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Visão além da vida

 

Data: 00/00/0000
Hora: 22:00:49
Publicado por: ederson
Publicado na página: biblioteca_ler

 

Visão além da vida
“O nosso espírito continua vivo, apenas deixamos nosso ser carnal.”

Logo após o falecimento do senhor Osmar, tudo mudou na vida de Marta e dona Ilda. Até mesmo a situação financeira do que restou da família se complicou.
Dona Ilda começou a trabalhar como doméstica e a filha ainda tinha que terminar os estudos para poder ajudar a mãe. Marta teve que começar a aprender a cuidar da casa, fazer a comida para ela própria comer, e muitas outras coisas que acabaram por transformá-la em uma jovem mulher dona de casa e vivida.
Aos 15 anos, Marta tinha muitos amigos, mas muitas vezes não podia ir à bailes, festas, entre outras coisas, pois precisava ajudar Dona Ilda nos deveres de casa.
Nessa época, a ditadura militar dominava o país com suas revoltas, violências e falta de liberdade de expressão. Os estudantes ouviam as notícias que circulavam em toda a região.
Marta, começou a pensar na sua saída da cidade, para ir à São Paulo, pensando em fazer uma faculdade, já que naquela pequena cidade não havia condições de se estudar o ensino superior.
Começou a cogitar essa idéia com a mãe. Logicamente, a mãe logo reprovou a idéia:
_Claro que não! Disse dona Ilda.
_ Lá na cidade grande, ta tendo guerra, muita gente morrendo, não quero isso minha fia! Seu lugar é aqui, na roça, plantando, colhendo,trabaiando nessa nossa vida dura do dia-a-dia.
_ Não mãe! Eu ainda vou ter meus filhos, e eu e meus filhos construiremos uma empresa muuuuito grande, que vai dominar o país inteiro. Nossa empresa vai ajudar muita gente que está precisando.
_Ah, só rindo mesmo, ocê acha que uma menina camponesa consegue ser dona de arguma coisa? Disse dona Ilda.
_Consegue sim mamãe, eu ainda vou te mostrar.
_A vida ainda vai te ensinar muito Marta. Muito mesmo.
_Deus é quem vai saber o que será da minha vida, mãe.
As duas saíram cada uma para um lado da casa emburradas.
Certo dia, Marta estava arrumando as coisas na casa, juntamente com sua mãe, quando de repente uma luz forte apareceu do nada. Um vulto branco apareceu. De cara, Marta reconheceu o vulto. Era o vulto de seu pai. Dona Ilda não sentiu a mesma presença naquele momento.
Então Marta disse:
_Pai?
A voz familiar do pai logo ecoou pelo quarto dela.
_Sim, sou eu mesmo, minha fia!
_Mas.... Mas.... Você não morreu?
_Para o mundo sim, mas espiritualmente não. Eu não disse que eu ficaria perto de vocês, mesmo estando “morto”?”
_Sim, disse sim, papai.
_Pois então, estou aqui. Fia, você vai ser uma grande mulher, siga seus pensamentos e a sua idéia que você vai longe. Apesar desse seu maravilhoso futuro, terá um problema e uma situação muito difícil para enfrentar na sua futura família.
_E o que que é, papai?
_Não posso prever nada... Nada....
De repente o vulto desapareceu.
_Papai? Papai! Não se ouviu mais resposta.
A última frase do diálogo ficou gravada na mente dela. “Não posso prever nada.... Não posso prever nada.....”
_Marta? Ta ficando doida! Disse dona Ilda.
_O que foi mãe!
_Ta chamando teu pai aí à toa! Ele não existe mais!
_Ai mãe, ele ta junto com a gente, mas, se eu for explicar isso para você, tenho certeza que não irá entender. Mas um dia ele vai provar que não está longe de nós, que está nos olhando e que só quer o nosso bem.
_Só acredito vendo.
Dona Ilda foi lavar as louças do almoço. Marta havia acabado de comer e iria lavar as suas roupas.
Depois de alguns dias, rumores surgiram na pequena cidade de Ubarana. Após quase 1 ano do o incêndio do Galpão da cerâmica em que trabalhava senhor Osmar, o inquérito policial foi concluído e ficou provado que a empresa administradora do local foi omissa na questão da segurança no trabalho, obrigando a mesma a indenizar todas as famílias que tinham pessoas que se vitimaram no acidente. Caso as indenizações não fossem pagas até um prazo determinado pela justiça, os donos da empresa sofreriam graves processos. Ficou provado também que o acidente ocorreu devido a falha e a explosão de uma máquina de pressão e do tambor de óleo que estava muito próximo da máquina.
Dona Ilda seria uma das beneficiadas pela indenização. Ela ainda não pensara no que faria com o dinheiro, mas pensava em guardá-lo para uma emergência, afinal de contas, ela e Marta passavam por grandes problemas nas suas economias. A vida era só a comida do mês, ainda sim, de cestas básicas que elas recebiam.
Nesses desesperos de falta de dinheiro, Marta teve a idéia de começar a vender alguma coisa na rua, para conseguir ajudar a mãe nas despesas da casa e também guardar alguma coisa para seu futuro.
_”Mas vender o que?” pensou Marta.
_”Já sei! Vou começar comprando uns 10 pacotes de bala e vendendo por um preço um pouco mais elevado, daí se der certo eu compro mais pacotes e assim vou indo!”
Ficou maravilhada com a idéia que acabava de ter. Podia vender suas balas na escola, nas ruas da cidade, pra sua família, para quem ela quisesse.
Foi até a cidade vizinha de José Bonifácio, comprou os 10 pacotes de bala e começou a vender por um preço pouco acima do que havia comprado. Conseguiu vender os 10 pacotes de balas em apenas 2 dias.
Comprou mais e novamente vendeu todos em 2 dias. A freqüência dos pedidos dos tais pacotes de balas foram ficando tão grandes, que Marta começou a comprar muitos. Conseguiu achar a fábrica das balas e começou a vender em grande escala. Os pedidos iriam aumentando tanto, que ela foi obrigada a abrir, juntamente com a mãe, uma loja só de doces, como balas, doces de leite, goiabadas, etc.
Tudo iria melhorando mês a mês para elas.
Marta se sentia realizada agora com o projeto que vingou com muita força e surpresa.
Mas, toda hora vinha aquela frase juntamente com a imagem do pai:
“Eu não posso prever nada.... Eu não posso prever nada....”
O que será que o pai de Marta está prevendo para ela daqui pra frente?

Autor: ederson

 

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