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Um lar abençoado por Deus...

 

Data: 00/00/0000
Hora: 09:08:29
Publicado por: cisco.devair
Publicado na página: biblioteca_ler

 

A ODISSÉIA DE STARSOL & LUASAT

Capitulo: III
Um lar abençoado por Deus.
SEJA BEM-VINDO: RANCHO MARGARETE, uma placa de madeira tosca em um arco sobre a porteira de madeira bruta, conservada com óleo de peroba, já era o cartão de visita, um carreador plano, com chorões enfileirados em suas margens, levava à casa grande.
Um pequeno paraíso encravado no sertão do Amazonas Município de Alegreto. Zelo, capricho, amor pela natureza respirava-se por todos os cantos da propriedade. Um Rincão abençoado por DEUS, mantido com determinação pelo seu herdeiro.
Nicanor o recebera como herança quando os pais morreram. Primeiro o pai, senhor Antenor (pioneiro da região, muito querido e respeitado). O velho pioneiro fora vítima de uma pneumonia dupla, que o levou em poucos dias, após cair de cama.
Nicanor havia completado seus 17 anos, Margot, sua irmã 15. Dona Margarete, mãe dos adolescentes, apesar do temperamento forte, da natureza indomável, após a morte do companheiro caiu em depressão, foi definhando, apagando sua luz interior, murchando como flor ao sol, até que faleceu.
A tristeza e a dor aparentavam um futuro negro para os adolescentes, que em um ano se viram órfãos de pai e mãe. Apesar da dor, da pouca idade (agora com 18 anos) Nicanor assumiu as responsabilidades, tomando as rédeas da propriedade e cuidando da irmã.
O sucesso do rapaz deu-se por conta de sua natureza empreendedora e os valiosos conselhos de Urias, o fiel braço direito, amigo, protetor e conselheiro espiritual. Aonde estivesse o jovem rapaz, lá estava o seu escudeiro, uma sombra protetora, cumprindo sua promessa feita no leito de morte dos amigos que haviam partido.
O velho sertanejo, sempre lembrava com saudade dos velhos amigos.
Urias Não esquecia as promessas assumidas no leito de morte.
Primeiro: o velho amigo - meu companheiro, velho de guerra, vou morrer, tô no fim. Cuida da família, faça do menino um homem.
Depois, foi a bondosa amiga que implorou, fazendo-o prometer cuidar das crianças e zelar por suas coisas, por seu jardim, por sua horta e que todo santo dia, colhesse uma rosa e colocasse no altar da Santinha. A finada era devota fervorosa de Santa Margarete. Nunca deixou de cumprir o prometido, o velho Xavante cuidava de tudo com dedicação e amor.
Nicanor pouco estudou na escola, mas sempre gostou de ler e pouco a pouco montou uma bela e sortida biblioteca. Um lugar aconchegante, bem arejado com uma grande janela de frente do cuidado jardim da falecida Dona Margarete.
Respirando o perfume das flores e o canto da passarada, dividia com Urias as horas de leitura.
Nicanor havia ensinado o amigo a ler e a escrever. Urias comia os livros, tornando-se um sábio, que misturava o saber dos livros com a cultura dos antepassados.
O velho erudita sempre gostava de usar ditos populares em suas conversas.
O forte capataz era um homem calmo, possuía uma natureza boa. Só saía do sério com as implicâncias de Dolores.
A rechonchuda cozinheira do rancho. Esta boa alma que ali todos conheciam como Dolô vivia pegando no pé de Urias, principalmente para ele banhar-se (o danado fugia da água como diabo foge da cruz).
--Vai lavar o casco véio piolhento. Pára de filá meus bolinhos!

A resposta vinha no mesmo tom:
--Vai tomar banho você sua rolha de poço... Pote de gordura.
Esta cena era costumeira, com a cozinheira pegando a vassoura e partindo em cima do malandro que fugia resmungando xingamentos cabeludos. Quem ria pra valer era o menino Manoel, que dizia:
--Êta paixão antiga, isso ainda dá casório!
--Sai pra lá pequeno cara pálida, filhote de urubu. Deus me livre... - resmungava Urias. Sempre que tais comentários eram feitos, um rubor subia no rosto de Dolores, solteirona imaculada, que há muito tinha uma queda pelo velho matuto.
Quando à menina Tatá, vinha ao rancho, a boa alma confidenciava os seus mais íntimos desejos. Margot que era carinhosamente chamada de Tatá morava na cidade grande, fazendo faculdade de Agronomia.
E assim desenrolaram os fatos até este dia fatídico.
E o mundo continuou a girar.

E Nicanor e Samanta? Onde estariam neste momento? O que será que havia acontecido com eles? Será que teriam sofrido alguma coisa de grave?
Vamos à busca dos mesmos? Confiram no próximo capítulo.

 

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