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CAMINHO DA INDEPENDÊNCIA
| Data: | 04/02/2009 |
| Hora: | 20:06:02 |
| Publicado por: | bruno |
| Publicado na página: | biblioteca_ler |
Para todos os que podem ver com os olhos, certamente isso seria algo corriqueiro; para mim, era algo novo, amedrontador, mas extremamente necessário. Dar
o primeiro passo, realmente sozinho, sem os olhares de ninguém era desafiador. Entretanto, seria o primeiro passo para a independência.
E foi com todos esses pensamentos, com todos os meus medos, com todas as minhas incertezas, mas com muita vontade, dedicação e apoio familiar, que saí,
sozinho, naquele começo de manhã. Eu saí sozinho... Sozinho! Aquilo era uma coisa muito boa, mas, ao mesmo tempo, assustadora.
Saí do quintal de casa, fechei o portão: agora não tinha mais volta. Dei as costas para o portão, virei à esquerda e segui em frente. Eu havia treinado,
com alguém, todo o caminho. Mesmo assim a idéia de estar sozinho me assustava um pouco. Dobrei a esquina, continuei reto e virei novamente à esquerda:
cheguei ao ponto de ônibus. Entrei no veículo e sentei. Aquele era o Ponto Final e o ônibus estava parado. Eu devia pedir ao motorista que me avisasse
quando chegasse no ponto em que eu iria descer. Ah, ele seria um bom motorista?
O Motorista entrou no ônibus; eu o chamei e disse-lhe onde queria descer, pedindo-o para que me avisasse quando chegasse lá.
Ah, sim, ele era um excelente motorista! Um dos melhores - se não o melhor - que já conheci. Com ele, caminhei um ano inteiro, até alcançar meu maior sonho;
com ele, o caminho foi muito melhor!
O ônibus partiu: meu medo aumentou. Depois, o medo se transformou em ansiedade, a qual se transformou em aflição. O ônibus caminhava, naturalmente; as pessoas
conversavam, naturalmente; o tempo passava, naturalmente; só eu, ali, não era natural, nem agia naturalmente. Por quê? Será que eu não sabia que tudo era
natural, inclusive meus medos e a minha insegurança? É, acho que eu não sabia! O ônibus passou o viaduto e seguiu, rapidamente chegou à Avenida João César
de Oliveira. O veículo, então, parou no primeiro ponto da avenida: muitos desceram, muitos subiram, e eu ali, sentado, incrivelmente preocupado. O Motorista
se lembraria? E se não se lembrasse? A lotação arrancou; aliás, deslizou pelo asfalto, porque o Motorista dirigia com uma calma sensacional! Logo chegaria
minha hora. O segundo ponto passou, bem como o terceiro.
Minha hora chegou e eu, naturalmente, fui avisado. Desci, completei o caminho até o Pitágoras e tudo correu bem.
E eu aprendi uma lição: tudo é natural, natural demais para que nós nos preocupemos em demasia. Naturalmente, eu me adaptei a uma nova vida e alcancei meu
grande sonho: uma vaga na UFMG. Acho que sempre vou começar uma nova vida, para alcançar sempre grandes sonhos!
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