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Um enigmático amigo...
| Data: | 14/02/2009 |
| Hora: | 09:19:12 |
| Publicado por: | cisco.devair |
| Publicado na página: | biblioteca_ler |
A ODISSÉIA DE STARSOL & LUASAT
Capítulo: XIIII
Um enigmático amigo...
O barbudo demonstrando frieza e segurança não se deu por achado, continuou em posição firme. E alterando um pouquinho seu tom para que fosse bem ouvido, silabou as palavras com certa dureza:
-- Bom seus estúpidos. Eu acho bom, vocês darem o fora enquanto ainda é tempo.
A ameaça era direta, mas os facínoras não medraram, pois estavam armados, enquanto que o destemido sujeito apesar de sua atitude autoritária, encontrava-se aparentemente desarmado.
A discussão aumentava a raiva dos covardes, aquele que incomodava Samanta, para demonstrar que nada temia foi em direção à pobre mulher, tentando lhe apalpar o desnudo ventre. Quando a grosseira mão encostou seus sujos dedos no volumoso ventre; Samanta gritou indignada. Aí, como se aquele grito de fera acuada, fosse um sinal, tudo se desencadeou. Aquele ventre de repente criou vida, e agitou-se de forma estranha.
Uma misteriosa energia dali saiu, ela reluzia em fagulhas cintilantes.
Sua cor em ouro vivo era celestial e enquanto se espalhava provocava uma espécie de fumaça rosa, que tomou e revestiu todo o ventre de Samantha.
Aquela forte energia foi passando para o marginal, cobrindo seu corpo. O estúpido começou a gritar e tremer desengonçado como uma vara verde.
Seus berros ecoaram no ar, seu corpo tremia, aparentava receber grande choque. Seus parceiros de imundícies ficaram apalermados, distraíram-se por segundos. Aquela pequena distração foi o suficiente para o barbudo e Nicanor entrarem em ação. O salvador, com uma verdadeira patada de urso, com uma ligeireza de um puma, atirou seu pé calçado com a pesada bota. O ponta-pé foi certeiro. A arma de fogo que o desdentado líder empunhava, voou longe.
Nicanor também agiu rápido, com valentia atracou-se com um dos bandidos armados com facas, cobrindo-o com chutes, murros e pé dos ouvidos. O barbudo era incrível, pulava como gato, distribuindo ponta-pé, golpes de artes marciais, tesourinhas voadoras, girava como pião, para frente e para trás.
O avantajado crioulo não viu a hora que o porrete que empunhava como arma em suas mãos passara para o poder do exímio barbudo. O grande porrete milagrosamente trocara de mãos.
A luta foi desigual, pois os idiotas, apesar de estarem em maior número e portarem armas, não tiveram tempo sequer de piscar.
A quietude do lugar, mais de uma vez foi quebrada com berros horríveis e gemidos abafados.
A passarada que assistia a tudo tratou de fugir dali enquanto ainda ouviam os gritos e gemidos de dores misturados com os barulhos característicos de ossos quebrados e os sons provocados pelos duros golpes.
Em poucos segundos, todos da ralé, estavam estatelados no duro chão. Os fedorentos estavam a nocaute. Todos desacordados. O bestial, que sofrera a grande carga de energia, encontrava-se também desmaiado. Aquela forte energia colocara o sujeito para dormir.
Dentes quebrados, cabeças rachadas, bocas ensangüentadas era o visual da batalha terminada. A misteriosa energia que saíra do ventre de Samanta, após fazer sua parte na luta, retornara a sua origem.
Nicanor sentindo que o perigo já passara: mais do que de pressa correu em direção à esposa; E abraçando-a com amor beijou sua face molhada pelo assustado pranto.
Em seguida, o rapaz foi em busca da blusa de Samantha. A blusa, que na realidade era uma espécie de bata de gestante se encontrava meio esgarçada e estava jogada no chão que margeava a estrada.
Enquanto isso acontecia o providencial e misterioso salvador, permanecia calado, mas continuava a agir.
Ele, demonstrando a força dos seus músculos, com extrema facilidade, levantava os corpos desacordados dos derrotados, um por um os jogou sem piedade em uma vala profunda que margeava a estrada. Era gratificante ver aquela ralé receber aquele merecido castigo. Aquele monte de carne putrefata ali ficou amontoado.
-- Nic do céu! Que coisa horrível. O que aconteceu com a gente?
A moça ainda muito assustada e desnorteada, sem atinar bem o que havia acontecido; soluçava angustiada.
Enquanto o marido a ajudava a recompor suas vestes, ele pedia:
--Calma Santinha, calma, não fique assim. Graças a Deus, tudo já acabou.
Tentou Nicanor, com suas palavras e com carinho, acalmar sua querida Santinha. Ela, soluçando angustiada, continuou a perguntar:
-- Que fumaça cor-de-rosa era aquela. Nic? De onde será que saiu. Meu Deus?
-- Não sei querida. Pareceu sair de sua barriga.
Enquanto o casal trocava estas palavras, não se deram conta da presença do inesperado salvador. O barbudo aproximara-se, trazia um aberto e franco sorriso de dentes alvos e perfeitos.
Nicanor, sentindo sua forte presença, estendeu de pronto sua calejada mão direita, o gesto de apresentação foi acompanhado de sinceras e emocionadas palavras de gratidão e agradecimentos.
Samanta imitou o marido, com simplicidade e naturalidade; ficando na ponta dos pés, abraçou e depositou um respeitoso e sincero beijo de agradecimento, naquele rosto curtido de barba longas e escuras. O misterioso barbudo demonstrou ser pego de surpresa pelo genuíno gesto de gratidão e carinho. Demonstrando certo embaraço, sorriu amarelo. Aparentemente constrangido, recebeu os gestos de amizade, esquecendo-se de dizer quem era. Simplesmente pronunciou com sua grave voz:
-- Vamos minha gente, vamos sair daqui, o cheiro de carniça desses nojentos está me incomodando. Por favor, sigam-me.
Fazendo ato contínuo às suas debochadas palavras encaminhou-se com passos firmes e cadenciados, em direção a sua negra Harley Davidson. O casal, muito impressionado com tudo, por sua vez também se encaminhou para seu carro. Nicanor, respirando com força, expulsando ar dos pulmões, em ato de alívio, com mansidão acionou a partida do carro, e buscando com os olhos o oportuno salvador, pisou fundo no acelerador, passando a seguir a veloz motocicleta que diminuía no horizonte da longa estrada.
O homem barbudo demonstrando sua perícia de exímio motociclista seguia a frente do conservado Opala. Seu porte era majestoso parecia uma figura mitológica em cima de uma máquina moderna, fazia as curvas da estrada com perícia, sua velocidade era razoável.
Nicanor pisou com vontade em seu acelerador, pois caso não o fizesse, perderia de vista a poderosa máquina. Dentro do carro, o casal ia dialogando sobre o que pouco antes tinham vivido.
Depois da angústia e o medo passado, o novo sentimento era o de curiosidade.
Quem seria aquele forte homem que os salvara? De que lugar viera?
O casal concordava entre si que: À primeira vista o providencial salvador aparentava ser um corajoso aventureiro, um nômade que vivia pelo mundo, um autêntico lobo solitário. Tudo assim indicava.
A curiosidade, este sentimento tão forte, que habita nas mulheres, já havia sufocado um pouco na mente de Samanta, os maus sentimentos provocados pelo incidente de a apouco.
Se antes da ameaça vivida e causada pela corja de vagabundos, o casal vinha cheio de maus pensamentos, tal fenômeno também se dava e ocorria igualmente neste momento.
Se Antes o medo maior e o iminente perigo que se avizinhou nublaram a angustia da descoberta e dos problemas vindouros com a gravidez de Samantha; Agora a curiosidade diminuía o medo que a pouco haviam passado.
Enquanto dirigia Nicanor refletia sobre esta facilidade que possuímos. Sempre é assim:
Nós humanos substituímos com uma facilidade automática nosso estado de ânimos. Sempre sentimos o que nos cala mais forte no momento vivido.
Alguns quilômetros adiante Nicanor avistou que o seu guia, que seguia a frente, estacionava ao lado de uma enorme santa bárbara.
O lugar fora bem escolhido, pois, a grande árvore garantia generosa e refrescante sombra.
Nicanor chegando ao local estacionou seu Opala e o casal desembarcou, andando ambos em direção ao anjo salvador que os aguardava.
O homem barbudo neste momento retirava suas luvas de pilotar: um leve e amigável sorriso bailava naqueles lábios de rosto franco e bronzeado, uma figura que impressionava, mas que dizia ser amistosa.
Sua postura indolente, mastigando um pedacinho de capim (hábito automático de muitas pessoas).
Transmitia confiança e aumentou ainda mais a curiosidade do casal.
FINALMENTE, NOSSOS amigos, SABERIAM QUEM DE FATO ERA aquele singular personagem e providencial SALVADOR...
As perguntas martelavam em suas mentes, a curiosidade tomara conta de suas almas, seus problemas se afastaram por alguns minutos.
“DE ONDE SAÍRA? SERÁ QUE CAÍRA DO céu?“.
A poucos quilômetros daquele lugar, lá no sítio, a boa Dolores conversava com Manoel.
O tom desta conversa dizia que as coisas não estavam muito boas para o lado do menino.
Ele recebia dura repreensão, Dolores corrigia o arteiro.
Quem ouvisse aquela conversa se enganaria com o tom usado pela boa Dolores.
Tudo indicava que o sapeca levava um merecido sabão da bondosa cozinheira e que esta realmente se achava muito irritada:
-- Que história é essa do menino ficar de cochicho com este velho depravado, falando de mulheres?
Você, seu fofoqueiro, ainda é muito criança para estas coisas.
Sem descuidar daquilo que fazia a boa mulher continuou esbravejando:
--Onde já se viu! Aquele velho assanhado que dia-a-dia fica mais sem vergonha agora dar de ensinar estas coisas pra você? Era o que me faltava!
Ao falar com severidade a conservadora Dolores demonstrava, haver "flagrado" certas conversas entre os dois malandros.
O menino não se deu por achado.
Com sua habitual malícia, respondeu reclamando:
-- Que é isso Vó Dolô. Ninguém estava falando de mulher! E o menino, demonstrando ser matreiro fez cara de anjo arrependido mudou o rumo da conversa.
Com a maior cara de pau o esperto menino pediu cheio de malandragem:
--Oh! Vó querida, Vó do meu coração a senhora vai me dar quantos bolinhos? - a ingênua, foi naquela conversa e, sem perceber, entravam em outro assunto.
Mas mesmo assim ela continuou Respondendo e um tom que dizia estar ainda brava:
-- Nenhum. NÃO, VOU DAR NENHUM!
Continuando em seguida:
-- E, para seu governo, sua coisa esquisita. Euuu! Não sou sua avó.
Dolores, acabando de pronunciar estas duras palavras, mudou em seguida de expressão, ficando com o semblante de avó carinhosa, passou a mão nos emaranhados cabelos loiros do astuto menino, falou mansa e autorizou:
-- Pode pegar quatro. Dois para você e dois para aquele velho piolhento! -referindo-se, por último a Urias. Seu, para ela secreto amado.
Urias, o felizardo dono do coração de Dolores, era um grande comilão de bolinhos. Bolinhos de arroz, bolinhos de chuvas, bolinhos de espinafre, bolinhos de abobrinha e tantos outros, que Dolores era especialista. O guloso apreciava a todos, se dependesse do príncipe encantado de Dolores, ele viveria só a base de bolinhos.
Mané, já estendia suas rápidas mãos para a bacia de bolinhos, quando ouviu a advertência.
-- Primeiro, trata de lavar essas mãos. Seu porquinho! - a higiênica cozinheira advertiu o menino, enquanto findava de fritar os saborosos.
Dolores, constatando que o menino lavara suas mãos, com uma pura ilógica ciência na voz falou.
-- Agora pode pegar; pois já terminei de fritar. Eu não faço gosto que filem antes que termine a fritura, porque os danados antes de terminar a fritura, pegando algum, os outros ficam encharcados de gorduras.
A experiente cozinheira, também seguia a risca, velho costume das vovós especialistas em bolinhos fritos. Manoel não se fez de rogado.
O serelepe rapidinho apanhou seis, dois a mais daquilo que lhe fora autorizado.
Dolores fingindo não perceber a gatunice do malandrinho ordenou com voz autoritária:
-- Chispa já daqui, seu imitador de velho guloso. Chispa, da minha cozinha. – o menino, rindo em alegria, saiu correndo, para encontrar-se com o parceiro de gulodices.
Urias como era de seu costume foi encontrado: empoleirado na porteira do pequeno curral, Como de hábito, cachimbava enquanto fazia suas reflexões.
Fuá testa curtida estava toda enrugada, a preocupação com o mal estar da patroa não dava sossego ao bom homem.
Alguma coisa dizia a Urias que os amigos estavam passando por maus momentos.
Por mais de uma vez suas angústias o impeliam a ir ao encontro do jovem casal, mas suas responsabilidades o impedia de tomar tal iniciativa.
No entanto uma pergunta zumbia igual ataque de abelhas em seu cérebro .
“Grande Tupã o que será que anda acontecendo com os meninos?”.
Nossa estória continua!
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