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Deusas ao sol...
| Data: | 14/02/2009 |
| Hora: | 09:16:19 |
| Publicado por: | cisco.devair |
| Publicado na página: | biblioteca_ler |
A ODISSÉIA DE STARSOL & LUASAT
Capítulo IX
Deusas ao sol...
Aquele recanto do Rancho sem dúvida alguma era uma das mais maravilhosas paisagens de toda a região.
Um cenário que encheria os olhos de qualquer mestre da pintura que apreciasse registrar as verdadeiras belezas da natureza.
Aquela visão daria a um bom fotógrafo a grande oportunidade de ganhar o prêmio maior em qualquer concurso de bons flagrantes fotográficos.
A linda cascata despencava de uma altura de mais ou menos 4 metros, fazendo borbulhas e espumas ao cair na pequena represa em formato de círculo, com aproximadamente 20 metros de diâmetro, que possibilitava até em dar-se umas boas braçadas. Uma límpida e refrescante água deixava ver pedrinhas brancas no fundo. A parte mais profunda atingia no máximo um metro e meio de profundidade, após a vazante da represa, o sinuoso córrego descia placidamente pela ribeirinha bem cuidada, até desembocar em uma grande represa.
Gigantescas árvores arranhavam o céu, pedras bem cuidadas ao seu redor possibilitavam usufruir-se de tudo com segurança, alguns bancos de madeira tosca margeavam por diversas partes, uma bem feita escada com degraus de pedras levava à represa.
O sol ali aparentava ser até mais saudável; Ele infiltrava seus raios por entre as árvores, refletindo como ouro nas águas.
Singelas garças de um alvíssimo branco e pequenos marrecos e patos matraqueadores circulavam pelas margens, seus pescoços gingavam, desengonçados, volta e meia: asas se abriam alegres e encaloradas.
De vez em quando, um ou outro se arriscava e se atrevia a entrar na água.
Ás singelas aves aquáticas demonstravam receios, seus domínios haviam sido invadidos por duas lindas sereias.
Duas deusas ao sol que neste momento faziam á festa: Com gritinhos de prazer batiam suas mãos na água; espirrando com força, jogavam uma contra a outra em uma brincadeira bem juvenil. Duas jovens: uma morena cor de jambo, com longos cabelos negros e a outra mais clara com a pele já rosada pelo efeito dos raios solares, cabelos curtos encaracolados, olhos de um azul maravilhoso. Duas musas que completavam com harmonia as belezas naturais do lugar.
As moças brincavam e nadavam desprendidas, alegres, liberando energia e sensualidade por todos os poros.
Após algumas braçadas, foram para as pedras a fim de pegar o tão esperado bronzeado. Suzy até que não precisava, pois seu escultural corpo moreno já tinha um bronze natural, um bronze que se destacava harmoniosamente com o minúsculo e insinuante biquíni vermelho que deixava a mostra um corpo perfeito.
Margot, também deixava ver seu lindo corpo, usava um biquíni um pouco mais discreto, azul claro, combinando com a cor de seus olhos. Sua pele avermelhava-se e a amiga recomendou que ela usasse mais um tantinho de protetor solar.
Suzy, demonstrando sua liberalidade, avisou a amiga que ia praticar um topless, com a finalidade de não deixar as marcas do biquíni (o topless é usual em determinados clubes ou praias particulares). A atrevida, com naturalidade, despiu a parte superior do minúsculo biquíni, deitando de costas com os braços abertos, cobriu os olhos com um chapéu de palha.
Seus enrijecidos mamilos apontavam desafiadores para o céu, os dois túrgidos montes eram esculturais e perfeitos, a harmonia das fartas carnes daquele diabólico corpo era majestosa.
Enquanto a bela morena expunha sua beleza ao sol. Margot se deixara cair de bruços sobre uma toalha estendida na plataforma.
A irmã de Nicanor não ficava devendo nada a amiga Suzy, sua beleza juvenil era de tirar a respiração de qualquer homem.
Aquele corpo de formas sinuosas e agora um pouquinho avermelhado aparentava cochilar, parecendo um grande lagarto ao sol.
As duas deusas se deixaram ficar assim, bem por um bom quarto de hora, até´o momento que Ventania ou Sultão relinchou alto.
Os animais que calmamente pastavam em uma sombra, alertaram as moças, um deles deu o alerta, avisando as moças de algum perigo ou a aproximação de algum intruso.
Margot que era conhecedora da natureza daqueles animais, rapidamente se recompôs, levantou-se e olhando em volta procurando o motivo do alerta.
Ao lado a bela morena continuou sonolenta na mesma posição, despreocupada. Até que a amiga advertiu-a, pois acabava de vislumbrar ao longe, no alto das pedras, três cavaleiros. A distância ainda era razoável. Os indesejáveis balançavam seus chapéus em gestos de saudação, demonstrando que iam aproximar-se, pois começaram a descer a trilha que levaria onde elas estavam.
--Quem são eles? Você não havia dito que ninguém vinha aqui? Será que não é perigoso? - disparou Suzy, cruzando os braços abrindo parcialmente os fartos seios.
Demonstrando confiança na tranqüilidade da região, mas querendo evitar algum constrangimento com os vizinhos, que não estavam habituados a expor ou ver corpos seminus, Margot rapidamente vestiu-se, sendo imitada pela amiga que não conseguia disfarçar uma certa apreensão.
Sentaram em um dos bancos e aguardaram...
Como os inteligentes eqüinos haviam alertado as jovens, lá perto da casa grande, os finos fáros de Hércules, Sansão e Dalila que eram os bem tratados e ensinados cães de guarda do rancho faziam o maior tropel, latindo e uivando de uma maneira diferenciada, que era a maneira que normalmente demonstravam suas alegrias, quando Nicanor e Samanta estavam por perto.
Isso que os bichos faziam sempre acontecia no retorno dos seus donos, principalmente nas ocasiões que eles ficavam ausentes por algum tempo. Realmente o carro de Nicanor acabava de chegar lá na porteira.
--Não pula Hércules! Para Dalila! Chega já está bom! Chega. - gritava Nicanor tentando impor sua autoridade; mas a alegria dos animais era tanta que quase derrubaram o rapaz, pois pareciam dois pequenos garrotes, eram grandes e fortes, seus carinhos chegavam a ser até um pouco pesados, Sansão, que apesar do sugestivo nome não era grande, pois havia saído apenas baixinho e atarracado, pulava como um cabrito em volta do alvoroço.
Samanta, nestas oportunidades, aguardava um pouco dentro do carro, até que todos viessem lamber e cheirar sua mão, aí, os bichos diminuíam a demonstração de afeto e alegria, permitindo que ela desembarcasse com segurança.
Eram dezesseis horas, o sol declinava lá na mata, a tarde começava a cair, uma leve brisa aliviava o calor.
Dolores enxugava suas mãos em seu avental, vindo até perto do poço de água, receber os patrões.
--Oi Dolô! Tudo bem por aqui? Cadê Urias e Mané? Aquele carro é da Tatá?
--Tudo bem patrãozinho. É, sim, a menina Tatá chegou um pouquinho antes do almoço e aqueles dois caras sujas estão por aí labutando. Respondeu Dolores. Em seguida perguntando ansiosa para Samanta:
--E as boas novas, é verdade?
--É. É verdade. Foi tudo confirmadinho, o exame deu positivo graças à Santa Margarete. - respondeu Samanta com um sorriso de orelha a orelha. Recebendo um forte abraço e um carinhoso beijo na testa da parte da prestativa Dolores que em seguida cumprimentou Nicanor, já com os olhos úmidos de lágrimas de alegria e emoção. Dolores era uma verdadeira manteiga derretida, era muito emotiva.
--Ooi tia Sá! Ooi tio Nic! - veio correndo e gritando alegremente o menino Manoel, os olhos brilhavam demonstrando o quanto o pequeno espoleta gostava do casal que sempre o tratara como a um filho. Foi chegando e atropeladamente foi contando suas novidades:
--A Zumira deu cria, nasceu 12 filhotes.
--Nas-ce-ram 12 filhotes - corrigiu Samanta silabando o verbo. Enquanto isso, Nicanor agachava-se abraçando o menino e querendo saber mais detalhes do dia.
--Boa tarde! Patrãozinho. Boa tarde! Dona menina, ufa! Não é mole não tentar acompanhar esse pererê de duas pernas. - foi chegando e falando Urias, que respirava ofegante, completando em seguida, - o danado vive só correndo.
--Pelo jeito já contou todas as novidades. Não é? .
--Quase tudo. Falou Nicanor. - em seguida falando em tom de bronca.
--Não fique correndo atrás do menino. Hein! Seo Urias! Eu já disse para não esforçar-se muito. Cuidado com os ossos, o senhor sabe que já não é mais um garoto! Não é verdade? - em seguida amenizou a voz e continuou:
--Mas conta então, tem mais alguma novidade que ainda não sabemos? - perguntou alegremente o jovem patrão.
--Não patrãozinho, tudo correu bem. Graças ao poder do grande tupã. E a melhor novidade é que a menina Margot chegou e aquela moça a dona Suzy veio com ela. E um probleminha é que nós vamos ter que limpar novamente a mina, pois parece que um danado de um tatu fez a festa por lá. As demais novidades são conforme o cabeça de bagre adiantou, a Zumira pariu uma boa ninhada. - completou o relatório o eficiente ajudante.
Depois, em seguida inquiriu:
--E daí, já podemos saborear aquele vinho que há muito está guardado lá na biblioteca e degustar aqueles famosos charutos havanas, será que finalmente vou ser avô?
--Vai sim. Já podemos comemorar. E falando em comemorar, meu estômago está roncando de fome. - enquanto falava, recebia um forte abraço e amistosos "tapinhas” de Urias que mais pareciam umas patadas de um urso, em seguida demonstrando estar em boa forma e ser dono de uma força invejável, levantou com facilidade Nicanor nos braços, da mesma maneira que fazia quando o rapaz era ainda um menino.
Todos foram para a cozinha, pois as duas mulheres já estavam providenciando um lanche, então Manoel quis saber:
--O Seo Orias. Se o senhor vai ser avô, então eu vou ser tio, né? E sem esperar a resposta continuou a perguntar:
--E o que quer dizer pererê?
--Ah, ah, ah, ah! - gargalhou Urias, respondendo:
É, você vai ser tio. Um tio que é um verdadeiro saci pererê de cor branca, cara suja, que tem duas pernas. À noitinha eu conto uma boa história e quem é o saci pererê. - prometeu o velho erudita.
Urias era um excelente contador de histórias. Conhecia quase todas as lendas e crendices populares; quando narrava uma história ou um “causo“ antigo, como ninguém, era detalhista e também uma das suas maiores qualidades era a de ter um senso de observação bem afinado. E, demonstrando mais uma vez o seu talento, já fazia tempo que notara as jóias que os patrões usavam.
Como ninguém comentou nada, pedindo desculpas pelo abuso da liberdade, mas justificando sua curiosidade, argumentando que aquelas jóias eram diferentes e que seu brilho chamava a atenção; parecendo que eram de outro planeta.
Não agüentou a curiosidade e perguntou:
--Hei, patrãozinho. Que anel é esse em seu dedo, e que pulseira é essa da dona menina? Vocês se casaram de novo?
--Não, meu amigo. Nós não casamos de novo. Estas jóias são presentes que eu e a santinha ganhamos de uns novos amigos. Uns amigos que tivemos a oportunidade de conhecer hoje. E você está coberto de razão, são jóias preciosíssimas de outro mundo. Deixa eu comer esse lanche. Depois vamos para a biblioteca, que eu é que vou contar uma boa história e quem foi que presenteou-nos com o anel e o bracelete da santinha.
Todos ficaram muito mais curiosos depois da metafórica resposta de Nicanor, levando mais ainda em conta, que o jovem casal volta e meia trocava olhares de muda cumplicidade.
Urias, que era uma raposa velha, percebera que alguma coisa incomodava os amigos. Além de conhecê-los desde crianças, o experiente homem quase conseguia ler o íntimo dos jovens.
Nicanor acabou o seu lanche, e junto com Urias foram para a biblioteca onde se trancaram.
As mulheres ficaram ali, mexendo com as panelas, falando e comentando sobre o neném. Samanta, pouco a pouco, foi deixando as outras preocupações de lado.
Manoel foi avisar Margot que o casal já havia chegado...
E o que será que rolou lá pelas bandas da cachoeira...
Quem seriam aqueles cavaleiros...
Vamos em busca das duas ninfas?
Vale à pena ler o próximo capítulo!
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