| Publicado por: | vander.christian |
| Data: | 20/05/2009 |
| Hora: | 14:51:45 |
| Página: | biblioteca_ler |
| Na categoria: | x |
| Leituras: | 271 |
Ele olhou no relógio. 01h40min da madrugada. O vento parecia cortar – lhe o rosto. Contudo, precisava fazer o serviço àquela hora da noite. Se virou para ver onde deixara o carro. Precisava deixar o veiculo um pouco distante da pensão, porque queria fazer o menor barulho possível.
Tinha que se vingar. Ninguém o tratava daquele jeito; ainda mais uma mulher. Ia fazer com ela o mesmo que haviam feito com ele. Ela ia sentir a mesma dor que ele e ia implorar para a noite, na esperança que alguém a ajudasse. Quando visse que a noite não iria te ajudar, ela ia esperar que a morte chegasse lentamente.
Esses pensamentos invadiram a sua mente enquanto caminhava em direção a pensão. Os seus informantes haviam dito que era o quarto de numero quatorze e que não tinha muito movimento na casa. Também disseram que a dona deitava cedo... Com certeza não teria problemas.
O vulto atravessou a rua e foi direto para o portão da pensão de dona Graça. Retirou de dentro do bolso da calça um grampo e com muita agilidade introduziu – o na fechadura da porta. Pisando de leve, ele entrou no salão onde era a recepção da pensão. Tirando uma faca e um minifarolete de dentro do sobre – tudo, foi em direção à escada.
De repente uma voz perguntou:
-O que esta fazendo?
O susto de ouvir aquela voz as suas costas foi tão grande que ele precisou ser muito ágil para pegar a faca antes de cair no chão, pois deslizara de sua mão.
A dona da voz era a dona da pensão. Não contava com aquilo.
-O que pretendia fazer subindo lá em cima numa hora dessas da noite – tornou a perguntar dona Graça dessa vez ascendendo a luz do cômodo.
Ele ficou parado de frente pra dona Graça. Devagar empurrou a faca pra dentro da manga do sobre – tudo. O cérebro trabalhando rapidamente.
-“Essa mulher tinha que estar acordada há essa hora! Azar dela!” pensou.
Foi se aproximando de dona Graça.
-Se não disser o que veio fazer aqui eu chamo a policia! – ameaçou a senhora.
Ele chegou mais perto. Ela não recuou. A faca estava novamente em sua mão.
-Vim – disse quase sem mexer os lábios – fazer um serviço. Tem que ser agora e ninguém vai me impedir!
E cravou a faca na altura do coração de dona Graça.
A força que ele usou para enfiar a faca, também foi usada para retira – la do peito de dona Graça, esta foi caindo lentamente com os olhos vidrados no vazio.
-Você só estava no lugar errado, na hora errada – disse ele limpando o sangue da faca na camisola da mulher.
Agora mais rápido ele subiu as escadas. O corredor não era muito longo. Sete quartos de cada lado. O de numero quatorze era o ultimo do lado esquerdo. Com o minifarolete aceso na mão direita, ele se aproximou da porta. Introduziu novamente o grampo na fechadura e abriu a porta.
A única luz existente no quarto era o abajur sob a mesa – de – cabeceira que estava aceso.
Ele se aproximou da cama. Viviane estava deitada com o rosto pra cima, a mão esquerda sob a barriga e a direita embaixo do travesseiro. O homem ergueu a faca...
Foi muito rápido. Viviane abriu os olhos e viu o homem com a faca erguida, pronto para desferir o golpe. Mas a sua mão, que estava embaixo do travesseiro, puxou – como um passe de mágica – a pistola semi – automática e mirou no individuou...
Não deu resultado. O rapaz segurou o punho de Viviane com muita força ficando fácil desarma – la. Com as duas mãos ele apertou o pescoço de Viviane.
-Olha nos meus olhos! – gritou com o rosto quase colado com o da moça.
-V- você t- ta... m - morto! – tentou dizer Viviane com os olhos arregalados!
-Mesmo! Então olha bem nos meus olhos! É capaz de ver o gosto da vingança Viviane?! Achou que era só dar uma paulada na minha cabeça e estaria livre de mim! Olhe só pra você – e apertou com mais força; o rosto de Viviane agora estava vermelho e por mais que tentava afrouxar as mãos de Adriano, com mais força ele apertava. – O que esta achando Viviane? Agora você não é nada; incapaz de se defender e...
Adriano se calou. Largou Viviane enquanto dava um grito de dor. A joelhada que Viviane deu acertara no meio das pernas de Adriano, isso a deixou livre. A pistola estava longe e a faca também, ela precisava aproveitar aquela vantagem. Rapidamente pegou o abajur e mirou na cabeça de Adriano. O golpe falhou, porque na hora certa, Adriano ergueu o braço. O objeto se partiu ao meio fazendo um enorme corte no braço de Adriano.
Viviane se precipitou para a porta, mas não deu tempo; Adriano a agarrou.
-Eu vim te buscar Viviane! Não vou sair daqui sem você!
Adriano deu três socos no rosto de Viviane, fazendo - a perder um pouco o poder de reação.
-Tem um lugar que você vai gostar de conhecer!
E seguiu – se uma cena muito estranha. Adriano pegou os cabelos de Viviane, segurou com firmeza e puxou – a para o corredor. Viviane ia fazendo caretas sem nenhum poder de reação. O braço esquerdo de Adriano pingando sangue. As portas dos outros quartos fechados. “Por que ninguém sai?” perguntou – se Viviane. “Será que ninguém ouviu nada?”
Chegaram às escadas. Adriano parecia que não estava ouvindo os gritos de dor de Viviane. Estavam agora na recepção. Viviane soltou um grito mais alto ao passar pelo corpo de dona Graça no chão; tinha os olhos abertos e os braços estavam em um ângulo estranho – estava caída em cima de uma poça de sangue que saia do seu peito. Viviane começou a se debater, Adriano levando – a para a porta.
-EU NÃO VOU! – gritou Viviane e conseguiu escapar. – EU NÃO VOU! NÃO QUERO IR!
De repente a recepção da pensão não estava mais escura e vazia. A claridade do dia entrava através das janelas do cômodo. As pessoas que estavam nos quartos estavam todas ali, olhando para Viviane. Dona Graça já não era mais um cadáver no chão, estava la olhando para Viviane com expressão de curiosidade e surpresa no rosto.
-O que aconteceu Viviane? – perguntou.
Viviane piscou os olhos para espantar a imagem do corpo daquela mulher no chão.
-Eu... eu não sei... – foi o que Viviane conseguiu dizer.
Edmundo se adiantou para junto de dona Graça.
-Não sabia que você era sonâmbula Viviane – disse.
-Eu não sou sonâmbula – defendeu –se ela. – Foi um pesadelo.
-Pesadelo? Viviane, nós estamos na entrada da pensão, o seu quarto é lá em cima e você esta quase sem roupa!
Viviane caiu em si. Havia tido um pesadelo com Adriano e viera parar ali em baixo e estava só de robe. Subiu para o seu quarto sem dar atenção para os olhares curiosos das pessoas que acordaram com os seus gritos.
-Você pode explicar o que foi aquilo? – exigiu saber Edmundo, entrando no quarto de Viviane.
-Pára de fazer perguntas Edmundo. Já disse, tive um pesadelo com o Adriano.
-Certo. Amanhã cedo você acorda lá em baixo de novo, tendo outro pesadelo, e aproveita conta pra todo o mundo que tem o Marcio como refém e quer setecentos mil para libertá-lo.
-Edmundo, eu preciso tomar um banho e vestir uma roupa descente. Devia ir lá ao cativeiro ver o Marcio e parar de dizer bobagens.
A moça entrou no banheiro. Edmundo deixou o quarto.
Nem bem tinha deixado a pensão, o celular de Edmundo tocou. Era Bianca, queria vê - lo.
O delegado Horacio ligou o computador naquela manhã e releu o depoimento de Bianca. Alguma coisa o intrigava. Não tinha nada com o depoimento de Bianca, mas sim com o nome. Ele tinha a certeza que Bianca Stefany não lhe era estranho. Estava absorto em seus pensamentos, quando o telefone tocou. Para a sua surpresa era Álvaro, delegado de Monte Paulista, cidade vizinha de Vila das Árvores.
-Te liguei Horacio porque ontem foi roubado aqui um gol ano 98 e um palio ano 2000 – disse Álvaro tranquilamente. Tudo indica que os dois suspeitos são daí.
-Daqui?- estranhou Horacio.
-Sim. Segundo testemunhas os suspeitos residem aí em Vila das Arvore.
-Certo. Quais as cores dos veículos?
-O é preto e o palio é vermelho delegado.
-Muito bem, vou apurar os fatos.
-E não é só Horacio. Você ficou sabendo do corpo que foi encontrado perto da ponte?
-Sim, foi enterrado como indigente, não foi?
-Exato. Parece que passou uns dias ai também. Estava em uma pensão; poderia dar uma investigada pra mim?
-Claro, quando tiver novidades eu te aviso.
-Muito obrigado.
Horacio colocou o telefone no gancho ainda mais intrigado. Coisas estranhas estavam acontecendo em Vila das Arvores.
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