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NA CASA DE KARINA
| Data: | 12/09/2009 |
| Hora: | 20:04:23 |
| Publicado por: | vander.christian |
| Publicado na página: | biblioteca_ler |
As casas da Rua das Oliveiras eram bem trabalhadas – não de luxo – tudo bem simples, mas que ainda assim provocava interesse em quem passava na Rua. A maioria era pequeno sobrado com modelos diferentes. Karina ia segurando em meu braço calada, depois de falar mal por não ter lhe avisado do carro parado.
A casa de Karina era a ultima de uma Rua onde havia uma igreja evangélica. Não era um sobrado, mas assim como as outras, chamava a atenção. Havia um muro a meia altura com grades pintadas de branco. Uma pequena área à frente e a garagem do lado direito. As paredes eram pintadas de azul bem claro e a porta, cromada, com vidros ao centro.
Girei a chave na fechadura e empurrei a porta. Fiquei um pouco surpreso ao ver que por dentro a casa não era tão grande. A sala era um cômodo médio com vários móveis conservados. Dava a impressão que ninguém havia morado ali. Nos cantos da sala, vasos com flores e muitos enfeites de louça na estante. Uma enorme cortina tampava toda a janela ali existente. À cima do batente da porta que dava para a cozinha, havia uma imagem de Cristo na cruz. O chão estava encerado, pelo me pareceu embora houvesse tapete que cobria quase todo o chão.
-Esta bem arrumado – falei olhando para o lustre.
-Mamãe veio aqui e junto com a vizinha limpou tudo – respondeu Karina com a voz fraca. Imaginei que a sua mente estava cheia de lembranças. Deixei-a na sala e fui para a cozinha.
Passei por um corredor não muito grande, onde do lado esquerdo era o banheiro e do lado direito dois quartos. No final do corredor a cozinha. Ao ver a decoração da cozinha, tive certeza de que a casa tinha a face de Karina. Abri a porta e sai no quintal, apesar de ser todo cimentado, perto do muro da divisa com a casa ao lado, havia um pequeno canteiro de terra preta com couves e alfaces plantadas e mais flores. Do lado oposto, a lavanderia com um tanque e um pequeno armário embutido na parede que servia para guardar produtos de limpeza. Tive a minha atenção despertada por um par de tênis, que eu sabia, não era de Karina.
-A Karina esta aí com você? – perguntou uma voz. Não peguei o par de tênis e me virei para o quintal vizinho. Uma mulher, já de idade, estava do outro lado do muro olhando para mim.
-Esta sim. Eu vou chamá-la.
Ficamos conversando durante alguns minutos com a vizinha. Quando eu retornei pra dentro da casa, Karina me chamou para ir ao quarto de casal. Um pouco receoso eu a acompanhei. Achei o quarto escuro, talvez porque o guarda – roupa fosse preto e, a exemplo da sala, uma cortina enorme cobria a janela e o pedaço restante da parede. Uma colcha marrom estava forrando a cama; Karina se dirigiu até lá e se sentou, eu me acomodei em uma pequena poltrona localizada no lado oposto a janela. Karina tateou até conseguir pegar o retrato na mesa – de – cabeceira.
-Esta vendo essa foto? – perguntou ela – foi tirada em Angra dos Reis, na nossa lua – de – mel.
Fiquei em silencio.
-Foram tão bons aqueles dias que passamos lá – prosseguiu ela com a voz trêmula. - Sinto tanta falta dele!
-É deve ser muito difícil pra você – falei. Tentei dizer algo mais, contudo minha voz falhou.
Karina se levantou e foi em direção ao guarda – roupa. Teve certa dificuldade em encontrar o trinco para abrir a porta.
-As roupas dele ainda estão aqui – falou pegando um cabide, nele havia uma camisa branca pendurada. – Não há um único dia em que não penso nele.
Já era possível ver as lágrimas escorrendo nos olhos dela.
-Essas coisas estão te fazendo sofrer – falei desejando ir embora dali. – Você não deveria ter vindo...
-Eu tinha que vir – enfatizou Karina deixando o cabide de lado e voltando a sentar-se na cama. –Eu tenho que chorar; tenho que colocar tudo pra fora.
E ela estava fazendo isso. Estava desabafando, estava colocando pra fora todo o pesar...
-Ainda acho – desabafou – que se ele tivesse ido comigo ao seu encontro... talvez ele estivesse aqui... preenchendo o vazio dessa casa e o vazio do meu peito.
Karina tentou conter as lágrimas com a manga da blusa. Eu também comecei a chorar. Estava chorando porque Karina foi dizendo aquelas coisas, sem nem se importar com os meus sentimos, parecia não se lembrar, de um dia eu ter me declarado a ela.
-Foi uma fatalidade Karina – disse eu abraçando- a.
-Nós estamos juntos! – declarou ela aos plantos. – E estamos vivos...
Reinou o silêncio. Só a dor falava.
-Você o amava não é? – perguntei comovido.
-Mais do que jamais imaginei amar alguém – confirmou Karina dando um soluço.
A vida precisa continuar...
Karina balançou a cabeça negativamente.
-Não sei se vou amar alguém como amei o Fabiano.
Aquelas palavras tiveram um efeito de uma navalha. Não uma navalha que fez um corte profundo, mas que doeu tanto como se o tivesse feito.
-E eu não sei se existe outra pessoa capaz de me fazer tão feliz como o Fabiano me fez.
E eu respondi:
-Às vezes... essa pessoa esta mais perto do que se imagina.
Karina estava muito próxima... De repente não existia mais nada, só eu e Karina. Meus lábios tocaram na boca dela bem suave. O beijo não durou mais que um minuto... Não durou mais porque não existia só eu e a Karina. Tinha as roupas, a casa, o tênis, as fotos, as lembranças, o Fabiano... havia toda uma historia.
E eu havia me esquecido disso tudo, mas Karina não esqueceu.
-Por que você fez isso? – senti que a voz dela já estava mais firme do que momentos antes.
-Karina, eu... – tentei juntar as palavras, porem elas fugiram do meu controle. – Desculpa, e- e- eu não sei o que deu em mim...
-Você não tinha esse direito! – Karina gritou se levantando. Ainda havia lágrimas em seus olhos, só que ela parecia muito firme.
-Karina, desculpa...
-Você feriu os meus sentimentos Jéferson! Você sabe o que essa casa e tudo que tem dentro dela significa pra mim?! Eu morei aqui por quase cinco anos com o homem da minha vida Jéferson, e você vem e faz uma loucura dessas! – neste ponto a sua voz falhou – você não tinha esse direito Jéferson!
Fiquei de pé, ainda incapaz de dizer alguma coisa. Quando Karina falou, foi com a voz firme novamente.
-Você não respeitou nada, passou por cima da nossa amizade de tantos anos, passou por cima da minha dor! Sabia que você me ofendeu?! Eu nunca... escondi de você... Jéferson, você sempre soube que eu amava o Fabiano! Mas não; agiu como se não soubesse... Egoísta, é isso que você é, um aproveitador...
-CHEGA! - não consegui me segurar; acabei explodindo. – EU JÁ PEDI DESCULPA! – gritei chorando.
-MAS EU NÃO VOU ACEITAR! – respondeu Karina aos berros. – ACHA QUE É FACIL PRA MIM PASSAR POR UMA HUMILHAÇAÕ DESSAS E FINGIR QUE ESTA TUDO BEM!...
esta capitulo terar continuação.
editado por cleudismar da silva
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