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Ninguém Disponível

 

Data: 14/10/2007
Hora: 13:57:23
Publicado por: cisco.devair
Publicado na página: biblioteca_ler

 

Ninguém Disponível
UMA VERDADE VERDADEIRA

Cisco Devair:
Minha Gente do céu! O que eu lhes narro abaixo vai assustá-los um pouquinho.
Muitos, principalmente os mais chegados deste sofrido garatujador das letrinhas já o sabem, que até pouco tempo atrás eu “tocava” um bar e mercearia.
Muitos do mesmo modo também já o sabem que minha moradia é próximo do Jardim Nossa Senhora da Paz
Mas, para aqueles que desconhecem minha querida Londrina eu esclareço:
Este bairro que na contramão daquilo que canta o seu singelo nome nada tem de pacífico, ao contrario de tal, ele leva a fama de ser um dos mais turbulentos de nossa cidade.
A criminalidade se espalha igual a tiririca neste pequeno bairro que se avizinha do meu Jardim Leonor; Ali se mata, só pra ver o tombo.
Todos sabem também que todo botequeiro que se preza, possui uma boa ferramenta, que sirva para sua auto defesa. Ou seja: Um trabuco, ou pau de fogo, ou melhor, dizendo uma máquina esperta!
Bom, eu acho que vocês já entenderam... Não é?
Então... Apesar de não estar mais “tocando” o boteco, ainda não me desfiz da minha trabuquinha que calça uns besourinhos que fazem um estrago danado.
Penso que o pequeno Davi derrubou o grande Golias com uma balinha igual a esta da minha 380! (alusão ao texto bíblico).
Bom, mas voltando ao meu relato.
Aqueles mais próximos a mim sabem também que apesar de hoje estar cego dos olhos físicos, ainda mantenho um bom sentido de espaço, a chamada noção espacial e nem preciso dizer que sou um pouco ruim de natureza, pois igual fala um conhecido apresentador de programa policial da minha região, (o popular “Cadeia”):
“Não fui desmamado com garapa”.
Digo com isso que ainda se preciso for, meto bala e só vou pelo rumo da respiração ou da fungada do sujeito.
Bom em fim se ainda não falei, falo agora: tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de nossa casa. Em um á átimo, fiquei alerta. A metade do sangue gaúcho que corre nas minhas veias se ouriçou, a outra metade sendo do grande povo mineiro se entocai ou na sapiência; Levantei em silêncio e fiquei
Acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ouvir uma respiração abafada.
Meu cachorro de nome: lobo que é uma fera, infelizmente estava em outra parte do meu quintal, que é separado por um portão. Ele rosnava e latia igual a doido.
Chamei minha Dalva e ela viu o intruso passando pela janela do banheiro.

Como minha casa é muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado, mas é claro que eu não ia deixar um ladrão ali, folgando e espiando tranqüilamente.

Liguei baixinho para a polícia informei a situação e o meu endereço.
Perguntaram-me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa. Esclareci que não e disseram-me que no momento não havia nenhuma viatura por perto para me ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.
Então eu argumentei: “Mas senhor eu sou um pobre ceguinho!”.
E aquela voz provinda do 190, com seu timbre militar falou contundente:
“Positivo! Eu sei que o senhor é cego, mas o que é que eu posso fazer. Não temos ninguém disponível!!!”
Um minuto depois liguei de novo e disse com a voz calma:

- Olá, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da automática 380, que eu ainda tenho guardada em casa para estas situações. Putz, o tiro fez um estrago danado no cara!
Olha, a “bichenta” é registrada viu!
Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, sendo duas do choque, a ambulância do Siat, uma viatura da polícia técnica, uma equipe da TV Tarobá, que se não me enganei trazia o Carlos Camargo e outra da TV Cidade que se não me engano também era daquele programa do Léo José, (Ambos disputam audiência e os números no ibope com suas papagaiadas).
Junto vinha mais um pessoal que não sei, acho que era a turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.

Meus filhos Ramon e Daniel me garantem que: no meio deste povaréu todo ainda tinha microfones da Rádio Brasil Sul, da rádio Paiquerê e da Globo também e mais ainda, uma equipe da folha de Londrina.
Depois eu fiquei sabendo que uma dessas rádios havia anunciado em furo de notícias no meio da programação: “Deficiente visual mata ladrão com tiro de escopeta!!!” (Que mentirinha! Foi com uma 380!). Os valorosos homens da lei prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado. Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.

No meio do tumulto, um tenente, um tal de Eguédes (Conhecido e prestativo relações públicas da nossa PM) se aproximou de mim e disse:

--Pensei que o senhor tivesse dito que havia levado o ladrão a óbito?

Eu respondi:

-Pensei que os senhores tivessem dito: “que não havia ninguém disponível!” É minha gente! Se a estória é uma tremenda mentira, a realidade da mensagem é uma verdade verdadeira!
Abre aspas “Em rio que tem piranha, jacaré nada de costa!” Fecha aspas.
M S N: souzapedra90@hotmail.com – E-mail privativo: ciscodevair@sercomtel.com.br – skype: cisco_Devair


Autor: cisco.devair

 

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