| Publicado por: | vander.christian |
| Data: | 12/09/2009 |
| Hora: | 19:44:43 |
| Página: | biblioteca_ler |
| Na categoria: | x |
| Leituras: | 100 |
Edmundo empurrou Marcio contra a parede. O novo cativeiro Marcio notou, era sinistro. Raízes de arvores brotavam de todas as partes do chão. Nas paredes, cipó e outras plantas entre um bloco e outro. A impressão que se tinha é que a mata surgira depois da casa ter sido construída.
-Fique de olho nele – falou Viviane impedindo Edmundo de sair pela porta do cômodo.
-E o meu celular?
-Vai ficar comigo. Houve uma mudança de plano. Preciso sair.
Logo após a saída de Viviane, Edmundo chutou a porta que deu uma tremida perigosamente. O seu plano particular também falhara.
-Que lugar é esse?
Edmundo fingiu não ouvir a pergunta de Marcio.
-Que lugar é esse? – repetiu Marcio de olho na pequena janela que ficava a poucos metros do chão.
-NÃO CHATEIA CARAMBA! – berrou Edmundo dando outro chute na porta. Dessa vez a porta foi pro chão.
Viviane discou o número do celular de Bianca com um novo plano na cabeça.
-Bianca é a Viviane. O Edmundo não pode atender. Estou te ligando porque tenho uma proposta para te fazer.
-Uma proposta? – perguntou Bianca desconfiada.
-Sim.
-Que tipo de proposta?
-Poderia me encontrar na rua do cemitério daqui uns quinze minutos?
-Sim.
-Ótimo, conversaremos melhor lá.
Bianca chegou primeiro. Viviane chegou minutos depois e pediu que Bianca entrasse na saveiro. Não muito longe Guilherme estacionou p pálio vermelho e sem tirar os olhos da saveiro ligou para o Caio.
-Esta na sua posição Caio?
-Estou.
-Na hora certa eu te ligo.
-A proposta que tenho pra te fazer Bianca é a seguinte: você me fala tudo que sabe sobre a herança pra mim e juntas, nós pegaremos e dividimos uma com outra.
A resposta de Bianca não foi imediata. Ela encarou com bastante atenção no rosto de Viviane.
-Por que esta fazendo essa proposta Viviane?
-A minha parceria com o Edmundo não esta dando certo – disse Viviane desviando o olhar de Bianca. Depois voltando a encara – la acrescentou: - E convenhamos, deixar o Edmundo de “fora” é uma idéia muito tentadora, não é mesmo?
-Sim... muito tentadora. Eu tenho uma idéia de onde esteja a herança... mas preciso ter certeza.
-E onde poderia estar?
-Não tenho nenhuma garantia que você repartirá a herança comigo.
-Ah, Bianca deixa essa suspeita de lado... Eu sei o quanto você odeia o Edmundo por ele ter te roubado tudo. E eu não to satisfeita com o serviço dele. Tira – lo do caminho é o melhor que temos a fazer.
Calaram-se as duas. Bianca considerava a proposta de Viviane e também queria se sair bem...
-Eu acho – falou Bianca escolhendo as palavras – que a herança esta na casa do Diego.
-Por que você acha isso? – Viviane parecia muito surpresa.
-O Marcio escondeu o dinheiro dentro da velha capela. No dia seguinte o Diego limpou lá dentro e agora não tem nada lá.
-Mas se o Diego realmente pegou a herança por que ele não foi embora? Ele continua trabalhando de faxineiro.
-É óbvio. O Marcio escondeu o dinheiro dentro de alguma coisa que estava dentro da capela. Diego deve ter levado pra sua casa sem saber que a herança esta dentro. Pelo que dizem, ele tem mania de pegar coisas sem importância e levar para casa.
-Faz sentido... com certeza o Marcio escondeu a herança dentro de algo improvável. Você tem razão, precisamos entrar na casa do Diego.
-Já entraram. Guilherme revirou a casa toda; só que a prima do Diego chegou e estragou tudo.
-Aqueles dois... Precisamos se juntar para vencermos esses caras. E então, aceita a minha proposta?
-Aceito.
-Excelente. Você vai pra sua casa e fica a minha espera. Enquanto isso vou dar um jeito no Edmundo e pegar o Marcio.
Bianca saiu da saveiro. Passou perto do palio sem notar Guilherme com o celular na mão.
-Caio, é uma saveiro prata, esta indo em sua direção.
-OK. Eu ligo pra policia e você invade a casa do faxineiro.
Viviane rumou para o novo cativeiro sem ver o celta que vinha um pouco mais atrás...
Roberta ficou indiferente ao fato de Tico dizer que teria de ligar para Horacio avisando – lhe do roubo do celta durante a noite. A verdade é que Roberta não estava agüentando ouvir a palavra delegado, de modo que, em respeito a amiga, Tico ligou da casa de Tadeu. Minutos depois Horacio invadia a casa de Guilherme. Estava vazia...
Caio sentiu que era melhor não arriscar mais. Ao ver a saveiro seguir em direção a mata fechada, discou para a policia.
Horacio ainda se encontrava na casa de Guilherme quando Bernardo ligou comunicando – lhe da denuncia que recebera de um suposto cativeiro no meio da mata.
-Vamos Danilo – disse agitado – é melhor não comunicar a Roberta, se não ela vai ter outro acesso de gritos.
Diego se apoiou na vassoura preocupado.
-O que será que aquele ladrão estava procurando em casa? – se perguntou. – Será que foi roubar o meu conversor de T.Vdigital? Se roubarem... como vou assistir aqueles filmes a noite?
Ele deixou a vassoura cair no chão.
-Ah meu Deus, a Rosana não ta em casa!
E deixando o carrinho, pá e vassoura pra trás, saiu correndo em direção a sua casa.
Guilherme recebeu o aviso de Caio que o delegado logo estaria longe de Vila das Arvores.
Novamente com muita habilidade, Guilherme invadiu a casa de Diego. Só que o pressentimento de Diego estava certo; ao dobrar a esquina, ele viu Guilherme invadir a sua casa. Na outra esquina surgiu a viatura da policia. Sem pensar Diego se colocou na frente da viatura. Danilo pisou no freio ao mesmo tempo em que Horacio colocava a cabeça pra fora da janela e gritava:
-Ficou maluco! Ta querendo morrer!
-O – o bandido... invadiu... a... minha casa... de novo! –falou Diego com dificuldade e tomando consciência de que poderia ter sido atropelado.
O rosto de Horacio se virou para a direção da casa. A porta aberta, o pânico estampado no rosto de Diego... veio então a compreensão.
-Rápido Danilo, vai!
Saíram os dois de dentro da viatura rapidamente; o revolver na mão...
Entretanto, Guilherme, ao arrastar a poltrona da sala com violência, viu a viatura parada em frente a casa. Precipitou – se para a cozinha empurrando mesa e cadeira...
Horacio chegou à sala. Danilo foi para os quartos. Nem sinal do ladrão.
Guilherme chegou à lavanderia. Depois, rápido como um gato, saltou o muro e saiu em um terreno baldio. Ligou para o Caio.
-O que você fez Caio? A policia quase me pegou!
-Droga! Agüenta aí, vou te pegar!
Acelerou o carro deixando as proximidades da mata fechada.
-Fugiu – falou Horacio para Diego. – Fugiu pelos fundos. Danilo da um giro por aí, ele não deve ter ido muito longe.
-Eu não acredito que vocês o deixaram escapar – disse Diego após a saída de Danilo. – Vocês eram dois e estavam armados!
O delegado fingiu não ouvir o comentário de Diego.
-Tem alguma coisa de valor aqui nessa casa? – perguntou
-Tirando o conversor para T.Vdigital que eu paguei três mil, não.
-Não é atrás de um conversor que esse ladrão ta. Deve ser algo muito importante. Em menos de vinte e quatro horas ele invadiu a sua casa duas vezes!
-Eu também estou assustado com essa estatística, delegado. Nem sair para trabalhar mais eu não posso.
-Você tem certeza que não trouxe nada de valioso pra casa nesses dias que passaram?
-Certeza absoluta.
-E a sua prima?
-Também não. É daqui pra casa do Fernando, da casa do Fernando pra cá.
-Quem é esse Fernando?
-Namorado dela.
Horacio ia abrindo a boca pra fazer outra pergunta sobre Fernando, mas foi interrompido pela chegada de Danilo.
-Olha delegado, o ladrão fugiu mais eu encontrei o pálio roubado e isso – disse Danilo entregando uma carteira para Horacio.
-Guilherme Pascoal. Um ótimo trabalho Danilo. Agora vamos ver o carro. Diego você pode ir à delegacia fazer o B.O. E qualquer coisa entra em contato comigo.
-Delegado, e quanto a denuncia sobre o suposto cativeiro?
-Mais tarde veremos isso.
Às quatorze horas Tico pegou a maquina fotográfica colocou-a dentro da mochila e se preparou para sair. Dos últimos dias, aquele era o que estava mais quente.
-Eu não vou demorar – falou Tico atirando a mochila nas costas. – Roberta, não fica assim; vai dar tudo certo.
Roberta olhou para o seu amigo sem dizer nada. Ainda usava a mesma roupa da manha – só dispensara o blusão.
Sem dizer mais nada, Tico deu um beijo na face de Roberta e fez o mesmo na face de Milena e Simone.
-Boa –sorte Tico – desejou-lhe Tadeu sorrindo.
-Obrigado.
Por um momento Tico sentiu que aqueles eram de fato seus melhores amigos. Fazia algum tempo que ele não sentia aquilo. E Tico teve certeza que os outros estavam sentindo o mesmo, porque eles abriram um largo sorriso. Montando em sua bicicleta, Tico acreditou que toda aquela má faze estava acabando; que em breve tudo voltaria ao normal.
Ao chegar na casa de Rogério, Tico encontrou o amigo montando em sua bicicleta. Depois de se cumprimentarem, partiram para a reserva de mata fechada.
-O pessoal que organizaram o concurso – falou Tico trancando o cadeado na corrente de sua bicicleta – fez uma palestra sobre o Aquecimento Global semana passada lá na Uni Santana, sabe onde é?
-Sei, um amigo do meu tio estuda lá - respondeu Rogério fazendo o mesmo com a sua bicicleta.
Os dois amigos atravessaram a cerca de arame farpado. Com as maquinas fotográficas nas mãos, a dupla de amigos deram inicio a exploração à mata.
-O objetivo desse concurso – continuou Tico – é mostrar para a sociedade a importância que tem essas reservas de mata. Aqui dentro, você pode ter certeza, Rogério, vai ter algum animal que não é encontrado em qualquer lugar; daí a importância de preservar as florestas, entende.
-Pode crer.
Não muito longe dali, Viviane dava uma ordem ao Edmundo.
-Por que você quer que eu amarre as mãos do Marcio?
-Porque nós vamos sair. Vai lá e amarra as mãos dele e volta aqui; tenho que lhe dizer uma coisa.
Edmundo obedeceu. Minutos depois, Marcio estava com as duas mãos amarradas e Edmundo olhando para Viviane a espera de uma explicação.
-Eu vou lhe dizer o que é...
Rogério se afastou de Tico. O amigo concordara em afastar – se um do outro na intenção de encontrar uma foto boa o mais rápido possível.
E então Tico avistou. Para ele foi uma surpresa sem tamanho encontrar uma casa, ou melhor, um casebre, no meio daquela mata. O primeiro pensamento que lhe ocorreu foi: Marcio.
A sua expectativa era tão grande que nem se lembrou de Rogério. Caminhou cautelosamente para evitar fazer barulho. Tico foi para o lado oposto da porta, onde havia uma janela. Chegou mais perto; o coração disparado. Precisava arriscar uma olhada...
De alguma forma, amarrar as mãos de Marcio fez com que ele decidisse algo que há muito estava querendo fazer. Marcio estava calculando qual seria a melhor maneira de pular a janela, quando, para a sua surpresa, na janela surgiu o rosto de Tico.
-Mais o que...?!
As palavras não saíram. Tanto Marcio como Tico se sentia demasiados felizes e surpresos para dizerem alguma coisa.
-Mar-Marcio... eu nem acredito! Nem acredito que te encontrei! – declarou Tico sorrindo.
-Psiu! – se apressou a dizer Marcio. – A Viviane e o Edmundo podem ouvir. Você precisa avisar a policia. Tenho certeza que eles estão tramando alguma coisa porq...
A frase de Marcio morreu aí. Viviane o avistou conversando com Tico. Ela se aproximou de Marcio empunhando a arma.
-RÁPIDO EDMUNDO, NÃO O DEIXA FUGIR! – Viviane gritou sem necessidade; Edmundo já ia ao meio da mata correndo atrás de Tico que fugia dali rapidamente.
Mesmo tendo as mãos presas, Marcio partiu pra cima de Viviane. Contudo, ela estava preparada: a flanela na mão direita estava encharcada de álcool... Novamente Marcio não teve chance.
O rosto de Tico sangrava. Conseqüência dos galhos que batiam em sua face enquanto corria. Mais tiros ecoou pela floresta.
.
Rogério parou ao ouvir os tiros. Correndo para a direita, ele gritou o nome do amigo.
Na outra extremidade da mata o impossível aconteceu. Ao mesmo tempo em que Rogério chegava a uma enorme clareira.
-TICO, TICO!!
Rogério ia gritar mais uma vez, mais não precisou; avistou Tico chegando do outro lado da clareira. Foi aí que aconteceu...
Tico abriu a boca, porem não saiu som algum. Os tiros pararam. Demorou um pouco para Rogério entender o que havia acontecido. O corpo de Tico tocara o solo cheio de mato da floresta.
Rogério correu; se esqueceu que em sua frente tinha uma enorme clareira cheia de espinhos. ”TICO, TICO!” gritou Rogério – coração sentindo uma enorme agonia e uma voz em sua cabeça tentando convence – lo de que o pior não acontecera.
Quando Edmundo viu o corpo de Tico caindo, teve certeza que o rapaz estava morto. Abrindo um sorriso, Edmundo retornou para junto de Viviane...
Rogério estava com o rosto e os braços cheio de escoriações e se manteve firme ao chegar ao lado de seu amigo.
-Tico o que aconteceu?
-O... Marcio... esta aqui! Você... precisa avisar a policia!
-De jeito nenhum! Eu não posso te deixar aqui!
-Não há mais nada para se fazer comigo...
-NÃO! Eu vou te levar para um hospital!
-Rogério... por favor...
Sem dizer mais nada, Rogério ligou.
-O que esta dizendo Rogério?! – exclamou Tadeu ao ouvir a narrativa de Rogério.
-É isso mesmo Tadeu. O Tico descobriu onde o Marcio esta e o Edmundo lhe acertou um tiro. Preciso que você comunique a policia agora!
-Cara isso não pode ter acontecido, o Tico só foi tirar umas fotos pa...
-CHAME A POLICIA RAPIDO! O TICO- NÃO – ESTA – BEM!
Tadeu ficou desesperado. Contou para todos o que ouvira e depois ligou para Horacio, que prometeu levar todos ao local do incidente e disse também que a ambulância estava a caminho.
-Você tem certeza que o Rogério te disse isso? – perguntou Roberta.
-Sim, disse – respondeu Tadeu quase num sussurro.
Momentos depois Horacio chegou. Roberta, Tadeu, Milena e Simone entraram na viatura policial. Eram quatro viaturas ao todo.
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