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Conselho de Pai.
| Data: | 09/04/2008 |
| Hora: | 18:13:06 |
| Publicado por: | vander.christian |
| Publicado na página: | biblioteca_ler |
Conselho de Pai.
Eu não demorei a perceber; era verdade o que o Edson dissera durante o tempo que eu era amiga do Valter que ele dizia alguma coisa sobre suas namoradas eu me sentia estranha, incomodada, sei lá, era esquisito, era ciúme e eu não sabia, mas eu, gostando do meu melhor amigo? Coisa mais chata. Por outro lado, não podemos mandar em nosso coração.
De noite, deitada na cama e olhando para o escuro, cheguei à conclusão que tudo que estava vivendo era conseqüência da idade. A minha mãe uma vez me falou que nós jovens não sabemos o que é o Amor, porque achamos que amamos todas as pessoas que ficamos. Quando ela me falou isso fiquei brava, disse que os jovens às vezes sabem de mais coisas que os velhos. Agora vejo que na matéria de amor os velhos sempre têm razão.
Queria o Edson, tinha uma atração grande pelo Valter. Que dureza!
Resolvi tentar falar com o Valter, encontrei-o antes de chegar em sua casa. Estava brincado com uma menina de quatro anos. Parei e fiquei observando ele brincar, dizia ele que o seu maior sonho era ser Pai. Acreditem o Valter era o único rapaz que conheci que tem esse sonho. Aproximei-me lentamente dele.
- Oi, Valter. – falei com vontade de estar em qualquer outro lugar menos ali. Ele continuou brincando com a menina. – Você podia me ouvir um pouco?
- Fala. – disse ele secamente.
- Tinha que ser em um outro lugar.
Ele olhou para a menina. A menina inocentemente falou:
- É sua namorada?
-Não. – defendeu-se ele fazendo um grande esforço para não ficar vermelho. – Renatinha, eu vou ter que sair, mais tarde eu venho brincar com você, ta bom?
- Ta. – dizendo isso, a menina foi correndo para a sua casa.
Fomos conversar na sombra de uma árvore não muito longe da casa dele.
- Estou esperando você começar. – disse sentando-se.
- Desculpa.
Ficou calado. Continuei:
- Desculpa por tudo que fiz.
- Não dá. – falou ele olhando para mim. – Não da pra desculpar o que você fez.
- Tudo tem perdão. O que você está fazendo é exagero.
- O que você fez foi um exagero. E ainda colocou toda a sala contra mim. Enquanto que eu só queria o seu bem... Achei que a nossa amizade viria em primeiro lugar, mas você achou que eu estava mentindo, da uma tapa na minha cara, como se eu fosse seu inimigo! Agora vem me pedir desculpa...
- Eu estava com a cabeça quente, Valter! O Edson não me ligou, porque não sabia que eu tinha pedido pra você...
- Não interessa! Nada vai ser como antes... Você acha que é fácil eu voltar a fazer aquelas brincadeiras com você depois daquela tapa? Você tinha que ter vergonha!
- As coisas não funcionam dessa maneira, Valter. Eu estava nervosa, porque você estava dizendo coisas da minha vida particular pra sala inteira, sendo que no sábado eu pedi pra você dizer tudo; estávamos sozinhos, cadê que você falou! Queria me ver passar vergonha na frente dos alunos é isso?
- Queria que todos soubessem que ele estava te enganando! Não vou te desculpar; e eu tenho vergonha de pisar os pés na sua sala de aula novamente.
- Você está sendo radical demais. Já reconheci que errei, que você estava certo, agora você vai me perdoar.
- Por que eu vou te perdoar?
- Porque você gosta de mim.
Ao falar isso, vi em seus olhos o que antes eu não fora capaz de ver. Vi que a timidez o impedia de dizer que gostava de mim.
- Por que está dizendo isso?
- Estou dizendo a verdade e a verdade tem que prevalecer.
- Da onde você tirou essa idéia? – falou ele agitado e ficando de pé.
- Vai dizer que nunca gostou de mim?
- Sempre gostei de você, até que...
- Não é desse “gostar” de que eu estou falando.
- Eu sei do que você está falando.
- Olha pra mim.
- Já conversamos demais.
- Olha pra mim – insistiu. Devagar ele ergueu os olhos e me encarou. Sem que eu falasse qualquer coisa ele começou timidamente:
- Às vezes... Quero dizer; acho que sempre gostei de você.
- Então me perdoa.
- Você me feriu.
- Me perdoa, por que...? Acho que também gosto de você. Preciso ficar perto de você pra me decidir.
- Você já se decidiu. Bateu-me, porque achou que o Edson era incapaz de te trair...
- Por favor Valter...
- Quem sabe um dia eu te perdoe.
Saiu. Por alguma razão não consegui ir atrás dele. Então eu pensei: será que eu estava gostando realmente dele?
******
Aos trancos e barrancos fui levando a vida. Durante a noite eu via os olhos do Edson e dali a pouco via os de Valter. Fazia agora três meses que toda aquela confusão começou. Eu e o Valter não conversávamos mais; quanto ao Edson nós ainda conversávamos algumas vezes, sendo que uma vez, novamente num momento de fraqueza minha o beijei. Eu e ele não estávamos como antes, mais estávamos bem.
Por isso, estranhei quando Liza, a irmã do Edson chegou em casa querendo falar comigo. Era uma quinta-feira de tarde, mamãe tinha ido na casa de uma amiga e papai estava em seu quarto ditado, aproveitando o seu dia de folga. Abri a porta e ela entrou feito um raio gritando:
- Então é você que está acabando com a vida do meu irmão! A sua cara já me diz tudo, ninguém mais tem paz naquela casa, com o Edson jogado pelos cantos, sem conversar e sem comer; será que você não percebe o mal que está fazendo a ele?
- Eu não sou responsável pela falta de paz que o Edson leva pra casa de vocês – me defendi rapidamente.
- Galinha é isso que você é, uma galinha que agarra todos que encontra pela frente, até mesmo os amigos!
- Dobre a sua língua pra falar de mim assim!
- O Edson não fala outro nome se não for o seu e você apaixonada por um rapaz que até ontem era o seu amigo. Que nome você quer levar?!
- Sai daqui, agora! Vai embora da minha casa!
Abri a porta imediatamente. Só que a Liza não saiu calada. Fechei a porta com raiva, foi aí que percebi que papai estava de pé na escada me olhando.
- Pai, o senhor ta aí faz muito tempo?
- Sim – disse ele se dirigindo para o sofá. – Filha vamos conversar.
- Eu sei quem ela é, filha.
Baixei a cabeça sem saber o que dizer.
- Presta a atenção no que eu vou te dizer, Joyce. – fez uma pausa na qual eu senti vergonha dele. – Decida o que você quer da sua vida, de um rumo pra ela, um rumo certo, não deixe que os outros a estraguem. Logo você vai completar dezoito anos, aí o que você fizer será de sua responsabilidade, mas por favor, filha, não estrague os melhores momentos de sua vida com uma gravidez... Eu não suportaria.
- Pai... Eu prometo que nunca vou te decepcionar. Você é um pai e tanto.
Abracei meu pai. Coitado dele, ouviu tudo que aquela garota atrevida gritou.
- Você pode namorar quem você quiser filha. – disse me dando um beijo na minha cabeça. – Só que tem de ter juízo. Você gosta do Edson?
- Sim, mas...
- Decida filha, se é realmente dele que você gosta.
Entendi o que papai quis dizer. Ele estava certo, eu precisava dar um rumo na minha vida.
******
Chegou às férias de julho. Diferente dos outros anos, não fui viajar. Eu estava vindo do mercado bem distraída, quando Carla, uma amiga, se pos na minha frente.
- Joyce, aqui está o convite para você ir no aniversário da Rosana.
- Você conseguiu mesmo, Carla! Deixa eu ver.
Peguei o convite. Era realmente bonito. A minha colega de infância estava de parabéns. Pena que estava morando longe, mas eu disse que iria do mesmo jeito.
******
O convite era para toda a família, só que papai e mamãe não quiseram ir. Juntou a Juliana, a Carla e eu e fomos. A festa ia começar às nove da noite, chegamos meia hora depois.
As coisas que tinha na área tiraram tudo, inclusive o cachorro bob. Juntaram quatro mesas grandes para colocar os comes e bebes e na outra mesa estava o bolo de chocolate com recheio de morango. Na minha opinião, estava tudo um exagero para quem disse que seria uma festa mais simples. A aniversariante estava linda com um vestido Champanhe cheio de brilho; achei o máximo. Entreguei o presente pra ela e fui me sentar com a Juliana e a Carla.
Quando já tinha se passado duas horas que eu já estivera lá, vi o portão se abrir e para a minha surpresa, quem entrou fora o Edson. Chegou sorrindo, cumprimentando todos, foi até a Rosana entregar o presente...
Ele estava tão bonito! Deveria ter imaginado de que ele iria, afinal de contas os seus pais eram amigos dos tios de Rosana. Não demorou muito ele me viu. Deu um discreto aceno com a mão.
Um pouco antes de acordar o bolo ele pediu para falar comigo.
- O que foi, agora?
- Você ta linda. Ta mais bonita que a aniversariante.
- Que exagero Edson.
Na verdade eu estava gostando daquilo e muito.
- Falo sério Joyce, você está muito bonita.
Olhei para ele. Quando minha boca tocou a sua, pareceu que eu tinha finalmente chegado a uma decisão, fiquei o resto da festa com ele.
Autor: vander.christian
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