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"um gol preto"

Publicado por: vander.christian
Data: 20/05/2009
Hora: 14:53:18
Página: biblioteca_ler
Livro A HERANÇA DE SETECENTOS MIL REAIS - LIVRO II
Capítulo 1
Leituras: 226

 

Edmundo entrou na construção abandonada muito preocupado. Bianca dissera que queria falar com ele. Sabia muito bem qual seria o assunto. Do outro lado da rua, um gol preto estava parado. Após a entrada de Edmundo, Caio deixou o carro e também entrou na construção.
-Trouxe o que eu pedi?- perguntou Bianca secamente.
-Não.
-A tua falta de desempenho é muito notável, sabe. É algo de se admirar e...
-Pode pára – Edmundo interrompeu – a com frieza. – É fácil pra você só ficar dando ordens não é? Não se arrisca com nada.
-Quem disse que não me arrisquei?
Edmundo não falou nada. No canto da porta, Caio ouvia atentamente.
-Tive que falar com o delegado – disse Bianca. – Corri um grande risco.
-Você falou com o delegado?! – Edmundo agora estava com medo.
-É a única maneira de a Viviane ficar fora dos nossos caminhos.
-Você disse que não denunciaria...
-Se tivesse com o dinheiro nas mãos – terminou Bianca com cara de desdém. – Você não trouxe o que eu te pedi.
-Eu forcei o Marcio a dizer onde estava a herança. Ele falou que havia escondido dentro da velha capela, mas quando eu entrei lá não tinha nada; nem uma poeira!
-Não estava dentro da capela? – agora Bianca estava interessada. O mesmo pode se dizer de Caio.
-Não – disse Edmundo parecendo aliviado que Bianca se interessara pelo assunto. – A capela estava limpa, sem bagunça nenhuma.
No pensamento de Bianca, veio Diego dizendo:
-“Vou limpar tudo aqui, inclusive aí dentro”.
-Acho que sei quem pegou a herança – disse pensativamente.
-Você esta achando que o Marcio disse a verdade?
-Sim. Você vai invadir a casa do mais novo faxineiro de Vila das Arvores, porque é lá que o dinheiro esta.
-Tem certeza?
-Isso só vamos descobrir, depois que você entrar na casa.


-Guilherme, tenho novidades! – disse Caio para o irmão no celular.




-Então ele chegou dizendo que era irmão do Marcio? – disse pensativamente Horacio ao ouvir a explicação de Tadeu.
-Sim, mas pelo que o Marcio falou não existe possibilidade nenhuma desse Adriano ser irmão dele – completou Tadeu.
-Qual foi a reação do Marcio?
-Bom ele ficou nervoso... Agrediu o Adriano, aí eu e o Tico o seguramos.
-Certo – murmurou o delegado.
Tadeu não estava se sentindo bem. Estava indo para a casa de Roberta e topou com Horacio na porta da sua casa.
-Você acha que a estória do Marcio é verdadeira? – tornou a perguntar Horacio.
-Como assim? Olha aqui delegado, eu não estou gostando nada disso, certo?
-Tadeu esse rapaz foi assassinado coma paulada na cabeça. Existe denuncia na delegacia de Monte Paulista que lê foi visto aqui; tem carros desaparecendo lá e os suspeitos são daqui, entende. A Vila das Arvores não é assim. Desde quando a herança foi roubada...
-A Roberta não roubou delegado, ela “tirou” a herança para que a Viviane não roubasse – retrucou Tadeu defendendo a amiga.
-Mas ela deveria ter me comunicado!
Horacio ficou em silencio. Depois indagou:
-Só mais uma pergunta Tadeu: tem um carro na garagem da casa do Marcio?
-Tem.
-Que tipo de carro?
-Um celta, por quê?
-Por nada. Eu agora preciso falar com a Roberta, ela tem que entrar em contato com a Viviane.




Guilherme não teve dificuldades em arrombar a porta da de Rosana. Bagunçou a sala e não encontrou nada; passou para o quarto de Rosana e revirou – o todinho e não conseguiu encontrar nada que desse a entender que estaria ali a herança de setecentos mil reais. Foi para o quarto de Diego.




Edmundo se aproximou da casa de Diego. Notou que do lado oposto da rua tinha um gol preto parado e um homem dentro – teria que esperar para ver se o carro fosse embora.




Rosana estava chegando perto da casa de sua amiga Rayanne, quando se lembrou que pagara a revista de cosméticos errada. Deu meia volta para buscar a revista certa.




Guilherme deixou tudo fora do lugar no quarto de Diego. A casa não tinha cofre. O dinheiro com certeza estava em outro lugar. Mas onde?




Rosana chegou ao portão. Rapidamente Caio ligou para o seu irmão.
-Pinto sujeira, cara, se manda daí rápido!
Deu partida no carro, deixando – o mais próximo da casa. Enquanto isso, Edmundo deixou escapar um palavrão ao ver Rosana chegar. Teria de adiar a invasão a casa de Diego.
Quando Rosana abriu a porta Guilherme a empurrou para o chão no mesmo momento que deixava o quintal correndo e entrava no carro – que partiu em alta velocidade.




Horacio acabou de pisar na sala da casa do Marcio quando recebeu a ligação de Rosana.
-Roberta, eu passo aqui dentro de minutos para conversarmos – disse com urgência. – Parece que assaltaram a casa de Rosana!
Simone olhou para Milena que olhou para Roberta.
-Estranho, - falou Tadeu – por que assaltariam a casa de Rosana?
Ninguém respondeu.



-Eu não vi o rosto delegado! – exclamou Rosana. – Foi tudo muito rápido! Só vi que fugiu num carro preto que estava parado aqui em frente.
-Qual a estatura do individuo?
-Era... era alto, alto e forte – Rosana estava fazendo um grande esforço para parecer calma.
-O carro era um gol?
-Sim, era um gol preto.
-Guardava algo de valor em casa?
-Não.
O seu primo pode ter algo de valor?
-Tenho certeza que não.
-Tem certeza que não esta faltando nada?
-Certeza absoluta.
-Uma ultima pergunta, Rosana, lembra de já ter visto esse sujeito em algum lugar?
-Não, como disse delegado, foi tudo muito rápido. Mais a única casa daqui que tem um gol preto é a casa vizinha com a do Marcio.
-Muito obrigado Rosana. Qualquer coisa é só me ligar.



Caio parou o gol preto numa estradinha não muito longe da casa de Diego.
-Não vamos mais poder voltar para aquela casa!
-Não – disse Guilherme. – A policia com certeza já foi avisada. E o dinheiro não estava na casa do tal faxineiro!
-Precisamos de mais tempo – falou Caio sério. – E de um novo carro, não é?
-Com certeza.




Bianca andava de um lado pro outro ouvindo a narrativa de Edmundo.
-Vamos esperar uns dias – disse por fim.
-Bianca, você tem certeza que a herança esta naquela casa?
-Não. Mas precisamos ter certeza. Nesse tempo, continue enganando a Viviane.




Roberta olhou para o celular. Sentiu que a boca estava seca. Horacio a encorajou:
-Você tem que entrar em contato com ela para saber quais as exigências a serem feitas.
-Eu sei. Só que antes de tudo delegado, eu odeio ela.
Discou o número lentamente.
-Roberta – Viviane usou todo o seu cinismo. – Estava com saudades, tanto tempo que a gente não se fala! Espero que tenha novidades para me dizer.
-Não posso dizer o mesmo para você – disse Roberta se controlando para não gritar. – Tenho novidades sim. Estou com a herança. Estou disposta a pagar a liberdade do Marcio.
-Ótimo. Até que enfim você entendeu que comigo ninguém pode. Tenho que pedir umas coisas, por isso preste bastante atenção, só vou falar uma vez.
-Pode pedir – falou Roberta olhando para Horacio.
-Não vai ser mais como antes. Você vai colocar o dinheiro em uma mochila e o local de entrega será na ponte que divide Vila das Arvores a Monte Paulista amanhã de manhã, as 06h00min. Vá sozinha, entendeu?
-Entendi. E o Marc... – começou Roberta, porem Viviane interrompeu.
-Não tenho mais nada pra conversar com você.
Desligou o telefone.
-Que ódio! – Roberta gritou e jogou o celular no sofá.
-E então? – quis saber Horacio.
Por um momento ninguém disse nada. Ficou parecendo que a pergunta feita por Horacio não teria resposta. Mas Roberta respondeu lentamente:
-Ela quer o dinheiro dentro de uma mochila; que seja entregue na ponte amanhã cedo e que eu vá sozinha.
-Muito bom, precisamos nos preparar...
Após a saída do delegado, Tico, Tadeu, Simone e Milena tranqüilizaram Roberta dizendo que daria tudo certo.
-Se pelo menos tivéssemos o otimismo e bom humor de Rogério aqui com a gente – disse Roberta sonhadoramente.
-Bem lembrado Roberta – falou Tico. – Tenho que avisar ele que nós vamos tirar as fotos amanhã à tarde.


 

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