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Os caminhos se separam
| Data: | 09/04/2008 |
| Hora: | 18:05:27 |
| Publicado por: | vander.christian |
| Publicado na página: | biblioteca_ler |
Os caminhos se separam
Tudo começou naquele dia. Eu pedi à ele que levasse um recado ao Edson, meu namorado. Edson e Valter se conheciam desde criança, porem nunca foram mais que colegas.
Os dois quase não andavam juntos, por isso só fui conhecer o Edson três anos depois de me tornar amiga de Valter.
Era uma sexta-feira à noite quando pedi para o Valter dar o recado.
- Você passa na casa do Edson e diz que amanhã eu estar de boa em casa e não vou fazer nada. Que se topar, nós vamos ao cinema.
- Joyce, você gosta realmente do Edson?
- Não sei, às vezes acho que sim – respondeu com um ar de muita sinceridade.
- Ta certo, eu dou o recado pra ele.
Valter deu o recado. Mas ao transmitir o recado à mim, notei que ele estava escondendo algo.
- Conheço você. Valter – falei pra ele – tem alguma coisa que você não quer me falar.
- Só que dessa vez você está enganada. – disse ele sério. – Não estou escondendo nada.
Não me convenceu. Aprendi a perceber quando o Valter está mentindo. Mas aprendi também não forçar ele a dizer o que não quer.
Durante a tarde de sábado me arrumei. Sempre gosto de ficar bonita quando saio com o Edson para que todos me olhem e para que o Edson sinta orgulha de ter uma namorada linda. As dezenove horas fui para o ponto de táxi, local combinado por nós. Esperei. Deu vinte horas e o Edson não apareceu.
O pânico tomou conta de mim. Alguma tinha acontecido. O Edson nunca me deixou esperando antes. Lembrei-me do Valter. Ele tinha um algo à mais pra me contar, porem não me falou. Ofegante toquei a campainha da casa do meu amigo. Lurdes, a mão dele saiu na porta.
- O que aconteceu, Joyce? Parece que viu um fantasma!
- Não vi não, dona Lurdes! Eu quero falar com o Valter é urgente!
- O Valter não está. Aconteceu alg...
- Ele foi pra onde?! – eu estava aflita, não deixei que ela terminasse a frase, cortei-a.
- Ele foi pra casa do tio dele.
- Ah, não! Diga que isso é mentira!
- Não é, ele foi hoje à tarde, agora você quer me explicar o porquê de tanta afobação?
- Nada, não é nada, eu só queria conversar com o Valter urgentemente, só isso. Muito obrigada dona Lurdes e desculpe o incomodo.
Fui rapidamente para casa. Ignorando as especulações do meu pai e da minha mãe, entrei no meu quarto e liguei para a casa do Edson. Falei com a irmã dele e ela disse que ele tinha saído, mas pra onde não sabia. Os meus pensamentos ficaram confusos, se o Edson saíra de casa e não apareceu no local combinado para nos encontrarmos é que alguma coisa tinha acontecido. Mas o quê?
- Você está bem filha?
- Estou mãe. To ótima!
- Você não ia no cinema?
- Ia mãe. Não vou mais.
- Por quê?
Quantas perguntas! Quando eu disse que ia ao cinema, mamãe perguntou se era mesmo ao cinema que eu ia, com quem e que era pra mim ter juízo. Agora que eu não fui, ela continua com as perguntas do mesmo jeito! Pode uma coisa dessas?
Só consegui dormir de madrugada. Quando acordei, foi a vez de papai perguntar:
- Você ta com uma cara péssima, Joyce. Não dormiu bem?
- Não. Eu... Estava com insônia.
Liguei para o Edson, estava ocupada. Tentei de novo, continuava ocupado.
Morar em cidade grande é ruim por causa disso, demora para gravarmos o caminho das casas. Eu nunca fui à casa do Edson. Ele me disse o ônibus que eu tinha que pegar, o ponto onde eu tinha que descer... Mas nunca fui lá. Então não me restava outra alternativa se não continuar tentando ligar para o Edson. A irmã dele falou que o Edson tinha ido jogar bola e que só voltaria a noite. Deixei o recado para ele ligar pra mim quando chegasse. Não ligou.
Nunca desejei tanto que chegasse a hora pra mim ir pra escola. Precisava conversar com o Edson! Só faltava ele não ir! Nunca vi gostar tanto de falar na aula.
Entrei rapidamente na sala. Ele não tinha chegado ainda. Os momentos passaram e a professora entrou. Pronto. Se ele viesse só iria restar o intervalo.
Quando a primeira aula estava acabando ele chegou. Sentou-se três cadeiras à minha frente, como de costume.
- Vamos ver se agora você sossega – disse Juliana minha amiga.
- Não sei por quê? Tanta agitação! – falou Valter em voz alta.
- Você sabe muito bem o porquê da minha agitação, Valter. – retruquei zangado por ele falado alto.
- É porque precisa – continuou ele em voz alta mais sorrindo – se preocupar assim de repente ele teve um contra tempo.
- Só que eu não recebi nenhuma noticia dele, por isso estava preocupada.
- Ah, vai ver ele tava com outra.
Eu senti que os meus colegas de classe pararam de conversar e se viraram para trás. Senti também meu rosto esquentar. E também senti raiva do Valter precisava falar aquilo para todos ouvirem?
- Eu não admito que você fale uma coisa dessas, Valter! – falei com raiva.
- Eu também não!
Sem que eu percebesse, o Edson se levantara e encarava Valter. O meu amigo olhou assustado para o restante da sala. Levantou-se e encarou Edson no olho.
- Vai ter coragem de dizer que é mentira, Edson?
Antes de o Edson dizer qualquer coisa, eu me levantei e peguei nos braços de Valter, fazendo-o ficar de frente para mim.
- Valter, cala a sua boca! Esse assunto não lhe diz respeito – gritei sacudindo-o.
- Me diz respeito sim – disse Valter em um tom mais grave. – Nunca mais me peça Joyce, para levar recados ao Edson. Alias, se eu fosse você, terminaria o namoro com ele, porque ele ta te enganando!
- Só que ela não é você – falou Edson em um tom de voz elevado.
Imediatamente me coloquei entre o Edson e o Valter. Ignorando os meus colegas que estavam de olho, falei:
- Eu não admito que você fale da minha vida pra todos ouvirem!
- É bom que todos saibam quem é você! – Valter falou fingindo que eu não estava na sua frente.
- Chega, Valter! Não quero ouvir mais uma palavra sua!
- Agora eu comecei, Joyce e vou até terminar!
- Você não sabe do assunto direito, cara! É melhor você parar por aí – disse Edson tenso.
Mas o pior é que o Valter não parou.
- Ele tava assistindo DVD com outra garota no sábado, quando eu fui levar o rec...
Paff!
Não me segurei. Aquilo foi demais. Quando fui perceber já estava batendo no rosto de Valter. Seguiu-se um momento de silêncio. Edson olhava para mim assustado. Valter olhava o chão sem piscar. Eu quebrei o silêncio.
- Falei que não queria ouvir mais nada, Valter. Você me obrigou a fazer isso.
Encarando-me, me disse:
- Nunca imaginei que você fosse capaz de fazer isso comigo, Joyce.
- A culpa não é minha. Eu avisei.
- Pensava que éramos amigos – dizia com uma voz calma, olhando diretamente nos meus olhos.
- Você está errado, Valter. Não precisava falar para todos os meus colegas do fundo. Todos concordaram. De fato o meu amigo agira errado... Só que foi aí que ele fez uma coisa que jamais me passou pela cabeça em fazer.
Pegou o material e chutando algumas cadeiras e carteiras saiu da sala sem dizer nada.
Autor: vander.christian
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