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Parte IX

 

Data: 14/12/2008
Hora: 16:48:45
Publicado por: luis.campos
Publicado na página: biblioteca_ler

 

Parte IX


Alguns serviçais do terrível e malvado gigante Ogro Torgo presenciaram
os últimos minutos de vida do seu maligno Amo. Ao vê-lo ser comido por
Danyl, explodiram em gritos e palmas de alegria...

- UUUUU PLAC PLAC PLAC HURRA UUUUU PLAC PLAC PLAC HURRA UUUUU VIVA!

Danyl fez uma reverência de agradecimento pelo entusiasmo daquela
gente humilde que sofrera o pão que o diabo amassou nas mãos do tirano
Ogro Torgo e, subindo numa mesa, discursou:

- A partir de hoje vocês servirão ao Marquês de Racabás! Terão um
salário digno, direito à moradia, educação, assistência médica e à
aposentadoria por tempo de serviço!

- UUUUU PLAC PLAC PLAC HURRA UUUUU PLAC PLAC PLAC HURRA UUUUU VIVA!

- Obrigado, Senhoras e Senhores! Agora vamos pegar no batente para
pôr este castelo nos trinques e torná-lo habitável para seu novo Amo
e Senhor! Vamos pintar tudo, limpar, arrumar, trocar roupas de cama,
abrir todas as janelas para arejar o lugar e colocar flores e plantas
em todos os cantos, móveis e mesas!

- Não se preocupe, Senhor Gato... em menos de três linhas este castelo
estará mais limpo do que o bolso do autor dessa novelinha! - disse, em
nome dos demais, um senhor com cara de gente boa.

Dito e feito. O castelo ficou uma belezura... e nem precisou contratar
arquitetos ou decoradoras. Quando a Carruagem Real passou em frente
ao castelo, agora com aspecto de coisa nova e cuidada, o Rei Udib
perguntou a um dos homens que, cantando e sorrindo, cuidavam do jardim
que circundava todo o fosso do castelo:

- Senhor, a quem pertence este belo castelo que nunca vi antes?

- Ao Marquês de Racabás, Majestade! - respondeu o jardineiro.

Ao ver que a carruagem do Rei Udib parara, Danyl foi ao encontro desta
e convidou o rei e sua filha a entrarem...

- Será uma honra para meu Amo, o Marquês de Racabás, a visita de
Vossa Majestade e da Princesa ao seu castelo, embora ele não esteja em
casa no momento!

- Vosso Amo, o Marquês de Racabás, é muito simpático e um bom papo,
mas declinarei do convite pois logo a noite chegará! Dê-lhe meus
sinceros cumprimentos e diga-lhe que minha filha folgaria em vê-lo uma
outra vez!

- O recado será transmitido na íntegra, Majestade!

- Então até uma outra oportunidade, Senhor...

- Meu nome é Danyl, Majestade!

- Então, Senhor Danyl, nos veremos em qualquer linha dessa novelinha!

- Se for vontade do autor, certamente, Majestade!

A Carruagem Real partiu em direção ao castelo do Rei Udib. Danyl,
enquanto esta estivera parada diante do agora castelo do Marquês de
Racabás, observara que a Princesa Asoief olhava tudo à sua volta como
se procurasse alguma coisa ou alguém... e ele sabia a quem seus olhos
buscavam!
Sem perda de tempo, Danyl mandou que preparassem uma carruagem para ir
buscar Iul na sua cabana em Argen, uma das florestas de Satobedotag.
Assim que chegou, contou sua proeza ao amigo e ambos sorriram a valer.
Foi difícil para Danyl convencer Iul a deixar a cabana e ir morar no
castelo que ele conquistara para seu amigo, mas, quando o gato falou
dos olhares que percebera na Princesa Asoief quando esteve em frente
ao castelo que pensava ser do Marquês de Racabás, Iul não pestanejou
e rapidinho arrumou suas poucas coisas e entrou na carruagem, sem
esquecer de dizer ao amigo gato que esta cabana continuaria sendo seu
refúgio. Danyl concordou com o amigo, mas disse-lhe que a Princesa
Asoief estava acostumada ao conforto que seu pai, o Rei Udib, lhe
proporcionava. Nessa noite os amigos conversaram bastante e, no dia
seguinte acordaram quase às onze horas. Iul, conduzido pelo amigo,
conheceu todas as dependências do castelo e aos serviçais. A educação
refinada do rapaz conquistou a todos. O castelo, agora reformado e
limpo, exalava um perfume agradável. As flores e plantas dos vasos
ornamentais davam um toque especial ao ambiente. Durante o almoço, Iul
confessou ao amigo seu amor pela princesa e decidiu que a pediria em
casamento. Danyl gostou da idéia e disse a Iul que iria nesta tarde ao
castelo do Rei Udib para marcar a data do pedido.
O Rei Udib recebeu Danyl com grande pompa e, ao saber a razão da
visita do gato, Asoief não conseguia esconder seu contentamento.
Como Iul era simples, preferiu que o pedido fosse sem festa e a data
do casamento foi marcada e aconteceria no mês das noivas. Enquanto
Iul e Asoief namoravam quase todas as noites, os proclamas e convites
percorriam as terras do Reino dos Campos Livres. Embora Danyl se
sentisse um pouco entediado, prometeu a si mesmo ficar até que o
casamento se realizasse. Na data marcada, toda a corte estava presente
ao evento. A decoração da igreja estava simples e elegante, com vários
tipos de flores brancas, como lírios, rosas e orquídeas. Nos castiçais
de prata, ardiam grandes velas aromatizadas que traziam para dentro
da igreja o perfume dos bosques que cercavam o castelo. A ornamentação
da fachada da capela ressaltava sua arquitetura. Tudo estava muito
bonito e até o sol, ao se pôr, colaborou tingindo o céu de vermelho,
laranja e amarelo sobre aquele pedaço de azul claro, como dissesse que
nesse dia haveria festa no Céu, na Terra e no coração de todos que
amavam a jovem e simpática princesa, seu bondoso pai e agora a Iul,
futuro esposo de Asoief.

O casamento seria celebrado pelo Cardeal Laedrac que, na sacristia,
conversava com alguns nobres enquanto aguardava que a noiva chegasse.
Na nave da capela, Iul e todos que estavam por ali tiveram uma grande
surpresa. Ao entrar na igreja, o Rei Lui Sopmac ao ver Iul conversando
próximo ao altar principal, exclamou boquiaberto:

- Oh, meu Deus... é meu irmão Iul!

As pessoas presentes, observando a semelhança entre o Rei Lui e o cego
Iul, também exclamaram:

- Oh, eles são idênticos!

- Lui, meu irmão querido... há quanto tempo! - exclamou emocionado Iul
com lágrimas nos olhos.

A esta altura do campeonato, digo, do casamento, todo mundo chorava de
emoção pelo reencontro dos irmãos. Lui e Iul, abraçados, choravam aos
borbotões. A noiva ainda não chegara, atrasada como todas as noivas
que se prezam. Dizem que faz parte da etiqueta nupcial, mas que é um
saco, isso é. Enquanto a noiva não chega, vamos aproveitar para ouvir
um pouco mais a conversa entre os irmãos... se o choro deles deixar!

- O que houve, Iul? Por onde você andava, mano?

- Você sabe, Lui, que desde criança sempre gostei de aventuras e de
estar em contato com a natureza... aí saí pelo mundo!

- Mas precisava sumir, Iul? Por que nunca nos deu notícia do seu
paradeiro, mano?

- Ora, Lui... quem vive pelo mundo quer ser livre, quer distância das
convenções, quer fugir dos pesadelos da cidade, quer apenas viver!

- Mas mano, você gostava do nosso castelo e das nossas brincadeiras!

- Mas Lui, nós éramos crianças e, para uma criança, cada dia é uma
nova aventura!

- Quando você sumiu todos ficamos preocupados. Mamãe e papai choraram
de saudade e por falta de notícias suas, por muito tempo!

- E como estão eles, Lui?

- Muito bem, Iul... estão com Papai do Céu!

E ambos choraram mais um pouco. Nesse momento, ao som das trombetas,
conduzida pelo Rei Udib, a noiva adentrava a capela. Lui então disse
ao irmão:

- Vou levá-lo até diante do altar para você receber sua noiva, mano!

- Obrigado, Lui! Conversaremos na festa!

Após deixar o irmão diante do altar, o Rei Lui Sopmac voltou a ocupar
seu lugar junto aos demais padrinhos da noiva. O Rei Udib e a Princesa
Asoief, ao som de um reggae medieval, chegaram ao lado do rapaz. Iul
recebeu A princesa da mão do seu pai e dando-lhe o braço, virou-se
na direção do altar. O Cardeal Laedrac estava apenas aguardando que a
noiva fosse entregue ao noivo para iniciar a cerimônia. O Coral Real,
ao som do Órgão Real, entoou a marcha nupcial... e Danyl, ao ver a
Princesa Asoief, de queixo caído, pensou:

- Oh, ela está linda! Nem parece a princesa que conheci no sétimo
capítulo! O que uma boa maquiagem não faz... e um autor meloso!

Realmente Asoief estava irreconhecível, isto é, estava simplesmente
linda. Mas, como não sou desses que ficam olhando mulher alheia,
voltarei minha atenção para os trajes dos nubentes...
Iul vestia um terno grafite riscado, camisa cinza chumbo e gravata num
tom mais escuro que o da camisa, porém mais clara do que o terno.
Usava sapatos e cinto pretos e meias grafites. Iul estava elegante,
mas quem causava sensação era a noiva. Todos os olhares se voltavam
para ela. Asoief estava impecável. A princesa caprichara no visual e
estava muito bonita. Usava um vestido... o quê? Acabou o capítulo?
Sinto muito, caro leitor, mas vocês só saberão como a princesa estava
vestida no próximo capítulo! Até mais ver!

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Fim da Parte IX
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Luís Campos (Blind Joker)

 

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