| Publicado por: | cisco.devair |
| Data: | 14/02/2009 |
| Hora: | 09:12:31 |
| Página: | biblioteca_ler |
| Na categoria: | x |
| Leituras: | 82 |
A ODISSÉIA DE STARSOL & LUASAT
Capítulo: IV
Conhecendo os Migalhas...
O casal Nicanor e Samantha guiados por Gallus que era o tampinha cor-de-rosa e seu desengonçado companheiro, acabava de adentrar em um novo compartimento daquela estranha nave.
--Incrível! Puxa vida! Quem são eles?
Exclamou Perguntando, curiosa a bela Samanta, ao ver uma comprida mesa oval e minúsculos seres aparentemente em reunião.
--São os migalhas. Respondeu Gallus.
--Quem são os migalhas e o que fazem? Disparou Nicanor, entrando na conversa.
--São os mentores de nossa pova.
--Seu povo, quer dizer?
--Isso mesma, nossa pova. - Respondeu o rosinha continuando a trocar as bolas.
Os olhos do casal ainda surpresos viam um quadro diferente de tudo aquilo que qualquer imaginação humana pudesse buscar:
Pequeninos, bonitinhos, amarelinhos cor-de-ouro, cabecinhas redondinhas, brilhantes, com um círculo anelado em cor de marfim, pareciam pequeninos anjos sem asas.
O casal sem saber o porquê de repente dentro das suas individualidades sentiu-se ainda menores diante daqueles seres miudinhos.
Mas mesmo isso acontecendo o instinto maternal de Samanta aflorou - ao ser saudada pelos minúsculos, não agüentou, apanhou um deles e trazendo para o aconchego do seu colo, passou com carinho sua mão direita em sua pele.
Seus dedos sentiram o contato daquela pele cheirosa: era lisinha igual bundinha de nenê - um perfume de aroma de tutti-fruttienvadiu suas narinas.
Samanta observou bem o que seus olhos viam: olhinhos de estrelinhas, três dedinhos, narizinho e boquinha, bracinhos e perninhas, aquela figurinha que estava em seus braços, era igual às outras que majestosas ocupavam as pequenas poltronas ao redor da ovalada mesa.
Sem dúvida nenhuma, os miudinhos eram fofinhos e suas imagens transmitiam uma energia indescritível e maravilhosa.
Samanta não agüentou, com carinho depositou um beijo naquele rostinho. Fez um esforço danado, mas se Controlou ao extremo aquela sua vontade mórbida de aplicar uma sonora e faminta mordidela na bochecha do coisinha.
O Migalha deixou-se acariciar e singelamente devolveu o carinho, deixando roçar uma de suas mãozinhas nos longos e sedosos cabelos de Samanta.
Neste momento ouviu-se a voz de Gallus:
--Ele é Crammux, o nosso rei mentor.
Em seguida o tampinha completou:
-Ela... Quero disser: Ele! É o líder dos líderes.
E uma risadinha escapou dos lábios de Gallus.
Que ainda tentava acertar o que dizia.
Samanta que já entendia bem o Rosinha, demonstrando embaraço rapidinho devolveo o fofinho ao seu lugar.
--Eles não falam? - quis saber Nicanor.
--Não, apenas transmitem odéas, digo adéias.
--Quer dizer idéias! - corrigiu Nicanor.
--É isso aí cara, respondeu o Rosinha, dirigindo-se a Nicanor.
Os miudinhos como se nada percebessem continuaram sua reunião mental.
Os Migalhas eram bem pequenos, aparentavam entre 0,30 centímetros e 0,40 centímetros de altura em média; trajavam uma roupinha de peça única, lembrando um macacãozinho de bebê em tons de cores metálicas brilhante, com gravatinha borboleta nos pescocinhos, com alguns enfeites nas roupinhas que ostentavam com muita elegância e uma certa nobreza.
Os olhinhos faiscavam como fagulhas de papel queimado na fogueira de São João em noites de brisa, que levantam os papéis ao léu até queimar.
Houve um momento que Todos aqueles miudinhos encararam o casal, pareciam vasculhar o interior dos mesmos.
Aqueles olhinhos fixaram em Nicanor e Samantha como se fossem um poderoso Raio-X, que vasculhasse até as almas do casal.
Nicanor e Samanta após este demorado exame se surpreenderam ao serem convidados a tomarem assento em duas esquisitas poltronas.
O convite era imperativo e os migalhas gesticulavam com suas mãozinhas que suavemente indicavam os dois acentos.
Enquanto isso se transcorria, o mundo conhecido erroneamente como Terra girava sobre seu eixo invisível.
Lá no sítio a vida continuava...
--ôh Manééé! Ôh Manééé! -Gritou Urias.
“Onde é que se enfiou este moleque?” - exclamou ele ao vento.
--Oooi Seo Orias! Tô aqui! - Apresentou-se o vivo e sapeca menino que tinha Lá seus nove anos e vinha com os pés desnudos pisando o chão, sem camisa, os cabelos desgrenhados e as pernas da calça pelas canelas.
--Urias... Silabou o inquieto capataz:
--Entendeu moleque? U-Rias! Pára de matar passarinhos. Mais uma vez soletrou e depois completou:
--O Patrãozinho não quer. Quem avisa: Amigo é!
--O tio tá demorando, né? Seo Orias! - perguntou o esperto.
--U-Ri-AS, moleque. - respondeu o bom e fiel ajudante de Nicanor no pequeno sítio.
--Vai lavar sua fuça de cachorrinho sem dono e volta aqui, que eu vou explicar. - passando a mão em um cafuné nos emaranhados cabelos do peralta e dando uma palmadinha em seu traseiro.
O fedelho chispou feito gato do mato. O velho sábio índio Xavante sentou-se na porteira do curral; acendeu o cachimbo, com um olhar distante e meigo lembrava dos amigos.
O fiel homem vivia no sítio desde os tempos dos pais do Patrãozinho Nicanor, maneira carinhosa ao falar com o patrão.
Lembranças de quando ali chegara; Dos pais de Nic. De quando Nic nasceu, quando faleceram os velhos amigos, que o acolheram com amizade e sempre o respeitaram. Tudo era mato, tudo era mais difícil. É foram-se 32 anos...
--Tá falando sozinho Seo Orias? - perguntou o serelepe.
--Mi assustou, sô!
--Descurpa!
--Fala-se des-cul-pa, seu cabeça de leitoa! Zombeteiro - falou o centenário Xavante.
--O senhor vai explicar o quê?
--Bom... O menino sabe... Que... Deixe mim ver...
--Deixe-me ver grande chefe. - riu o pentelho e continuou...
--Não enrola Seo Orias, eu já sei, tia Sá vai ter nenê.
--Ah! Você sabe, seu cara de bagre! Quem te contou?
--Ninguém, eu que assuntei quando Tia Sá contou pra Dona Maria da Porcada.
--Coisa feia escutar a conversa dos mais velhos e pára de chamar Dona Maria assim que ela não vai gostar, viu seu espírito de porco espinho.
Então, com uma cara curiosa perguntou o espoleta.
--Tudo que Deus criou tem Espírito. As árvores, as aves, as bicharadas...
Até as pedras?
--É, de uma certa maneira sim, neste mundo até as pedras se cruzam um dia.
O menino que um dia fora encontrado perdido no meio de uma estrada, em uma noite chuvosa de setembro, e que desde então vivia no rancho, ficando sério disparou:
--Se até as pedras se encontrarão, um dia eu vou achar meus pais.
--É, filhote de cruz-credo, o Grande Tupã é quem sabe.
--Vai, vai dar água para os porcos, que mim vai tratar das galinhas.
--Eu ir... Grande Chefe corrigiu o brincalhão, e escafedeu-se como um foguete.
O velho filósofo fingiu pegá-lo, batendo os pés no chão, soltando uma gostosa gargalhada e foi cuidar das tarefas do dia-a-dia.
A vida corria normal...
Enquanto caminhava para cumprir suas tarefas o devotado capataz buscava com seus pensamentos, Nicanor e Samantha. Se ele soubesse o que os amigos vivificavam neste momento com certeza correria ao encontro dos mesmos.
Confiram à experiência vivida por Nicanor e Samantha no próximo capítulo!
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