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Projetos de vida
| Data: | 00/00/0000 |
| Hora: | 11:10:47 |
| Publicado por: | ederson |
| Publicado na página: | biblioteca_ler |
"cada um consegue seus objetivos organizando um projeto de vida."
Marta via a lojinha criada com sua mãe crescendo rapidamente. Em questão de pouco tempo a loja já dominava toda a região e rendia muito lucro para as duas.
Marta guardava cada sentavo conquistado, para traçar o que seria da sua vida futuramente.
Certo momento, ela começou a conversar com a mãe e lembrou-se do que ela havia dito antes delas planejarem o projeto da abertura da loja:
_Mãe, você se lembra do que você tinha me dito antes da gente começar a trabalhar com a loja? Que "imagina se uma camponesa poderia ser dona de alguma coisa?"
_Sim, lembro sim, fia. Acho que realmente você tinha razão. Aliás, fui tão errada que até eu entrei nessa brincadeira, né?
As duas riram olhando fixamente uma para a outra.
O nome da doceria, como acabou sendo chamada pelo povo da região, ficou sendo “Casa dos Doces M. I.”.
Por causa dos rendimentos financeiros que a loja trazia, elas conseguiram transformar a casa, que era de apenas dois cômodos, em uma enorme casa, com sala, cozinha, 2 quartos com banheiro e uma ampla varanda. Definitivamente tudo havia mudado naquela família.
As vendas na doceria cresciam com tanta rapidez e surpresa, que as duas foram forçadas a começar a contratar pessoas para serem funcionárias da loja. A partir daí, passou a ser vendido todo tipo de doces que se podia imaginar. Doces industrializados como pé-de-moleque, doce de leite, goiabada, etc, como também doces mais caseiros como bombas de chocolates, entre outros.
Certo dia, Marta estava na loja trabalhando, quando entrou um rapaz querendo comprar doces.
_Quanto que é uma bomba de chocolate?
Ela disse o preço.
_Me dá uma bomba de chocolate para viagem, por favor?
_Sim, senhor, disse Marta.
Marta foi até onde estavam guardados os doces para vender. Trouxe a bomba de chocolate para o rapaz.
De repente, viu-se olhando fixamente para o seu novo cliente:
_Qual é o seu nome? Disse ela.
_Juliano. E o seu?
_Marta.
_Você que comanda essa maravilha aqui?
_Sim, eu e minha mãe.
_Nossa! Parabéns! Uma menina nova e já comandando uma das melhores docerias da região? Parabéns!
_Muito obrigado. Você é novo por aqui?
_Na realidade, vim aqui a trabalho, não sou daqui.
_Ah é? E você é de onde?
_Sou de São Paulo.
_Ah que legal! Sabia que eu sempre tive curiosidade de conhecer São Paulo?
_É mesmo? Lá é uma cidade bem grande, tem muito barulho e gente por todos os lados. O dia que você quiser, você pode ir e ficará hospedada em minha casa.
_Poxa muito obrigada. Se bem que a correria aqui é tanta, que nem sei quando vou poder pensar em passear.
Ela entregou a bomba de chocolate embrulhada para viagem ao rapaz.
_Obrigado Marta.
_Por nada, lembre de mim quando aparecer aqui na cidade e aproveite para comprar nossos doces, viu?
_Ah, pode deixar!
Juliano saiu da loja.
Marta se descobriu a pensar naquele rapaz, o que ele faria ali, qual seria o serviço dele, se era casado, se tinha filhos. A mente dela era um turbilhão de pensamentos.
Comentou dele para a mãe:
_Ah, eu achei o moço muito legal, mãe.
_Chi.... Acho que ocê levou foi uma flechada do cupido, não é mesmo minha fia?
_Ai mãe, não me venha com besteiras!
Bem que no fundo a mãe tinha razão. A medida que os dias se passavam, ela sempre torcia para que Juliano estivesse na cidade, queria tomar um sorvete ou até mesmo um refrigerante com o rapaz, parecia que de tempos em tempos a imagem e o diálogo que os dois tiveram na loja reapareciam na mente dela.
Alguns dias depois do ocorrido, aquela mesma luz forte voltou a aparecer na frente de Marta. Antes que ela visse o vulto, ela já logo indagou:
_Papai?
O vulto apareceu.
_Já ta ficando bem espertinha hein? Disse senhor Osmar a filha.
_É, mas nem tudo consigo decifrar né papai?
_Sim, afinal nenhum ser humano é perfeito. Parabéns pelo teu fabuloso destino na tua loja, viu?
_Obrigada papai, foi o senhor mesmo que me disse que eu seria mesmo uma grande mulher. Quem sabe esse não é o começo.
_Sim, esse é apenas o começo, fia. Tem uma pessoa que cruzou o teu caminho que não pára de pensar em você.
_É mesmo? Será que é ele? O da bomba de chocolate?
_Ele mesmo! Um dia você irá encontrar com ele.
_Mas papai, onde eu posso encontrá-lo? Como eu posso falar com ele?
_Tua loja mostrará o tempo certo de falar com o rapaz. Aguarde a hora certa.
_Como assim papai? Papai! Papai!
O vulto desapareceu do nada. Novamente as palavras do pai ficaram soando como um eco no seu consciente.
Ela começou a imaginar como seria o encontro dos dois na loja.
_”Será que ele vai lembrar de mim? Ou será que ele nem vai me dar um oi....” pensou ela.
A vida da família continuava nos projetos da loja.
Toda a redondeza da cidade comentava dos tais doces, que eram uma delícia, que a menina dona da loja era bem novinha, etc.
Passado 1 mês, Marta teve uma surpresa:
_Olá Marta, tudo bem?
_Juliano? Você por aqui?
_Sim, vim resolver algumas coisas em Rio Preto, aproveitei para dar uma visitada na sua loja.
_Poxa que bom! Entre! Escolha o que você quiser.
Ela saiu saltitante e feliz como nunca tinha se sentido. Voltou minutos depois e veio falar com ele:
_Veio novamente a trabalho?
_Sim, a empresa que eu trabalho tem uma filial aí em Rio Preto e, conseqüentemente, tenho que vir aqui. Daí, sempre tenho que deixar a minha querida casa sozinha e tenho de vir trabalhar, né?
_”Então ele mora sozinho”, pensou ela.
_Ah sim. Mas você não tem ninguém que te ajude a cuidar da casa?
_Não, moro sozinho. Se bem que me faz falta alguém comigo. Não só pra cuidar da casa, como também pra sair, uma companhia legal, sei lá, preciso arranjar uma namorada.
_Ah sim, acho que todos nós precisamos de alguém, não é mesmo? Deve ser horrível morar sozinho em uma casa.
_Com certeza.
_Marta, você se encomodaria se eu te convidasse para tomarmos um sorvete juntos mais tarde, quando você fechar a loja?
_Claro que não! Ficaria muito feliz em aceitar o convite. Isso se não for te atrapalhar, é claro.
_Claro que não! Tenho um amigo que mora aqui perto e aí eu venho te buscar quando acabar o espediente.
_Ah tudo bem então. Ah! O que você quer de doces hoje? Eu já ia me esquecendo!
_Me dá um pote pequeno de pé-de-moleque e uma bomba de chocolate. Meu amigo não pode comer chocolates, então vou levar o pé-de-moleque a ele.
_Ah, tudo bem, vou pedir pra arrumar a bomba pra você. O pé-de-moleque ta aí na prateleira, é só pegar.
Juliano pegou o pote do doce e ficou aguardando o seu outro pedido.
Ela voltou com a bomba embrulhada nas mãos.
_Pronto, aqui está.
_Obrigado Marta, volto mais tarde, tudo bem assim?
_Está ótimo!
Juliano se foi.
Marta aguardava com muita ansiedade o sorvete da noite.
Na loja, a jovem pensava:
_”Meu Deus, esse lugar tá ficando pequeno pra tanta gente! Meu primeiro sonho já está realizado. Qual será meu próximo projeto de vida?”
Será que surpresas acontecerão daqui pra frente na vida de Marta? E as dicas do pai, terão muita importância para ela?
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