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Meu amigo deputado

 

Data: 14/10/2007
Hora: 12:05:24
Publicado por: cisco.devair
Publicado na página: biblioteca_ler

 

Meu amigo deputado
R$ 10.000,00 de salário é razoável?

Cisco Devair:
Meus amigos estou passando um momento difícil em minha vida.
O que está acontecendo comigo é um caso raro, pois conforme minha personalidade nos transcorrer do meu meio século de vida, quero dizer após os anos que as barbas surgiram em minha face, sempre fui muito decidido.
Grande parte da minha vida adulta assumi diversos cargos de liderança nas empresas as quais prestei meus préstimos profissionais:
Antes de perder minha visão física, ao longo de mais de 30 anos desempenhei com sucesso as funções de: Gerente de loja, supervisor, auditor e também gerente comercial geral de uma grande rede de lojas especializada no ramo de Móveis e eletros-domésticos.
A lisura e os bons princípios trazidos do berço me levaram a conquistar uma carreira razoável.
Mas se de um lado isso aconteceu, o mesmo não se deu quando resolvi ser o meu próprio patrão.
Fui um sofrido micro empresário por mais ou menos uma década.
Neste período de minha vida, a dita vida mais de uma vez puxou o meu tapete.
Uma vez foi o mal fadado período do governo Collor, (Que tirania! Na época, da noite para o dia, meus sonhos se transformaram em horríveis pesadelos). Mas, sobrevivi!
Na Outra vez, uma união matrimonial equivocada e sem estruturas nos princípios do verdadeiro amor, foi a vilã, (Mas também sobrevivi ao caos: Aprendi a lição e voltei a me casar mais duas vezes. Bem dito. Até hoje!) a outra a violência que até hoje impera no bairro onde ainda moro, (esta mesma violência que espalha-se País afora).
Bom em fim, estas são algumas das desculpas para que hoje eu não seja um homem rico, no tocante as riquezas materiais.
As más línguas ainda comentam que os rabos de saias que sempre me derrubaram, mas isso são intrigas e maledicências da oposição e das comadres de plantão. As minhas amantes nada contribuíram para este meu empobrecimento e meu aparente fracasso como empresário.
Mas isso são coisas do passado e conforme afirma minha grande mãe no alto dos seus 92 anos:
Abre aspas “Não adianta chorar sobre o leite derramado!” Fecha aspas.
E assim eu sempre pensei e pratico.
Mas agora eu chego ao durame da questão, ou se preferirem no x da questão:

Não obstante de hoje não ser um homem de posses, nesta rota de minha vida angariei algumas boas amizades. Conto com uma meia dúzia de amigos sinceros que se destacaram naquilo que escolheram para suas vidas.
Um deles, um amigo de infância, que inclusive apadrinhou um dos meus filhos, desde jovem entrou na política. Sendo hoje um conhecido deputado federal.
Desde seu primeiro mandato como vereador em minha Londrina e depois sucessivamente deputado estadual e por fim deputado federal, o meu voto sempre foi na sua direção.
Mais de uma vez nossa amizade me levou a ser seu cabo eleitoral e sempre que tal aconteceu minha paga era o fortalecimento de nossa amizade. Nunca aceitei nada em troca dos meus préstimos, ao contrario sempre um pouco do meu suado dinheirinho foi para custear certas coisas que no campo da política em época de campanha eleitoral sempre se sucede.
Vocês sabem como é que é? Uma reuniãozinha aqui, um panfletinho ali, um carro de som aqui uns litrinhos de gasolina ali! E assim por diante.
A Amizade que ainda nos une, sempre pagou estas besteirinhas.
Este grande amigo, hoje reside em Brasília e estes dias me deu a graça de sua visita, o que sem dúvida honrou a todos daqui de casa.
Conforme antes dito e como é sabido, hoje eu sou apenas um honrado e medíocre aposentado que vive lutando a favor da verdadeira inclusão social, enquanto busca sua própria contextualização como cidadão ativo e produtivo.
Mas deixando as delongas de lado retornemos ao que interessa.
O dia se esvaía, o entardecer chegava manso, o sol tombava no horizonte, a brisa lá fora balançava as folhas e eu no aconchego do meu lar fazia meu papel de bom anfitrião. Conversava com minha importante visita.
Conversa vai conversa vem eu resolvi finalmente pedir um favor ao amigo.
Enrolei um pouco a língua ao falar, cocei minha orelha esquerda, cofiei meu cavanhaque de estimação, limpei a garganta e soltei:
--Compadre você já sabe que seu afilhado completou 18 anos e graças a Deus tem sido um menino de ouro...
Antes mesmo de eu terminar ele disse:
--lógico que sei compadre, fico muito orgulhoso com este fato.
--Então compadre eu pensei... Pensei...
Minha voz vacilou de repente, um mal estar mexeu comigo, mas finalmente soltei!
Quer dizer, fui literalmente forçado a tal! Pois, o beliscão que minha distinta companheira me presenteou, faria até um mudo falar!
Então, sufocando o ui na garganta, soltei o que me inquietava:
--Será que o compadre não ajeita um emprego para o menino?
A resposta positiva veio acompanhada de um amistoso tapinha no meu ombro, que por sinal aparentava neste momento ser os ombros de Atlas, tanto era o peso que caia sobre os mesmos.
--O rapaz já está empregado. Vai ser meu assessor de gabinete.
Meu amigo sorriu complacente e completou:
--Será que um salário de R$ 10.000,00, está de bom tamanho para ele começar sua carreira?
--O que!!!
Sem querer, deixei escapar meu espanto.
Nossa compadre! Isso é muito dinheiro!
Aí continuei:
Isso é demais meu compadre, assim nós vamos estragar o menino!
Será que o Compadre não tem alguma coisa mais simples para ele fazer?
Meu amigo pigarreou, coçou o queixo bem barbeado e falou:
--Bom compadre... Só se ajeitarmos para ele então, um trabalho de meio período?
Em seguida ele completou:
--Aí o salário é de apenas R$ 6.000,00.
Compadre do céu! Isso ainda é muito!
O menino é bom, mas o amigo tem que concordar que ainda não é merecedor de tanto.
Eu replicava e os beliscões comiam soltos.
Mas mesmo padecendo com aqueles carinhos sugestiona dores, mantive minha firmeza e demonstrando orgulho falei: --Compadre do céu! Eu pensei em um salário de uns mil reais, pois senão ele vai ganhar mais que eu que trabalhei uma vida inteira!
Ele emendou o que eu dizia; --Eu sei meu compadre... Eu sei isso são coisas da vida.
Percebendo que ele concordava comigo voltei a argumentar:
--Então compadre, será que o amigo não tem lá alguma coisa para ele fazer que lhe de um salário de 800 reais, 1000 reais ou 1100 por aí?
Então ele falou:
--Ter até que tem. Mas é bastante complicado...
Eu perguntei:
--Complicado por que, compadre?
Um pouco contrafeito e meio sem graça, ele explicou:
--Para se ter um salário de 800 ou 1000 reais a pessoa tem que possuir um curso superior, entender bastante de informática, possuir algumas especializações, ser no mínimo, bilíngüe, ou seja: falar também um inglês fluente; E ainda deve prestar o concurso para alcançar tal cargo.
Eu ouvia tudo aquilo que já sabia e enquanto ele me falava estupidamente balançava a cabeça e murmurava: --Eu sei... Eu sei... É fato... Eu sei disso...
Mas, todos sabem que os políticos sempre acham uma solução.
E o compadre é um bom político e provou mais uma vez:
--Compadre, vamos fazer o seguinte: Eu contrato o rapaz com um salário de R$ 10.000,00 e ele vai ser meu assessor. E o compadre que já vem militando na área da inclusão social sem ganhar nada para si próprio, passará a partir de hoje a fazer o papel principal do meu marketing em tudo aquilo que envolve esta tal de inclusão social.
E sem maiores escrúpulos completou: --Sua imagem de cinqüentão bem pego, sem dúvida alguma, será o meu carro chefe para minha candidatura ao senado. E finalizando ele completou: --O compadre entendeu como a coisa vai funcionar, não é?
Eu respondi: --Entendi... Entendi sim.
Então o compadre aceita?
Eu fiquei um pouco emudecido e depois respondi;
--Vou pensar... Vou pensar...
Bom minha gente este é o meu dilema.
Dentro do aqui exposto e conhecendo um pouco do que sou. que você acha que eu devo fazer?
Devo aceitar esta proposta e dar um pontapé inicial na vida do meu garoto?
Será que minha imagem e meus conhecimentos, mesmo sendo usados com linhas tortas trarão algum benefício para a classe ao qual pertenço?
Será que agora e após haver sofrido alguns golpes da vida, estaria na hora de receber minha paga e dar aos meus uma vida melhor?
O que você pensa?
Ou será que ao endez de dar um pontapé inicial na vida do meu filho, devo mesmo é dar um tremendo pontapé nesta amizade de tantos anos?
Ajude-me, por favor! Sua opinião será de muita valia! Não tenha medo, use de sua sinceridade, exponha sua opinião!
O que você faria em meu lugar!

M S N: souzapedra90@hotmail.com – E-mail privativo: ciscodevair@sercomtel.com.br – skype: cisco_devair

Autor: cisco.devair

 

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