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O Reencontro...

Publicado por: cisco.devair
Data: 14/02/2009
Hora: 09:16:48
Página: biblioteca_ler
Na categoria: x
Leituras: 86

 


A ODISSÉIA DE STARSOL & Luasat
Capítulo X
O Reencontro...
As duas moças aguardaram até que os cavaleiros se aproximassem e, só então, Margot veio a reconhecer dois dos mesmos.
Bruno e Bruna eram seus vizinhos, moravam na fazenda que fazia cabeceira com o rancho Santa Margarete.
O trio foi chegando com seus chapéus nas mãos. Bruna adiantou-se um pouco e, pulando da montaria, correu uns passos de encontro à amiga de infância. Margot retribuiu, indo em sua direção; as duas, com carinhos, trocaram abraços e beijos, deram alguns gritos de manifestação de alegria, ensaiaram alguns passos de dança: (tipo cam-cam). Estavam contentes, pois já fazia algum tempo que não se encontravam.
Margot apresentou a amiga de infância à Suzy, cumprimentou Bruno que chegara. O jovem rapaz demonstrava certa timidez. Margot, também estava um pouco embaraçada.
Bruno e Margot haviam sido namorados até pouco tempo atrás. Quando a moça fora estudar na capital, o romance foi interrompido.
Superando o constrangimento momentâneo o rapaz apresentou Alonso: que trazia nos lábios um franco e simpático sorriso. Alonso, um quarentão alto e forte de conversa fácil e maneiras educadas, em poucos instantes conquistou a simpatia das duas moças.
Bruna, uma jovem alegre, descontraída; um pequeno botão de rosa, que aparentemente não desabrochara como uma bela flor: pequena de estatura, cabelos ruivos presos na nuca, olhos verdes brilhantes, pele clara, porém bronzeada pelo sol, costumava usar roupas masculinas, iguais aos vaqueiros da região. Seu corpo de jovem mulher de 21 anos ficava escondido pelas folgadas e surradas roupas. Quem a visse, a princípio a confundiria com um rapazinho. Apenas dois detalhes diferenciavam a jovem, seus lindos lábios vermelhos e sensuais e uma voz maravilhosa que entrava nos ouvidos como um verdadeiro canto do uirapuru (dizem que quem tem o privilégio de ouvi-lo não esquece nunca mais). A simplicidade era uma das suas principais qualidades; simplicidade de uma alma pura de alguém que nunca havia cruzado as fronteiras da civilização local, sempre vivera ali. Apesar de ser dois anos mais nova do que o irmão, era um dos pilares da propriedade que a família possuía na região.
A mãe dos jovens irmãos havia falecido há uns oito anos, desde então a moça assumira os afazeres e a coordenação da casa da fazenda.
O senhor Alfredo, robusto imigrante italiano, pai de Bruno e Bruna, era um próspero criador de gado, velho companheiro do falecido pai de Margot.
O forte fazendeiro era muito enérgico, mantinha com mãos férreas os seus domínios. O velho pioneiro sempre tivera rusgas com o filho Bruno, o rapaz de natureza tímida, pouco falante e com poucas iniciativas. Conforme os olhos do pai, o rapaz nunca alterava suas maneiras calmas, sempre aparentava insegurança. Aqueles modos irritavam por demais o velho e temperamental viúvo.
Bruno, um atlético rapaz com 23 anos, corpo forte e talhado na dura lida com o gado, tinha os cabelos ruivos como os da irmã, os olhos de um azul cinza incríveis, pele bronzeada, pouco sorria, pouco falava, manifestava-se só quando era necessário. Realmente o rapaz era extremamente sisudo, nunca se sabia o que estava pensando.
Margot e o jovem rapaz haviam namorado desde crianças, já estavam nas portas do casamento, quando a moça resolveu fazer a faculdade de agronomia, tendo para isso que mudar para a capital, o romance foi abalado até o ponto de acabar.
Bruno, a partir de então, se fechara ainda mais, pois sentia por Margot uma grande paixão. A moça é que tinha lá suas dúvidas. Ela pensava muito em sua independência.
O grupo, em pouco tempo, entrosara-se, risadas e exclamações alegres povoaram aquele local. O quinteto ajuntara suas merendas, estenderam duas grandes toalhas sob a proteção de uma grande sombra, sentaram-se a sua volta e com alegria e descontração, passaram a lanchar.
Suzy, como sempre, monopolizava as atenções dos dois homens. Margot que nunca havia se incomodado com o comportamento da irreverente amiga, começou a sentir uma pontadinha de ciúmes, quando flagrava o olhar de Bruno alterar o brilho. A moça não estava gostando daqueles olhares de admiração.
Alguma coisa parecia acontecer com Bruna que sentia uma atração por Alonso que, para infelicidade da moça, nada notara.
Mostrando que era um experiente conquistador, um artista na arte da sedução, o jovem senhor que era do estado de Goiás e que tinha como profissão ser técnico especializado em reprodução e melhorias de animais de corte, sendo que atualmente prestava seus serviços técnicos para a fazenda Capoeira do Norte.
Alonso sabia como agradar uma bela mulher, galanteador, um verdadeiro cavalheiro das altas rodas da sociedade goiana, ou para alguns um velho lobo em pele de cordeiro.
Suzy, com seu jeito liberal, o incentivava.
Paqueras, gracejos, flertes e pontadinhas de ciúmes, com este forte tempero, o papo chegou até o entardecer do dia. Foi quando o menino Manoel chegou para avisar as duas moças, que Nicanor e Samanta já haviam chegado.
Com promessas de reunirem-se no dia seguinte lá na fazenda dos irmãos, para um churrasco que já estava programado, despediram-se, e Samanta com Manoel na garupa de Ventania, pegaram à trilha e retornaram para a casa grande.
Samanta foi brincando de dar bronca no levado moleque, que estava ensopado como pintainho em baixo de chuva, pois o danado, enquanto as moças despediam-se dos amigos, havia subido em uma pedra e, com roupa e tudo, praticara um lindo salto acrobático na represa. O fedelho, com agilidade, deu um salto mortal fazendo duas piruetas no ar, parecia um peixe: nadava e praticava acrobacias de todos os tipos.
Bruno chamou a irmã e Alonso para irem por um atalho que conhecia, desde os tempos que vinha namorar Margot. Foi aí então que Alonso tomou conhecimento do romance dos jovens. Intimamente ficou aliviado por não haver jogado charme em cima da moça, pois na realidade centralizara suas baterias em cima da bela Suzy.
Como seria normal de acontecer, os dois rapazes fizeram alusão aos dotes da fogosa morena. Nenhum dos dois percebeu que Bruna ficara incomodada.
O irmão nunca enxergara a irmã como uma mulher, pois a pequena tinha o temperamento do pai, montava em burro xucro como ninguém, tinha uma força extraordinária. Derrubava um novilho com facilidade, após laçá-lo com destreza. Apesar de pequena, costumava brigar de socos e pontapés até com os vaqueiros da fazenda.
Alonso, por sua vez, só havia tratado assuntos de trabalho com a jovem herdeira. Portanto nenhum dos dois percebeu. Não poderiam jamais imaginar o que se passava no íntimo da pequena borralheira.

O entardecer buscava a hora da Ave Maria. A conversa de Nicanor e Urias ia longe, o início havia sido complicado, várias vezes Nicanor foi obrigado a repetir nomes e fatos acontecidos para que o ouvinte pudesse assimilar o que ouvia.
Com paciência, com cuidado de detalhes, tentando não deixar preocupações desnecessárias, zelando para que aquela mente vivida, mas simples não pirasse, o rapaz narrou a escabrosa aventura no espaço.
Os pequenos olhos negros faiscavam naquele rosto curtido e impenetrável. Realmente Urias era um bom ouvinte e sabia controlar suas emoções. Quem não o conhecesse, juraria que não havia entendido, mas Nicanor sabia que atrás daquele rosto de pedra, um cérebro privilegiado, captara o exposto da mesma maneira que se tivesse vivenciado.
Demonstrando já haver lido livros que tratam do assunto da existência de vidas em outros planetas, fazendo uso de palavras de alguns dos conhecimentos atuais dos estudiosos do assunto, Urias só interrompia quando queria saber detalhes.
Com curiosidade, perguntou se podia examinar o anel tradutor de idiomas. Nicanor, retirando o objeto, passou-o, com delicadeza para as carcomidas mãos de Urias. O ancião olhou, olhou de perto, de longe, contra a claridade do sol que entrava pela janela, cheirou e fez menção de dar uma pequena mordida, parando no meio do caminho, com certeza lembrou que aquela jóia também era um dispositivo eletrônico.
Nicanor continuou relatando detalhes da aventura sideral, comentou do incidente ocorrido com Samanta, quando a mesma havia, sem querer, derrubado um dos bagos. Lembrou que na oportunidade, os ovusplantex haviam demonstrado muita apreensão.
Nicanor, ao narrar esse episódio, lembrou que ele e Samanta não ficaram sabendo o que acontecera com o bago acidentado, nem tão pouco o resultado dos exames que Samanta fez.
Nicanor lembrou: Samanta havia esbarrado naquela espécie de berço, derrubado o bago que estava em estado de nova fertilização.
O pequeno ser havia caído e na queda, ferindo-se. Samanta precipitara-se e pegara-o em suas mãos.
O pequeno ser esvaiu um líquido rosa escuro, o líquido penetrara rapidamente nas mãos de santinha.
Nicanor lembrava, puxava pela memória, tentava lembrar detalhes que na oportunidade pudesse haver passado desapercebido.
Só agora o rapaz lembrava que a esposa estava grávida. Parou. Ficou uns segundos quieto. Uma ruga franziu sua larga testa. Havia ficado preocupado.
Urias, observador que era, percebeu a sombra de preocupação no rosto do jovem patrão, então perguntou:
--O que foi patrãozinho? Você lembrou alguma coisa séria? A dona menina corre algum perigo?
--Não. Não, que isso, bobagem da minha cabeça.
Balançando a cabeça para os lados, tentando afastar aqueles negros pensamentos, continuou a narrar sua odisséia sideral.
Eles ficaram ali, até a noitinha chegar, só pararam a conversa quando escutaram o tropel dos cavalos que se aproximavam, gritos de verdadeiros índios comanches dos antigos filmes de faroeste americano encheram os ares. Eram as moças e Manoel que chegavam cantando, gritando como os folclóricos e lendários peles vermelhas.
O trio fazia tanto barulho que assustaram as galinhas que começavam a empoleirar para dormir. Os três cachorros latiam e uivavam como lobos nas pradarias, em noite de lua cheia. Os sapos e pererecas começavam a coaxar em sua noturna ladainha. Lá no alto da figueira morta, a coruja piava e espiava tudo com seus grandes e míopes olhos.
Todos saíram na grande varanda para receberem os jovens barulhentos, o trio era só alegria e descontração. Os irmãos abraçaram-se com emoção, trocaram beijos emocionados. A saudade era muita, já estava para mais de três meses que Margot não vinha ao sítio.
Enquanto os irmãos confraternizavam-se, Samanta e Suzy cumprimentavam-se. Suzy, como sempre, já foi fazendo suas brincadeiras, imitando um bebê chorando.
Samanta, que desde que chegara da cidade estava um pouco séria, descontraiu-se, rindo com vontade.
Nicanor, após cumprimentar Suzy e também não escapar das brincadeiras da moça, voltou sua atenção para a irmã, pedindo que ela mostrasse como estava.
Margot girou sobre os pés, fez pose de manequim ao desfilar, fez caretas e deu uns passos de valsa.
Nicanor aprovou, emocionado. Seus olhos marejaram de lágrimas. Lembrou de sua mãe: a irmã se tornara uma bela mulher era muito parecida com a finada dona Margarete. A conversa continuou animada por mais um bom tempo até que Dolores mandou todo mundo para o banho, pois o jantar estava quase pronto. A prestativa Dolores, com a ajuda de Urias, havia tido um trabalho danado para encher a grande caixa de água. Pois como a mina estava mandando sua água um pouco barrenta, o jeito era usar a água do poço.
Ao ouvirem a ordem da cozinheira, Suzy e Manoel correram e gritaram:
--Primeiro euu!
O serelepe ganhou a corrida, chegando primeiro na porta do banheiro.
Demonstrando uma vivacidade acentuada, o espoleta parou ao lado da porta e fazendo micagens tal qual um macaquinho, disse:
--Eu deixo a senhorita ir primeiro.
Com este gesto cavalheiresco, acabou ganhando um sonoro e lambuzado beijo, ficando vermelho até as raízes dos cabelos. Suzy, rindo com vontade ao ver o rubor do menino, entrou no banheiro para o seu disputado banho.
Nicanor, Margot e Samanta estavam conversando sobre o neném. Urias foi desencilhar e soltar os cavalos na cocheira.
A noite era linda, a chuva caída havia deixado uma temperatura agradável e pequenos vagalumes iluminavam as moitas e arbustos, ouviam-se os cricris dos grilos por toda a parte, escutava-se as cantigas da sapaiada. Lá no brejo, uma redonda lua nova parecendo um grande queijo iluminava as trevas.
Urias, após cumprir a tarefa, como de hábito, sentou-se empoleirado no mourão da porteira; acendeu o fedorento cachimbo. Olhou para o infinito, sugou com força o velho cachimbo, baforou uma forte fumaça, espantando os pernilongos da região, soltou a mente e se pôs a pensar:
--Ó meu deus, grande tupã, aonde será que está este planeta óvus? Será que é aquela estrelinha lá longe? Como os meninos foram até lá e voltaram? Que loucura, meu Deus.
--O que será que eles querem conosco? Será que todos serão amigos?
--Pelo jeito que o patrãozinho falou eles sabem mais coisas que a gente. Será que eles sabem quem nasceu primeiro: se foi o ovo ou a galinha? - ao pensar nisso aflorou-se em sua face um meio sorriso, voltando a ficar sério, ao pensar:
--Será que eles já sabem a origem do primeiro humano? E as abelhas de onde vieram?
--Ai, meu Deus quem sabe eles já conhecem a cura do câncer, da aids, e outras doenças que temos?
--É, grande tupã, só o senhor que sabe. Puxa vida, bem que eu gostaria de um dia dar um pulinho lá para aquelas bandas. - Ao pensar assim, começou a rir sozinho.
O encucado índio ficou ali, pensando, pensando, imaginando e sonhando acordado, ainda por um bom tempo. Até que ouviu seu nome ser chamado lá na cozinha.
--Pelo jeito a bóia está pronta, deixa eu tratar de quem está me matando, porque depois tenho que contar aquela história que eu prometi para o cara de melancia.
Com estes pensamentos, Urias apagou o cachimbo, pulou de onde estava e foi juntar-se aos outros.
Será que o grande segredo será mantido? Envolver mais pessoas nesta estória valeria à pena?
Confira nosso próximo capítulo!

 

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