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Capítulo XIV

 

Data: 31/01/2009
Hora: 15:18:45
Publicado por: luis.campos
Publicado na página: biblioteca_ler

 

Enquanto Madame Mínima não chega em seu castelo, vejamos como estão
aqueles três que foram jogados no Fosso Real...

- Socorro, companheiro jabuti... eu não sei nadar!

- Calma, amigo buldogue... estou indo!

E o jabuti pegou o buldogue pela orelha e o arrastou até a margem...

- Como você fede, companheiro! - disse o jabuti.

- E por acaso você acha que está cheiroso? - respondeu o buldogue.

- Socorro! Não consigo voar... minhas asas estão cheias de porcaria!

- Vou ajudá-lo também, companheiro Pardal! - gritou o jabuti, voltando
a entrar na água fétida do fosso.

Desviando-se dos toletes de merda, o jabuti chegou ao lado do
passarinho...

- Suba em minhas costas, companheiro!

- Obrigado, companheiro jabuti!

O jabuti, com sua carga nas costas, chegou à margem e saiu do fosso...

- Eu não consegui levantar vôo... minhas asas estavam muito pesadas!

- Não são as asas, companheiro... você é que está gordo!

- Gordo é a mãe, companheiro jabuti!

- Eu não sabia que sua mãe estava tão gorda assim, companheiro pardal!

- Acho melhor vocês acabarem essa discussão boba e nós sairmos daqui!

- Tem razão, companheiro buldogue... vamos nos mandar!

- Disse bem, companheiro jabuti... temos que encontrar um lugar para
nos lavarmos! - disse o passarinho.

- Realmente! Estamos mais sujos do que pau de galinheiro!

- É isso aí, companheiro jabuti... ninguém merece feder tanto!

- Obrigado, companheiro buldogue! Então vamos pegar a pista!

E os três fedidos, digo, animais, caminharam em direção à Floresta Real
que ficava nas proximidades do castelo do Rei Luy Sopmac e acabava no
sopé da Montanha Real...

- Esperem por mim, companheiros!

- Você caminha muito devagar, companheiro jabuti! Nem eu, que não posso
voar, caminho tão lentamente!

- Vamos esperar o companheiro jabuti, companheiro passarinho!

- Fazer o quê, né?

Assim que o jabuti chegou ao lado dos companheiros de jornada, o
passarinho falou...

- Tenho uma bela idéia, companheiros, que tornará nossa empreitada mais
dinâmica!

- Que idéia é essa, companheiro passarinho? - perguntou o buldogue.

- É simples: para que nossa caminhada seja mais rápida, o companheiro
jabuti sobe em suas costas e eu subo nas costas dele...

- E o cachorro aqui vira burro de carga!

- Calma, companheiro buldogue... o companheiro passarinho tem razão!

- Ele tem razão porque não é você quem vai carregá-lo!

- Mais devagar, companheiro buldogue... o companheiro jabuti deve pesar
mais do que eu!

- Sei não, companheiro passarinho... com essa sua pança e esse seu
rabão... eu fico em dúvida! Auuuuuuuuu!

- Vá se lascar, companheiro pulguento!

- Calma, gente... precisamos nos unir, afinal, estamos na mesma
novelinha, lembram?

- Nem me lembre isso, companheiro jabuti... se eu pegar o autor dessa
merda ele vai ver com quantas palhas se faz um ninho!

- Ih, o companheiro passarinho retou-se! Auuuuuuuu!


- Fissssssssssss! Coitado do autor dessa novelinha!

- Ora, companheiro jabuti... nisso eu concordo com o companheiro
passarinho! Esse autor também vai ficar me devendo!

- Bem, companheiro buldogue... vai aceitar minha idéia?

- Como é para o bem de todos, vamos lá!

Então o jabuti subiu nas costas do buldogue, o passarinho subiu nas
costas deste último e lá se foram os "três em um"...

- Já caminhamos quase uma hora e ainda nem chegamos na floresta!

- Mas já vejo suas árvores, companheiro jabuti! - disse o buldogue.

- É questão de meia hora, adentrarmos a floresta, companheiros!

- Acho até que em menos tempo, companheiro pardal! Vou apertar o passo,
segurem-se!

E o buldogue começou a caminhar mais rápido e, como dissera, em menos
de vinte minutos ultrapassava as primeiras árvores da Floresta Real...


- Não falei, companheiros?

- Pois é, companheiro buldogue... agora é só encontrarmos uma fonte de
água limpa para nos lavarmos e também bebermos um pouco!

- Só espero que vocês bebam primeiro e lavem-se depois, tá?

- Claro, companheiro buldogue! - disse o jabuti.

O buldogue andou mais uns cinco minutos, quando o jabuti aspirou o
ar e falou para os outros...

- Tem água por perto, companheiros! Continue em frente, companheiro
buldogue!

Após mais uns dois minutos de caminhada, finalmente o buldogue avistou
um pequeno rio. Neste, algumas aves e pequenos animais silvestres se
deliciavam bebendo água e tomando banho...

- Podem descer, companheiros! - disse o buldogue abaixando-se.

O jabuti desceu das costas do buldogue e o pardal desceu das costas
deste e os três aproximaram-se da água. Os animais silvestres e as
aves que ali estavam, com a chegada dos três fétidos desconhecidos,
com patas e asas a cobrir os focinhos e narinas, afastaram-se o mais
que depressa...

- Qualé a desses bichos? - indagou o buldogue.

- O que você queria, companheiro? Nós estamos mais fedidos do que
sanitário de rodoviária!

- Concordo, companheiro jabuti! - disse o pardal.

- Bem, o problema é deles... eu vou beber minha aguinha, tomar um belo
banho e descansar um pouco!

- Eu farei o mesmo, companheiro buldogue! - disse o jabuti.

- Eu preciso lavar bem minhas asas... assim eu voltarei a voar!

- Gordo como está, companheiro? Tenho cá minhas dúvidas! Auuuuu!

- Eu sou não lhe dou uma bicada, companheiro buldogue, porque...

- Porque eu sou maior do que você, né, companheiro?

- Nada disso... é porque ainda preciso de você!

- Interesseiro! - disse o jabuti.

Os três beberam a fartar-se e depois entraram no rio para lavar-se.
Levaram uns quinze minutos para que toda a sujeira e o fedor deixassem
seus corpos. Após o banho, deitaram-se na relva que margeava o rio para
descansar...


- Agora sim, companheiros, estou parecendo gente!

- Já não era sem tempo, companheiro jabuti!

- Qual é o plano de vocês, companheiros? - pergunto o buldogue.

- Primeiro comer... estou faminto!

- Creio que minhocas e insetos não faltem por aqui para matar sua fome,
companheiro pardal!


- E nem capim para matar a sua, companheiro jabuti!

- Bem, vou procurar qualquer coisa... também estou com fome! - disse o
buldogue.

- Acho melhor descansarmos mais um pouco antes de empreendermos nossa
viagem, companheiros! - falou o jabuti.

- E qual será nosso destino, companheiros?

- Companheiro buldogue, estamos nos dedos desse autorzinho barato!

- Isso é o que me preocupa, companheiro pardal!

- Não creio que ele queira nos prejudicar, afinal, ele precisa de nós
para que sua novelinha faça sucesso!


- Muito bem dito, companheiro jabuti!

- Obrigado, companheiro buldogue!

- O papo tá bom, mas é melhor procurarmos o que comer! - disse o
pardal.

- Que tal se pedirmos o que comer aos companheiros daqui?

- Sem essa, companheiro jabuti! Agora vamos mendigar comida?

- Nossa situação não é boa, companheiros! Precisamos ser realistas!

- Sim, companheiro jabuti, mas por isto temos que mendigar?

- Então vamos caçar nossa comida, companheiro pardal?

- Nenhum de nós é predador, companheiros! Acho que morreremos de fome!

- Deixe disso, companheiro buldogue... nós podemos comer frutas!

- E folhas, companheiro pardal!

- Ora, companheiro jabuti... cachorro só come folha quando está com dor
de barriga!

- Mas você também pode comer frutas, companheiro buldogue!

- É... acho que será o que farei!

- Bem, antes que acabe esse capítulo, é melhor que comamos algo!
Meu estômago já está roncando! - disse o passarinho.

E os três se levantaram e saíram em busca do que saciar a fome...

 

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