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Eu sem o Valter

 

Data: 09/04/2008
Hora: 18:12:01
Publicado por: vander.christian
Publicado na página: biblioteca_ler

 

Eu sem o Valter
A partir daquele dia o meu mundo virou de ponta cabeça. O Valter foi até a secretaria a passar ele para outra turma. Não tardou comecei a sentir a falta dele. Sentia falta do abraço apertado que ele dava a me ver chegar na escola; sentia falta do beijo caprichado na minha bochecha direita, de suas brincadeiras, do seu jeito. Sabe, nunca pensei que fosse tão difícil conviver sem o meu amigo. Ele dava opinião nos trabalhos, me tirava as dúvidas era um amigo e tanto!
Agora ele já estava em outra turma, junto com outras garotas que eu nunca topei! O que ele fazia comigo, estava fazendo agora com aquelas garotas de nariz empinado... Que dói!
Para piorar ainda mais, tinha de suportar a cara de cínico do Edson.
Outro dia esperou que todos saíssem da sala para me dizer:

- Queria falar com você. Tenho umas coisas para dizer.

- Pra mim chega – respondi secamente. – O que eu tinha que ouvir de você eu já ouvi.

O duro é que eu também sentia falta do Edson. Era maravilhoso o tempo que passávamos junto. Sentia falta dos seus beijos, dos seus toques, do seu cheiro, agora estou sem nada!
Azar meu, teria de me acostumar.
Eu também mudei fiquei mais irritante, mais calada, fiquei com raiva de tudo!
Fui na casa de Juliana fazer uma redação.

- Esse tema é muito difícil – disse minha amiga.

- Odeio fazer redação.

- Ah, eu gosto, só que sobre a alfabetização? Não sei nada sobre isso!

- Se ao menos o Valter...

Parei no meio da frase. Não queria falar do Valter. Mas Juliana queria.

- Olha só, Joyce, eu não entrei aquele dia na discussão e não disse nada depois, mas você não tinha que ter agido daquele jeito, você tinha que ter dado uma chance pro Valter.

Não agüentei, explodi:

- Quer saber, Juliana? Eu tava certa e o Valter não tínhamos nada que dizer aquelas coisas pra toda a sala ouvir. Eu não gosto disso! Ainda fui boazinha de deixar ele começar a falar; o tapa tinha que ser no começo! Agora você está dizendo que a culpa é minha?!

- Calma, Joyce. Eu não disse que a culpa é sua não precisava de você bater nele.

- Juliana, você me conhece muito bem; eu não gosto que falem da minha vida para todos ouvirem!

- Mas agora não estão todos sabendo que o que o Valter falou é verdade?

- Não! Eu não falei pra ninguém, porque terminei o namoro com o Edson. Vamos mudar de assunto?

- Tudo bem, mas você não está arrependida pelo que fez?

- Juliana, o que você quer? Que eu diga que estou com vergonha? Vamos parar por aqui; a minha tolerância está chegando no fim!

- Certo, desculpa então.

- Vamos fazer a redação.

O duro é que eu não consegui me concentrar. Juliana terminou a redação dela enquanto que eu não tinha chegado nem no meio da minha. Acabei confessando à minha amiga:

- Estou arrependida, Juliana. Arrependida pelo que fiz.

- Amiga, ponha tudo pra fora – disse ela calmamente. – Não sinta vergonha.

Chorando me atirei nos braços dela.

******

Passaram-se os dias. Estava ficando cada vez mais difícil conviver longe do Valter. A culpa era minha agora eu sabia.
Por isso, todos os dias tenho vontade de chorar. Eu sentado na minha cadeira, rodeada de amigos, tenho vontade de gritar e corre até o Valter, pendurar-me no seu pescoço, dize que a culpa é toda minha. Pedir perdão e uma outra chance.
Mas não tenho essa coragem. Não sei o porquê, mais não tenho. Talvez seja a vergonha; é deve ser mesmo. Todos os dias calada, vejo o Valter chegar na escola e ir se juntar com a turma dele, sem nem me olhar. Começo então a me lembrar dos momentos em que passávamos juntos... Não conseguia me conter e chorava.


******

Outro dia, bem na hora do intervalo, fui ao banheiro e uma das novas “amigas” do Valter trombou comigo na porta.

- Isso aqui está ficando estreito demais, pelo jeito, né? – disse a vaca se achando.

Como eu andava bem irritante da porta continua a mesma; você é que engordou muito uns dias pra cá.
Dali à pouco estávamos uma puxando o cabelo da outra precisou o inspetor vir separar. No meio da gritaria dos outros alunos eu escutei o Valter dizer para a vaca:

- Não liga não, Simone. A inveja mata.

Que ódio que me deu!
E para piorar quando eu estava indo para casa, ouvi alguém me chamar. Era o Edson.

- O que, que você quer? Nós não temos mais nada para conversar!

- Calma, Joyce. Você tem que me ouvir!

- O que, que eu tenho de ouvir? Que quando você beijava a Irene era como se estivesse me beijando?

- Não é isso Joyce. Você não pode fingir que eu não existo. Escuta, tenta entender...

- Eu não tenho e nem vou entender nada, Edson. Será que deu pra perceber?

- Vai entender sim. Você também está com os seus sentimentos confusos.

- Ah, é?

- É, você gosta do Valter.

Aquilo era demais, rispidamente eu falei:

- Edson, você anda com a sua cabeça cheia de fantasias, só que me faz um favor, me deixe fora delas, ta legal?!

- Ficou incomodada com a verdade.

- Quer verdade? Você ta é misturando as coisas!

- Não estou, você gosta de mim, mas sente uma atração forte pelo Valter. Percebo pelo jeito que você olha pra ele. O mesmo que aconteceu comigo está acontecendo com você também.

- Incrível – falei – você serve pra ser escritor, tem uma mente perfeita.

- Para com isso Joyce. Nós estamos confusos... E só há uma maneira de acabar com essa confusão; ficando juntos.

- Como é que é?

- Ficando mais tempo juntos. Estávamos muito afastados.

Ele foi se aproximando. Senti novamente o seu calor, o seu perfume... Ele estava próximo demais. Esqueci tudo que tinha acontecido quando senti o gosto do beijo dele.

Autor: vander.christian

 

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