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Capítulo XII

 

Data: 14/12/2008
Hora: 16:28:11
Publicado por: luis.campos
Publicado na página: biblioteca_ler

 

Capítulo XII


Luy Sopmac, ainda sonolento, levantou-se e, ao ver Aminim naquela
camisola sexi, abraçou-a carinhosamente e disse:

- Nem acredito que possuí tudo isso!

- Pode acreditar, Lindinho! Eu fui toda sua essa noite!

Luy sorriu, deu um beijinho na testa da moça, vestiu seu roupão e saiu
do quarto. Aminim guardou a pequena camisola na bolsa, vestiu uma
roupa esportiva que trouxera, sentou-se ao tocador, penteou os cabelos,
passou alguns pós no rosto, um pouco de perfume e sorriu para sua
imagem refletida no espelho...

- Você é demais, Mínima! Hihihihihi!

Alguns minutos depois, uma Camareira Real batia à sua porta...

* TOC TOC TOC!

- Entre! - gritou Madame Mínima, educadamente.

- Com vossa licença, Senhora Embaixatriz!

- Pois não, Lindinha!

- Nosso rei manda avisar que vossa carruagem está à vossa espera!

- Estou pronta, Querida!

- Eu estou aqui para acompanhá-la, Madame!

- Obrigada, moça! Então vamos!

- Posso pegar vossa bagagem?

- Sim, por favor!

A camareira pegou a pequena maleta de Mínima e a acompanhou pelos
corredores e escadas do castelo até à imponente carruagem lilás de
Mínima. Ela entrou no veículo e ordenou ao pequeno cocheiro...

- Vamos, Lole! Para casa!

- É pra já, Patroazinha! - respondeu o gnomo Lole.

Até a carruagem ultrapassar o portão principal do castelo, o povo
aplaudia, acenava e jogava pétalas de rosas. Ao ver essa demonstração
de carinho, certamente a pedido de Luy Sopmac, Madame Mínima sentiu
um pouco de remorso pelo que fizera ao simpático monarca, mas logo o
sentimento passou...

- Ah! Ele não me enganou? Estou só pagando na mesma moeda!

Da janela dos seus aposentos reais, Luy acompanhou o deslocamento da
carruagem até que esta desapareceu numa curva da estrada...

- Será que ela voltará? - pensou Luy Sopmac, já saudoso.

Como a vida e o espetáculo tem que continuar, o rei tomou seu café e
foi pro Gabinete Real trabalhar. Após umas duas horas de trabalho, Leo
Nard, o Tratador Real, entra esbaforido porta a dentro...

- Majestade, Majestade!

- Isso é jeito de entrar, Leo Nard?

- Desculpe-me, Majestade... mas estou muito nervoso!

- O que o deixou nervoso? Seu salário está atrasado?

- Não é isso, Majestade... algo muito pior!

- O que pode ser pior do que atraso salarial, Leo Nard? Os juros?
O governo do Lula? As safadezas políticas? A insegurança reinante? Os
planos de saúde? Essa novelinha?

- Nada disso, Majestade! Por favor, me acompanhe e verá com seus
próprios olhos!

- Está bem, Leo Nard! Vamos lá!

Os dois homens saíram do gabinete, atravessaram corredores, desceram
escadarias e chegaram ao quintal. Leo Nard ia na frente e dirigiu-se
ao Criptozoológico Real...

- Veja isso, Majestade!

- Caramba! Derreteram duas barras do portão de entrada... vou prender
o Ferreiro Real... deve ter comprado ferro vagabundo!

- O Ferreiro Real não tem nada a ver com isso, Majestade!

- Como não, Leo Nard! Ele fez um serviço de amador!

- Já o trouxe aqui, Majestade, e testamos as demais barras!

- Então como isto aconteceu?

- Ainda não sabemos, Majestade!

- Talvez uma das criaturas, Leo Nard?

- É possível, Majestade, pois aquele dragão verde-rosa desapareceu!

- Como?

- Pois é, Majestade... ele derreteu o cadeado da jaula e desapareceu!

- Dragãozinho traidor! Ainda o pego de novo!
Se é só isso, Leo Nard, diga ao Ferreiro Real pra consertar esse
portão e fazer um novo cadeado!

- Tem mais uma coisinha, Majestade!

- Tem? O quê?

- Venha comigo e verá, Majestade!

Luy Sopmac, mais uma vez, seguiu o Tratador Real. Quando eles chegaram
em frente à jaula treze, o rei tomou um susto...

- O que é isso, Leo Nard?

- É o que Meu Rei está vendo!

- O que esse passarinho verde, esse jabuti e esse cachorro estão
fazendo aí dentro? Cadê o Tridog?

- Não sei, Majestade... só sei que, ao trazer a comida do Tridog,
encontrei esses três bichos aí dentro!

- Como pode ser isso, Leo Nard? Será que o Tridog estava com o prazo de
validade vencido? Vamos agora mesmo ao PROCON!

- Isso não é possível, Majestade!

- E por que não, Leo Nard?

- Vossa Alteza não tem a nota fiscal da criatura, Majestade!

- É mesmo, Leo Nard! Esqueci que o roubei da Mínima! Hahahahahahaha!

- E por falar na Madame Mínima, Majestade, esse cachorro falouno
nome dela pros outros.

- Falando da Madame Mínima? O quê, Leo Nard?

- Falando que ela era a culpada de tudo!

- Como assim, Leo Nard?

- Ele disse que ela passou por aqui nessa madrugada e transformou eles
nesses bichinhos!

- Nessa madrugada? Eu não ouvi qualquer barulho estranho essa noite!

- Enem poderia, Majestade! Com um avião daquele no quarto, a gente só
escuta suspiros, Majestade! Hahahahahaha!

- Isso é verdade, Leo Nard! Hahahahahaha!
E por falar nisso, onde você estava que não viu a Madame Mínima entrar
aqui?

- Eu estava de vigia, como sempre, Majestade! Acho que ela me jogou
um feitiço pra eu não ver nada, Majestade!

- É mesmo, Leo Nard! A Mínima é muito poderosa!

- Escapei por pouco! - murmurou Leo Nard.

- Disse alguma coisa, Leo Nard?

- Não, Majestade... apenas praguejava contra Madame Mínima!

- Ah! Leve esses bichos horrorosos pras masmorras, Leo Nards... vou
extrair deles a verdade!

- Que é isso, companheiro real? E os nossos direitos? - gritou o
jabuti.

- Eu o processarei junto ao IBAMA! - gritou o passarinho verde.

- E eu o entrego ao Ministério Público, seu rei de florzinha! - gritou
o cachorro.

- O naipe é Paus, companheiro buldogue!

- Eu sei, seu passarinho pardal!

- Se sabe por que falou florzinha?

- Olhe o jeitinho desse rei, amigo jabuti! - falou o buldogue.

- Cachorro não olha pro rabo! - disse o pardal.

- O que você quer dizer com isso, seu passarinho verde? - perguntou o
buldogue.

- Nada não, companheiro... deixe pra lá! - respondeu o pardal.

- Parem com essa discussão tola!

- O companheiro real se retou, companheiros! - disse o jabuti.

- O que estes inúteis fizeram até agora, Leo Nard?

- esse passarinho passou a manhã comendo, o jabuti falando abobrinhas
e o cachorro lendo um jornal velho toda a manhã!

- Pegue os três e os jogue no fosso que circunda o castelo, Leo Nard!

- Esse fosso é mais sujo do que o Tietê, Majestade!

- Não importa, Leo Nard! Se o paulista pode conviver com a poluição do
Tietê, por que estes bichos não podem viver no nosso fosso?

- O companheiro não pode fazer isso conosco! - disse o passarinho.

- Eu não sei nadar, seu rei abestado! - disse o cachorro.

- Por mim, tudo bem! - disse o jabuti.

- Não me interessam seus problemas, já tenho os meus! Leve-os!

O Tratador Real tirou os três da jaula, os levou até o portão dos
fundo e os jogou dentro do fosso...

* SPLACH! TCHIBUM! SCRWMB!

- - -

Fim deste capítulo.


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Luís Campos (Blind Joker)

 

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