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A Revelação...

Publicado por: cisco.devair
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A ODISSÉIA DE STARSOL & LUASAT


Capítulo: XVI
A Revelação...
-- Oii. Vó Dolores!

-- Ôo, moleque dos diabos! Que susto. Quase que me mata do coração, seu cara de jeríco. - reclamou a distraída.
-- Desculpa, Vó Dolô. Foi mal hein! Foi sem querer, mas conta aí; a senhora estava sonhando com Seu Orias. Né? - alfinetou o malandrinho com um sorriso zombeteiro estampado no rosto juvenil.
-- Que sonhando nada. E para seu governo: O nome daquele velho assanhado não é Orias; é Urias, com a letra u. –Ela o corrigiu, ainda um pouco embaraçada. A coitada tentava dissimular o que sentia. Então perguntou usando um tom que dizia estar brava:
--Adonde, que você estava? Com esta cara suja de tatu? O seu parceiro te procurava. -- Ué Vó! eu não avisei a senhora que ia colocar as armadilhas para as traíras, lá no poço fundo?
Manoel, realmente havia avisado de tal excursão pesqueira, pelo jeito a bondosa alma esquecera.
-- Ô, Vó Dolô, os tios estão demorando né?
Dolores já ia responder, quando foi interrompida por Hércules, sansão e Dalila. A pergunta que o menino fizera, acabou sendo respondida pelo trio de cães, pois naquele exato momento os bichos farejaram a aproximação dos donos e Em grande barulho, eles correram uivando e latindo em direção a porteira.
O ronco dos motores já se podia ouvir-se dali onde a mulher e o menino se achavam.
Manoel, demonstrando mais uma vez sua astúcia, exclamou entusiasmado e com propriedades de adivinho:
-- É, os tios.
Completou em seguida:
-- Junto com eles, vem uma máquina quente, uma sete galo, ou quem sabe uma 1250 cilindrada das pretonas.
Dolores riu em desafio beliscando a bochecha do grande arteiro.
Mas, o fedelho desta vez também acertara no que dizia. Assim foi, mas esta confirmação virá um pouco adiante, pois Urias que vai percorrendo o percurso até a vila também vai repassando seus pensamentos, portanto vamos dar um pulinho lá perto da curva do monte da santinha aonde vamos encontrá-lo e vamos bisbilhotar e traduzir aqui, o que passa em sua mente.

Aquela terça-feira já era viúva do sol, ele já se fora, as sombras ainda preguiçosas pouco a pouco começavam descer o manto da noite.
Como sempre ali naquela região nestes dias os entardeceres eram acompanhados de uma gostosa brisa que enganava, pois apenas ameaçava chuva. Findava o mês de novembro.
O mês das festas ia entrar.
Tudo isso era observado por Urias, Enquanto ele obrigava Ventania a ir num trote rápido em direção ao vilarejo, ia observando estes detalhes e automaticamente repassava seus pensamentos.

Os filhotes de Zumira encontravam-se já robustos e sadios, todos vieram a vingar.
O tratamento especial dado a um deles dera bons resultados, o antes leitãozinho agora já graúdo começava a querer tornar-se um lindo e forte cachaço.
Afora os filhotes da Zumira uma grande quantidade de leitoas e leitões estava quase em tempo para o comércio. Neste ano os bichos deixariam Uma boa renda ao cofre do rancho ao irem para os fornos dos habituais compradores.
Mas nem todos tinham este destino. Todo ano, era tradição no Rancho Santa Margarete, reservar um leitão e uma leitoa para as festas de ano. Como sempre, um deles no dia de Natal e outro na festa de dia de ano. Urias disputava com Dolores, a ciência de temperá-los, assá-los e "pururucar" seus couros. Urias gostava de temperar um leitão. Não se fazia de rogado. Grande quantidade de suco de limão, pimenta do reino, coentro, cheiro verde à vontade. Usava também boa ração de alho roxo, banhava também o bicho com uma generosa quantidade de aguardente. Sua ciência, para assar, era simples: espetava o suculento animal em um forte espeto.
Duas forquilhas, previamente fincadas no chão, uma boa fogueira de brasas oriunda de lenha de eucalipto; aonde o verdadeiro alimento dos Deuses, recebia um calor perfumado em fogo brando, e assim, ia assando.
O método tradicional de seus antepassados era bem representado por Urias. No interior do bicho, iguarias em forte farofa eram colocadas, sua boca levava ao assar, uma maçã presa aos dentes. Com lentidão, recebendo constante banho de tempero aromatizado, que era cuidadosamente passado com uma vassourinha de salsinha. Sempre girando o bicho e cuidando para o calor não ceder o suculento era assado com verdadeira maestria.
Findando esta etapa da tarefa, quando a gostosura já apresentava um tom de pele "amarronzado”, quando o cheiro ia a quilômetros, era hora de arrematar com maestria. Neste momento, com muita paciência Urias derramava suco de limão por todo o corpo do falecido leitão. Então, o couro que se achava bem quente pelo calor oriundo das brasas, ao receber o choque térmico, “pururucava” maravilhosamente. Os elogios eram repetitivos. Sua concorrente, na arte de como fazer um bom e suculento assado, não ficava atrás. Com seu toque feminino, fazia tudo que o seu concorrente fazia. Seu tempero era supimpa. Sua maneira de assar era uma mistura do antigo com o moderno. Após, preparar com verdadeiro primor a carne do animal em uma boa forma de assar, cobria-a com papel alumínio, depois levava esta ao seu bem feito forno caseiro. A grande bandeja levava boa quantidade de batatas, maçãs e outras iguarias não menos apetitosas que com tudo isso ainda embelezavam o prato.
O procedimento da arte final era que diferenciava um pouco. Quando o maravilhoso suculento prato chegava ao ponto, a experiente mestre-cuca arrematava. Tirava a grande bandeja com a ajuda de grosso pano, esperava esfriar um pouco, derramando com cuidado sobre o assado uma boa quantidade de gordura quente. Sempre, nesta hora, provocava risadas, pois esbravejava com a quentura e pequenas queimaduras. No entanto o resultado final era estupendo, sem dúvida o visual ganhava de longe do prato de Urias.
Ambos cozinheiros só recebiam críticas do outro, um não deixava passar mínimos detalhes de falhas. A ciumeira era grande. Os arrogantes sempre achavam que seu prato era o melhor. O bate boca era tradicional. Ambos chegavam ao absurdo de não comerem sequer um pedaço do assado feito pelo outro. Assim era aquele amor antigo.

Tudo que aqui nesta parte da estória tomamos conhecimento foi buscado nas lembranças de Urias, que tão absorto vinha cavalgando ventania, que quase nem percebeu o longo percurso. Quando as primeiras casas do vilarejo despontaram no horizonte, o velho peão então voltou seus pensamentos para as proezas do menino Manoel.
O bom homem se recordou daquele último episódio, que se dera à poucas horas atrás, na oportunidade que o esperto menino levou-lhe aqueles apetitosos bolinhos.
Manoel, que trouxera os deliciosos bolinhos para Urias, após entregar a encomenda, com grande habilidade encabritou-se na cerca que compunha o pequeno curral. Enquanto o amigo saboreava seus bolinhos, o danado do moleque com facilidade, ficou de pé no alto da cerca, começando a andar sobre a mesma. O equilíbrio do atentado era grande. A estreiteza das tábuas que eram cheias de desníveis e bamboleava para os lados, valorizava a façanha.
Urias com grande admiração, mas também demonstrando certa apreensão; naquele momento falou duro:
-- Cuidado moleque dos diabos, vai cair daí! - o imitador de artista de circo, "não deu bola”, continuou sua perigosa demonstração.
O cercado do mangueirão era em quadrado, medindo para lá de quarenta metros. O atrevido, sem importar-se com a advertência amiga, foi andando sobre as rústicas madeiras até completar o todo.
No término do quadrado, voltando em seu firme equilíbrio, chegou novamente ao ponto de partida; vinha sorrindo e cheio de figura.
Urias com a voz da experiência, mais uma vez, alertou:
-- Pára com isso, seu filhote de cruz credo. Se você cair desta altura, poderá vir a quebrar um braço ou mesmo o osso da bunda.
O equilibrista amador continuava exibindo-se; agora, parara em cima de um mourão, ficando apoiado apenas com uma das pernas, fazia graça. O fedelho tinha talento. Depois de uma série de passos de artista de circo, deu-se por satisfeito e avisou com voz dramática.
-- Olha agora, SeU Orias, meu número termina assim!
Fazendo ato a suas palavras, tomou grande impulso, como uma forte mola, saltou para cima, girando seu flexível corpo sobre si mesmo, executou um salto mortal. O salto do exibido faria inveja a qualquer profissional do ramo. Contorcendo o magro corpo como se cobra fosse, fez quatro lindas piruetas rasgando o ar com perfeição.
Urias boquiaberto, coração na mão, por sua vez tinha de reconhecer que aquele serelepe era treinado e atrevido. A perigosa exibição fora finalizada com muita classe. Ao cair em pé no duro chão, o danado artista não movera um centímetro sequer do ponto onde posara. Seu porte era majestoso. O velho índio, que em sua infância fora também muito esperto, intimamente reconhecia que aquele danado o superaria com facilidade.
Quando Manoel chegou mais perto, trazendo em seus lábios um sorriso superior e satisfeito, Urias perguntou:
-- Quando e onde, seu cabrito sem chifre, você aprendeu fazer tudo isso. Por acaso será que você não é cria de um circo? - completando, sua abstração, para si mesmo respondeu:
--É. Vai ver que caiu de algum caminhão de um circo destes que andam rodando pelo mundo.
Urias ficou matutando: Quem realmente seria aquele menino? Cada dia que passava o fedelho demonstrava ser diferente dos outros garotos dali daquela região. Urias, cada vez mais ficava ENSIMESMADO com aquele mistério... A curiosidade aumentava. Ainda ali, em companhia do menino serelepe o velho lobo do mar também fazia suas reflexões e em momento algum podia suspeitar que naquele momento vivido, lá na estrada que trazia ao rancho, seus patrões enfrentavam experiências nunca vividas.
Neste momento o casal ia ao encontro do misterioso salvador.


--Mais uma vez eu agradeço de coração sua providencial e abençoada ajuda.
Nicanor assim expressava seus nobres sentimentos, ao aproximar-se amigavelmente, com sua mão espalmada e estendida.
O rapaz, alguns instantes atrás ao CAMINHAR EM direção a indolente figura do homenzarrão, viera tentando avaliá-lo. O jovem rancheiro apesar de trazer do berço, sentimentos nobres e já cultivar no coração, um grande sentimento de gratidão para com aquele estranho, ainda estava receoso.
Sua cautela era mais devido ao estado de ânimos que se encontrava. Este, provocado pelos últimos fatos, pois, reconhecia que desde o início simpatizara com o barbudo.
Samanta vinha ao seu lado; Ela por sua vez apenas trazia em seus claros olhos uma grande curiosidade.
A forte figura misteriosa, ao retribuir o cumprimento, com sua grave voz, mais uma vez voltava a surpreender o casal ao dizer.
-- Não foi nada, tudo foi um acaso, apesar de ser minha missão.
-- Como assim: sua missão?
Quis saber; Samanta. - a jovem senhora, não disfarçava sua natural curiosidade.
-- Minha missão, a princípio, era encontrá-los. Graças à sorte, já os encontrei, por puro e mero acaso.
Bom, se a dona sorte me ajudou, agora me resta dizer para ambos: Que estou aqui com a missão de tentar ajudá-los e para tanto estou pronto e vocês podem contar comigo. -- Quem é você? - Nicanor franzia o cenho, ao perguntar. Estava ressabiado.
O homenzarrão suavizando sua voz, disse:
-- Não se assustem, meus novos amigos - enquanto assim pronunciava, retirava teatralmente, seus óculos escuros - Nicanor e Samanta, arrepiados de pura surpresa, não conseguiam acreditar em seus próprios olhos. Seus olhos miravam hipnotizados dois cintilantes olhinhos que piscavam como luzinha de árvore de Natal. O casal reconheceu de pronto aquele olhar diferente e não agüentando segurar suas emoções, pois a surpresa era muito forte. Ambos gritaram ao mesmo tempo:
-- GALLUS!
-- Gallus, é você mesmo? - perguntou novamente em uníssono o casal.
A resposta mais uma vez os surpreendeu:
-- É, sou Gallus. Quer dizer uma versão do próprio.
Nicanor e Samanta a princípio não entenderam aquela resposta. Para eles, o rumo daquela conversa não tinha sentido.
E no ato, pediram mais esclarecimentos.
O barbudo então: calmamente fazendo uso de uma boa e pausada voz passou a explicar.
Conforme seguiu a explicação que se deu ali naquele momento e que por sinal fluiu em riqueza de detalhes, Nicanor e Samanta entenderam assim: O Gallus barbudo que ali estava era um clone do Gallus baixinho e rosinha que eles conheceram.
O Gallus que ali estava era uma clonagem conforme o mesmo foi detalhando. A clonagem no Planeta Owus era comum.
Nicanor e Samanta que já haviam tomado conhecimento através de noticiários e especulações de possíveis clonagens humanas, começaram pouco a pouco a assimilarem o que sucedia.
Raciocinaram assim os dois com muita lógica: Se, em nosso Planeta a clonagem já era ponto passivo em animais como exemplo: a pioneira OVELHA DÓLLY, e também outras especulações divulgadas de fatos ocorridos, mas ainda não confirmados pela classe médica científica.
Partindo deste princípio era de ser lógico pensar que em outro planeta qualquer que exista vida inteligente, estando este planeta em um estágio científico um pouquinho a nossa frente, que a clonagem já aconteça naturalmente.
O assunto era complexo e interessante. A conversa indicava ser longa e reveladora. Os três interlocutores, com um jeitinho se acomodaram como puderam nas fortes raízes expostas da grande árvore:
: Todos sentados; estrada deserta, uma sombra caridosa e uma brisa que amenizava o forte calor da tarde contribuía para uma conversa calma e esclarecedora.
O já considerado novo amigo Gallus com três eles, assim era seu nome; pois o Gallus baixinho e cor de rosa, que o casal também já considerava um amigo, usava em seu nome (conforme nossa escrita) dois eles. Assim foi explicando o forte barbudo. Existiam atualmente, conforme tinha conhecimento cinco Gallus, ou seja, Gallus, Gallus (que era o Rosinha) Gallus (que era o barbudo) e mais dois: Gallus e Gallus.
Com um pouquinho de dificuldade, o surpreso casal inteirou-se do curioso e complicado assunto. Como não poderia ser diferente; como a curiosidade feminina, sempre foi e será aguçada; como sempre os detalhes importam muito para as verdadeiras mulheres, e, assim sendo, a inteligente e perspicaz Samanta, primeiro, tudo escutara em silêncio. Após digerir bem o exposto; só agora manifestava sua curiosidade feminina.
Ela de chofre, perguntou:
-- Se você, é o terceiro Galus: E se aquele que nós conhecemos anteriormente em nossa viagem ao seu Planeta é o Galus segundo quem é o primeiro Galus?
Mais uma vez a resposta foi surpreendente.
-- Infelizmente. Eu, ainda não sei. Haja vista que até pouco mais de um ano atrás, eu não sabia também que era um deles, ou melhor, dizendo que eu, era um Owusplantense.
-- Como assim? Quis saber, o ponderado Nicanor. - Gallus, relatou com calma sua trajetória de vida.
Conforme sua narrativa ele sempre vivera em nosso planeta.
Até há pouco tempo atrás se considerava um humano, apesar de ser um pouquinho diferente daqueles que sempre o cercaram. Sua odisséia era incrível. Só, há pouco mais de ano descobrira que não pertencia à raça humana. Galus, hoje um homem de 27 anos, fora criado até uma certa idade em um grande orfanato, na cidade de São Paulo. Suas lembranças viam apenas dos 7 anos adiante, sempre vivera até então sem o carinho e afeto verdadeiro. Sem conhecer o carinho de seus pais biológicos. Ninguém nunca revelara ou explicara como chegara naquele lugar. Ali, atrás daquelas frias e carcomidas paredes, cercado pelos altos muros, sendo catequizado por velhas e rabugentas freiras. Foi, neste rígido educandário, onde vivera até que em um belo dia qualquer fora adotado por um jovem casal de turistas ingleses, que o levara para a Inglaterra.
Ali, na terra da pontualidade e dos famosos chás da cinco, seus pais adotivos deram-lhe o nome de: Kristoffêr. Assim era seu nome: Kristoffêr Willian Glintushy. Ali, junto com seus bondosos pais adotivos, crescera recebendo muito carinho e uma esmerada educação. Em seu crescimento, algumas anomalias o perseguiram. Era diferente dos demais garotos. Sua mente era muito evoluída, tinha certos poderes, seus olhos mudavam de cor e formato. Os olhos do rapaz eram de um cinza metálico, mas dependendo de sua vontade, ele mudava para outras cores ou em formato de estrelinha.
Neste momento da narração, o rapaz voltou a retirar seus óculos escuros, deixando a mostra duas pupilas de um cinza metálico, que transmitiam um olhar duro e frio igual aço cortante fosse.
Aquele olhar deixava transparecer, a quem o mirasse, uma grande inteligência e que seu dono era sem dúvida, um sujeito perigoso e de personalidade forte e indomável. Krist era o apelido do barbudo, e assim que apreciava ser chamado pelos amigos, continuou sua história de vida.
O rapaz estudara em bons colégios vindo a fazer, com grandes méritos, a faculdade de medicina. Médico cirurgião, diretor destacado de um grande hospital Londrino, resolvera largar tudo para trás quando em um acidente de carro veio a perder seus pais. Até então, o jovem médico acreditava inocentemente, que a sua origem era brasileira e logo após enterrar seus pais de adoção, vendeu todo seu patrimônio e transferiu-se para o Brasil. Na época, seu destino fora a cidade de São Paulo. Ali começara suas investigações. Iniciando pelo antigo lar, o orfanato onde fora recolhido e morara na infância. Sua intenção era localizar seus pais naturais ou parentes.
Três anos de buscas em vão se passaram. Três anos de peregrinações, pistas falsas, desilusões amargas quase o fizeram desistir.
Até que, em um dia de domingo, voltava ele de uma solitária pescaria; isso acontecera há exatamente um ano, quatro meses e sete dias atrás. Fora assim: uma Nave em formato de chapéu mexicano apareceu, e... O rapaz continuou a narrar sua história, que dali para frente parecia com a excursão que Nicanor e Samanta haviam feito.
O restante foi narrado, com o casal participando da conversa, pois lembravam detalhes, portanto suas mentes avivaram imagens e alguns detalhes importantes. Em todos os momentos de sua narração, o jovem Krist quase não alterara sua fisionomia, apenas quando lembrara das mortes dos pais adotivos seu semblante entristecera e sua voz embargara de emoção.
Realmente, uma história inacreditável. Uma história, que deixava transparecer as dificuldades que crianças abandonadas sofrem, quando por um motivo ou outro, não saibam quem são seus pais verdadeiros.
O rapaz tivera muita sorte, pois fora criado e educado por uma boa família. Encerrando o que narrava, o jovem Krist contou que após ser levado para o planeta Owus e inteirar-se de fato quem era. Como viera parar no planeta Terra. O rapaz, na oportunidade, procurara saber de seus pais biológicos. Quem eram os mesmos. Se ainda viviam ou não. Considerando esta parte de sua história, um pouco macabra e nada agradável, o rapaz com bom senso, talvez pensando no estado de gravidez de Samanta, preferiu deixar os detalhes para outra ocasião.
Neste momento que a conversa já ia para mais de uma hora e, sendo ali um lugar não muito apropriado para conversarem tudo que gostariam e que se fazia necessário, Nicanor convidou o novo amigo, para passar uma temporada no rancho.
Nicanor e Samanta, ainda não haviam exposto seus dramas. O casal, nada contara sobre si, sobre suas angústias em relação à gravidez de Samanta.
Mas, mesmo sem comentário algum do casal, aparentemente Krist já os conhecia e apesar de não entrar em detalhes, quando afirmara que sua missão era a de protegê-los e como na ocasião do incidente com os desajustados, ele demonstrara também já conhecê-los.
Provavelmente, algum dossiê, relatório ou algo parecido o misterioso Krist, deveria possuir em suas mãos.
Assim tudo dizia ao jovem casal. Nicanor, após combinar com o novo amigo, a maneira mais conveniente que eles usariam para apresentá-lo e do mesmo modo também combinaram com o mesmo, o seu comportamento junto aos demais do rancho.
O casal informou ao jovem, que apenas Urias tinha conhecimento de certos fatos relacionados com a excursão de ambos ao Planeta Ovus.
E assim tudo combinado; Nicanor então Solicitou ao seu convidado que este os acompanhasse:
--Vamos lá Doutor Cristi! Agora é sua vez de comer um pouquinho de poeira! Queira por favor, seguir meu velho Opala, daqui a pouquinho estaremos no Santa Margarete.
O jovem barbudo que há poucos minutos atrás havia aceitado o convite, para ficar alguns dias no rancho, deixou escapar um leve sorriso, concordou com um lacônico: “okey” e então com seu andar de jaguar dirigiu-se em busca de sua negra máquina. Acionou a ignição desta e dando partida se dispôs a seguir o conservado veículo que já buscava a longa estrada e que os levaria até os domínios do próspero Rancho Santa Margarete.
Aqui termina este capítulo. Esta odisséia continua!

 

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