequer, mas superou Barrera na disputa para substituir o machucado Vela.
O primeiro embate do dia foi entre o goleiro Perez e um enorme rolo de papel
higiênico jogado pela torcida no meio do campo. O juiz italiano Roberto
Rosetti parou o jogo aos cinco minutos, e o carequinha que guarda as traves
mexicanas se encarregou de fazer a faxina no gramado.
Messi se engraçou aos sete, em jogada individual que terminou em chute
prensado na zaga. Mas o primeiro grande susto saiu logo depois, pelos pés de
Salcido, que soltou um foguete do meio da rua e por pouco não surpreendeu
Romero: o goleiro fez mão de maionese e a bola explodiu no travessão. Em
seguida, Guardado bateu de fora da área e viu o tiro, com incrível efeito,
raspar a trave. O camisa 10 da Argentina arrancou de novo aos 12 e ganhou do
zagueiro na corrida, mas tentou uma jogada que nem o maior craque da Copa
consegue: encobrir um goleiro que estava em cima da linha.
Nos primeiros 15 minutos, três finalizações para cada lado, mas o México
chegava com mais perigo. E a defesa conseguia a proeza de anular as jogadas
argentinas pelas pontas. Engarrafado no meio, Messi tinha que voltar até a
linha do meio de campo, sempre com pelo menos dois jogadores beliscando seus
calcanhares.
*Impedimento? Hein?
*
A solução para sair dessa enrascada? Uma ajudinha do apito. Aos 26, Messi
rolou para um Tevez em posição duvidosa. O atacante dividiu com o goleiro e
a bola voltou para o camisa 10 que tentou encobri-lo. Aí reapareceu Tevez, e
desta vez sua posição não tinha nada de duvidosa. Completamente impedido,
Carlitos cabeceou livre para o fundo da rede.
Enquanto Tevez se ajoelhava perto da bandeirinha de escanteio e mordia o
escudo na camisa, os mexicanos voltavam para dar a saída no meio de campo.
Foi aí que o telão do estádio, contrariando o habitual na Copa, mostrou o
replay do lance
com tira-teima e tudo. Resultado: um exército verde partiu em direção ao
árbitro italiano. Rosetti ainda foi consultar o assistente Stefano Ayroldi,
mas a dupla confirmou a lambança: Argentina 1 a 0.
Aos 33, os hermanos receberam outra ajuda generosa, desta vez do zagueiro
mexicano Osorio, disparado o pior em campo no primeiro tempo. Na entrada da
área, o camisa 5 recebeu a bola sozinho, tranquilo, soberano, só ele e a
Jabulani. Mesmo assim conseguiu se enrolar todo. Entregou o ouro para
Higuaín, que, surpreso com o presente, invadiu a área e teve frieza para
driblar o goleiro antes de fazer o segundo.
No vídeo ao lado, dá para ter uma ideia das presepadas de Osorio durante a
partida. Mas Higuaín não tem nada com isso. Artilheiro da Copa com quatro
gols, ele partiu acelerado em direção a Maradona, que agradeceu com um
abraço caloroso. Pouco antes, ganhou os parabéns do lateral Heinze, que não
percebeu o cinegrafista à beira do campo e – bum – deu uma cabeçada na
câmera. Em um milésimo de segundo, a euforia virou fúria, e o argentino, no
reflexo, deu um tapão no equipamento. Segue o jogo.
Os dois gols deram um banho de água fria no México, e a Argentina teve
chances de ampliar. Aos 36, Di Maria chutou cruzado e obrigou Perez a fazer
grande defesa. Quatro minutos depois, Higuaín ganhou de Osorio – sempre ele
– no alto, mas cabeceou para fora.
Repleto de tensão, o primeiro tempo terminou com bate-boca e empurra-empurra
na saída para o vestiário. Na boca do túnel, o bolo de gente incluía
jogadores mexicanos, Maradona, reservas argentinos. No fim das contas, o
tumulto foi controlado e todos desceram na santa paz para os 15 minutos de
descanso.
Na volta para o segundo tempo, Javier Aguirre tirou Bautista – que não fez
absolutamente nada em seus únicos 45 minutos na Copa – e lançou o atacante
Barrera. A estratégia ofensiva do México, contudo, foi dizimada por um
torpedo inapelável de Tevez. Aos sete minutos, o camisa 11 perdeu a bola
para os zagueiros na frente da área, mas recuperou a posse e não pensou duas
vezes: um canudo no ângulo de Perez, golaço, 3 a 0.
Aos poucos, o México voltou a respirar. A equipe aumentou o volume de jogo e
chegou algumas vezes, principalmente com chutes fortes de fora da área.
Guardado, Salcido, cada um foi tentando o seu, e o goleiro Romero botava
para escanteio ou via a bola sair em tiro de meta. Hernández teve sua
primeira chance de cabeça aos 17, mas mandou por cima do travessão.
Aos 23, descanso merecido para o guerreiro Tevez. Autor de dois gols, ele
deixou o campo para a entrada de Verón e ganhou o abraço agradecido de
Maradona.
O esforço asteca persistiu. Aos 24, Heinze salvou em cima da linha o que
seria o gol de Barrera. Aos 26, não houve jeito. Hernández botou na frente,
criou espaço dentro da área e encheu o pé esquerdo, balançando a rede de
Romero.
Com Messi apagado, a Argentina não conseguia emplacar seus contra-ataques.
Mas os comandados do Pibe deram um jeito de segurar o ímpeto verde e manter
o placar a seu favor. O camisa 10 ainda teve uma oportunidade de ouro para
marcar no último minuto. O chute esbarrou no goleiro Perez, que mandou a
escanteio.
Fim do filme, sobem os créditos: Tevez é eleito o melhor da partida pelos
internautas que votaram no site da Fifa; Higuaín passa a ser artilheiro
isolado do Mundial, com quatro gols, Messi não estufa a rede e mantém seu
jejum; Maradona segue inflado de confiança. Agora, o treinador pode pensar
na reprise de sábado – torcendo, claro, para que a *película *tenha um
desfecho diferente.
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