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PRÓLOGO: A PRIMEIRA PREVISÃO

 

Data: 22/07/2010
Hora: 06:56:31
Publicado por: bruno
Publicado na página: biblioteca_ler

 

Nota do autor:


E aí, galera? Beleza? Espero que sim!


Bom, eis aí mais uma de minhas histórias. Esta história pode ter alguma semelhança com algumas outras histórias minhas que você leu. Isto, porque esta é minha obra prima, é a reunião de tudo o que houve de bom em outras histórias e, também, de algumas idéias novas. Ou, pelo menos, é isso o que eu espero.


Bom, espero também que você aprecie. Quaisquer erros, por favor, avise. Qualquer comentário que você quiser fazer, fique à vontade! Afinal, o campo para comentários do site existe para uma razão: é para que você mostre ao autor que está lendo a história e lhe incentive a continuar. Também, é para que o autor conheça sua perspectiva sobre o que está acontecendo e também sobre os personagens. Então, se você puder, por favor, comente.


Bem, é isso. Vamos à história, então! Até o final do capítulo...


ALAN SÓLEN E OS MISTÉRIOS DO ORÁCULO


Autor: Bruno Pinheiro de Lacerda


RESUMO:



Fomos consultar o oráculo, e o oráculo disse:


"Dois gêmeos divididos serão pilares da discórdia, que levará uma família a uma crise. E essa crise só será resolvida com uma tragédia: o mal será descoberto
e uma morte marcará o fim".


Eu, Lisandra Sólen, não acredito no oráculo. Entretanto, todos acreditam. Eu não deixaria minha vida ser guiada por uma previsão; contudo, as previsões
são tão misteriosas, que minha vida foi guiada por duas delas. Eu não acredito no oráculo, mas não posso ignorar seus mistérios, porque toda vida na Terra,
na minha época, é guiada pelos mistérios do oráculo.




Epígrafe: Você pode não acreditar em previsões, mas, se fugir delas, elas se cumprirão e, se não fugir, elas nortearão sua vida.


PRÓLOGO: A PRIMEIRA PREVISÃO


Não há finais felizes. Tudo o que há é começos, fins e recomeços. Alguns desses fins são felizes, outros nem tanto. Se você não acredita, eu lhe provarei.
Eu poderia pedir para que você olhasse para sua própria vida e percebesse que ela é feita de começos, fins (felizes ou tristes) e recomeços, mas não farei isso. Prefiro lhe contar uma história.
Essa história me foi contada por Alan Sólen, um homem que veio do futuro. Ele não veio só para me contar a história da vida dele, veio, antes, a passeio. Contudo, acabamos nos encontrando, e ele resolveu contar a história da vida dele e me pediu que contasse a você, leitor. Obviamente, não usarei o Português da época de Alan, uma vez que, caso eu fizesse, você não entenderia; aliás, nem mesmo Alan usou o Português da época dele para me contar a história dele, porque eu não entenderia! A história de Alan será contada na Língua Portuguesa de nossa época mesmo.
_ Ei, escritor! Eu já estou quase desistindo de ler! Então, que tal começar a história?
Muito bem! Já que você me pediu tão amavelmente, começaremos...
Você sabe qual é o problema com as previsões? O problema é que, quanto mais nos afastamos delas, quanto mais as evitamos, quanto mais fazemos tudo para que elas não se cumpram, aí mesmo é que, irremediavelmente, elas se cumprem.
A história que contarei aqui, leitor, provará isso.
_ Duvido!
Bem, vamos a ela, então.
Eis que, no dia seis de Maio do ano 3199, em uma tarde bonita e ensolarada, uma família de feiticeiros caminhava tranqüilamente na direção do Oráculo.
_ Feiticeiros? Oh! Era só o que faltava! Uma tola história pra criança! Agora sim, vou desistir!
Espera! Acho que devo explicar algo...
Os feiticeiros não são pessoas especiais, que nasceram com poderes sabe lá Deus de onde... Na verdade, todos nós nascemos com poderes, todos nós somos feiticeiros em potencial. Esses poderes não são algo inexplicável: eles são apenas nossas energias. Todos nós possuímos energias internas, uns mais, outros menos, mas todos nós possuímos uma determinada quantidade. Entretanto, como nós, seres humanos comuns desta época, só usamos dez por cento de nossa capacidade cerebral, não podemos controlar nossa energia interna e, claro, tampouco podemos controlar a energia externa. Na época de Alan, um ser humano comum usa vinte por cento de sua capacidade cerebral. Os feiticeiros, no entanto, são aqueles que conseguem usar oitenta por cento ou mais de sua capacidade cerebral. Por essa razão, eles são capazes de controlar sua energia interna e, também, a energia externa a eles.
Os feiticeiros sempre existiram. Na Idade Média, eles foram perseguidos pela Igreja Católica. Por isso, resolveram se esconder. Eles criaram o CONFEIT (Conselho dos Feiticeiros) e criaram um mundo a parte, onde viveram por centenas e centenas de anos, sem o conhecimento das sociedades dos seres humanos comuns. Todavia, no ano 3007, eles saíram do esconderijo e foram reconhecidos pelas sociedades de seres humanos comuns.
Agora, chega de explicações!
A família em questão era formada por três membros: Marta, Marcos e Lisandra.
Marta era a matriarca da família. Ela era uma feiticeira pouco poderosa, uma vez que só era capaz de usar oitenta por cento de sua capacidade cerebral e, além disso, não possuía lá muita energia interna inata. No entanto, o que lhe faltava em poder lhe sobrava em ambição: ela era pesquisadora de rituais para aumentar o poder e, claro, já havia executado vários deles. Agora, ela estava grávida de gêmeos bi-vitelinos: um menino e uma menina.
Marcos é o patriarca da família. Ele, tal como Marta, não é muito poderoso, pelos mesmos motivos que sua esposa não o é. Todavia, ele não tem a ambição de sua mulher.
Lisandra é filha do casal. Ela é uma garota prodígio, certamente! Com um ano apenas, ela já sabia andar e falar fluentemente. Com dois anos, ela já sabia ler e escrever melhor que muitos alunos de nossas escolas! Com três, ela havia despertado, sozinha (o que não é muito comum), seus poderes mágicos. Com quatro, ela já lia, falava e escrevia fluentemente Amazon, a língua do planeta mais antigo do universo, onde todos os seres humanos são feiticeiros.
Agora, com quatro anos e alguns meses, Lisandra estava muitíssimo feliz! Afinal, ela teria um irmãozinho! Ela sempre quis ter um irmão, sempre sonhou com isso. Até que ter uma irmã não era sonho dela... Ela nem queria isso, na verdade. Mas já que vinha, tudo bem, ela aceitaria e amaria a irmã. Porém, o que ela queria mesmo, o que a encantava mesmo é que... Ela teria um irmão! Ela certamente o amaria mais que tudo, mais até do que ela mesma...
E a família chegou ao Oráculo. Eles haviam decidido ir a pé, porque o Oráculo ficava perto e, fazer uma caminhada de vez em quando é sempre bom, não é?
O Oráculo ficava dentro de um grande e bonito castelo. A família entrou no castelo. A emoção de todos ali era bem grande, mas Lisandra parecia não se importar muito. Não é que ela não respeitasse as tradições, é que ela não acreditava mesmo no Oráculo. Afinal, uma vida não pode _ nem é _ definida por uma simples e mera previsão. De qualquer forma, era tradição a consulta ao Oráculo e, como eu disse antes, mesmo Lisandra respeitava muito as tradições.
E passo a passo, a “nobre” família foi se aproximando do Oráculo. Naquele dia, ninguém parecia querer consultá-lo.
E finalmente eles chegaram lá, diante do grande Oráculo. A emoção _ mesmo de Lisandra _ era muito grande... Afinal, não era todo dia que se ficava diante de algo tão grandioso quanto aquele enorme Oráculo, não é?
Marta começou a consulta, com o ritual exigido:
_ Ó, grande Oráculo, atenda às nossas súplicas, responda às nossas dúvidas, traga luz à nossa escuridão!
_ Sobre o que vocês querem minha luz? _ O Oráculo questionou.
_ Sobre nossos filhos _ respondeu Marcos _ os gêmeos que estão para nascer.
_ Parece que tem alguém aqui que não acredita nas minhas previsões... _ O Oráculo afirmou.
_ Ó, grande Oráculo, ignore! _ Marta implorou. _ Essa garota aí não vale nada! Nada!
_ Por que está aqui, garota? _ O Oráculo perguntou. _ Se não acredita em minhas previsões, para que veio aqui?
_ Não acredito em suas previsões e jamais acreditarei. Entretanto, respeito às tradições; se elas existem, deve ser por alguma razão, não é? Então! É por isso que estou aqui. Estou cumprindo meu papel nas tradições... Agora, cumpra o seu! _ Lisandra respondeu, firme.
_ Garota insolente! _ Marta ralhou. _ Respeite o Oráculo!
_ Por quê? _ Lisandra questionou. _ Ele não merece mais respeito do que já lhe estou dando! Minha presença aqui é mais sinal de respeito que o Oráculo merece!
_ Ora, sua garota insolente! Eu vou... _ Marta ia dizendo, mas foi interrompida.
_ Basta! _ Ordenou o Oráculo. _ A garota talvez não esteja errada... Além disso, vocês vieram aqui para uma previsão, certo? Pois bem, ei-la aqui...
O oráculo ficou em silêncio por um tempo. Em seguida, ele fez sua previsão:
_ Dois gêmeos divididos serão pilares da discórdia, que levará uma família a uma crise. E essa crise só será resolvida com uma tragédia: o mal será descoberto
e uma morte marcará o fim.
A sombria previsão do Oráculo atingiu duramente quase todos os membros daquela família. Lisandra não se importava com isso e, pelas suas leituras, sabia que, quanto mais se tenta fugir de uma previsão, mais perto ela estará de se cumprir.
Marta, contudo, estava especialmente cabisbaixa.
A volta para casa foi algo funesto. O clima estava fúnebre. A matriarca parecia realmente abatida. Lisandra, no entanto, não acreditava nisso. Não, não, sua mãe não estava abatida, nem aqui, nem na China! Aquela expressão não era abatimento, era outra coisa... Mas... O que seria? A garota não sabia dizer.
A chegada em casa foi um alívio, ao menos para Lisandra: ela odiava aquele clima.
Assim que a família chegou em casa, Marta e Marcos foram para o quarto e se trancaram lá. Lisandra decidiu ficar ali, atrás da porta, escutando a conversa. Afinal, ela sentia que algo muito importante sairia dali. e... Ela não podia perder algo tão importante, podia?
Marta foi quem começou aquele importante diálogo, o qual mudaria, para sempre, a vida de toda aquela família:
_ Não, Marcos, eu não permitirei que essa previsão se cumpra! Eu não posso!
_ O que podemos fazer, Marta? Você sabe tão bem quanto eu que as previsões do Oráculo sempre se cumprem! Nós não temos escolha!
_ Sim, nós temos! Eu não terei esse garoto!
_ O quê? Como assim?
_ Conheço um consultório de médicos feiticeiros que são especialistas em aborto... Pedirei a eles que tirem o garoto. Eu terei só a menina.
_ O quê? Você vai matar o garoto? Mas... Você não pode!
_ Sim, eu posso e, sim, eu o farei!
_ Não, você não pode! Isso é crime! Você não pode fazer isso!
_ Não há outra opção, Marcos!
_ Sim, há várias! Nós só não estamos conseguindo ver agora! Certamente nós encontraremos uma solução! Podemos criá-los juntos, podemos fazer com que os dois se gostem mais que tudo, podemos...
_ Já chega! Eu não permitirei que nada estrague os meus... Digo... Eu não permitirei que os meus filhos se matem!
_ Bem, faça como você quiser. Aliás, é sempre assim mesmo, não é? Tudo acontece sempre da forma como você quer... Eu te amo demais para impedir que você cometa suas loucuras... Mas alguém deveria impedir.
Lisandra não ouvia mais nada. Não, isso não era possível! Marta queria matar o próprio filho? Não, Lisandra não mais a considerava uma mãe.
Agora, o que preocupava a garota era... Como ela impediria aquela atrocidade? Como ela poderia salvar a vida do irmão, o qual ela tanto amava, mesmo antes de conhecer? Como?
Diante de um problema tão grande, Lisandra foi para seu quarto e fez o que ela sempre fazia, o que ela tanto gostava: leu. Sim, leitor, ela leu muito, ela buscou em cada livro que tinha uma solução. Sabe? Geralmente, a solução sempre está nos livros, porque eles são o legado dos nossos antepassados para nós, eles são os lugares onde o conhecimento da humanidade é armazenado. É claro que, na época de Lisandra, os livros são digitais, estão guardados no computador... Entretanto, ainda assim, continuam sendo livros.
E, como sempre, Lisandra Sólen, a garota prodígio, a menina mais inteligente do universo, obviamente, achou a solução para o problema. Rapidamente, ela criou um plano de ação e o colocou em prática.
Saindo do quarto, a garota prodígio foi buscar por Marta e, não foi difícil encontrar: a matriarca estava no mesmo quarto onde ela havia decidido pela morte de um dos seus filhos. Sim, leitor, o aborto é um assassinato, porque tira a vida de uma criança, ou a oportunidade de que ela viva. Você, é claro, pode discordar de mim... Contudo, não poderá negar o que eu disse e repito: o aborto tira a vida de uma criança, ou a oportunidade de que ela viva.
Lisandra colocou no rosto uma expressão muito inocente e sorridente e se aproximou de Marta, perguntando:
_ Mãe, posso ver os bebês?
_ Isso não será possível, garota. _ Marta respondeu, seca como sempre. _ Você bem sabe que eu tenho mais ou menos um mês de gravidez e, você não poderá ver nem sentir nada!
_ Mas... Posso tocar assim mesmo? Quero ao menos tentar sentir os bebês! _ Lisandra retorquiu, com a mesma expressão inocente, mas também com uma cara de determinação no rosto.
Marta percebeu que, caso ela negasse o que a filha queria, a garota insistiria e, isso não seria nada bom. Se, porém, ela aceitasse, Lisandra a deixaria rapidamente em paz. Então, a matriarca tomou a decisão mais lógica para ela:
_ Se eu deixar você tocar no meu ventre e tentar sentir os bebês, você me deixará em paz, certo?
_ Claro! _ Lisandra respondeu, sorridente. Afinal, ela sabia que havia conseguido o que desejava.
_ Então, vá em frente. _ Marta autorizou, sem saber que, a partir dali, seus planos seriam completamente destruídos.
Lisandra se aproximou mais e tocou no ventre de Marta. Em seguida, a garota enunciou, com muita emoção em sua voz:
_ Rit wit protetio!
Marta ficou confusa... Lisandra estava tentando realizar um ritual? Ou apenas brincava de fazer magia? A matriarca decidiu que uma garota de quatro anos e alguns meses jamais poderia realizar um ritual; então, ela zombou:
_ Brincando de magia, Lisandra?
A garota, por sua vez, ignorou o que a matriarca disse e continuou:
_ Mel _ ela chamou.
E, quando chamou, sentiu como se o espírito do irmão lhe désse atenção, sentiu como se ele a olhasse (com os olhos do espírito) com uma curiosidade tão inocente e infantil, que Lisandra ficou ainda mais emocionada do que ela já estava.
Ela prosseguiu:
_ Yectec egy lisan, culan escutum wit edy lisan; yectec egy lótan, culan escutum wit edy lótan; yectec egy megan, culan edy protetio!
Nessa hora, Lisandra sentiu o olhar do espírito do irmão sobre ela, sentiu a emoção daquele espírito, sentiu-se analisada. Ela, claro, não se intimidou com aquele olhar penetrante sobre ela e seguiu:
_ Fekec egy edy lisan ik eg edy gurguiec Fidélis, mora ik protetio!
Agora sim, Lisandra se sentia realmente analisada e julgada. O espírito do irmão parecia ver profundamente, até mesmo dentro da alma de Lisandra, e parecia também julgar se ela era ou não digna do que pretendia. Lisandra sabia que o que ela pedia era algo muito grande, mas sabia também que seria o melhor para o irmão. Afinal, se ela não conseguisse, se ele a negasse o pedido, tudo estaria perdido para ele.
Após um tempo razoável de análise e julgamento, Lisandra sentiu-se pré-enchida com uma energia calorosa e poderosa percorrendo o seu corpo; ela sentiu como se uma vida fosse depositada em seus cuidados... Ah, sim, o espírito do irmão havia aceitado o pedido dela: agora ele sobreviveria, sem dúvidas!
Lisandra, então, agradeceu mentalmente ao espírito do irmão e encerrou o ritual, dizendo:
_ Yec!
Então, ela sentiu como se o ritual tivesse sido terminado com êxito. E, realmente, ele o foi.
Marta sentiu como se perdesse algo muito importante, mas ela não sabia o que era. Enquanto o ritual era feito, a matriarca sentiu a magia no ar; no entanto, ela se recusava a acreditar que uma garota de quatro anos e alguns meses fosse capaz de realizar um ritual e, ainda, em outra língua! Não, aquele ritual não deu certo, certamente! Aquele ritual foi só uma brincadeira de criança... Não é?
O que Marta não sabia, mas descobriria muito em breve, é que sim, o ritual havia dado muito certo. E Lisandra sabia: por isso, ela foi para o seu quarto, toda sorridente.
No dia seguinte, Marta foi ao consultório da Doutora Venéssia. Ela havia marcado horário no dia anterior e, além disso, Venéssia era grande amiga de Marta. Chegando lá, a matriarca foi cumprimentada pela amiga:
_ Olá, Marta! Que bom te ver! O que traz você aqui?
_ Bom, Venéssia, é que... Ontem, fui ao Oráculo... Pra saber sobre o destino dos bebês, sabe?
_ Sim...
_ Bem, e... A previsão não foi nada boa... E... Eu... Eu quero abortar um dos bebês... O garoto.
_ Bom, se é isso, posso resolver rapidinho! Chamarei meu funcionário... O Rubem, sabe? Ele é o maior especialista em abortos e, certamente, conhece um feitiço perfeito para fazer o que você quer! E, claro, eu acompanharei todo o processo, só para garantir que você fique bem. Um momentinho, que vou chamar o Doutor Rubem...
_ Sim.
Venéssia disse, então:
_ Computador, chame o Doutor Rubem!
_ Sim, Doutora Venéssia. _ O computador respondeu.
Após alguns segundos, o computador voltou a dizer:
_ Doutor Rubem na linha, Doutora Venéssia.
_ Excelente! _ Venéssia exclamou. _ Doutor Rubem? Pode vir aqui agora, por favor?
_ Claro, Doutora Venéssia. _ O médico respondeu.
Após algum tempo, Rubem chegou à sala onde estavam Marta e Venéssia; a médica falou:
_ Bem, Doutor Rubem, minha amiga aqui quer tirar um dos bebês que ela espera... Ela espera gêmeos bi vitelinos... Um casal, para ser mais preciso. Ela quer tirar o garoto. Você pode fazer isso agora?
_ Sim, DoutoraVenéssia, farei isso agora mesmo! _ Rubem respondeu.
_ Bom! Eu acompanharei o processo, pra garantir que a Marta fique bem. Eu poderia fazer o aborto eu mesma, é claro, mas prefiro que você o faça, porque, assim, posso ir acompanhando tudo, para o caso de algo dar errado.
_ Sim, Doutora Venéssia.
Rapidamente, tudo ficou pronto para o ritual. Venéssia foi explicando o processo, enquanto Rubem aprontava as coisas:
_ Bem, Marta, o processo é o seguinte: faremos um ritual de transferência de vida e, com ele, você transferirá a vida do seu filho para o Doutor Rubem.
_ Como assim, “transferir vida”? _ Marta questionou.
_ Bom... Toda mãe tem a vida do filho em suas mãos _ explicou Venéssia. _ Quando os filhos vão crescendo, a mãe vai perdendo pouco a pouco a vida do filho... Contudo, mesmo quando a prole chega à maioridade, um pouco da vida dela permanece sempre com a mãe, até que a progenitora morra. Quando o bebê ainda está no útero, ele é extremamente frágil e sua vida está quase totalmente com a mãe. Em alguns casos, a mãe pode transferir a vida do filho para outra pessoa, para proteção dela e do bebê. Conta-se por aí que, em Amazon, foram registrados alguns casos de transferência de vida feita sem o consentimento da mãe... Dizem que isso foi feito com o consentimento do espírito do bebê... Todavia, nós, aqui na Terra, nunca vimos isso, nem tivemos comprovação. Então, em minha opinião, tudo isso é apenas lenda. Você entendeu, Marta?
_ Sim, creio que sim.
_ Ótimo! Então, de volta ao ponto... Você transferirá a vida desse bebê para o Doutor Rubem, através de um ritual de transferência de vida. Em seguida, o Doutor Rubem fará um ritual de sacrifício, entregando a vida do bebê ao inferno. Você entende?
_ Sim, entendo.
_ Lamento, mas... O único ritual de morte de feto que temos é esse... Eu gostaria de entregar a vida do bebê ao Céu, mas, o Céu não aceitaria isso, aceitaria?
_ Esse garoto não merece o Céu, Venéssia. _ Marta falou, veemente e seca.
_ Ótimo! _ Venéssia ficou feliz. _ Pensei que você amasse o garoto, de alguma forma...
_ Não, eu não o amo, de modo algum! Ele tem que morrer e, se você pode mandá-lo ao inferno, para mim, melhor ainda!
_ Muito bem! O Doutor Rubem já aprontou tudo. Agora, começaremos o ritual. Você está pronta, Marta?
_ Sim, eu estou.
_ Então, vamos lá! Doutor Rubem, vá em frente!
E assim, o Doutor Rubem começou o que seria o penúltimo ritual da sua vida:
_ Ritual de transferência de vida!
E o clima começou a ficar pesado. A sala começou a ficar escura, sombria... E o Doutor Rubem prosseguiu:
_ Espíritos do inferno, concedam-me a oportunidade de tomar a vida do bebê de uma mãe em minhas mãos! Espíritos do inferno, dêem-me o poder!
Marta fez sua parte:
_ Eu, Marta Demoni, entrego a vida do bebê do sexo masculino que está no meu ventre ao Doutor Rubem Álvares Fenercác! Que ele faça com a vida do bebê o que ele quiser!
E Rubem voltou a falar:
_ Eu, Doutor Rubem Álvares Fenercác, aceito a vida desse bebê, tomo a vida desse bebê em minhas mãos!
O clima ficou ainda mais sombrio, mas nem um sinal de magia foi percebido. Mesmo assim, o Doutor Rubem concluiu o ritual:
_ Que assim seja!
E, nada. Nem um sinal de magia. A única coisa que foi sentido era o clima cada vez mais sombrio daquela sala... Mesmo assim, o Doutor Rubem iniciou o último ritual da sua vida:
_ Ritual do sacrifício do feto!
Agora sim, o clima estava sombrio... Não, não era pouco sombrio, nem muito sombrio, era sombrio de verdade! Duvido, leitor, que você saiba o que é isso... Aliás, duvido que você sequer seja capaz de entender isso. Na verdade, nem eu mesmo sou. Mas a verdade é que o clima estava sombrio, sombrio de verdade!
Ignorando isso, o Doutor Rubem continuou:
_ Eu, como portador da vida do feto do sexo masculino que está no ventre de Marta Demoni, entrego a vida e a alma desse feto a vocês, espíritos do inferno! Façam com o feto o que vocês quiserem, levem o feto à sua morada, façam dele seu alimento e da alma dele sua diversão!
Nesse momento, criaturas sombrias surgiram das dimensões mais inferiores da Terra, dimensões invisíveis aos olhos carnais humanos, mas bem visíveis aos olhos dos espíritos de seres humanos. Os demônios que surgiram tinham garfos, facas, espadas... Enfim, várias armas na mão. Cada um carregava duas armas: uma em cada mão. Na mão direita, a arma variava de demônio para demônio (podia ser uma espada, uma faca, um arco, ou qualquer outra arma); na mão esquerda, todos levavam um garfo. As criaturas eram ridiculamente feias e muitíssimo assustadoras. Elas tinham rosto deformado e seus corpos estavam cobertos de sangue. Elas levavam a morte por aonde iam e sugavam as vidas daqueles que estavam em volta. Dizia-se que apenas feiticeiros sombrios podiam suportar a presença desses demônios, mas nada ainda havia sido comprovado cientificamente.
As dimensões inferiores não podiam ser vistas por olhos carnais, mas aqueles demônios sim, podiam. E eles foram vistos. E o Doutor Rubem tomou a visão daquelas criaturas como sinal de sucesso do ritual. O doutor nem mesmo percebeu a ausência do sinal de magia que indicaria verdadeiramente o sucesso do ritual... Ele nem percebeu que sua vida corria perigo, uma vez que aqueles demônios estavam sedentos por sangue e por energia vital. O Doutor Rubem não percebeu nada e, tampouco Marta e a Doutora Venéssia perceberam. As criaturas se aproximaram do ventre de Marta, a qual não parecia afetada pela presença delas nem um pouquinho.
E assim, sem perceber que algo ia mal, Rubem Álvares Fenercác terminou o ritual, dizendo:
_ Que assim seja!
_ E foi então que, tardiamente, todos perceberam que algo ia mal, bem mal!
Como leões muito famintos, os demônios avançaram para o ventre de Marta. E, nesse momento, um brilhante escudo dourado apareceu, impedindo o avanço dos demônios que, de outra maneira, entrariam no ventre de Marta e tomariam o feto com eles. Os demônios, ao atingirem o escudo dourado, pareceram ser jogados longe e, sentindo muita dor, soltaram um uivo pavoroso. Alguns deles, foram até mesmo destruídos; outros, conseguiram escapar do pior.
Outra vez, os demônios tentaram avançar contra o ventre de Marta; outra vez, eles foram detidos pelo escudo dourado; outra vez, alguns foram destruídos e outros conseguiram resistir. Outra vez, as criaturas soltaram um uivo realmente pavoroso de dor.
Uma terceira vez, as criaturas tentaram e falharam. Uma terceira vez, elas emitiram um uivo pavoroso, que congelou os corpos e as almas de todos os presentes ali.
Irritadas, as criaturas perceberam que não poderiam levar a vida daquele feto. Contudo, uma vida havia sido prometida e, uma vida elas teriam.
Vorazmente, as criaturas avançaram contra o Doutor Rubem. Vorazmente, o corpo dele foi devorado. O sangue do médico cobriu os corpos das criaturas e, a alma do doutor foi levada para as dimensões inferiores. A cena foi, para todos os presentes, pavorosa. E, tal como vieram, de repente, as criaturas se foram, desapareceram. E tanto Marta quanto a Doutora Venéssia ficaram ali, chocadas.
Venéssia não acreditava. Ela ouvia sempre dizer dos casos ocorridos em Amazon, em que a vida do bebê era transferida das mãos da mãe para outra pessoa, sem o consentimento da mãe, mas com o consentimento do próprio espírito do bebê; entretanto, ela jamais imaginou que veria algo similar aqui, no planeta Terra. Mas... Como? Como foi possível? E... Quem? Quem fez isso? Quem conseguiu fazer tal coisa grande, quem foi o autor de tal façanha?
Venéssia não pôde manter mais o silêncio, ela não conseguiu se conter... Ela começou a murmurar:
_ Não... Não pode ser! Eu jamais pensei que... Mas... Como? Eu... Eu não acredito nisso...!!! Quem teria...?
_ O que está acontecendo, Venéssia? _ Marta questionou.
_ A vida do seu filho, Marta, já não está mais em suas mãos! Alguém, de alguma forma, transferiu... Bem... Como eu vou explicar? Ah... Bom... Sabe? A vida do seu filho foi transferida da sua mão para as mãos de alguém mais e... Sem o seu consentimento, Marta.
_ Não! Não pode ser! Não é possível! Isso... Isso não pode ter acontecido!
_ Bem, eu... Eu sei que isso é difícil de acreditar... Sei que é difícil... Nem eu mesma acreditaria... É como eu disse antes: pensei que tal coisa não fosse possível, pensei que essa história fosse só uma lenda, uma falácia... Mas... Mas... Era verdade... Era verdade! Isso... Isso é... É incrível! Mas... Quem? Quem fez isso?
E, nesse momento, Marta se lembrou do dia anterior... A matriarca se lembrou da filha falando aquelas palavras estranhas, daquele sentimento de magia no ar, daquele sentimento de que algo deixava Marta e ia para as mãos de Lisandra... Não! Não podia ser!... Podia?
_ Não! _ Marta expressou em voz alta o que pensava. _ Não pode ser! Ela não pode ter feito isso!
_ Quem? _ Venéssia perguntou. _ Quem, Marta? Quem foi que fez isso? Certamente é um feiticeiro _ ou uma feiticeira _ muito poderoso _ ou poderosa...
_ Não! _ Insistiu Marta. _ Uma garotinha de pouco mais de quatro anos não pode fazer o que uma médica especialista considera uma lenda! Não há como!
_ Uma garota? De... Pouco mais de quatro anos? Quem, Marta?
_ Mas... Não há outra explicação! A única coisa diferente que aconteceu de ontem para hoje foi isso! Mas... Não pode ser verdade!
_ Quem, Marta? _ Venéssia insistiu na pergunta, na tentativa de tirar a amiga do transe no qual Marta se encontrava.
_ Lisandra... _ A matriarca sussurrou, como se apenas falar o nome fosse um tremendo absurdo.
_ Lisandra? Sua filha? _ Venéssia questionou, incrédula. _ Mas... Ela só tem pouco mais de quatro anos!
_ Eu sei! Mas... É ela!
_ Não, Marta, não pode ser!
_ É ela, Venéssia! Eu vi! Ontem, ela colocou a mão no meu ventre e... Disse algumas coisas e... Eu senti como se a magia estivesse fluindo, como se estivesse por todo o ambiente... Eu tentei, mas não pude mudar de posição, não pude tirar a mão de Lisandra da minha barriga... Sim, Venéssia, é ela! Eu sei! Tudo indica que ela fez algum ritual em alguma língua estranha e... Droga! Nem eu mesma quis acreditar! Nem eu mesma queria ver! Mas... É ela! Eu sei! Não tenho dúvidas! É ela! É aquela fedelha maldita! Droga!
_ Nossa! Então... Incrível! _ Venéssia estava pasmada. _ Bem, essa garota deve ser realmente poderosa, Marta!
_ O quê? Uma garotinha de pouco mais de quatro anos? Não, duvido muito! Foi sorte, na certa! Mas... E agora? O que faremos?
_ Bom, Marta, não há como fazer nada enquanto a vida do seu filho estiver nas mãos de outra pessoa. Por ora, ninguém poderá fazer mal nem a você, nem ao bebê. Você, querida amiga, é, agora, praticamente imortal e intocável. Isso, claro, é ótimo! O ruim é que o bebê também é praticamente imortal e intocável enquanto estiver no seu ventre, nem mesmo você pode lhe fazer mal. E... Só há uma solução, Marta: você precisa fazer com que sua filha desfaça o que ela fez.
_ É claro! Mas... Tenho certeza de que ela se negará... Sempre foi sonho dela ter um irmão e... Você viu do que ela foi capaz para proteger a vida do garoto, não é?
_ Sim, eu vi.
_ Pois é! E agora? Como vou obrigá-la a desfazer o que ela fez? Não posso matá-la, posso?
_ Não enquanto o bebê estiver no seu ventre, não enquanto a vida dele estiver nas mãos dela. Bem... Afinal, deve estar nas mãos dela, não é?
_ Sim, provavelmente sim.
_ Bom,... Sabe? A “magia do controle mental” é proibida... É um dos maiores crimes para um feiticeiro usá-la contra qualquer ser humano... Entretanto, uma mãe pode usar essa magia contra uma filha, em situações extremas... Afinal, usando essa magia, a mãe pode convencer a filha a tomar algum remédio vital para a saúde da garota, não é?
_ Oh! Que interessante!
_ E... Sabe? Você poderia usar essa magia contra Lisandra e, depois, quando o CONFEIT for investigar, você pode alegar que usou a magia para que sua filha tomasse um remédio muito amargo, mas vital para a saúde dela... É claro que eles irão interrogá-la e, provavelmente, ela dirá o contrário, ela dirá a verdade, mas... Como médica, posso atestar que ela não está em plenas condições mentais... Você sabe, não é? A perda do irmão certamente a abalará muito!
_ Excelente! Farei isso hoje mesmo!
_ Mas, Marta, se você não conseguir, eu não poderei fazer nada por você, infelizmente. Você compreende, não é?
_ Sim, claro.
_ Bom, então... Boa sorte!
_ Pra quê? Lisandra é só uma garotinha!
Marta se levantou e foi saindo, quando Venéssia repetiu:
_ Mesmo assim, boa sorte...
E, quando marta havia saído, pouco antes de ela fechar a porta do consultório e deixar Venéssia sozinha, a pensar no que havia acontecido, a médica completou:
_ Você irá precisar, certamente.
É claro que Marta não ouviu e, mesmo que tivesse ouvido, não teria dado a atenção que a afirmação da amiga merecia. Isso, claro, seria a ruína da matriarca. Mas, ela perceberia tarde demais.
Chegando em casa, Marta foi direto ao quarto de Lisandra. A matriarca falou:
_ Você sabe, Lisandra? Hoje, fui a uma médica... A Doutora Venéssia, uma amiga minha.
_ Oh! É mesmo? E... Como vão os bebês? _ Lisandra perguntou, sorridente e com aquela carinha de inocência.
_ Eles estão bem, muito bem, aliás! Sabe? Por causa da previsão do Oráculo, eu gostaria de abortar um deles... Afinal, não quero ver um deles matando o outro, não é?
_ Ah, não se preocupe! As previsões do Oráculo são só isso: previsões. Elas não são reais.
_ O quê? É claro que são reais!
_ Não, elas não são.
_ Já chega! O caso é que não consegui abortar o garoto, por sua culpa!
_ Sério? Fico feliz com isso!
_ Você fez alguma coisa ontem, não é?
_ Sim, eu fiz. Um ritual muito interessante, sabe?
_ Pois bem! Você irá desfazer isso agora!
_ Não, eu não vou.
_ Então, você não me deixa outra alternativa, a não ser...
E então, Marta se concentrou e lançou:
_ [Magia do controle mental!]
_ [Vidate!] _ Lisandra enunciou e, então, um belo espelho apareceu em sua frente. Em seguida, ela lançou: _ [Concatenae!]
O feitiço de Marta bateu no espelho de Lisandra e foi refletido contra a matriarca. Então, Marta se desviou para a direita, a fim de escapar do próprio feitiço, o qual, agora, voltava-se contra ela mesma. E, então, ao se desviar para a direita, Marta foi atingida pelo segundo feitiço de Lisandra (“Concatenae”) e, cordas mágicas, firmes e inquebráveis, indestrutíveis e intransponíveis, prenderam a matriarca.
_ Como...? _ Marta murmurou, incrédula.
_ O que houve, Marta? _ Lisandra zombou. _ Será que, no auge de sua arrogância, você não imaginou que poderia perder um duelo mágico para uma garotinha de quatro anos? Oh! Que pena! Talvez, se você tivesse imaginado, você teria se preparado melhor, não é? Se bem que... Alguém tão débil como você jamais poderia me derrotar, não é mesmo, Marta?
_ Retire seu feitiço agora! _ A matriarca ordenou.
_ Oh! Então, não te ensinaram a ser educada? _ Lisandra continuou zombando. _ Pois bem, eu te ensinarei agora a ser educada e também a ser uma boa mãe! Eu te ensinarei a ser a mãe que você nunca foi e jamais será! Prepare-se, infeliz! Mas, antes, evitarei que você tenha quaisquer outros filhos com a...
E Lisandra lançou, firme:
_ [Maldição do solo infértil!]
O feitiço atingiu duramente Marta e ela sabia, de imediato, que jamais teria outro filho depois que ganhasse os gêmeos. Mas Lisandra ainda não havia acabado...
Em seguida, a garota lançou um encantamento poderosíssimo:
_ {Submita cótan, submita mótan, submita lótan, submita pótan, submita tótan!}
E o encantamento foi muitíssimo efetivo: Marta foi atingida duramente.
A matriarca sentiu que não era mais dona de si mesma, sentiu que não controlava mais a si própria. Era estranho... Seria um encantamento de controle mental? Não, era pior, bem pior! Mas... Não seria proibido?
_ Não, Marta, o encantamento que usei contra você não é proibido... _ Lisandra disse. _ Na verdade, eu não posso usá-lo contra nenhum ser humano de Amazon, nem contra embaixadores de Amazon; no entanto, posso tranquilamente usá-lo contra você, uma vez que você não se encaixa em nenhuma daquelas categorias. Agora, vamos a algumas... An... Regrinhas básicas... Não é? Você, a partir de agora, responderá às minhas ordens e às minhas perguntas diretas dizendo: “Sim, mestra”. Ficou claro?
Aquilo era ridículo! Marta não faria aquilo, jamais! Todavia, antes que ela pudesse sequer perceber, ela já havia respondido:
_ Sim, mestra.
Droga! Aquilo não podia continuar!
E Lisandra prosseguiu:
_ A partir de agora, você cuidará muito bem dos dois bebês! Você se alimentará muito bem, você fará o acompanhamento da gravidez com um médico respeitável... Ah! E... Claro, o médico não pode ser ninguém que você conheça! O médico será alguém que eu mesma escolherei. E... Você será muito cuidadosa com os bebês que estão dentro do seu ventre! Quando você os ganhar, você continuará sendo uma mãe exemplar e cuidando muitíssimo bem deles, até que você possa vir para casa. Você os registrará como Alan Sólen (o garoto) e Almira Sólen (a garota). E, quando você chegar aqui, você entregará o garoto para mim e deixará esta casa. Você se separará no papel do meu pai e ficará apenas com Almira. Você cuidará muito bem dela e não poderá machucá-la, de nenhuma maneira, nem fisicamente, nem emocionalmente, nem psicologicamente, nem espiritualmente, nem de nenhuma forma pensável e imaginável! Você deverá cuidar muito bem dela! Ficou claro, Marta?
_ Sim, mestra. _ Foi a resposta da matriarca.
Droga! Aquilo estava sendo um inferno para Marta! Não, ela não acreditava que havia sido derrotada e humilhada por uma garotinha de pouco mais de quatro anos!
Lisandra seguiu>
_ E... Você não contará a ninguém, de modo algum, nem de maneira direta, nem indireta, o que aconteceu aqui hoje. E, diante das outras pessoas, você me tratará da forma como você sempre o fez, ou seja, com indiferença e desprezo. Mas... Que fique bem claro: você não tocará em mim, em hipótese alguma! Fui clara, infeliz?
_ Sim, mestra.
_ Então, agora... Suma da minha frente, maldita!
Marta queria dizer poucas e boas para a garotinha petulante, ela queria continuar ali, para que a garota visse que a matriarca não obedecia a ninguém, mas tudo o que Marta fez foi dizer:
_ Sim, mestra.
E, em seguida, ela saiu correndo dali, mesmo sem querer.
Os meses se foram como horas e, no dia sete de Janeiro do ano três mil e duzentos, às sete horas e sete minutos, nasceu Alan Sólen e, seis minutos depois, nasceu Almira Sólen. Os bebês nasceram muito bem, muito saudáveis! E, no mesmo dia, Marta voltou para casa...
_ No mesmo dia, escritor? Ah, sim, claro! E o Papai Noel os visitou, não é mesmo?
Ei! Lembre-se de que estamos no ano 3200 d.C!. A tecnologia já está bem mais desenvolvida que a nossa, leitor! Além disso, Marta foi atendida por um médico feiticeiro, o que torna as coisas ainda mais fáceis!
Chegando em casa, Marta entregou Alan para Lisandra e ia saindo, quando a menina ordenou:
_ Espera!
Marta não queria, mas, como ainda estava sob o efeito do encantamento (e ficaria assim por um bom tempo), não teve outra opção, a não ser parar e olhar para trás.
_ Quero ver a menina. _ Lisandra disse.
Marta, então, mais uma vez contra a sua vontade, mostrou Almira para Lisandra. A menina _ agora de quase cinco anos _ lançou em Almira:
_ [Megan wit Gemini!]
O feitiço atingiu a garotinha e uma linha vermelha ligou-a ao seu irmãozinho (o qual estava no colo de Lisandra). A irmã mais velha disse:
_ Lamento, Almira, mas, por enquanto, isso é o máximo que posso fazer por você.
Em seguida, Lisandra ordenou:
_ Agora, vá!
E Marta se foi.
Ao deixar Almira ir com Marta, Lisandra cometia talvez o maior erro de sua vida... Mas, é claro, ela só descobriria isso mais tarde. Almira, tão pequena e tão inocente, sem saber _ obviamente _, havia sido condenada há alguns anos no inferno.
E, ao aceitar cuidar de Alan, ao se propor a cuidar de Alan, Lisandra ganhava uma enorme responsabilidade e perdia mais que sua inocência e sua infância...



Nota do autor:


Bom, aí está o prólogo! E aí? Gostou?


Abaixo, vou publicar um pequeno dicionário de Amazon. O objetivo é que você possa tentar traduzir os rituais e magias do prólogo e do primeiro capítulo. O dcionário não está completo: ele só tem algumas palavras, mas, tem tudo o que você precisará para traduzir magias e rituais do prólogo e do capítulo 1. Quem traduzir o ritual que Lisandra fez no prólogo vai ganhar um capítulo da história antes que eu publique no site, antes de todo mundo. Bom, vamos ao dicionário.


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Ac: Sufixo indicador de tempo passado. Todo verbo que contenha esse sufixo terá de perder o “y” (indicador de infinitivo) e estará no tempo pretérito. O modo verbal (subjuntivo, indicativo ou imperativo) deverá ser descoberto pelo contexto. O contexto indicará também se o pretérito é perfeito, imperfeito ou mais que perfeito.


Concatenae: Prisão da qual não se pode sair, de modo algum; cordas mágicas. Obs: Concatenae é a prisão (ou o sistema prisional) de Amazon.


Cótan: Corpo humano; corpo (como conjunto de pessoas); conjunto; grupo.


Culan: Como; conforme; do modo; forma; de modo; de um modo; de uma maneira; de maneira; de forma.


Ec: Sufixo indicador de tempo presente. Todo verbo terminado em “ec” terá que perder o “y” (indicador de infinitivo) e estará no tempo presente. O modo verbal (indicativo, subjuntivo ou imperativo) terá que ser descoberto pelo contexto.

Eclaire: Luz forte, capaz de cegar qualquer pessoa que a encara. A palavra é usada apenas como magia; este é um feitiço poderoso, que deixa todos os inimigos cegos por um período de tempo que varia de 5 a 15 segundos, dependendo da intensidade com que é lançado e do poder da pessoa que o lança.


Ed: Tu; você.


Edy: Te, a ti; teu, tua; seu, sua (quando usado para segunda pessoa); se (quando usado para segunda pessoa). Obs: “Edy” é pronome de segunda pessoa, usado em todos os casos em que “Ed” não pode ser usado.


Eg: Eu.

Egy: Me, mim, a mim; meu. Obs: O pronome “Egy” é usado em todos os casos em que o pronome “Eg” não pode ser usado.


Ej: Ele, ela.


Ejy: se; seu, sua; lhe. Obs: O pronome “Ejy” é usado em todos os casos em que o pronome “Ej” não pode ser usado.


Em: Nós.


Eny: nos; nosso, nossa. Obs: O pronome “Eny” é usado em todos os casos em que o pronome “Em” não pode ser usado.


Er: Vós; vocês.


Ery: Vos; os (quando usado para segunda pessoa); vosso, vossa; seus, suas (quando usados para segunda pessoa).


Escutum: Escudo; barreira; protetor; colete.


Ez: Eles, elas.


Ezy: Os; lhes; seus, suas.


Feky: Dar; ofertar; oferecer; entregar; conceder.


Fidélis: Fidelidade; exclusividade.


Gemini: Gêmeo(a), gêmeos(as); amor de gêmeos(as); proteção de gêmeos(as). Sent. Fig.: Almas-gêmeas. Obs: Em Amazon, a relação entre gêmeos(as) vai muito além da relação de sangue. Acredita-se que haja uma mítica em relação aos gêmeos.


Gurguiy: Jurar; prometer; pactuar.


Ic: Sufixo indicador de tempo futuro. Todo verbo terminado em “ic” terá que perder o “y” (indicador de infinitivo) e estará no tempo futuro. O modo verbal (indicativo, subjuntivo e imperativo) deverá ser descoberto pelo contexto. O contexto também indicará se o verbo está no futuro do presente ou no futuro do pretérito.


Ik: E (conjunção aditiva).


Lisan: Vida; vivente; aquele(a) que vive; força de vida, energia vital; vital; o(a) mais importante. Sent. Fig.: Esperto(a). Obs: Lisandra significa, em Amazon, aquele(a) que tem mais força de vida. Significa também, paradoxalmente, aquele que se sacrifica por algo ou alguém.


Lótan: Alma; coração.


Megan: Magia; beleza; delicadeza; beleza delicada. Semt. Fig.: menina. Obs: Megan é nome de menina em Amazon. É um nome usado apenas para meninas consideradas belas e delicadas ao mesmo tempo. No passado, foi usado apenas para princesas, mas atualmente é usado geralmente para meninas comuns, cujas mães querem dar status de princesas.


Mel: Irmão.


Mélan: Irmã.


Mora: Amor.


Mótan: Mente; cérebro; pensamento; ente mental. Sent. Fig.: aquele(a) que pensa.


Oc: se (como partícula indicadora de reflexividade ou como partícula de indeterminação do sujeito); si.


Nic: Se (como condicional).


Pótan: Pessoa; pessoal. Sent. Fig.: Ser humano.


Potéris: Poder; força; energia. Sent. Fig.: Poderoso.


Protetio: Proteção; protetor(a). Sent. Fig: Sacrifício feito para a proteção; protetor(a) que se sacrifica para proteger o que protege.


Rec: Que; o qual, a qual, os quais, as quais; cujo, cuja, cujos, cujas; quem.


Rit: Ritual; ritual mágico. Sent. Fig.: Ciclo.


Submita: Submissão.


Submity: Submeter.


Tótan: Total; todo; tudo.


Vidate: Espelho do universo, que reflete a cada um sua própria alma e suas próprias ações, bem como seu próprio poder e suas próprias magias.


Wit: Do, da, dos, das; de.


Yec: Que assim seja. Sent. Fig.: Amém. Obs: “Yec” é usado para terminar rituais mágicos em Amazon.


Yecty: Aceitar; concordar; receber.


Zóc: Mas; contudo; porém; entretanto; no entanto; todavia; embora; mesmo que.



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Bem, é isso. Muitíssimo obrigado pela leitura. Até!

 

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