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UMA VISITA ESTRANHA

 

Data: 00/00/0000
Hora: 16:53:33
Publicado por: vander.christian
Publicado na página: biblioteca_ler

 

-Obrigado. CAPÍTULO 1

UMA VISITA ESTRANHA


-Abre! Abre essa porta, Viviane!
Márcio gritava enquanto jogava todo o seu peso na esperança que está cedesse.
-Abre! Viviane abre essa porta!
Viviane se aproximou da porta. Girou a chave e com o revólver em riste, abriu a porta. Tinha a boca cortada pela briga com Roberta.
-Vai acabar sem voz, Márcio – disse trancando a porta. Ao ver a arma, Márcio recuou.
-Que lugar é esse?
-É um lugar muito especial para um cativeiro. Você pode continuar gritando, ninguém vai te ouvir.
-Acha mesmo que ninguém virá atrás de mim?
-Não acho tenho certeza.
-Um dia a certeza vai se transformar em frustração pra você.
-Enquanto esse dia não me chega vou continuar com plena certeza.
-Me deixa sair, Viviane.
-Você vai sair. Mas só depois que a Roberta pagar o resgate.
-Que resgate?
-Não seja mais idiota do que você já é Márcio. Isso é um seqüestro.
-Quando eu sair daqui eu vou... Você não tem esse direito. Deixa-me sair!
-Só depois que a herança estiver em minhas mãos.
-Herança?!
-Sim. O preço para você ficar livre é de setecentos mil reais.
-Você não presta! Já fiz isso uma vez e vou fazer de novo!
PAFT.
Viviane cambaleou para trás com a força do tapa. Mas manteve o revólver firme na mão, apontou para o Márcio, que recuou.
-Está com medo, Márcio? Não, não vou virar uma assassina. Só quero que saiba de uma coisa: a sua namorada têm dez dias pra me entregar os setecentos mil...
-Ela não sabe onde está!
-Se procurar acha.
-Posso dizer onde está. Mais você tem que me soltar.
-Não. Eu quero que ela encontre.
Viviane destrancou a porta, e antes de sair falou:
-Vou pedir pro Edmundo trazer um lanche para você.
A porta foi trancada por fora. Márcio sentou - se passando a mão de leve no ferimento feito a faca por Edmundo murmurou:
-Deus, por favor, ajude a Roberta!





-Fala – disse Simone para a moça parada em frente o portão.
-Gostaria de falar com o Edmundo.
-O Edmundo não mora mais aqui.
-Me disseram que a casa dele é esta.
-Realmente ele morava aqui, não mora mais. Mudou-se ontem.
-Pra onde?
-Não sei dizer.
A moça encarou Simone por um momento. Depois disse:
-Muito obrigada.




-Pronto pra ir, Caio?
-Sim. Mas temos de ficar atentos.
-Certo. Vamos tentar descobrir por que tudo gira em torno dessa casa.





-Quem era Simone?
-Uma moça procurando o Edmundo. Já vi aquela moça em algum lugar, só não consigo me lembrar onde.
-De qualquer forma, Roberta, o que vamos fazer para libertar o Márcio?
Não foi Roberta que respondeu a pergunta de Tico e sim Rogério.
-Não resta a menor dúvida, temos que chamar a policia.
-Viviane não quer a policia interferindo.
-Não temos que seguir o conselho da Viviane.
-Eu também não quero que a policia fique sabendo do seqüestro. Temos que procurar os setecentos mil.
-Começaremos por onde?
-Não sei Milena. Mas precisamos agir, o dia já está acabando.
--É só dizer o que temos de fazer, Roberta.
-Eu não vou fazer nada – disse Rogério. – O Marcio escondeu a herança onde ninguém pudesse encontrar.
-Rogério, se não procurarmos nunca acharemos.
-Roberta, não tem nenhuma pista. É como procurar agulha no palheiro.
-Está sendo preguisoço, Rogério. Tudo bem tem mais amigos.
-Não é nada disso, Roberta. O problema é que o Márcio foi covarde, deveria ter chamado a policia para prender a Viviane ficou com medo agora nós temos que arriscar as nossas vidas para salvá - lo.
-Ele não foi covarde! – gritou Roberta na defensiva. Já está bom demais só nós sabendo da existência da herança. A policia ia nos perguntar um monte de coisas!
-Teria que perguntar mesmo, nunca vi uma herança sem documento só dinheiro vivo. Parece muito suspeito...
-Quer dizer o que com isso?
-Não devemos nos expor. A Viviane vai fazer qualquer coisa com quem se por no seu caminho. Nós estamos em perigo, por culpa do Márcio que não teve coragem de chamar a policia para...
-Ah, agora a Viviane é perigosa, até ontem era Viviane avião! – provocou Roberta com ironia.
-Mas agora todos nós sabemos do que a Viviane é capaz. E eu não vou arriscar a minha vida por causa de um erro do Márcio.
-Já disse: não quer ajudar beleza. Tenho outros amigos para pedir ajuda!
-Só quero lembrar você, Roberta, que o Márcio jogou na sua cara que nós éramos um grupo de intrometidos.
-A minha memória continua muito boa.
-Não parece.
-Vai embora, Rogério, por favor.
-Eu vou. Mas quando a balança pender pro seu lado...
-Chega Rogério. Não quero ouvir mais bobagens.
-Bobagem é o que vai fazer ou o que fez ao roubar a herança do...
-Eu não roubei nada! O que eu fiz foi...
-Teve sorte que o Márcio te perdoou, já imaginou se ele tivesse mandado prender você. Está sendo burra de mais, Roberta!
-Vai embora, Rogério. Agora!
O rapaz caminhou pesadamente para a porta. Roberta sentou – se no sofá chorando. Os demais, que estiveram calados durante a discussão, permaneceram em silencio.




Caio e Guilherme esperou Rogério se afastar da casa para sair do esconderijo em que escutaram toda a briga, se dirigiram para a porta da sala.




-Talvez amanhã eu comece a trabalhar – disse Diego para Rosana.
-Que ótimo. Vou ficar sozinha nessa casa.
-Não vai mais embora?
-Mudei de idéia. Do que você vai trabalhar?
-Gari.
Rosana achou graça.
-Por que a graça? Não vejo nada de errado em trabalhar varrendo as ruas – falou Diego amarrando a cara para a prima.
-Está bem, desculpe.
-Achei que você ia me dar os parabéns...
-Ah, parabéns, Diego.

-Bom vou me arrumar a noite eu vou à festa de aniversario do Fernando.
-Vai o que?!
-Na festa de aniversario do Fernando.
-Não acredito! Depois de tudo que ele...
-Vou levar até um presente.




-Nunca esperava ouvir isso do Rogério – disse Roberta.
-Esquece Roberta. Ele só estava com a cabeça quente.
Simone ia falar porem a entrada brusca de Caio e Guilherme na sala a deixou sem fala.
-Quem são vocês? – perguntou Tadeu com espanto na voz.
-Oh, que indelicadeza da nossa parte. Perdoem a nossa falta de ouvir o desentendimento que vocês tive...
-Como é que vocês entram assim, sem tocar a campanha?
-Ficamos muito preocupados! – disse Guilherme tentando convencer. – Ontem toda aquela confusão com o pobre rapaz...
-Ele não é um pobre rapaz – falou Roberta secamente.
-Verdade que toda aquela briga é por causa de uma herança?
-Que absurdo! – exclamou Simone. – Vocês entram aqui sem bater na porta e querem fazer um monte de perguntas. Olha aqui, essa casa não é nossa só estamos aqui para por onde a procurar a heran...
-Sabemos que esse negócio de herança é complicado. E nesse caso nada melhor do que um bom advogado, pois já dizia o meu tio Paulo: não existe um problema familiar que tem um advogado com A maiúscula não resolva!
-Assim sendo – completou Guilherme – decidimos estudar advocacia e já que vocês estão precisando de ajuda... tamos aqui.
-Não estamos precisando de ajuda.
-É. Por favor vão embora. Precisamos fechar a casa. Como disse a Simone ela não é nossa.
-Ainda cedo – teimou Caio. – Pois já dizia meu avô Euzébio: nunca é tarde para visitar ou receber a visita de alguém.
-Sim, mas já é quase noite.



Edmundo saiu do mercado. Nas mãos uma sacola, com arroz, do mais barato, biscoitos todos quebrados e um pacote de leite em pó. Caminhava apressadamente. Se distanciou logo das pessoas que finalizavam as conversas de domingo, no meio da rua ou enfrente as suas casas.
De repente, ele teve a sensação de que estava sendo seguido. Olhou para trás, mas não tinha ninguém. Apertou mais os passos... e novamente a sensação de que alguém o seguia.
- Confiei em você, Tico!
-Desculpa cara. Eu cheguei até a porta da casa dela, mas aí... Aconteceu um monte de coisas, Fernando. Eu sinto muito.
-Eu só mandei fazer a festa na esperança que ela fosse... Vou mandar cancelar tudo!
-Não, não vai não. Agora eu estou decidido a ir à festa.
-Mas sem a Rosana não vai ter graça.
-Vai sim, garanto.




-Não foi como esperávamos, não é?
-Sim, vamos resolver as coisas do nosso jeito. É só um bando de adolescentes metidos... Aqueles setecentos mil são nossos.





Edmundo parou abruptamente e olhou para as pessoas que andavam na rua. Contudo nenhuma delas parecia ter interesse em segui-lo. Recomeçou a andar rapidamente. Estava agora em uma estrada de chão próximo a mata. Um barulho de galho quebrando o fez se virar para trás e soltar uma exclamação.
-Você!
-Por que a surpresa Edmundo?
O rapaz ficou parado sem dizer nada. A moça continuou meigamente:
-Ou você achou que eu ficaria presa pro resto da vida?
Edmundo respondeu ainda sem muita firmeza na voz.
-Não pensei nisso Bianca. Simplesmente não esperava encontra-la aqui.
-Verdade? – perguntou Bianca ironicamente.
-E... Como você esta?
-Ótima, melhor agora.
-Eu também estou ótimo, mas tenho que ir.
-Ah, Edmundo precisamos conversar.
-Conversar? Olha Bianca eu realmente preciso ir andando talvez outra hora...
-Vai ser agora Edmundo. Que historia foi essa de você passar tudo que é meu no seu nome?
-Achei que tinha esse direito. Afinal você me tratava como escravo.
-Só que eu não disse e tampouco assinei papel algum dizendo que quando eu morresse você tomaria conta do que é meu. E eu só estava presa Edmundo. Você me roubou!
-Quem ficou cuidando de tudo aquilo fui eu. Confesso, achei que você na apareceria nunca mais.
-E o que você esta fazendo nessa cidade? – perguntou Bianca mudando de assunto. – E por que se mudou daquela mansão onde você estava morando até ontem?
-Não trabalho mais pra você – respondeu Edmundo rispidamente – não lhe devo mais explicação. Agora eu preciso ir andando.
O rapaz deu dois passos. Bianca então falou:
-Primeiro você vai me dizer sobre a herança.
Edmundo parou.
-Tenho certeza que é por isso que você esta nessa cidade.
-Como você soube? – perguntou Edmundo virando-se e encarando Bianca.
-Uma amiga minha era vizinha do Marcio, ela me contou que ele tinha se mudado pra cá. Vai me explicar ou não?
-O que você quer saber?
-Aonde é a casa do Marcio.
-Ele morava naquela mansão. Eu mudei de lá ontem e o Marcio hoje cedo.
-Se mudou pra onde?
-Eu ou o Marcio?
-Os dois.
-Eu estou morando em outro lugar e o Marcio... Bom ele esta como refém meu e da Viviane.
-Como assim?
-Ele não quis dizer onde esta a herança, aí eu e a Viviane resolvemos seqüestra-lo. O pagamento do resgate será a herança. O plano é bom, mas eu acho que a Viviane deveria acreditar na palavra do Marcio.
-Não estou entendendo.
-A Viviane deu dez dias para a namorada do Marcio encontrar a herança, só que ela não sabe onde o namorado escondeu. E a Viviane não quer acreditar que o Marcio esta dizendo a verdade.
-E você acha que realmente a namorada do Marcio não sabe onde esta a herança?
-Eu acho que ela não sabe. Mas a Viviane não pensa assim.
-Muito bem. Se você acha que o Marcio esta dizendo a verdade... Você vai fazer ele dizer onde esta a herança e você vai pega –lá pra mim.
Edmundo sorriu.
-Por que você acha que eu faria isso?
Foi a vez de Bianca sorrir.
-Você tem que me pagar Edmundo. Eu jamais permitiria que você ficasse me devendo.
-Estou trabalhando para a Viviane, Bianca.
-Sei disso. Você me roubou. Agora eu quero que você roube para mim.
-Você divide a herança comigo?
-Não.
-Então nada feito.
-Você vai roubar sim Edmundo – disse Bianca gravemente. – Se não fizer o que eu estou mandando eu conto para a policia que você me roubou e que esta participando de um seqüestro.
-Isso é chantagem Bianca!
-Não me diga! Você vai ameaçar o Marcio até ele dizer onde esta a herança, isso tudo é claro, sem que a Viviane saiba.
-Eu odeio você! – disse Edmundo com raiva.
-Tenho certeza que não me odeia tanto quanto eu odeio você. Estou morando de aluguel na Rua Pedro de Alcântara, numero dezessete. Agora eu preciso ir.
Se afastou rebolando. Edmundo disse para si mesmo:
-Vou fazer o Marcio dizer onde esta a herança. Mas você e a Viviane não quebrar a cara. Vou pegar todo o dinheiro e me mandar.
Sorrindo, Edmundo recomeçou a andar.

 

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