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A história do Edson.

 

Data: 09/04/2008
Hora: 18:11:02
Publicado por: vander.christian
Publicado na página: biblioteca_ler

 

A história do Edson.
Aquele dia foi tumultuado. Senti-me uma celebridade, rodeada de gente me perguntando o que tinha acontecido. Tive de me conter para não bater em mais ninguém, para evitar mais aborrecimentos, disse ao Edson que conversaríamos melhor de noite. Saí da escola e fui direto para a casa de Juliana. Ouvimos um pouco de música e depois a ajudei a fazer almoço, mas não tocamos no incidente ocorrido na sala. Durante a discussão ela ficou calada, por isso, achei melhor não pedir a sua opinião.
À noite fui falar com o Edson. E o que eu pensava que seria uma conversa calma se tornou outra discussão.

- Por que o Valter falou aquilo, Edson – perguntei.

Estávamos em uma praça longe da minha casa e da dele também.

- Não sei. Você deve saber – disse ele abrindo os braços.

- Por que eu deveria saber? – estranhei.

- Será que não deu pra perceber ainda, Joyce?

- Perceber o que, Edson?

- O Valter gosta de você.

- Quê?!

- É isso mesmo Joyce, o Valter gosta de você, sempre gostou.

- Ah, não, Edson, você está falando besteira – me levantei e fiquei de pé na frente dele – Porque está dizendo isso?

- Porque é verdade. Da quase pra ver escrito na cara dele: “eu gosto da Joyce”.

Quando ele disse isso comecei a me irritar.

- Olha, Edson, eu não acho que tenha sido esse o motivo que levou o Valter à dizer aquele monte de besteira – falei tentando parecer calma. Logo depois percebi, que, o que eu falei, também o irritou.

- Então você acredita no que ele falou? Foi um monte de besteira, mas você acreditou.

- Não falei isso, Edson. Eu simplesmente não consigo ver o Valter gostando de mim, logo de mim que sempre fui sua amiga.

- Você entende entendi os sentimentos dos homens, Joyce. Ele não tem coragem de falar e acaba guardando tudo dentro do peito.

- Edson, eu sempre fui amiga do Valter. É impossível acontecer isso que você está dizendo.

- Pergunta pra ele.

Balancei a cabeça negativamente. Sentei-me de novo.

- Quando eu pedi para o Valter dar o recado pra você, ele não quis dizer algo... Por que você não foi ao encontro como combinamos?

Ele sustentou o meu olhar por um momento, mas depois ele se afastou do banco onde eu estava. Sem olhar pra mim me disse:

- Eu não estou enganando você, Joyce.

Ficou de frente pra mim.

- O que você fez no sábado e no domingo?

-Joyce, eu... Eu não queria que você fosse desse jeito.

- Como assim você não queria que eu fosse desse jeito, Edson? Me diz!

Uma voz dentro da minha cabeça dizia que o que o Valter dissera era verdade. Contudo eu precisava ouvir da boca do meu namorado.

- Não sei se gosto realmente de você. Os meus sentimentos estão confusos...

- Quem estava com você no sábado à noite? – perguntei com a voz seca.

- Com a Irene.

Não consegui segurar as lágrimas. Talvez uma outra garota no meu lugar bateria nele, gritaria, xingaria, mas eu continuei firme ali, quase nem sentia minhas lágrimas escorrerem, queria ouvir tudo.

- Quem é essa Irene?

- Joyce, não é... Desculpa, por favor.

- Fala, Edson. Quero sabre de tudo.

Faz-se silêncio por um instante. A rua em frente à praça estava movimentada. Pessoas se dirigiam para as suas casas, cansadas de trabalhar. Era o fim de uma segunda-feira e eu ali esperando o Edson dizer aquelas coisas todas em que a cada palavra era uma pedra atirada em meu coração, mas eu continuava esperando ele terminar de matar o meu coração.

- A conheci em uma festa – iniciou-o sentando-se ao meu lado. – Eu senti uma grande e forte atração, acabou virando um namorico; até que eu a chamei pra assistir um DVD comigo na minha casa.

- E me deixou esperando no ponto de táxi.

- Não é isso, Joyce, eu não sabia o que sentir ou em que pensar e ainda mais o que fazer!

- É essa explicação que você tem pra me dar?! Você me deixa esperando lá no ponto, porque não é capaz de decidir entre eu ou essa tal de Irene!!

- Eu ia te explicar tudo Joyce. Foi aí que o Valter chegou, nós discutimos e ele não me deu o recado.

- Mentira! Você não me engana mais, Edson. O Valter estava dizendo a verdade e eu briguei com ele!

- O Valter não me deu o recado, Joyce, por isso, eu não fui. Não sabia de nada!

- Quanto tempo que já faz que você vem me enganando?

- Joyce, tenta entender, os meus sentimentos estão confusos. Quando eu estava com a Irene parecia que ela era você e quando eu estava com você se transformava nela, é uma confusão enorme!

- Se você tivesse pensado em mim não teria se atraído por essa garotinha!

- Joyce, por favor, eu gosto de você.

- Você me deixou magoada, Edson. Te perdi e perdi ainda o meu melhor amigo.

Fui embora chorando. E com a certeza que o Edson também ficou chorando.
Cheguei em casa arrastada, já passava das dez quando entrei no banheiro para tomar banho. Parecia que eu tinha apanhado mais que uma vez. Eu tinha pegado pesado cedo com o Valter acreditando que ele estivesse louco, mas não; louca estava eu ao dar um tapa daqueles no meu amigo.
Deixei que a água morna caísse sobre minha face e escorrer por todo o meu corpo. Nunca pensei que o Edson fosse fazer aquilo comigo. Agora eu sabia como era se sentir traída.

- Está acontecendo alguma coisa, filha?

Era mamãe. Antes que ela falasse qualquer coisa desliguei o chuveiro e disse que estava tudo ótimo.

Autor: vander.christian

 

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