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Quando tudo começou

 

Data: 00/00/0000
Hora: 13:10:06
Publicado por: ederson
Publicado na página: biblioteca_ler

 

Quando tudo começou
"O passado é bom quando nos trás boas lembranças. Porém, se o passado é triste, o melhor é esquecer."

Ubarana 1950

Ubarana, localizada a 412 km de São Paulo, é uma pequena cidade, onde se vive da pesca e da agricultura. Seus moradores sobrevivem da agricultura e da cerâmica,
como queima e empilhamento de telhas, tijolos, entre outras coisas.
A cidade hoje tem sua sede administrativa própria, porém nessa época, quem mantinha o poder do município, era a cidade vizinha de José Bonifácio.
Ali nasceu Marta, filha de pais que lutavam muito para não deixarem a filha com fome. Tudo o que eles tinham era para a menina.
Era a única filha do casal Ilda e Osmar. Ele trabalhava como forneiro em uma cerâmica, sendo que ficava no serviço por 12 horas e descansava 24 horas. A
mãe era uma dedicada dona de casa.
Marta era uma criança esperta, gostava de fazer bagunça e sempre era muito comunicativa. Apesar das brincadeiras e coisas de criança, era muito estudiosa,
sempre tirando notas boas nas suas provas.
Fisicamente, Marta era uma menina bonita, parecendo muito com a mãe. Quando pequena, ela era morena, os cabelos encaracolados, pretos e cumpridos, estatura
de uma criança de 5 anos, olhos castanhos escuros e espertos.
Tinha muitos amiguinhos da escola e era bem observadora com relação a roupas e tudo mais.
A medida em que crescia, Marta continuava com o olhar e aparência da mãe, mas ia se tornando uma jobem muito bonita.
Aos 14 anos, já tinha o corpo de uma mulher, onde deixava muitos rapazes encantados por ela.
Certo dia, sua mãe brincou:
_Óia fia, o Luizin veio me pedi que eu deixasse ocê namorá com ele. Eita, ta abalando corações é, menina??!
_Ah, pelo amor, né mãe? Irritou-se Marta. O Luís ta com 18 anos, mal saiu das fraudas e já ta no boteco bebendo. Deus me livre de pinguço!
Nessa mesma época, inicia-se a Ditadura Militar, marcada pelo golpe Militar. O governo brasileiro começa a sofrer grandes modificações que abalariam a liberdade
de imprensa e de expressão por um período de 21 anos. A população de Ubarana, acompanhava os atos históricos da época, através do rádio, pois ali, ninguém
tinha televisão naquele momento.
Certo dia, ouve-se um tremendo estrondo na cidade. Marta estava em casa quando ouviu o barulho. Olhou a sua volta, levantou-se e foi reto para a estante
em que estava a agenda de anotações do pai. Abriu a agenda e começou a ler: “Quinta-feira,serviço das 06 às 18 horas”. E logo deu um salto.
_Ah não! A cerâmica! Aconteceu alguma coisa por lá. E meu pai está trabalhando lá agora! Pensou Marta muito alto, tão alto que a mãe conseguiu ouvi-la.
_O que foi, fia? Disse a mãe.
_Mamãe, algo me diz que papai está correndo um perigo seríssimo. A gente precisa ir lá... Lá.... Lá.... A voz da menina era tão desesperadora, que ela não
conseguia completar a frase.
_Lá onde, muié de Deus? O que que você ta querendo fala! Disse dona Ilda ficando nervosa.
_Mãe, a explosão! A cerâmica! Explodiu alguma coisa por lá!
_Gente, é mesmo, o baruio! Vamo lá, fia!
Saíram mãe e filha num pânico total, com um grande receio do que poderia ter ocorrido com Seu Osmar. Andaram cerca de 5 minutos, quando começaram a ver
os primeiros vestígios do acidente. Uma terrível fumaça densa e preta cobria o céu da região. A medida em que se aproximavam, viam as labaredas de fogo
cobrindo todo o galpão da cerâmica. Chegaram até o serviço do senhor Osmar, e depararam com um terrível incêndio tomando todo o galpão. As chamas chegavam
a atingir mais de 20 metros de altura, dando um perigo a mais, por causa do calor do fogo. Familiares de funcionários chegavam a todo momento em desespero,
a procura de seus pais, maridos, mulheres, filhos, etc. Marta avistava todo o galpão e o pátio da cerâmica para ver se tinha algum vestígio do pai. Nada
encontrava dele. Dona Ilda também procurava pelo esposo e nada de encontrá-lo.
Certo momento, uma série de explosões sacudiu ainda mais a já tomada cerâmica, lançando pedaços de telha e cobertura para todos os lados, tornando ainda
mais perigoso se aproximar do local.
Bombeiros chegavam a todo momento, tentando combater as chamas,
Uma coisa em vão para ser feita no momento. Era muita fumaça, muito fogo, e uma série de explosões que levavam a cerâmica cada vez mais para a ruína.
De repente, uma pessoa sai correndo do meio do fogo. Era Seu Osmar, tentando se livrar daquilo. Chegou bem próximo de Dona Ilda e de Marta, tentou falar
com elas mas não agüentou. Caiu desmaiado para trás, como se tivessem empurrado seu corpo. Marta chegou próximo dele desesperada:
_Papai! Papai! Papai, fale alguma coisa! Ta me ouvindo papai? Dizia ela, sem sucesso de resposta.
No meio do caos e da destruição total, muitas pessoas já haviam perdido as esperanças de encontrarem seus familiares vivos dali.
Uma ambulância chegou até o local para socorrer os feridos, inclusive senhor Osmar. Os para-médicos detectaram que o pai de Marta não havia sofrido queimaduras,
mas foi duramente atingido por uma série de pedaços de tijolos e telhas na cabeça, sofrendo assim, um seríssimo risco de morte.
Foram todos levados ao hospital de José Bonifácio e internados na UTI do mesmo.
Será que o pai de Marta sobreviverá ao terrível acidente ocorrido no serviço dele? E o que causou o acidente?

Autor: ederson

 

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