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AS SETE BESTAS APOCALÍPTICAS

 

Data: 14/01/2008
Hora: 18:42:18
Publicado por: bruno
Publicado na página: biblioteca_ler

 

AS SETE BESTAS APOCALÍPTICAS
CAPÍTULO 15

AS SETE BESTAS APOCALÍPTICAS


(***) NOTA DO AUTOR:


Olá, povo! Beleza? Espero que sim!


Vocês podem estranhar um pouco a formatação do texto, mas, o caso é que meu Microssoft Word está com alguns probleminhas aqui e, para evitar transtornos, estou usando outro editor de textos.


Bem, vocês podem reclamar de uma coisa que vou fazer... Sempre, no início de um capítulo, eu coloco o final do capítulo anterior, só para que vocês não tenham que voltar no capítulo anterior pra relembrar... Essa "retomada" geralmente não é muito grande. Entretanto, dessa vez será. Calma! Tem um motivo justo! Retomarei a conversa de Abel e Naruna desde o começo, porque é uma conversa importantíssima! Se vocês prestarem atenção nessa conversa, vocês conseguirão desvendar grandes enígmas da história. Então, fiquem atentos à conversa, ok? Ou, se preferirem, não façam isso e não desvendem nada... Fiquem na escuridão. Hahahahahahahahahahaha!!! Eu sou mal, não? Kkkkkk!!!


Bem, vamos responder a alguns comentários agora:


Comentário: “Nossa a fic é realmente muito criativa mas eu fiqui esperando muito a gina sei la ter alguma coisa com Abel mas tipo ela morreuuu ai sabe perdeu a graça
mas eu nao vou deixar de ler quem sabe ainda tem uma esperaça que ela volteiii hehehe. Pan Potter”

Resposta: Olá, Pan Potter! Tudo bem com você? Espero que sim! Que bom que você gostou da fic! E, que bom que você continuará lendo. Contudo, não espere mais nenhuma relação entre Abel e Gina... O motivo você verá neste capítulo. Obrigado pelo comentário! Continue lendo e comentando, ok? Abraços! E, seja bem-vinda ao grupo de elite dos meus leitores mais importantes!


Comentário: “Oi! Adoooooooro sua fic! vc escreve muito bem....e tem idéias ótimas! O Abel é tão "humano"...a estrutura do personagem é super bem montada...mas sabe sinto
falta de um pouco de romance...sei que o personagem principal não é o Harry, mas ele tá tão apagadinho....acho que deve vir a maior pancadaria por aí...rsrsrsrsrsr
não demora muito a postar não!
bjs

Carine”.

Resposta: Olá, Carine! Tudo bem com você? Espero que sim! Que bom que você gostou da história! E... Bem, obrigado pelos elogios! Sim, teremos romance na história sim,ok? Espero que seja bom... Não sou tão bom assim em escrever romance, mas, ele existirá na história. E... Bem, espero que o Harry apareça mais, mas... Isso está fora do meu controle. Sabe, eu vou lhe contar um segredo... Quem constrói a história são meus personagens, eu só escrevo. Seja bem-vinda ao grupo de elite dos meus leitores prediletos, os leitores que comentam! Abraços! Ah! Comente mais vezes, ok?


Comentário: “olá!!!nem foi tão chata o cap...~confesso que não foi dos melhores... mas tá muito bom! foi necessário né??

Da um presente de natal pra gente... posta logo o próx cap!!! hahaha

Kaworu Kun”.

Resposta: Olá, Kaworu! Bem, fico feliz que você não tenha achado o capítulo tão ruim... Sim, ele foi necessário. Há muito meus leitores me cobravam explicações e, agora elas estão vindo. Este capítulo, embora também seja explicativo, é bem mais legal! Eu prometo! Eu gosto dele e, você sabe, eu sou sincero. Continue lendo e comentando, ok? Valeu!


Bem, é isso. Comentários respondidos! Agora, antes da história, tenho que dizer algumas palavrinhas...


Todos nós fazemos nossas escolhas. Eu faço as minhas, nossos personagens fazem as deles e, vocês, meus estimados leitores, fazem as suas.


Ao longo desta fic, eu venho fazendo várias escolhas. Minhas escolhas agradam a uns, desagradam a outros, mas, o que se pode fazer? Nem Jesus Cristo agradou a todos! Quem sou eu para ter, então, tal pretensão? Não quero agradar a todos.


Aí vocês perguntam: por que estou lhes dizendo essas coisas?


O caso é que, neste capítulo, eu fiz escolhas importantíssimas, escolhas que desagradarão a muitos, mas que agradarão a tantos outros. Àqueles a quem minhas escolhas desagradarem, eu sinto muito; àqueles a quem minhas escolhas agradarem, excelente! Mas eu gostaria de lembrar que vocês também podem fazer suas escolhas: vocês podem seguir comigo, ou desistir da fic. Se você acha minhas escolhas insuportáveis, se você não as suporta mesmo, não faça críticas destrutivas: faça a sua escolha. Se, porém, você gostar das minhas escolhas, siga comigo! E eu serei feliz por isso. Se, ainda, você não gostar das minhas escolhas, mas quiser seguir comigo, você será muitíssimo bem-vindo também! Só evitem criticar minhas escolhas... Critiquem a estrutura da fic, a forma como ela está escrita, possíveis erros _ que podem, claro, ocorrer _, enfim, critiquem construtivamente, mas evitem criticar meramente as escolhas, evitem a crítica destrutiva.


Sei que vocês não têm a menor idéia do porquê de eu estar falando isso agora, mas, quando terminar o capítulo, vocês entenderão. Neste capítulo, meus caros leitores, fiz escolhas realmente polêmicas. Então, já estou previnindo.


Agora, chega de enrolação e, vamos à história!



(***) FILOSOFIA:


O verdadeiro amor nem sempre prevalece, mas sempre vence.


(***) NO CAPÍTULO ANTERIOR...


O Professor Oliveira finalmente falou aos alunos sobre a Profecia Apocalíptica. Atena se recuperou da última batalha e Catxerê conheceu Hogwarts, ou parte dela... Agora, no território das Amazonas, Abel de Oliveira conversa com Naruna _ a rainha das amazonas _ e a localização das sete Bestas Apocalípticas será finalmente revelada.


(***) HISTÓRIA:



Abel se dirigiu à sala do trono. Ao chegar, recordou as várias conversas que manteve, naquela mesma sala, com a rainha das amazonas. É verdade que, no princípio, Naruna tinha uma grande resistência em aceitar sua presença ali, no território das belas amazonas... Todavia, com o passar do tempo, ela acabou se tornando uma pessoa muito importante para Abel, talvez a avó que ele nunca teve, já que seus avós morreram bem antes de ele chegar à família Oliveira. Após bater na porta e ouvir o costumeiro: “Entre!”, o bruxo entrou, fechou a porta, colocou vários feitiços para que ninguém ouvisse a conversa e se sentou.


_ É muito bom ter você aqui novamente, Abel. _ Disse Naruna, serenamente, como sempre.


_ É bom estar aqui também, Naruna. _ Abel respondeu, sério. Afinal, ele sabia que as conversas na Sala do Trono não eram brincadeira. Conversas informais ocorriam em outra sala...


_ Creio, Abel, que esta será nossa última conversa... Ahn... Digamos... Normal.


_ Como assim?


_ Abel, não me resta muito tempo de vida.


_ Ah, resta sim! Sinto que você tem energia vital pra mais uns... Vinte anos!


_ Sim, Abel, isso é verdade. E eu teria energia vital para muito mais, caso eu não tivesse trocado grande quantidade de energia vital por uma filha... Sabe, ter filhos fora da época custa caro, Abel; aliás, tudo feito fora da época custa caro.


_ É... Eu sei.


_ Mas eu trocaria de novo, sabe? A energia vital que dei foi pouca... Catxerê é muito especial e, vale muito mais que a minha vida!


_ Sim, isso é verdade. Catxerê é, realmente, muito valiosa... Eu daria a minha vida por ela.


_ Não deveria...


_ Por que não?


_ Sua vida vale bem mais que a dela, Abel. Você é o “escolhido”, tem que salvar o mundo, recorda?


_ Naruna, a mim pouco importa o mundo! Jamais, nesses anos todos, lutei para salvar o mundo.


_ Não? Então... Por que lutou?


_ Sempre lutei para salvar as pessoas que amo.


A resposta, firme, comoveu Naruna. Ela continuou:


_ Bem, não posso negar que meu lado de mãe fica feliz com isso... Ao menos minha filha estará em boas mãos quando... Quando eu partir.


_ Mas, Naruna, você ainda tem...


_ Não, Abel. Sei que me resta energia vital para uns vinte anos, mas... Sinto que não viverei por muito mais tempo... Sabe, nosso grupo está dividido. O ataque que fizeram a Catxerê não foi por acaso. Há um grupinho que quer tomar o poder, mas não em uma luta justa... A influência de Lúcifer e suas sete Bestas Apocalípticas começa a fazer efeito, Abel.


_ Mas... Mas... Mas... Naruna... Até aqui?


_ Sim, Abel, até aqui.


_ Mas... Mas... Ele não pode influir aqui! Eu li...


_ Há muitas coisas que você ainda desconhece, Abel. Já ouviu falar das Amazonas das Trevas?


_ Já, mas... Elas não estão aqui! Não podem viver com vocês!


_ Aquelas que já são amazonas das trevas realmente não, mas... Aquelas que ainda não se converteram... Abel, eu poderia vencer todas as amazonas que me querem fora do poder, se elas lutassem abertamente. E, claro, elas sabem disso. Contudo, eu não poderia contra um ataque velado... Eu não poderia vencê-las... Se... Se elas atacassem... Pelas costas. E, sinto que será assim, Abel.


_ Mas, se você sabe disso, pode se prevenir!


_ Eu não sou boa nisso, Abel. E, Catxerê também não é. Entretanto, como minha filha é sua escrava, ela conta com sua proteção. Vocês possuem uma ligação forte, muito forte! Você poderia, sem usar nenhuma magia conhecida, vir até ela e, ela também poderia ir até você. Nada pode deter a forma de magia que há entre vocês, porque ela é infinita, insuperável e indestrutível. Minha filha conta com sua proteção, mas não é qualquer proteção... Você não a rebaixou como escrava, apesar de que isso seria o normal... Você a trata como uma igual e, aliando-se isso ao vínculo que vocês têm... Bem, é uma magia realmente fantástica! É por isso que não me preocupo por Catxerê. Por outro lado, eu não tenho isso.


_ Podemos dar um jeito... Sei que você não pode ser escravizada _ e nem eu faria isso _, mas há outros meios de...


_ Não, Abel, não adianta e... Eu não quero. Aceito minha morte... Acho até que é o momento certo.


_ Por quê?


_ Você não entenderia, Abel... Você ainda não está pronto para aceitar a morte. Sei que o que você quer não é a imortalidade... Não é por isso que você está tentando passar seus poderes... O que você deseja de verdade é viver eternamente com aquelas pessoas que você ama; porém, como isso não é possível, você se conforma com morrer com elas, porque sabe que vai encontrar com essas pessoas novamente em espírito e, assim, conviver eternamente... Entende? Você aceitaria de bom grado continuar com o papel de escolhido, se as pessoas que você ama seguissem com você. Estou certa?


_ Sim, está.


_ Você ainda não está pronto para aceitar a morte, Abel. Mas, eu estou. E sei que ela virá muito em breve. Então, há algumas coisas que preciso falar com você...


_ Vá em frente, Naruna. _ Animou-a o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas de Hogwarts.


_ Muito bem... Vamos lá, então.


A rainha das amazonas respirou fundo, fechou os olhos, pensou por um momento e, depois, começou:


_ Primeiramente, quero te pedir uma coisa. Sei que eu nem preciso pedir isso, mas... Minha consciência me obriga... Por favor, Abel, cuide da minha filha. Não sei se você vai se dar conta de algo que eu descobri... Não sei como seguirá a relação entre vocês... Mas... Seja como for, cuide de Catxerê.


_ Eu cuidarei, Naruna. Darei a minha vida por ela, se necessário for.


_ E, se algum dia você descobrir... Ahn... Algum... Ahn... Sentimento maior... Por ela, saiba que você tem a minha aprovação. Se, porém, não for assim, eu apenas te peço que cuide para que ela seja feliz.


_ Fique tranqüila, Naruna: eu farei tudo o que estiver ao meu alcance para que ela seja feliz. _ Abel prometeu, um pouco estranhado pela prévia aprovação dada por Naruna sobre um possível... Relacionamento maior que poderia, segundo ela, ocorrer entre Abel e Catxerê. Por que aquela aprovação?


_ Muito bem, isso me deixa mais tranqüila. Agora... Uma outra coisa e, isso é também muito importante. Bom, há um livro que guarda grandes segredos das amazonas... Feitiços, poções, maldições, encantamentos... Enfim, todo o conhecimento de nossa... Raça. E, esse livro é guardado por nós... Na verdade, ele é responsabilidade da rainha do nosso bando. Evidentemente, agora ele é minha responsabilidade. Entretanto, nem mesmo eu posso ler o livro... Ele só pode ser lido por... Por... Um homem.


_ O quê? _ Assustou-se Abel.


_ Sim, Abel, eu sei que parece irônico! E, realmente o é! Nossos maiores conhecimentos só podem ser aprendidos por um homem... Nosso feitiço mais forte (o “espelho da lua”) só pode ser realizado por uma amazona que tenha um amor verdadeiro por um homem... Sei que é irônico! Mas, é assim, Abel. Esse livro está guardado... Ele está aqui há um bom tempo... E, sobre minha guarda há mais de duzentos anos. Eu posso _ e devo _ entregá-lo a alguém que o mereça... Mas, claro, que homem mereceria tal honra? Quem seria merecedor de ler nosso livro? Antes eu pensava que esse livro continuaria aqui por muitos milênios... Eu, como muitas amazonas, odiava os homens... Todos! Não importavam se eram bebês, crianças, adolescentes, adultos ou idosos, eu odiava todo e qualquer homem! E meu preconceito era incrivelmente monstruoso! Porém, há algum tempo meus conceitos mudaram, Abel. Você os mudou! E, como eu não gosto de deixar testamentos, porque penso que devemos entregar nossas heranças ainda em vida... Pensei que sim, há alguém que merece ter o lendário Livro das Amazonas...


Naruna moveu as mãos e, então, uma gaveta (de um armário que havia no canto da sala) se abriu. De dentro dela saiu um livro que voou até a rainha das amazonas. Em seguida, a gaveta se fechou. Naruna olhou para o livro e, depois, estendeu-o, entregando-o a Abel, dizendo:


_ Toma, Abel, ele é seu. Cuide bem dele e, use-o com sabedoria.


_ Mas... Mas... _ Abel não acreditava. _ Mas... Eu...


_ Ele é seu, Abel. Pegue-o. _ Naruna insistiu, em um tom que deixava claro que não havia réplica.


A seriedade no rosto daquela estimada anciã fez com que Abel de Oliveira aceitasse o livro sem replicar.


_ Obrigado, Naruna. Prometo usar os conhecimentos deste livro com a maior sabedoria possível. _ Abel agradeceu.


_ Sei que isso ocorrerá, Abel. Agora... Mudando de assunto... Fiquei sabendo que você conseguiu achar aquela profecia sobre a localização das sete Bestas Apocalípticas... Isso é verdade?


_ Sim, é sim.


_ E... Você já desvendou a profecia?


_ Não, eu ainda nem tive tempo de ler...


_ Bem, se você quiser, podemos fazer isso juntos.


_ Claro! _ Aceitou o Professor Oliveira, muito feliz.


Abel sentiria falta dos conselhos, das ajudas, das conversas... Enfim, sentiria falta de Naruna quando ela se fosse. E, ele torcia para que isso demorasse muito!


Retirando o pergaminho com a profecia do bolso, Abel questionou:


_ E então? Posso ler?


_ Vá em frente, Abel.


Após alguns segundos de silêncio, ele leu:


_ Os sete pilares do mal, que sustentam a imortalidade do demo em sua toca, escondem-se em sete lugares; os sete sustentáculos das trevas, que devem ser destruídos na ordem mencionada nesta profecia, escondem-se, porque temem a luz. O primeiro pilar está na morada dos deuses; o segundo, no lugar onde até mesmo o demo não vai; o terceiro está “ensinando” na terra do carnaval e do futebol; o quarto está na mansão do herdeiro do mal; o quinto está na maior floresta mágica do mundo; o sexto está no deserto do faraó e o sétimo está no continente perdido. Eis aqui a ordem, eis o caminho a percorrer, eis a trilha da vitória.


Quando Abel acabou a leitura, Naruna exclamou:


_ Incrível! Tenho algumas idéias...


_ Espere, Naruna... Acho que estamos sendo observados... Mas... Quem estaria aqui? Estranho... Tenho essa sensação há algum tempo... Mais precisamente... Desde a última batalha...


_ Eu também sinto que alguém nos observa, Abel... Mas não é um espírito encarnado, é, certamente, um fantasma oculto.


_ Um fantasma oculto? Mas... Por que um fantasma ficaria oculto? Os fantasmas só ficam ocultos quando são punidos pela divindade, por algum crime muito grave que cometeu! E... Por que o fantasma me seguiria?


_ Todo fantasma possui algo que o liga à terra, Abel, talvez esse algo, desse fantasma oculto, seja você. Talvez você seja a vítima do crime desse fantasma.


_ Não entendo!


_ Abel, nossos espíritos fazem conexões, diversas conexões ao longo de nossas vidas carnais. Essas conexões são construídas e rompidas ao longo de nossa existência, por vários motivos. O amor e o ódio são as duas matérias-prima para essas conexões. Quanto ao ódio... Bem, você pode ter quantas conexões quiser, ou quantas você puder suportar, não há uma lei que fale sobre elas... Por outro lado, as conexões feitas por amor seguem uma lei... Uma simples lei: só pode haver uma conexão para cada tipo de amor. Como você sabe, o ódio é único, simplório; o amor, porém, é variado, há vários tipos de amor: o amor entre uma mãe e um filho e vice-versa, o amor entre um pai e um filho e vice-versa, o amor entre irmãos, entre demais familiares, entre amigos, entre colegas, entre vizinhos, entre conhecidos e, um dos mais sublimes... O amor entre um homem e uma mulher, o amor que há entre um casal. Para cada tipo de amor, só pode haver uma única conexão; dessa forma, se uma conexão é feita e existir uma outra, essa outra é destruída.


_ Espera! Isso quer dizer que não podemos conectar nossos espíritos com dois irmãos?


_ Não, Abel... Você não ama dois irmãos do mesmo modo... São amores diferentes. Se for do mesmo modo uma conexão anulará a outra.


_ Ah, acho que eu entendo... Mais ou menos.


_ Há, porém, uma exceção nessa regra.


_ Qual?


_ Existem espíritos que usam magia-negra para forçar conexões. Nesses casos, a divindade permite que a vítima construa outra conexão do mesmo tipo e espontânea, a fim de que, quando o espírito criminoso tentar obrigar a vítima a se submeter à conexão forçada, a vítima possa lutar contra isso e escolher a melhor conexão. É claro que o espírito criminoso é punido, mas... Uma hora a vítima terá de enfrentá-lo. Creio, Abel, que esse é o seu caso... Você poderá escolher o momento de enfrentar o espírito criminoso, mas você terá de enfrentá-lo, ou a conexão forçada atrapalhará muito sua vida.


_ Bem... E... Como eu faço para enfrentá-lo?


Concentre-se no seu espírito, concentre-se no que o seu espírito sente... E eu sei que você é capaz de fazer isso! Tente sentir o outro espírito, aponte sua varinha para ele e diga: revele-se.


Abel se concentrou. Após um tempo de concentração, ele pôde sentir o espírito de um fantasma que estava ligado a ele. De quem seria esse espírito? Concentrando-se mais, Abel de Oliveira apontou sua varinha para o espírito do fantasma e ordenou:


_ Revele-se!


E, nesse exato momento, o Professor Oliveira foi surpreendido.


_ Gina? _ Questionou Abel, incrédulo.


_ Exatamente! _ Respondeu o fantasma de Gina Weasley, agora visível. _ Olá, Professor Oliveira! Tudo bem com você?


_ Olá, Gina. _ Abel respondeu, sério. _ Eu já tive dias melhores... Já tive momentos melhores. Entretanto, isso não importa agora. Bem... Explique-se! _ Abel ordenou, em um tom de voz nada amigável.


_ O que você quer que eu explique, Professor Oliveira? _ O fantasma de Gina perguntou, sorrindo, com um tom de voz muito doce.


_ Tudo, Gina. _ Respondeu Abel, com um tom de voz firme e gélido. _ Por que não começa explicando a razão pela qual você se tornou um fantasma? Obviamente, tenho minhas próprias conclusões, mas prefiro ouvir de você. Sei que um fantasma precisa de uma conexão com o mundo carnal para ser um fantasma. Há dois tipos de conexão: a conexão com um ser vivo, que é proibida, e a conexão com um ser inanimado. As conexões com seres vivos devem ser conexões entre almas... Elas não são aconselháveis... São até proibidas! As conexões com seres brutos são comuns entre fantasmas... E então, Gina? O que te fez tornar um fantasma?


_ Ah... Bem, eu não sou muito fã de regras, sabia? O que me mantém como fantasma é uma conexão com um ser humano... É a minha conexão com você, Abel. Antes de você se reencarnar como Abel de Oliveira e, claro, antes de eu me reencarnar como Gina Weasley, sem que ninguém soubesse, nem mesmo você, eu lancei duas magias proibidas: a primeira, construiu uma conexão forçada entre nossas almas; a segunda, fez com que, após minha morte, eu lembrasse de todas as minhas vidas. Agora eu sou um fantasma que se lembra de todas as suas vidas e, isso é proibido! Mas... Que importa? Agora posso ficar com você!


_ Ah! Então, você fez uma conexão forçada, não é?


_ Exato! Conexões espontâneas demoram muito a se construir... Daí eu decidi construir uma conexão de amor mais rápido! Isso não é maravilhoso?


_ Então, foi por isso que, quando eu te vi pela primeira vez, eu senti como se você fosse a pessoa mais importante da minha vida, não foi?


_ Exato!


_ E foi por isso também que, quando você morreu, eu não senti nada! _ Abel mais afirmou que perguntou. _ A conexão ficou mais fraca, devido à sua punição... Agora eu entendo! Agora eu entendo tudo!


O sorriso de Gina se ampliou. Todavia, quando ela viu a cara de decepção e desprezo da pessoa que ela mais amava na vida, seu sorriso se desbotou.


_ Você jogou baixo, Virgínia, _ o Professor Oliveira falou, com um tom de total decepção e desprezo na voz e, em seguida, concluiu, agora com determinação e raiva _ e vai pagar por isso!


A caçula Weasley se assustou, mas rapidamente recuperou a compostura e retrucou:


_ Não, Abel. Antes eu não podia fazer nada, por causa da minha punição. Porém, agora que você me libertou da punição, eu poderei aumentar nossa conexão! Vou aumentar nossa conexão e você sentirá que me ama muito! E esse amor fará com que você me ressuscite, independentemente do preço a pagar por isso!


_ Você não poderá fazer isso. _ Naruna disse, calmamente. _ Abel, você pode detê-la. Procure a conexão do mesmo tipo e espontânea que você construiu, concentre-se nela e você vencerá esta batalha. Lembre-se, Abel, que tem que ser uma conexão do mesmo tipo! Ou seja, tem que ser uma conexão espontânea construída com base no amor entre um homem e uma mulher. Então, Abel, concentre-se no seu amor verdadeiro!


_ Acha que eu vou deixar que isso aconteça? _ Gina retrucou. _ Eu vou destruir essa conexão!


E Gina Weasley se concentrou, lançando uma magia que aumentava gradativamente a conexão forçada que ela tinha feito entre a alma dela e a alma de Abel de Oliveira. Isso provocou em Abel um sentimento de amor para Gina, parecia que ele a amava verdadeiramente e só a ela! Parecia que ela era a pessoa mais importante de sua vida e que não havia mais nada além dos dois que valesse a pena!


Contudo, a caçula Weasley não contava com o fato de que Abel de Oliveira era mestre, ou melhor, mais que mestre em Oclumência. O professor de Defesa Contra as Artes das Trevas de Hogwarts afastou o sentimento provocado pelo aumento da conexão forçada entre ele e Gina e usou sua mente organizada para buscar seu amor verdadeiro. Ele reviu rapidamente, muito rapidamente todas as suas vidas; e então, percebeu que, se ele havia construído uma conexão espontânea baseada no amor entre um homem e uma mulher, isso foi feito nesta vida. Então, ele se concentrou em rever toda a sua vida como Abel de Oliveira. Quem poderia ser seu amor verdadeiro?


Abel de Oliveira pensou em seus pais... Sim, ele amava seus pais! Entretanto, a conexão entre ele e Gina não era baseada nesse tipo de amor. E quanto a Alana? Sim, ele amava sua irmã, mas era um amor entre irmãos, e não entre um homem e uma mulher! E Atena? Ele a amava sim, mas era também um amor entre irmãos, mas diferente do amor entre ele e Alana. E foi então que Abel se lembrou de Catxerê. Ah, Catxerê, a doce, meiga e terna Princesa Amazona! Ele a amava?


Se havia alguma dúvida, tudo ficou esclarecido porque, assim que Abel pensou em Catxerê, a magia lançada por Gina (a qual era, agora, um fantasma) parou. Abel, então, concentrou-se na conexão entre ele e Catxerê e usou a energia dessa conexão para atacar a conexão forçada entre ele e Gina. Sim, isso foi muitíssimo eficaz! A conexão que a caçula Weasley forçou entre ela e o Professor Oliveira diminuiu muito.


Nesse momento, Naruna disse:


_ Concentre-se no seu amor verdadeiro, Abel, desenhe uma faca com sua varinha e diga as palavras: Conectio Finitum.


Abel se concentrou, mentalizou seu amor verdadeiro e, antes que ele fizesse o que Naruna disse, Gina protestou:


_ Você não pode fazer isso, Abel! Eu te amo! E, tenho certeza de que você me ama! Eu sacrifiquei minha vida por você! E sei que você faria o mesmo por mim!


Abel de Oliveira respondeu friamente e de modo sarcástico e calmo:


_ Um pouquinho do que você disse é certo, Virgínia. Sim, é verdade que você se sacrificou por mim. Entretanto, eu tenho dúvidas, muitíssimas dúvidas sobre o seu suposto amor por mim... Quem ama não usa uma magia proibida para forçar uma conexão. Quem amaVirgínia, é capaz de se alegrar com a felicidade do outro, mesmo que o outro ame outra pessoa. Quem ama, Virgínia, faz a coisa certa, e não a fácil. Quanto às suas outras afirmações... Bom, não, eu não te amo e, não, eu jamais sacrificaria a minha vida por você. Agora, Virgínia, é hora de quebrar sua maldita conexão!


Abel se concentrou novamente, mentalizou seu amor verdadeiro, desenhou no ar uma faca com sua varinha e bradou, com uma voz forte, determinada e poderosa:


_ Conectio Finitum!


_ Não! _ Gina gritou, desesperada.


Entretanto, ela nada pôde fazer: a conexão foi quebrada e ela foi jogada longe, batendo contra um muro invisível e caindo pesadamente no chão, como se fosse de carne e osso.


_ Nããããoooooo! _ Gina Weasley berrou ainda mais alto, extremamente frustrada.


Catxerê levou Atena para o seu quarto. Ela não deixava qualquer pessoa entrar nele, nem mesmo sua prima, que era sua melhor amiga, podia entrar lá; apenas sua mãe e Abel podiam. Mas ela confiava em Atena. O por quê, ela não sabia exatamente. Talvez fosse porque a garota se parecia tanto com Abel, ou porque Atena era uma linda criança... Catxerê não sabia, mas confiava e gostava bastante de Atena.


Atena era muito curiosa. Ela tinha várias lembranças na sua mente, mas todas elas eram inúteis, porque não tinham significado nenhum, uma vez que ela não viveu nada daquilo. Ah, não, talvez não fosse bem assim, talvez aquelas lembranças tivessem sim sua utilidade em alguns momentos, mas... Não lhe pertenciam. Atena queria construir suas próprias lembranças. Com o maior prazer, Catxerê respondia a todas as perguntas feitas por Atena sobre as amazonas.


Em um certo momento, porém, a princesa amazona sentiu que Abel estava em dificuldades, ou que, pelo menos, algo muito importante estava acontecendo com ele. Então, como sempre fazia, ela se concentrou na conexão que havia entre os dois e pôde ver tudo o que estava acontecendo na sala do trono. Abel não se importaria com isso... Ele fazia o mesmo quando algo acontecia com ela. No momento em que Catxerê viu Abel, frente a frente com o fantasma de Gina Weasley, o coração da amazona bateu mais forte, muito forte! Ela ficou apreensiva. E se Abel amasse a caçula Weasley? O que ela, Catxerê, devia fazer? A amazona decidiu não interferir. Se Abel estivesse feliz, fosse com quem fosse, ela aceitaria e seria também feliz. No entanto, quando ela viu tudo o que aconteceu, ela percebeu que Abel de Oliveira não escolheu Gina Weasley e, isso, trouxe muitíssima felicidade à amazona. Sim, Abel a havia escolhido! Então, ela poderia intervir; ela daria a Gina Weasley o castigo merecido pelo crime abominável que esta cometera.


Catxerê, então, disse:


_ Atena, preciso resolver um pequeno problema... Eu volto assim que eu puder! Você se importa de ficar aqui me esperando?


_ É claro que não! _ Respondeu Atena, sorrindo. Em seguida, a menina completou: _ O... An... Pequeno problema... Envolve Abel, não é?


_ Sim... Mas... Não é nada grave.


_ Vá em frente!


_ Não saia daqui, tudo bem? Aqui você está segura!


_ Não se preocupe! Eu ficarei aqui.


E Catxerê foi para a sala do trono; Atena cumpriu o que prometeu e ficou no quarto de Catxerê, esperando a Amazona.


Gina Weasley olhava agora com temor para a cara de seu ex-professor de D. C. A. T. e a expressão de desprezo de Abel era assustadora. O docente, então, falou:


_ Muito bem, Virgínia, agora é hora de dizer adeus!


_ Não faça isso, Abel! _ A pequena Weasley rogou.


_ Adeus, Virgínia! _ Abel sentenciou, irredutível.


Então, ele apontou sua varinha para Gina Weasley e bradou:


_ Plasma Ex...


_ Espere, Abel. _ Uma voz doce, meiga, terna e infantil o interrompeu.


Nesse momento, Abel reconheceu a voz, olhou para a porta da sala do trono e viu uma bela amazona, uma princesa, parada, ali, na porta. Então, um sorriso apareceu no rosto do nosso estimado Professor Oliveira.


_ Cat! _ Abel reconheceu. _ Mas... Como...?


_ Eu senti que algo importante estava acontecendo com você, Abel. _ A amazona explicou. _ Então, eu me concentrei e vi Virgínia aí, com você... A princípio pensei que você a ressussitaria... Pensei que você a queria aí... E então eu decidi não interferir. No entanto, quando eu vi o que realmente acontecia, eu decidi vir e dar o que Virgínia merece. Por favor, Abel, deixe-a comigo! Prometo que ela pagará muito caro por tudo o que fez!


O sorriso no rosto de Abel se ampliou e ele aquiesceu:


_ Fique à vontade, Cat!


Ver Abel brindar aquela amazona com aquele sorriso doeu profundamente no coração de Gina. Ah, aquele sorriso, aquele sorriso que foi dela, na primeira vida de Abel... Aquele sorriso agora era de uma amazona! Uma maldita amazona! Não, ela não podia permitir!


_ Eu não vou ficar parada aqui esperando seu ataque, sabia? _ Gina falou, com ódio, encarando a princesa amazona.


_ Mas eu não espero que você fique parada mesmo... _ Catxerê respondeu.


No auge do seu ódio, Gina apontou sua mão fantasmagórica para Catxerê e enunciou:


_ Infectus!


Aquelas coisinhas parecidas com Vírus ampliados saíram da mão de Gina Weasley. Entretanto, Abel de Oliveira saltou e se colocou na frente de Catxerê, protegendo-a, usando seu próprio corpo como escudo. Em seguida, ele apontou sua varinha na direção daqueles “Vírus ampliados”, que agora iam na direção dele, e lançou:


_ Anti-corpus!


Da varinha do Professor Oliveira saíram coisinhas parecidas com umas bolinhas muito ampliadas, que envolveram os “Vírus Ampliados” e os destruíram, explodindo em seguida.


_ O... O... O quê? _ Gina murmurou, incrédula. _ Como? Meu ataque era indefensável!


_ Não, Virgínia, seu ataque era plenamente defensável. O que acontece é que poucos conhecem a forma de anular o “Infectus”. _ Abel respondeu. _ Agora, Virgínia... Eu te aconselho a não lutar! Afinal, seu destino está selado mesmo! Se você lutar, você sofrerá mais, sabe?


_ Minha luta não é com você, Abel! _ Gina falou.


_ Sim, agora é! _ Retrucou o professor de Hogwarts. _ Eu não interferiria... Eu deixaria Catxerê cuidar de você, mas... Você cometeu um grave erro! Você levantou a mão contra uma das pessoas mais importantes para mim! E, agora, antes de te entregar para Catxerê, você pagará pelo que tentou fazer! _ E Abel apontou sua varinha para Gina Weasley, lançando rapidamente, sem dar tempo para que Gina reagisse: _ Plasma Incarcerous!


E cordas de plasma _ o material formador dos fantasmas _ apareceram e amarraram a caçula Weasley, imobilizando-a e impedindo-a de reagir.


_ Agora, Virgínia, eu vou lhe mostrar que as imperdoáveis também podem ser lançadas em fantasmas! _ Abel bradou, com ódio na voz. _ Você se lembra da última aula, Virgínia? Eu estava ensinando a você e à sua turma sobre a Maldição Imperius. Bem, hoje você terá uma pequena aulinha prática sobre a Maldição Cruciatus. A Maldição Cruciatus é considerada a maior tortura possível. É claro que há torturas piores, mas... Acho que poucos as conhecem ... Bem, a Maldição Cruciatus provoca uma dor insuportável! Parece que você está queimando, parece que milhões de agulhas te perfuram, parece que seus ossos perfuram sua pele... Mas... Você não tem por que acreditar no que eu falo... Você poderá comprovar por si mesma! Então, prepare-se! _ E Abel apontou sua varinha e enunciou: _ Plasma Crucio!


E, então, Gina Weasley sentiu a enorme dor da Maldição Cruciatus. Ela berrava de dor! Abel continuou explicando, como se estivesse dando uma aula:


_ Na verdade, poucos bruxos sabem como lançar feitiços em fantasmas... Mas é fácil! É só desenhar uma esfera com a varinha, antes de fazer o movimento do feitiço... E, claro, antes de dizer a palavra que o invoca , diga (ou pense, no caso do feitiço não-verbal) a palavra “Plasma”. Então, para lançar a Maldição Cruciatus em um fantasma, é só dizer, em vez de apenas “Crucio”, “Plasma Crucio”. Fácil, não é? Mas você pensou que eu não poderia te atingir, não é mesmo, Virgínia? Você pensou, provavelmente, que ficaria impune! Você é idiota, Virgínia.


O olhar de ódio de Abel ficava cada vez mais incandescente e a dor que Gina sentia só aumentava mais e mais!


Catxerê, então, aproximou-se de Abel, tocou no braço direito do bruxo e falou, brandamente:


_ Acalme-se, Abel... Ta tudo bem.


Abel sentiu aquele toque, ouviu aquela doce voz e, aos poucos, foi se acalmando e a dor sentida por Gina foi diminuindo gradativamente. Após um tempo, o mestre de D. C. A. T. de Hogwarts baixou sua varinha, olhou de forma carinhosa para a princesa amazona e lhe disse:


_ Cat, ela é toda sua! Vá em frente!


E ele recuou.


_ Obrigada, Abel. _ A amazona agradeceu.


Catxerê ficou, então, de frente para Gina Weasley, encarando-a nos olhos.


_ Forçar uma conexão é um crime muito grave, sabia, Virgínia? _ A amazona questionou.


_ Eu já paguei a pena por isso! _ Respondeu Gina, extremamente irritada. Ela nada podia fazer... Afinal, estava amarrada.


_ Não, você ainda não pagou... _ A princesa amazona retrucou. _ Você apenas recebeu uma pequenina punição, mas não é nada comparado ao que você sofrerá.


_ Não importa! Eu fiz isso por amor!


_ Será mesmo, Virgínia?


_ É claro!


_ Pois eu acho que não. Logicamente, nós temos conceitos diferentes do que é o amor. Você pensa que o amor é uma posse, não é? Mas você está enganada, Virgínia. Quem ama, contenta-se com a felicidade do ser amado, mesmo que a felicidade dele seja outra pessoa...


_ Ah, é? Se você estivesse no meu lugar, aposto que você faria a mesma coisa! Ou será que você ficaria feliz se Abel não escolhesse você?


_ Virgínia, eu vou lhe dizer uma coisa... A coisa mais verdadeira que existe nesse universo! Eu serei aquilo que Abel precisar que eu seja! E se ele escolher outra pessoa, se ele precisar que eu seja invisível, sim, eu serei invisível e ficarei feliz com a felicidade dele! Para mim não importa como as coisas vão ficar... Se Abel estiver feliz, eu também estarei feliz. E... Sabe por quê? A felicidade dele, Virgínia, é a minha felicidade, independente das circunstâncias. Isso, Virgínia, é o amor. É claro que eu não espero que você entenda isso agora, mas sei que um dia você compreenderá. Agora, Virgínia, é hora de você pagar pelo que fez! Mas, antes, eu tenho uma perguntinha pra você... Como você está com sua consciência?


_ O quê?


_ É que agora você será julgada pelos seus atos! O feitiço que vou lançar em você nunca antes foi lançado... Você será a primeira a recebê-lo! É um feitiço que só as líderes das amazonas conhecem... Mas não são todas... Atualmente, só minha mãe e eu o conhecemos... Minha mãe me ensinou e me disse para que eu o usasse apenas quando eu tivesse certeza de que queria usá-lo. Afinal, o espírito que o recebe pode ter um período maravilhoso, ou um período terrível, dependendo do que ele fez ao longo de sua vida celestial. Agora, você será julgada pelos seus atos e receberá de acordo com as suas obras! Bem... Pelo que imagino, você sofrerá bastante... Sua vida fantasmagórica termina aqui, Virgínia! E seu espírito será julgado! E então? Você está em paz com sua consciência?


Gina sabia que era o fim. Então, ela olhou para Abel e perguntou, derrotada:


_ Você me odeia, não é Abel?


O bruxo respondeu, friamente:


_ Não, Virgínia, eu não te odeio, porque você não é digna sequer do meu ódio. Eu te desprezo, o que é diferente.


_ Muito bem! _ Catxerê encerrou o assunto. _ Espero que você esteja pronta para o...


E a princesa amazona apontou sua varinha para o fantasma de Gina Weasley, desenhou um martelo com a varinha e enunciou:


_ Juízo Final!


Então, a capa de plasma que formava o corpo fantasmagórico de Gina foi destruída e o espírito da caçula Weasley ficou visível. Depois, um portal foi aberto e, dele, vários anjos apareceram. Houve, então, um breve julgamento, e Gina Weasley foi condenada a uma longa estadia no inferno. Em seguida, os anjos agarraram a jovem Weasley e a lançaram no portal que a conduziria ao inferno.


A princesa amazona se voltou para Abel e, olhando-o nos olhos, questionou:


_ Ta tudo bem com você, Abel?


_ Tudo excelente, Cat! _ O feiticeiro respondeu, com um belo sorriso no rosto.


Os dois ficaram se olhando por um longo tempo e Naruna não quis interromper. Catxerê, assim como Abel, tinha um belo e gigante sorriso no rosto. Os dois pareciam muito felizes. Nenhum dos dois dizia ou fazia nada, porque nenhum deles queria quebrar aquele momento maravilhoso. Depois de um tempo razoável, Abel disse:


_ Você é fantástica, Cat!


_ Você também é incrível, Abel! _ A amazona respondeu. _ Afinal, para se quebrar uma conexão usando magia, mesmo que seja uma conexão forçada, é necessária muita energia!


_ Enquanto você estiver comigo, Cat, eu terei energia para mover, destruir ou criar universos.


_ Eu sempre estarei com você, Abel, ou ao menos até o momento em que você não quiser mais que eu esteja...


_ Isso jamais acontecerá.


_ Nesse caso... Eu sempre estarei com você!


_ Eu também sempre estarei com você, Cat. E isso é mais que uma promessa!


Agora sim Catxerê sorria de orelha a orelha! E o sorriso de Abel também não ficava atrás! Mais um tempo razoável se passou ,e só então a princesa amazona conseguiu sair do transe em que se encontrava. Ela falou:


_ Bom... Eu... Eu vou voltar para o meu quarto... Deixei Atena lá e... Não acho que é muito educado deixar uma visitante sozinha... Então... Bem, quando você terminar de conversar com a minha mãe, você pode me encontrar lá, tudo bem?


_ Claro! _ Respondeu Abel. _ Mas... Eu serei capaz de achar seu quarto?


_ É claro que sim, Abel! Você tem permissão para encontrar e entrar lá quando você quiser!


E Catxerê se foi. Ela voltou para o seu quarto e continuou sua conversa com Atena.


Quando Catxerê saiu, Naruna disse:


_ Excelente! Vocês dois fizeram um ótimo trabalho!


_ Ah... Obrigado... _ Abel agradeceu, um pouco sem-graça pelo elogio recebido.


_ Eu sei que você está meio aéreo... Talvez no mundo dos sonhos... E isso é bom. No entanto, precisamos retomar nossa conversa anterior.


_ Sim, claro.


_ Bem, essa profecia é muito interessante! Vamos ver... A mim me parece que a primeira besta está na Grécia, mais precisamente na parte mágica do Monte Olimpo, a parte que os trouxas nunca viram... O que você acha, Abel?


_ Concordo plenamente com você! Como é que você conhece tanto do mundo, se nunca saiu do seu território?


_ Eu leio livros, Abel.


_ Ah... Livros são realmente fantásticos!


_ Agora, quanto à segunda besta, eu não tenho nem idéia de onde ela possa estar! Você tem alguma idéia, Abel?


_ Sim, tenho. Há um e apenas um lugar que Lúcifer teme... Eu nunca pensei que uma de suas bestas fosse se esconder lá!


_ E... Onde é?


_ O subinferno.


_ Oh, não! Será muito difícil destruí-la!


_ Mais ou menos... Mas ir ao subinferno não será muito difícil para mim.


_ Você consegue ir lá?


_ Tranqüilamente. Sei como dominar as criaturas que lá estão. Não é fácil, mas não é impossível.


_ E... Como?


_ O ódio, Naruna. Quando você vai para as dimensões inferiores, o ódio significa poder e domínio... Mostre que você é capaz de odiar mais que todos e você será o líder. Você entende?


_ Sim, claro. Dominar o ódio é a melhor coisa que um ser humano pode fazer... Afinal, se você domina o ódio, você é capaz de se controlar e de usá-lo apenas nos momentos adequados; se, porém, você não o domina, ele te dominará e você sofrerá muito. Bem... Quanto à terceira besta... Creio que a profecia fez uma piada muito engraçada! Ela está “ensinando” na terra do futebol e do carnaval... Muito engraçado, você não acha?


_ É, é sim. Pena que eu não posso destruí-la agora... Ela está tão perto!


_ Tenha paciência, Abel. A besta permanecerá aqui, escondida na Escola de Magias Brasileira, esperando por você!


_ É, é verdade. Mas, mesmo assim, eu queria destruí-la logo... Pena que eu não posso. Bem, a quarta besta está na Mansão Malfoy, eu acho. Tenho planos para ela! Deixarei meu sucessor e seus amigos tomarem conta dela... O que você acha?


_ É uma excelente idéia, Abel! Ele aprenderá muito com isso! Mas leve-o com você antes disso, para que ele veja como é a luta.


_ Sim, eu farei isso. Eu o levarei para destruir as outras bestas comigo... Não sei se eu o levarei em todas as aventuras, mas, pelo menos em duas eu o levarei.


_ Isso é ótimo! Bem, e quanto à quinta besta? Penso que ela está na Florândia, aqui no Brasil.


_ Sim, é lá mesmo que ela está. A aventura aqui no Brasil será muito interessante...


_ Sim, será. Bem, a sexta besta parece que está no Egito, no Deserto do Saara, não é?


_ É, é sim. E pela mensão que a profecia faz ao Faraó, penso que ela estará próxima da pirâmide de uma das minhas encarnações... Nessa encarnação eu fui um Faraó e construí uma pirâmide fantástica! Acho que ela estará lá por perto.


_ É... Parece que sim. Mas... E a sétima besta? Onde ela estará?


_ Atlântida, Naruna.


_ Atlântida? Mas... Como?


_ Como eu não sei, mas o único continente perdido que eu conheço é Atlântida.


_ E... Como você a destruirá?


_ Bem, terei que conseguir permissão para entrar em Atlântida. Penso que não será tão difícil assim... Tenho alguns contatos, sabe?


_ Ah, sim, entendo. Isso é ótimo. Bem, então o curso de ação é: Grécia _ parte mágica do Monte Olimpo _, Subinferno, Escola de Magias Brasileira _ Brasil _, Mansão Malfoy _ Inglaterra _, Florândia _ Brasil _, Deserto do Saara _ Egito _ (próximo à pirâmide construída por uma de suas encarnações) e, Atlântida _ o continente perdido. Confere?


_ Sim, é isso mesmo!


_ Você terá aventuras muito interessantes, Abel. É uma pena que eu não poderei acompanhá-las! Há mais alguma coisa que você queira discutir comigo?


_ Não... Acho que não.


_ Então, pode buscar Catxerê... Sei que ela está ansiosa por vê-lo novamente!


_ Até mais, Naruna!


_ Até, Abel.


E o Professor Oliveira saiu da sala do trono e foi até o quarto da princesa amazona.


_ Olá, Cat, Atena! _ Cumprimentou o “Escolhido”.


_ Olá, Abel! _ Responderam as duas, em uníssono.


_ Você se divertiu muito, Atena? _ Questionou o bruxo.


_ Ah, sim, bastante! _ Respondeu a garotinha.


_ Isso é ótimo! _ O feiticeiro afirmou.


_ E aí? Como foi a conversa na sala do trono com minha mãe? _ A amazona perguntou.


Atena também estava curiosa, ela queria muito saber o conteúdo da conversa. Entretanto, Abel não estava disposto a deixá-la saber de tudo; afinal, a garota tinha apenas dez anos de idade e, além disso, ainda não estava preparada para saber de tudo (precisaria de treinamento). Então, o bruxo olhou nos olhos de Catxerê e lhe mostrou tudo. A princesa amazona ficou muito satisfeita, porque Abel já tinha um plano de ação, um caminho a seguir, e não estava no escuro. Ela disse:


_ Serão aventuras fantásticas, Abel.


_ Sim, serão. _ Respondeu o Professor Oliveira.


_ Quando você irá para a primeira aventura?


_ Ainda não sei... Mas não será na próxima semana... Creio que começarei no próximo mês, porque preciso de um tempo para me adaptar à nova rotina.


_ Ah, sim... Entendo. Abel, esse seu anel... Você me disse que é um anel muito especial... Você me disse que ele pode gravar alguns lugares e, depois, ele pode ser usado para te transportar para esses lugares, certo?


_ Sim, Cat... O anel que tenho no indicador da minha mão direita é chamado de Anel dos Oliveira. Na verdade, não é um nome muito original... O nome dele apenas indica que o anel só pode ser feito por um membro da família Oliveira. É tradição na família que os pais façam esses anéis para seus filhos e, nesses anéis, os pais colocam todo o seu amor pelos seus filhos. Nós, Oliveira, também fazemos anéis para presentear as pessoas que escolhemos como companheiros para a eternidade...


_ Você deu o Anel dos Oliveira para aquela garota... Como é mesmo o nome dela? Ah, sim, Gina Weasley! _ Atena perguntou.


_ Não. O Anel dos Oliveira não é dado a qualquer um... Nós só presenteamos as pessoas que realmente escolhemos para viver a eternidade conosco... Por exemplo: eu só devo, segundo as tradições da nossa família, presentear alguém com o Anel dos Oliveira quando eu tiver certeza de que escolhi a pessoa certa para ser minha esposa, preciso ter certeza mesmo de que quero viver a eternidade com a pessoa e de que ela me corresponde, entende? _ O Professor Oliveira explicou.


_ Sim, entendo. _ A garota falou.


_ Isso, porém, não impede que eu dê outros anéis para outras pessoas... _ Abel completou.


_ Então, o anel que você deu a Gina foi um anel qualquer... _ Atena mais afirmou que perguntou.


_ Sim, foi. _ Abel confirmou. _ Meu anel tem alguns poderes interessantes... Por exemplo: posso gravar, nele, os lugares mais importantes para mim e, depois, posso usar o anel como meio de transporte para chegar nesses lugares; não importa a proteção mágica que haja nesses lugares, porque nada impedirá o anel de me transportar para eles. Outro poder interessante é que o anel pode ampliar meus poderes se eu quiser... Preciso dizer algumas palavras, mas, ele é extremamente eficaz. Os Oliveira são, por natureza, caçadores de vampiros e, dessa forma, produziram várias coisas para lutar contra eles. No passado, isso era vital para a sobrevivência da família, mas, agora, tanto eu quanto Alana dominamos algumas técnicas vampíricas, o que torna as coisas bem mais fáceis! E aí não somos tão dependentes assim do anel.


_ Legal! _ Atena disse, exultante.


_ Bem, Abel... _ Catxerê falou... _ Eu gostaria que você gravasse meu quarto nesse seu anel... Isso facilitaria as coisas... Você poderia me visitar mais rapidamente, e eu não precisaria ficar te esperando. Seria bom, sabe? Por exemplo... Quando você estiver esgotado, como naquele dia que você veio aqui, você já viria direto a mim e não correria tantos perigos! Naquele dia, se eu não chegasse a tempo, você teria morrido! Se você tivesse vindo direto ao meu quarto, isso não teria acontecido. Outra coisa é que... Bom, minha mãe não está nos seus melhores dias e, se eu precisar de ajuda, você poderia chegar mais rápido...


_ Tem certeza de que você quer mesmo que eu grave seu quarto no meu anel, Cat? _ Abel perguntou.


_ Claro! _ Catxerê respondeu, veemente.


_ Então, tudo bem. _ O bruxo concordou.


Após fazer o que a princesa amazona sugeriu, Abel disse:


_ Bem, é hora de partir.


Nesse momento, Catxerê fez uma coisa que jamais havia feito até então: ela correu até Abel e o abraçou fortemente. Abel sabia que tal gesto só era feito pelas amazonas para pessoas muito importantes para elas. A cultura das amazonas não lhes permitia sair abraçando a qualquer um... Abraços só eram dados às pessoas mais importantes para elas. Abel retribuiu ao abraço com a mesma intensidade.


_ Eu vou sentir sua falta, Abel. _ Catxerê afirmou.


_ Eu também vou sentir muito sua falta, Cat!


_ Quando você tiver um tempinho, vem me visitar, ok?


_ Claro! Mas... Agora, parece que a conexão que há entre nós cresceu bastante... Se você se concentrar um pouquinho apenas, poderá me ver...


_ É, mas... É sempre melhor pessoalmente, você não acha?


_ Eu não acho, Cat, eu tenho certeza! Qualquer problema aí, é só me chamar, tudo bem?


_ Certo. Cuide-se, Abel. Não entre em perigos desnecessários!


_ Não se preocupe, Cat, eu me cuidarei. E... O mesmo vale pra você!


_ Eu me cuidarei também.


Os dois mantinham o abraço durante todo esse diálogo. Depois de um pequeno silêncio, eles se separaram e se despediram:


_ Então, até breve, Cat. _ Abel falou.


_ Até breve, Abel. _ Catxerê respondeu. _ E... Até mais, Atena! _ A amazona disse, sorrindo.


_ Até mais! _ Respondeu a garota.


_ Vamos, Atena? _ Abel chamou.


_ Vamos! _ A garota respondeu.


Abel e Atena tocaram no anel que Abel tinha sempre no dedo indicador da mão direita e os dois foram transportados para os aposentos de Abel em Hogwarts, mais especificamente para a Sala de Estar.


_ Olá, Abel, querido! _ Cumprimentou o quadro da mãe do Professor Oliveira.


_ Olá, mãe! _ Abel também cumprimentou.


_ Há alguém na sua sala querendo falar com você, Abel. _ A mãe do bruxo disse.


_ Quem?


_ Um aluno... O nome dele é... Harry Potter.


_ Ah! Vou lá falar com ele. Você pode dizer a ele que eu estou indo, mãe?


_ Claro, querido!


E a imagem da mãe de Abel desapareceu.


_ Vitália? _ Abel chamou a fênix que estava em um poleiro que ficava próximo ao teto da sala. A fênix desceu e pousou no braço dele e ele perguntou: _ Você pode me ajudar?


A fênix transportou o docente para sua sala de aula e, lá, diante de Abel, encontrava-se Harry Potter.


_ Olá, Harry! A que devo a honra de te ter aqui, na minha sala? _ O mestre questionou.


_ Professor, eu vim dar a resposta... Eu aceito ser o novo “escolhido”.


_ Excelente! Bem, como eu já devo ter dito, você poderá escolher alguém para te acompanhar nessa aventura... Mas tem que ser alguém que você ame, Harry, precisa ser alguém com quem você queira viver a eternidade! Você já tem alguém em mente?


_ Tenho, mas... Eu...


_ Tome o tempo que você quiser! O ritual que o tornará um “escolhido” será realizado mais tarde. Porém, eu lhe darei um duro treinamento! Amanhã você receberá os novos horários para as suas aulas e eu incluirei neles os dias e horários do seu treinamento. Todo mundo receberá horários novos amanhã, sabe? É que o novo professor de Poções chega e, também, chegará a nova professora de Transfiguração... Bem, Harry, boa-noite pra você!


_ Boa-noite, Professor Oliveira.


E Harry saiu da sala. Abel, então, decidiu trancar a porta e voltar para a Sala de Estar dos seus aposentos. Vitália, a fênix de Abel, ajudou-o a voltar para lá.


_ Bem, Atena, acho que podemos... _ Abel começou, mas foi interrompido.


_ Abel, posso falar com você? _ Perguntou uma voz, vinda de uma cabeça que estava na lareira da Sala de Estar do Professor Oliveira.


_ Claro, Victor! _ Abel aquiesceu.


_ Victor? _ Atena questionou. _ Quem é ele?


_ Ele é o vampiro que me ensinou as técnicas do teletransporte e da leitura vampírica de pensamentos. Se você procurar nas suas lembranças, você o encontrará.


Victor entrou na sala pela lareira e cumprimentou:


_ Olá, Abel, Atena...


_ Olá, Victor! _ Os dois responderam, em uníssono.


_ Bem, Abel, eu vim rápido... _ Victor falou. _ Preciso te entregar uma coisa... Pegue!


E Victor estendeu um livro para o Professor Oliveira.


_ O que é isso, Victor? _ Abel questionou.


_ Isso, Abel, é o diário do meu mestre, o diário do grande Conde Drácula. Há muitos conhecimentos nele...


_ Mas, Victor, esse diário deve ser o livro mais importante dos vampiros!


_ Sim, ele é, Abel. O próprio Drácula me entregou o diário, antes de ser morto por seus pais... Ele me pediu que eu entregasse o diário a você. Na verdade, eu só estou cumprindo ordens dele.


_ Drácula pediu pra você entregar o diário dele pra mim? Ah, isso é... Inacreditável. E... Por quê?


_ Quando você ler o diário, Abel, você entenderá. Aí tem muitas coisas de seu interesse...


_ Eu não entendo...


_ Drácula me pediu para te ensinar as técnicas do teletransporte e da leitura vampírica de pensamentos... E, ele também me pediu pra te entregar o diário dele quando eu achasse que você estivesse pronto e quando eu achasse que o momento era oportuno e... Bem, há muito tempo eu acho que você está preparado, mas, este é o momento mais oportuno, na minha opinião. Repito, Abel, que aí tem coisas do seu interesse! Portanto, leia o diário com atenção.


_ Tudo bem, eu farei isso. Talvez nesse diário tenha alguns conhecimentos de que preciso...


_ Tem sim... Tem isso e muito mais! Você vai gostar... Eu espero. Bem, Abel, voltarei para a EMB, tudo bem?


_ Claro! Foi um prazer ver você novamente, Victor!


_ O prazer foi todo meu, Abel. Se você quiser comentar alguma coisa do diário, estou à disposição!


_ Tudo bem...


_ Até mais!


_ Até, Victor.


E Victor foi embora.


_ Bem, Atena, acho que agora podemos ter nossa conversa. Pode perguntar o que quiser!


_ Ah... Por onde eu começo? Sabe, Abel, eu tenho tantas lembranças na minha cabeça e... Eu não as reconheço! É estranho... Bem, primeiro, eu queria saber sobre esse Victor... Há uma certa contradição aí que eu não entendo... Pelo que vejo nas lembranças que tenho, Victor era seguidor de Drácula, o mais próximo do maior vampiro de todos os tempos... E, pelo que sei, seus pais...


_ Nossos pais, Atena. Não se esqueça!


_ Bom, tudo bem então... Eles mataram Drácula. Depois esse Victor te ensinou as técnicas dos vampiros... Algumas delas... Por quê?


_ Ah, Atena... Acho que terei de te contar parte da minha história pra você esclarecer suas dúvidas... Mas, antes, eu quero saber... Há mais alguma dúvida?


_ Sim... Na sua primeira vida, você amou... Depois, você deixou de acreditar no amor e, nesta vida, você voltou a acreditar nele... Por quê?


_ Bom, é como eu pensei... Terei de contar parte da minha vida pra você. Não se preocupe, responderei a todas as suas perguntas. Bem, vamos lá!


Abel se acomodou melhor no sofá em que ele estava sentado e começou a contar:


_ Tudo começou na minha primeira vida... Ou melhor, na primeira vida de que posso me lembrar... Meus pais eram mágicos. Eles trabalhavam para um Rei... Não importa qual agora. Quando eu nasci, meu pai ficou muito feliz... Ele queria que eu seguisse seus passos. Entretanto, eu me neguei. Ele queria que eu trabalhasse para o rei, mas eu queria o conhecimento. E, quando eu me tornei discípulo de Jânio, meu pai não gostou nada e me deserdou.


*Flash Back*


_ O quê? Você se tornou discípulo daquele velho? _ O pai de Abel gritava, com muito ódio na voz e no seus olhos. _ O que você espera com isso? Isso não vai fazer você se tornar um bom funcionário...


_ Basta! _ Abel gritou, também com ódio na voz. _ Será que você não entende? Será que sua cabeça oca não consegue compreender? Ouça bem: eu NÃO quero ser funcionário do seu maldito rei!


_ Não fale assim do nosso rei! Ele é...


_ Cale-se! Eu já cansei de ouvir falar nesse rei imbecil! Entenda bem... Eu NÃO seguirei os seus passos! Ouviu? Eu farei meu próprio caminho!


_ É bom mesmo, porque, a partir desse momento, você não é mais meu filho! Ah! E... Leve com você aquele protótipo de ser humano que você chama de irmã! Eu jamais quis uma filha! Maldita mulher que não sabe fazer as coisas direito! Primeiro, um filho imprestável e, depois, ainda faz pior... Ainda me dá uma filha! Ah! Que nojo!


*Fim do Flash Back*


_ Sim, Atena, eu tinha uma irmã. Ela se chamava Elena. Meu pai jamais quis uma filha... E quando ele descobriu que eu o enfrentaria e não seguiria seus passos ele amaldiçoou ainda mais a filha que tinha... Afinal, se fosse um filho, talvez pudesse seguir seus passos, não é? Bem, naquele dia, fui com Elena para o castelo de Jânio. Eu tinha onze anos e ela nove. Começamos a aprender muita coisa... Aprendemos vários feitiços... Jânio era contra o uso das Maldições imperdoáveis, ele era contra o uso da chamada Magia Negra... Idiota! Mas, naquela época, como ele era meu mestre, eu o respeitava e não usava a Magia Negra... Porém, isso não me impedia de aprendê-la, não é? Eu queria o conhecimento... E eu consegui. Aprendi muito e rápido, tornei-me o melhor de seus discípulos e, então, ele me propôs que eu o sucedesse como novo “escolhido”. Eu tinha sede de conhecimento... Pensei nas possibilidades... Eu poderia aprender muito! Além disso, eu tinha _ e creio que ainda tenho _ um certo medo da morte. Então, eu aceitei na hora! E, pra falar a verdade, não me arrependo! Minha relação com Elena era a melhor possível. Nós éramos muito amigos, sabe? Jamais brigávamos! Tínhamos opiniões diferentes sobre algumas coisas, mas, nós nos respeitávamos e nos dávamos extremamente bem, ou ao menos era isso que eu pensava. Quando eu tinha doze anos, conheci uma menina, também com doze anos, que era discípula de Jânio como eu... O nome dela era Virna. Rapidamente nós nos tornamos amigos... E, quando eu tinha quinze anos, eu descobri que a amava. Ela também me amava e nós nos tornamos namorados... Ela me cobrava muito, sabe? O espírito dela é o mesmo espírito de Gina Weasley. Talvez tenha sido por isso que eu não notei a conexão forçada... É, pode ser que sim.


_ Gina Weasley? Aquela que se sacrificou por você? _ Atena perguntou.


_ Sim... Aquela que se sacrificou por mim e... Aquela que criou uma conexão forçada entre mim e ela.


_ Mas... Por que ela fez isso?


_ Não sei, Atena... Não tenho nem idéia. Talvez ela pensou que eu era posse dela... Sei lá. Naquela vida ela já era meio possessiva, sabe? Cobrar que eu a ame depois de tantas vidas... Bem, é mesmo o estilo dela, eu acho. Naquela época, ela me cobrava muito... Mas eu precisava daquilo. Eu precisava saber que era amado... Afinal, meu pai só queria me mostrar como um troféu e, minha mãe,... Bem, ela jamais falou comigo. Agora, porém, é diferente. Eu não preciso de que fiquem me cobrando! Não preciso de ninguém em cima de mim se oferecendo! Ah... Voltando ao ponto... Continuei a aprender e me preparar para a guerra. Prometi a Virna que, assim que a guerra acabasse, nós nos casaríamos. Seria fantástico, sabe? Porém, isso jamais chegou a acontecer. A guerra foi horrível. Todos os alunos, menos eu, morreram. E, a batalha final foi a pior...


*Flash Back*


Abel e Virna corriam no meio do nada. O lugar onde o castelo de Jânio ficava agora era apenas um enorme, triste e sombrio deserto.


_ Onde está Elena? _ Abel questionou.


_ Não sei... Eu não a vi. _ Virna respondeu.


_ Ah, não! Espero que ela esteja bem...


_ Eu também espero, mas... Acredito que tudo terminará bem. E, depois, poderemos nos casar e formar uma bela família!


_ Sim, poderemos.


_ Você não parece muito animado...


_ Como quer que eu esteja animado? Estamos no meio de uma guerra! E, sem perspectivas de um final agradável...


_ Você é muito pessimista...


_ Abaixe-se! _ Abel gritou e, vendo que a garota não seguiria seu conselho, ele a jogou no chão e, logo em seguida, um raio verde passou exatamente no local onde o peito de Virna estava. _ Eu sou pessimista, e você é desatenta! Preste mais atenção, Virna!


_ Eu presto atenção...


_ Não, você não presta! É a terceira vez que eu tenho que te jogar no chão pra impedir sua morte! Virna, estamos numa guerra! Acorda! _ E Abel apontou sua varinha para trás de Virna e lançou: _ Reducto!


Virna se virou e viu um inimigo agora morto... O “Reducto” de Abel o atingiu no peito e destruiu seu coração.


_ Você matou ele! _ Virna protestou, chocada.


_ Sim. E daí? _ Abel questionou, exasperado.


_ O Mestre Jânio disse que não podemos fazer isso!


_ Não, ele não disse isso.


_ Disse sim!


_ Não. O que ele disse é que não podemos usar Magia Negra... Ele jamais nos impediu de matar um inimigo.


_ Você quer se tornar um monstro, é? Quer ser igual a Lúcifer?


_ Ora, Virna, estamos numa guerra! Mortes ocorrerão mesmo, sabia? Se você não agüenta isso, posso achar um bom esconderijo pra você...


_ Não, eu não vou deixar você ir assim, sozinho! E se depois você me deixa pra trás?


_ Oh, não! O que eu fiz pra merecer isso? Reducto! _ Abel enunciou, apontando sua varinha para um outro inimigo que pretendia lançar uma magia nele. O inimigo também caiu no chão, morto. _ Menos um! _ O bruxo comemorou.


_ Isso não é certo! _ Continuou reclamando Virna.


_ Reducto! _ Foi a resposta de Abel, que lançou a mágica apontando sua varinha para outro inimigo que morreu sem nem ao menos saber que morria. _ Reducto! _ E mais um inimigo foi morto. _ Bombarda! _ E agora um grupo de seguidores de Lúcifer foi pelos ares. _ Assim está bem melhor! _ Abel comemorou.


_ Você não me escuta? _ Virna enfureceu-se. _ Isso é errado!


_ Ah, é? Bem... Bombarda! _ Abel mandou mais um grupo de seguidores de Lúcifer pelos ares, ignorando olimpicamente Virna. _ Isso é uma guerra, garota! Ou você mata, ou você morre.


_ Exato! _ Uma voz conhecida por Abel falou.


_ Elena? _ Abel questionou.


No entanto, a única resposta que ele teve foram duas palavras...


_ Avada Kedavra!


E, ao mesmo tempo, Abel viu a imagem de Elena aparecer em sua frente e um raio verde que saía da ponta da varinha de Elena e ia na direção de Virna. Abel não reagiu... Ele ficou em choque... E o raio verde atingiu Virna no peito. A garota caiu, inerte, no chão. Abel questionou mais uma vez, incrédulo:


_ Elena?


Mais uma vez, a resposta da irmã de Abel se limitou a um feitiço:


_ Crucio!


Agora sim, Abel reagiu. Ele se desviou do feitiço e, pensando que Elena estava sob efeito da Maldição Imperius, ele lançou:


_ Finite Incantatem!


Sim, ele teve êxito. Todavia...


_ Ah... Então você acha que eu estou sob o efeito da Maldição Imperius, não é? Tolo! Eu sou uma seguidora de Lúcifer!


_ O quê? _ Agora sim, Abel estava pasmo.


_ Lúcifer me prometeu poder... Ele disse que eu poderia ser melhor que você... Foi o único que acreditou nisso! E eu não o decepcionarei!


_ Não... Não é possível! Isso deve ser...


_ Ilusão? Por que você não verifica? Pode verifi

 

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