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Mistérios... Quem seriam ELES?

 

Data: 07/06/2009
Hora: 11:38:03
Publicado por: cisco.devair
Publicado na página: biblioteca_ler

 


A ODISSÉIA DE STARSOL & LUASAT Capítulo: 18

Mistério, mistérios. Quem seriam ELES?


Nicanor logo após haver dado como encerrado sua conversa com o jovem Crísti foi encontrar Samanta lá na cozinha.
Ao avistá-la o rapaz percebeu que ela se achava com uma aparência melhor: Em pé próxima ao fogão de lenha aparentava brincar com Dolores.
A impressão deixada nele naquele momento ao vislumbrá-la foi agradável, ele sentiu-se aliviado ao constatar que ela tinha ânimos melhores. Realmente, Santinha é muito forte e corajosa, pensou ele ao reconhecer o poder de recuperação e a atitude firme da esposa.
Ela, apesar da mal dormida noite, estava linda, transpirava coragem e esperança por todos os poros. Ela mais do que nunca apresentava-se maravilhosa aos olhos do esposo.
Ele sentiu ainda mais forte aquele amor que abrasava em seu peito, um fogo de paixão que dia após dia avivavá-se mais e ia nutrindo o que sentia por ela.
Seus sentimentos para com a jovem companheira eram uma verdadeira devoção.
O jovem não escondia de ninguém aquele amor cativo.
Um AMOR que era recheado de grande admiração, e de um profundo respeito que nutria pela natureza forte da companheira.
Tudo isso naquele momento era repassado pela mente ainda sonolenta do rapaz. Igual o cansaço de seus olhos estava também Sua aparência toda amarrotada.
Então ele pensou:
“”Puxa vida devo estar com uma cara horrível””.
O jovem de repente sentiu-se um pouco culpado, pensando que seus modos não condiziam e não faziam frente com tudo aquilo que merecia aquela grande companheira, que ali na sua frente vendia energias positivas, irradiando um frescor de pura e forte alma perfumada.
Realmente a imagem da jovem esposa naquele momento inspirava e irradiava ainda mais sua grande áurea, seu corpo exalava os perfumes oriundos das rosas que a pouco colhera.
“”Santinha não merece, que eu demonstre fraqueza. Vou ser forte””. Pensando assim, carinhosamente ao beijar e desejar um bom dia à esposa, seu tom de voz brotou positivo e suas palavras nasciam carregadas de ternura.
-- Jovialmente exclamou:
--Bom dia, querida, nossa! Aonde é que a Madame vai tão linda assim? Será que vai haver concurso da gestante mais bonita do Brasil e eu não estou sabendo? - enquanto assim dizia foi ao seu encontro e junto a ela, suas mãos buscaram as delas e seus dedos entrelaçaram os dedos macios e com doçura e delicadeza a forçou a dar uma volta sobre si mesma, enquanto dizia:
-- Você, está linda, meu amor, minha Julieta. Eu te amo de montão. - ao recitar tal declaração, abaixara em tom miúdo sua voz, que soava: meiga e carregava puro amor. Beijou, a esposa na testa, nos olhos, na ponta do nariz por findar depositou um apaixonado beijo em seus lábios.
Em seguida se pos de joelhos e agora depositou seus beijos com mais carinho naquele ventre avolumado que seus braços agora abraçavam.
A carícia soava escandalosa, seus beijos eram estalados. Neste instante mágico aquele ventre remexeu em ondulações de vida. Samanta, emocionada com tudo aquilo que o companheiro praticava, vendo-o ali ajoelhado aos seus pés em atitude de amor, sentiu-se uma rainha. Gostou por demais.
Feliz, ela retribuiu a manifestação de amor em um carinhoso cafuné. Enfiou seus dedos naqueles rebeldes e encaracolados cabelos, abaixou-se um pouquinho, abraçou aquela forte cabeça depositando ali muitos beijos que com certeza exprimiam múltiplos sentimentos.
Nicanor adorou, aquilo e se deixando ficar continuou ali ajoelhado enquanto era acarinhado, encostava seus ouvidos no volumoso ventre. Ele com voz carinhosa sussurrava palavras de amor:
--Eu te amo, eu te amo, eu te amo eu te amo. Eu amo vocês, viu? Papai adora vocês.
Samanta com carinho com uma voz que soou embargada de ternura, disse:
-- Chega Nic. Tá bom. – A moça transbordava em emoções.
Dolores que a tudo presenciara, apesar de sentir-se um pouquinho envergonhada também estava emocionada. Ela ria mansamente para disfarçar aquelas quentes lágrimas que teimavam em queimar seu redondo rosto.
A boa alma estava Satisfeita, toda cheia de orgulho, e esforçando-se para dissimular o que sentia, mecanicamente ajeitava o lenço que cobria seus longos cabelos e com o dorso das mãos ia buscando suas lágrimas para depois enxugá-las em seu surrado e limpo avental. Nicanor deixando escapar um suspiro que dizia a emoção que sentia, se aprumou na vertical, e em seguida, voltou a estreitar a esposa em um novo abraço, deixando cair em seus lábios mais um rápido beijo. Só depois foi que desviou sua atenção para Dolores.
Após saudá-la, quis saber:
-Oi, Dolo. Bom dia mais uma vez. Dolô, cadê o Manoel? Onde se meteu desde ontem?
-- Ainda dorme? Não passou da hora da escola?
O jovem sitiante se lembrava que desde o dia anterior não vira o menino.
Esperou a resposta com preocupação.
-- Ele já foi para a escola, Patrãozinho. Pulou cedinho, parece que hoje é o último dia de aula. Ele tinha que ir cedo para ajudar a Dona Flor, pois hoje vai acontecer a festa de encerramento.
Ao responder, a boa alma completou com orgulho na voz:
--O senhor viu patrãozinho? O danado do menino passou de ano de novo! Sem fazê a tar de prova de exames! É um danadinho aquele cara suja!
Manoel, mais uma vez, passara de ano em primeiro lugar da classe e como o casal ainda não sabia, Dolores adiantava aquela boa nova, ia falando com a boca cheia de puro orgulho.
Nicanor e Samanta concordaram.
-Samanta disse:
-É o danadinho é inteligente mesmo. Sua inteligência é acima da média em relação aos outros meninos da mesma idade que vivem aqui em nossa região. Ela conhecia bem o potencial do garoto em relação aos estudos, pois sempre assumira seu papel de mãe adotiva e o acompanhava e o supervisionava nas tarefas de casa.
Nicanor endoçando as palavras da esposa
Ajuntou: -- É minha gente. O que o serelepe, tem de arteiro, tem de inteligente. Chega hora que assusta. Em seguida o rapaz mudando o rumo da prosa, e referindo-se ao hóspede, deixou avisado que ia mostrar o sítio para o novo amigo.
Este, neste momento jogava uma água no corpo, a simplicidade do ilustre Doutor era incrível, nada o abalava, simplesmente a tudo se adaptava.
Ele ao pedir autorização para se banhar, havia dito:
“Hei Nic preciso de um bom banho, Faz mais de 48 horas que este corpanzil não vê uma água, cortar estas estradas empoeiradas por aí afora não é mole não!”. Nicanor indicou-lhe o banheiro e dando um tapinha amistoso naquela costa avantajada, disse:
“Fique a vontade viu! A casa é sua!”.
Por sua vez, o dono da casa ao exemplo de Urias, só fizera a higiene do pescoço para cima. Seu banho ficaria para a hora do almoço.
Agora, Crist adentrava a cozinha, vinha com seus passos cadenciados, de jaguar maneiro, e enquanto sorria cumprimentava Samanta com uma voz mansa e bem posta que mais parecia a de um padre em fim de carreira.
Aquela voz enganava, pois seu dono trazia um olhar muito seguro de si próprio.
Aquele olhar dizia a auto confiança que o rapaz carregava, mas ao mesmo tempo em que brilhava e cortava igual genuíno e duro diamante, às vezes deixava escapar uma meiguice que brotava: doce igual o melado do açúcar da sinceridade.
Todos que estavam ali na cozinha perceberam que ele Trocara a negras roupas de motoqueiro por uma bem diferente vestimenta.
O jovem barbudo agora Trajava em boa harmonia uma camisa xadrez, uma calça jeans, surrada e bem desbotada pelo uso, botas de cano curto, sola baixas e carcomidas.
Levava em sua poderosa cabeça um boné simples de propagandas deste que a gente ganha aos montes para que sejamos ambulantes e ingênuos outdoor. Do vestuário De antes só Mantinha os grandes óculos escuros.
Sua aparência combinava com o ambiente que o cercava, quem o visse naquele momento, nem de longe imaginaria que atrás daquela figura tão simples escondia-se um cirurgião tão afamado.
Muito menos alguém poderia imaginar que aquele homem era um ser quase extra terrestre.
-- Bom dia! Saudou com voz amável.
-- Bom dia. - responderam juntas Samanta e Dolores, esta última com olhares furtivos, examinava o homenzarrão.
Nicanor reforçou o convite que um pouco antes havia feito:
-- Então doutor! vamos lá conhecer de perto nosso paraíso, nosso Rincão nesses cafundós de Meu Deus. Vamos lá?
Enquanto perguntava soltou Um tapinha amistoso nas largas costas do visitante.
--Por favor, Nicanor esqueça este doutor aí. Aqui agora eu sou apenas e Somente Crísti!
As atitudes daqueles dois homens já demonstravam que ali, entre ambos, já nascera em raiz forte, uma amizade sincera e profunda.
-- O jovem Crísti continuou:
Vamos, vamos lá. Estou pronto e muito curioso para conhecer este paraíso!
Os dois então entabulando um bom papo saíram. Nicanor, em tom de despedida avisou que só voltariam para o almoço.


Enquanto isso.
Lá nos pomares, Urias fiscalizava a grande colheita. Ele já havia dividido as tarefas, algumas destas eram delicadas e exigiam certos cuidados.
Muitas frutas maduravam em tempo, as mesmas eram colhidas, selecionadas, algumas eram enroladas em folhas de velhos jornais, enquanto com sistematização organizada, eram condicionadas em caixas apropriadas para o transporte.
Apesar de ser uma tarefa delicada, árdua e muitas vezes espinhosa, o clima de labuta entre os apanhadores era de alegria. Todos que ali estavam, gostavam de todo ano poder fazer o que agora faziam, pois além da remuneração justa, a bóia era livre.
A comida de Dolores era muito apreciada. A maneira que aquele povo era tratado: com carinho, respeito e a paga no pé da letra, na bucha, levava-os a render um excelente serviço, uma mão de obra de primeira.
O belo dia começava a levantar um grande e redondo Sol, eram lá pelas sete da manhã, os pássaros com seus pios e grasnares reclamavam dos invasores: sanhaços, bem-te-vis, pardais, tico-ticos e diversos exemplares de nossa rica fauna, revoavam para lá e acolá. Até um lindo pica-pau que se achava por ali a martelar com seu fino bico uma dura árvore foi enxotado pelo vozerio. A Revoada era uma só.
Alguém por um infeliz acidente, ao colocar uma escada em uma frutífera carregada de suculentos frutos, sem o querer veio a derrubar um singelo e redondo ninho de pequenos sanhaços.
Por sorte o pequeno berço alado ao cair foi dar em uma touceira de arbusto que amaciou sua queda e ele milagrosamente permaneceu intacto. Urias, que estava atento a tudo, ao perceber tal acidente e notando que um dos garotos que ali estavam com seus pais, já ia com suas mãos estendidas para pegá-lo, ralhou com este em bom tom:
-- Hei Paulinho! Não, não. Nada disso, deixe os bichinhos aí em paz. Depois que a colheita dessa árvore terminar nós devolvemos eles no mesmo lugar de sua origem.
Era de se emocionar ao ver um homem forte feito Urias demonstrar aquele carinho com os miudinhos. O velho índio para não deixar seu cheiro passar para o ninho, com muita paciência envolveu sua manzorra, em uma sacola plástica, e assim cheio de carinho apanhou o pequeno ninho e mudou o mesmo com os indefesos filhotes de lugar.
Ele ficou ali vigiando. Quando a colheita da árvore findou, o próprio galgou os degraus escada acima, com sua mão envolta, protegendo para que os miudinhos não caíssem e com muito cuidado e leveza depositou o pequeno ninho com seus habitantes em lugar seguro. A mãe dos filhotinhos que estava por ali, piava angustiada e ao ver suas cria em segurança foi logo tratando de alimentá-los. Aquilo parecia uma festa.
Urias não se contentando com sua boa ação fez mais ainda.
Foi em busca do menino que antes estava empenhado nas sapequice.
O tal de Paulinho que minutos antes estava doidinho para por as ligeiras mãos nos bichinhos, agora, depois da reprimenda recebida tinha acalmado o facho.
Urias ao achá-lo disse sério, para que os outros também ouvissem:
-- Meu filho, nós temos que zelar pela nossa fauna e nossa flora, não só em propagandas sem efeitos morais, hipocrisias de certos falsos ecologistas de plantão. Que usam a ecologia para se promoverem.
E Urias continuou a falar com simplicidade.
Uma simplicidade que nascia do amor que ele tinha pela Natureza: --Como em certeza Deus existe, Ele é o começo e o fim. Ele é o Pai. A NATUREZA, sem dúvida é nossa Mãe.
Você que sem dúvida é um menino inteligente, um esperto nas coisas; com certeza nunca há de querer que Sua Mãe adoeça. Não é verdade?
Por fim, passou a mão na cabeça do menino e rindo sapecou lhe um tapinha no traseiro e o danadinho dando uma risadinha sem vergonha se foi a correr.

A colheita das suculentas frutas seguiu dia adentro. Mangas de várias qualidades: Manga rosa, coração de boi, espada e a mais saborosa, uma miúda conhecida como coquinho. Uma grande quantidade foi coletada. O pessoal da labuta, em equipes separadas foram, enquanto alguns colhiam mamões chamados de papaia, deliciosos em sabor, amarelo lindo em sua cor. Outros frutos: laranjas mexericas, poncãs, tangerinas, mexericas bode e diversos outros frutos de gomos.
As mulheres e crianças que ajudavam ficaram encarregadas de colher aquela frutinha rica em vitamina C.
Muitos pés de acerola ali em plantio bem organizados e espalhados pelo solo fértil podiam ser vistos. Eram majestosas e tinham um ar de ricas soberanas. Apesar de não serem grandes árvores, aquelas plantas destacavam-se e enfeitavam o bem cuidado pomar com seus carregados galhos de pontinhos vermelho que se multiplicavam por entre as pequenas e verdes folhas. As belezuras, iguais burquinhas deformadas, são aquelas conhecidas frutinhas vermelhas sangue e que também são delicadas como neném recém-nascido. Sua colheita exige paciência e elas são Uma delícia ao natural, mas, suas propriedades são mais apropriadas para os sucos e doces.
Nicanor recebera, a um certo tempo atrás, conselho para que cultivasse o fruto, pois era rentável e de fácil manejo. O delicado era a colheita e embalagem, pois o fruto é delicado e apesar de miúdo ser um frutinho apenas tem vitamina C em quantidade de muitas laranjas. Aí está o seu grande valor comercial. Foram estas explicações dadas pelo conselheiro de Nicanor que o levou a investir neste plantio; Sendo que até então os resultados obtidos eram satisfatórios ao cofre do rancho.
Neste momento o dia dizia que sua manhã já subia em busca das dez horas. O almoço que ali era costumeiro acontecer lá pelas nove horas, ali no eito mesmo, fora trazido em recheadas marmitas bem preparadas. Aproximadamente umas 20 quentinhas agora eram devoradas com requintes de gula. Aquele povo humilde batia forte. Eles gostavam por demais da bóia da Dolô, parecia que ali acontecia uma festa, tanto era os sorrisos que nesta hora povoavam pelas faces daquela gente simples e trabalhadora.
Um engraçado vozerio era ouvido ao longe, Daquele povo alegre brotavam exclamações de puro prazer. Nos grupinhos que se formara lá e acoláos elogios a Dolores se multiplicavam:
“Eita bóia das boas!” “Nossa! Esta farofinha ta uma tetéia!”.
Por sua vez, Urias, atento, supervisionava tudo com grandes cuidados. Sua cabeça dividia a responsabilidade do bom andamento do trabalho com aqueles parafusos soltos em idéias que martelavam iguais tic-tac de relógio defeituoso. Aquilo tudo em sua cachola.
Tudo que assuntara, aquilo que participara noite anterior adentro, ainda não estava bem encaixado. Ele estava confuso, estava inquieto, estava perturbado.
Além do estado de gravidez da sua menina Samanta, que sem dúvida era assustador; situação suficiente para deixar qualquer pessoa maluca; havia mais uma coisa. Outro assunto também bulia com as idéias do velho guerreiro.
A estranha sensação que sentira na presença do barbudo. Aquilo martelava seus miolos sem dó e piedade. Incomodava em demasia.
Aquele sentimento, contraditório, aquela estranha atração elétrica que sentira na presença do jovem Doutor Cristofer não tinha explicação.
Urias se perguntava: “Será que esta coisa esquisita é porque ele é metade de outro planeta? Que maluquice. O cara é de outro planeta! Esquisito né?”.
Ele estava cada vez mais encasquetado. Estava tão absorto em seus próprios pensamentos que nem percebeu ao soltar Neste momento uma involuntária risada que soou em alturas de solta gargalhada. Parecia maluco.
Quem estava por perto ao seu redor chegou a estranhar tal comportamento. Um deles, um tal de Onofrinho do Juca que gozava da amizade e tinha certas liberdades com Urias exclamou perguntando em tom um pouco risonho: Hei, Seo Urias deu para rir sozinho agora? O que foi? Por acaso, viu um passarinho verde com quatro olhos? Assim dizendo, o rapaz soltou uma risadinha marota.

Urias, nada respondeu, não se deu por achado, apenas balançou sua cabeça como se assim quisesse afastar uma nuvem que teimava em nublar seus olhos. Aquele incômodo mais parecia sinuosa neblina a pertubar maldosamente seus pensamentos. Sua mente não descansava.
O velho matuto dentro do seu próprio silêncio, sem poder se controlar continuou a matutar sobre o assunto que lhe incomodava.
Como era de se esperar nesta situação, a mente de Urias incansável buscava explicações lógicas para os últimos acontecimentos.
Aqueles fatos, estavam encubando em todo o seu ser, como se fosse forte vírus de uma gripe de inverno. Aquela sensação de impotência perante aos fatos deixava-lhe um mal estar que o incomodava e já começava a fugir dos seus domínios. Seus nervos estavam sendo postos a prova.
Um sentimento por ele até então desconhecido o envolvia, parecendo um bichinho que ia roendo sem dizer de onde vinha.
Por mais que sua mente ruminasse, por mais que seu dono olhasse por todos os ângulos possíveis, ele não tinha achado ainda uma clara definição para seus sentimentos.
O velho aroeira cada vez mais se fechava dentro de si. Calado, com os olhos distantes, continuava a se inquirir:

Qual será a real origem desta minha angústia?
Afora o problema real que seus meninos viviam, outro sentimento ainda invisível, porém, tão poderoso, mexia com ele. Mas, suas perguntas insistiam em ficar sem respostas. Por que? O que seria aquela forte sensação cósmica? Será que o jovem médico havia sentido o mesmo? Será? Será? Tudo isso passava em atropelos vertiginosos pela cabeça branca em neve do espadaúdo e rijo Xavante.
Até em seus muitos provérbios que costumava usar buscava asilo:
Em rio que tem piranha, Jacaré velho nada de costa. Macaco velho, não mete a mão em cumbuca. Ia e vinha. Aí achava:
-NNada ver. , Mas, sem descanso sua mente parafusava como se parafusasse porca espanada. Não tinha fim.
Ele Enquanto ruminava ia lembrando de muitos dos seus costumeiros provérbios de usos habituais. Cabeça grande não serve só para boné, muito quieta pega bicho de pé.
O experiente homem que trazia na pele aquele vermelho amorenado provocado pelos efeitos causticantes dos raios solares da região, em descarrego de idéias, sozinho lembrava de ditos que sabia, assim ao fazê-lo, limpava em puro instinto, suas preocupações.
Como se ao lembrar-se dos ditos populares ele se defendesse, ele ia ordenando assim, suuas idéias.
Seu método era único. E lá Continuava, ele enquanto seus olhos vigiavam a turma que trabalhava seus lábios se achavam silenciosos; porém sua mente não tinha descanso, permanecia acelerada e seu dono continuava em uma de suas mais íntimas inquietações. Será, que os grandes espíritos junto a Manitu não haveria em simples de explicar o que sucede.
Em tudo que existe ou que aconteça deve haver uma explicação lógica ou no mínimo meia lógica. Desde que o dito fique pelo não dito. Só carece aceitação.
Aquelas dúvidas, paranóias só, em grande quantidade abestalhava o pobre.
Tudo, tudo que já vivera, tudo que já colhera em informações nos livros, tudo que os amigos de agora e os de outrora, em conversas transmitiram sobre as maluquices de caras pálidas, tudo, enfim, tudo, nada explicava o que sentia hoje.
Urias era um Sábio em puro natural, autodidata, um envelhecido experiente cabeça aberta.
Sua sapiência aconselhava-o a refletir em manso, calado, usando toda sua energia positiva até deixar o seu eu em harmonia sincronizada. Enquanto assim pensava, decidiu. Então tomou uma atitude. Deixando instruções para o líder daqueles que ali labutavam, se afastou em longa reflexão.
Foi seguindo sem nenhuma pressa rumo a parte onde existia o bem cuidado bananal.

Esta odisséia continua!

 

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