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Atualizado: 2 horas 13 minutos atrás

CD com gravação do show 'Trinca de ases' é duplo e inclui as 25 músicas do roteiro

ter, 03/06/2018 - 06:00
Capa do CD 'Trinca de ases', de Gilberto Gil, Nando Reis e Gal Costa Divulgação O álbum com a gravação do show Trinca de ases é duplo e apresenta o registro integral do espetáculo que reúne Gal Costa, Gilberto Gil e Nando Reis. O disco tem lançamento programado para 16 de março pela gravadora Biscoito Fino. Assim como o DVD, o CD (capa acima) alinha todas as 25 músicas do roteiro estruturado por Marcus Preto com base nos cancioneiros autorais de Gil e Nando, parceiros em Tocarte, uma das três músicas inéditas apresentadas no show (as outras duas são Dupla de ás, de Nando, e o rock que batiza o show, Trinca de ases, composto por Gil). Eis, na ordem do CD e do DVD gravados ao vivo em São Paulo (SP) em apresentação feita pelo trio em 25 de novembro de 2017, as 25 músicas captadas na turnê que percorre o Brasil desde agosto de 2017 e que segue para Europa neste mês de março de 2018: 1. Trinca de ases (Gilberto Gil, 2017) 2. Dupla de ás (Nando Reis, 2017) 3. Palco (Gilberto Gil, 1980) 4. Baby (Caetano Veloso, 1968) 5. All star (Nando Reis, 2000) 6. Espatódea (Nando Reis, 2006) 7. O seu lado de cá (Nando Reis, 1995) 8. Esotérico (Gilberto Gil, 1976) 9. Cores vivas (Gilberto Gil, 1981) 10. Água-viva (Nando Reis, 2016) 11. Retiros espirituais (Gilberto Gil, 1975) 12. Copo vazio (Gilberto Gil, 1974) 13. Meu amigo, meu herói (Gilberto Gil, 1980) 14. Pérola negra (Luiz Melodia, 1971) 15. Relicário (Nando Reis, 2000) 16. Refavela (Gilberto Gil, 1977) 17. Ela (Gilberto Gil, 1975) 18. Tocarte (Gilberto Gil e Nando Reis, 2017) 19. Dois rios (Samuel Rosa, Nando Reis e Lô Borges, 2003) 20. Lately / Nada mais (Stevie Wonder, 1980 / Versão em português de Ronaldo Bastos, 1984) 21. Por onde andei (Nando Reis, 2004) 22. Nos barracos da cidade (Gilberto Gil e Liminha, 1975) 23. O segundo sol (Nando Reis, 1999) 24. A gente precisa ver o luar (Gilberto Gil, 1980) 25. Barato total (Gilberto Gil, 1974)

Teresa canta fox de Noel em disco feito com Sete Cordas sob direção de Caetano

ter, 03/06/2018 - 00:02
Fox-canção composto em 1931 pelo carioca Noel Rosa (1910 – 1937) em parceria com o conterrâneo Eratóstenes Frazão (1901 – 1977) e lançado em disco em 1933 na voz do cantor mineiro Castro Barbosa (1909 – 1975), Julieta é uma das pérolas raras pescadas pela cantora carioca Teresa Cristina no baú do Poeta da Vila para o disco e o show que lança neste mês de março de 2018. O álbum Teresa Cristina canta Noel chega ao mercado fonográfico a partir da próxima sexta-feira, 9 de março, com 14 músicas do compositor, gravadas pela cantora com o toque do violão de Carlinhos Sete Cordas – com Teresa na foto de Fernando Young – sob a direção musical de Caetano Veloso. Lançado dois anos após o álbum Teresa Cristina canta Cartola (2016), primeiro título de trilogia que será fechada com disco dedicado ao repertório do compositor carioca Nelson Cavaquinho (1911 – 1986), o álbum Teresa Cristina canta Noel tem a participação do sambista carioca Mosquito, com quem a artista divide a interpretação de Minha viola, música de sotaque caipira composta por Noel em 1929, sem parceiros, e lançada em disco em 1930 na voz do próprio autor. Com ritmo marcado na alta velocidade da embolada, Minha viola é veículo para Mosquito exercer as notórias habilidades de partideiro. A cantora Teresa Cristina Divulgação / Fernando Young Outra música menos conhecida do cancioneiro de Noel revivida por Teresa Cristina é o samba Seja breve, de 1933. Dentre os sucessos do Poeta da Vila, Teresa Cristina rebobina no disco o samba-choro Conversa de botequim (Noel Rosa e Vadico, 1935) – faixa já previamente lançada em fevereiro como primeiro single do álbum – e o samba-canção Feitio de oração (Noel Rosa e Vadico, 1933), além dos sambas Gago apaixonado (Noel Rosa, 1930), Positivismo (Noel Rosa e Orestes Barbosa, 1933), Onde está a honestidade? (Noel Rosa, 1933) e O X do problema (Noel Rosa, 1936). Na sequência quase imediata do lançamento do álbum, viabilizado pela empresa Uns Produções, a cantora inicia em 21 de março, na cidade natal do Rio de Janeiro (RJ), a turnê nacional do show Teresa Cristina canta Noel – Batuque é um privilégio.

Marina Iris levanta bandeiras em 'Rueira' ao cantar Rodrigo Lessa e Manu da Cuíca

seg, 03/05/2018 - 09:53
"Eu falo o que acho / Levanto bandeiras / E corro pro abraço / E rasgo coleiras", se apresenta Marina Iris no samba arretado que dá título ao álbum lançado pela cantora carioca neste mês de março de 2018, Rueiras (Biscoito Fino). De fato, ao levantar bandeiras de lutas e afetos, Iris confirma o talento vocal já conhecido em rodas de samba da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Em Rueiras, a cantora dá voz a 11 músicas compostas por Rodrigo Lessa em parceria com Manu da Cuíca, letrista cuja habilidade é avalizada por ninguém menos do que Aldir Blanc em texto publicado no encarte da edição em CD desse álbum gravado em 2017 com arranjos e direção musical do próprio Rodrigo Lessa. Sintomaticamente, sambas sincopados e sinuosos como Cabeça de porco e, sobretudo, Ponto de cruz evocam a obra construída por Blanc com João Bosco a partir da década de 1970. Cabeça de porco pode evoluir bem em salão de gafieira no qual também se aclimataria Princesinha underline 86, retrato contemporâneo e sem retoques da torre de babel abrigada no bairro carioca de Copacabana. Sob a luz da poesia nua e crua de Manu da Cuíca, e com o toque caloroso da Banda do Síndico, a Princesinha do mar se acende sem os flashes românticos dos sambas-canção que retrataram nos dourados anos 1950 essa mítico bairro também abordado no disco, com toda a diversidade e com dose maior de lirismo, no compasso de Copacabana, a valsa. O lirismo reaparece no brilho de Pingente, melodia que parece planar no ar com leveza. Já o romantismo espouca no tom acariciante de Meio a meio, no aconchego do dueto feito por Iris com Zélia Duncan, convidada de um disco que também propaga a voz de Júlio Estrela em Xodó, mix de salsa com sons de Cabo Verde. Aliás, De branco hasteia a bandeira da tolerância religiosa, puxando o fio que conduz o álbum Rueira à África. A recorrente mãe África paira soberana nas quebras de Gingalíngua e na festa feita por Avenida réveillon, samba que pede passagem ao fim do CD para abrir a roda para Marina Iris, cantora da turma dessa "moçada que não é de brincandeira", como ela já avisa em versos de Rueira, o samba-título desse disco em que a artista também levanta a bandeira do samba ao desbravar novos quintais. (Cotação: * * * *)

Aos 82 anos, Alaíde Costa lança primeiro DVD com especial gravado em 2015

seg, 03/05/2018 - 07:00
Aos 82 anos, completados em 8 de dezembro de 2017, a cantora carioca Alaíde Costa lança neste mês de março o primeiro DVD de carreira fonográfica iniciada em 1956. Posto no mercado com o selo da gravadora Nova Estação, o DVD A dama da canção exibe o especial gravado em agosto de 2015 no estúdio 185, na cidade de São Paulo (SP), com produção musical de Thiago Marques Luiz. No especial, coproduzido pelo Canal Brasil, Alaíde dá voz a músicas como Retrato em branco e preto (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1968), Preciso chamar sua atenção (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969) – composição inédita na voz da cantora – e Matita Perê (Antonio Carlos Jobim e Paulo César Pinheiro, 1973). O roteiro também inclui Amigo amado (1973), parceria da própria Alaíde Costa – compositora eventual – com Vinicius de Moraes (1908 – 1980). Captados sob direção de Rafael Saar e Thiago Brito, os números musicais do DVD A dama da canção foram feitos com o toque de banda formada pelos músicos Giba Estebez (piano), Fernando Correa (violão e guitarra), Renato Loyola (baixo acústico) e Jabes Felipe (bateria).

Maria Rita triunfa no traço de união que pauta o samba do show 'Amor e música'

seg, 03/05/2018 - 06:00
O sincretismo do samba cantado por Maria Rita no show Amor e música extrapola as imagens de santos e orixás vistas no luminoso painel que compõe o cenário desse espetáculo que veio ao mundo nos primeiros minutos de domingo, 4 de março, na mesma Fundição progresso que já serviu de palco para as estreias cariocas e/ou nacionais de outros shows de samba da cantora como o massivo Samba meu (2007) e o mais refinado Coração a batucar (2014). Ali, naquele amplo espaço de shows que costuma concentrar pequenas multidões no centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ), Maria Rita parece estar sempre em casa para cantar um samba que é já dela há 11 anos. E foi ali que a cantora paulistana triunfou mais uma vez no traço de união que caracteriza o samba do show Amor e música. Baseado no álbum homônimo lançado em janeiro, o show foi feito com banda que agrega músicos de escolas distintas como Alberto Continentino (baixo), Fred Camacho (cavaco e banjo) e Wallace Santos (bateria). Na feliz estreia, essa união conjugou as síncopes de um samba como Bola pra frente (Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014) – quebras talhadas para cantoras de apurada musicalidade como Maria Rita – com elementos do samba-jazz cultivado nas boates da década de 1960 e reavivado no show no toque do piano posto por Rannieri Oliveira em sambas como o calmo Chama de saudade (Davi Moraes, Fred Camacho e Marcelinho Moreira, 2018). Sem deixar de abarcar, claro, a animação dos sambas que têm mais pé no chão dos morros e dos quintais. A cantora Maria Rita no show 'Amor e música' Divulgação / Guto Costa Quando Maria Rita lançou mão desses sambas mais populares, como o coreografado Num corpo só (Arlindo Cruz e Picolé, 2007), como O que é o amor (Arlindo Cruz, Maurição e Fred Camacho, 2007) e como Maltratar não é direito (Arlindo Cruz e Franco, 2007), a temperatura subiu muito na estreia nacional do show Amor e música. Foi quando cantora e público, unidos, se fizeram ouvir numa só voz. Simplesmente porque, dos três álbuns de samba gravados em estúdio pela cantora ao longo dos últimos dez anos, o de maior empatia popular é o primeiro, Samba meu (2007), disco que dialogou com um público jovem e que cresceu ao ter o repertório transportado para o palco. Cabe ressaltar que os shows de samba de Maria Rita geralmente superam os discos que os inspiraram porque, ao vivo, a cantora se mostra sempre segura e comunicativa. Tal segurança técnica foi reiterada na estreia do show Amor e música, ainda que um choro emotivo tenha atrapalhado a parte inicial da abordagem, com base de samba de fundo de quintal, de O bêbado e a equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc, 1979), número de combustão imediata, turbinado com o mesmo coro forte da plateia que engrandeceu O show tem que continuar (Sombrinha, Arlindo Cruz e Luiz Carlos da Vila, 1988), samba colhido nos melhores quintais cariocas, na mesma raiz que fez brotar frutos como Saudade louca (Arlindo Cruz, Acyr Marques e Franco, 1989). Diante de tamanha comunicação com o público, foi surpreendente o pouco efeito surtido em cena por Cutuca (Davi Moraes, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, 2017), samba previamente lançado como single em setembro de 2017, antes de a cantora abortar o DVD gravado em julho em show em que apresentava o repertório inédito depois registrado em estúdio para o que veio a se tornar o álbum Amor e música. Dentro do espírito sincrético do show, Maria Rita pôs bebop em Samba & swing (2018) – título inédito do cancioneiro autoral do compositor baiano Oscar da Penha (1924 – 1997), o Batatinha – e, ainda no terreiro baiano, caiu no suingue afro de Cadê obá (2018). Esta parceria de Carlinhos Brown com Davi Moraes foi sagazmente alocada no roteiro ao lado de Quando a gira girou (Serginho Meriti e Claudinho Guimarães, 2006) – partido que Rita já cantava no show intermediário Samba de Maria (2015 / 2016) – e de Reza pra agradecer (Nego Álvaro e Vinicius Feyjão, 2017), veículo para a cantora fazer oração a Yemanjá diante da imagem do orixá. A cantora Maria Rita na estreia do show 'Amor e música' Divulgação / Guto Costa Fora da esfera religiosa, Recado (Rodrigo Maranhão, 2005) se confirmou samba de grande força. Foi oportuna reminiscência do álbum Segundo (2005), o último disco de estúdio feito por Maria Rita antes da adesão ao samba que a ajudou a cortar definitivamente o cordão umbilical que ainda a ligava à mãe, Elis Regina (1945 – 1982). Em contrapartida, o show Amor e música confirmou o que o disco homônimo já sinalizara: sambas como Cara e coragem (Davi Moraes e Arlindo Cruz, 2018) soaram menores do que a cantora, sinalizando a necessidade de maior rigor na seleção de repertório integralmente inserido no roteiro aberto com a recriação, em ritmo de samba, da abolerada canção Amor e música (Luiz Paiva e Moraes Moreira, 1991). De todo modo, é inegável a beleza de melodias como as dos sambas Nem por um segundo (Fred Camacho e Zeca Pagodinho, 2018) e Rumo ao infinito (Arlindo Cruz, Fred Camacho e Marcelinho Moreira, 2014). São sambas que poderiam ter sido gravados por Beth Carvalho, de cujo repertório referencial Maria Rita revive sucesso infalível, Vou festejar (Jorge Aragão, Dida e Neoci, 1978), após dar voz a dois sambas magistrais da lavra de Gonzaguinha (1945 – 1991), É (1988) e O homem falou (1985), emendados em medley explosivo no bis que corroborou a perfeita sintonia entre Maria Rita e o público que gosta do samba que, sim, já é dela. Ao fim do bis, os aplausos entusiásticos vindos do público que encheu pista, arquibancadas e camarotes da Fundição Progresso fizeram a cantora cair em choro convulsivo, sintoma de que, a despeito de toda a técnica, a cantora parece caminhar nos passos da emoção pelo terreirão de um samba desde sempre miscigenado e sincrético como o próprio Brasil. (Cotação: * * * 1/2) Maria Rita chora no bis do show 'Amor e música' Divulgação / Guto Costa Eis o roteiro seguido por Maria Rita no início da madrugada de domingo, 4 de março de 2018, na estreia nacional do show Amor e música na Fundição Progresso, na cidade do Rio de Janeiro (RJ): 1. Amor e música (Luiz Paivão e Moraes Moreira, 1991) 2. Bola pra frente (Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014) 3. Num corpo só (Arlindo Cruz e Picolé, 2007) 4. Chama de saudade (Davi Moraes, Fred Camacho e Marcelinho Moreira, 2018) 5. Cutuca (Davi Moraes, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, 2017) 6. Samba & swing (Batatinha, 2018) 7. Saudade louca (Arlindo Cruz, Acyr Marques e Franco, 1989) 8. Nem por um segundo (Fred Camacho e Zeca Pagodinho, 2018) 9. Cadê obá (Carlinhos Brown e Davi Moraes, 2018) 10. Quando a gira girou (Serginho Meriti e Claudinho Guimarães, 2006) 11. Reza pra agradecer (Nego Álvaro e Vinicius Feyjão, 2017) 12. O bêbado e a equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc, 1979) 13. O show tem que continuar (Sombrinha, Arlindo Cruz e Luiz Carlos da Vila, 1988) 14. Recado (Rodrigo Maranhão, 2005) 15. Cara e coragem (Davi Moraes e Arlindo Cruz, 2018) 16. Rumo ao infinito (Arlindo Cruz, Fred Camacho e Marcelinho Moreira, 2014) 17. O que é o amor (Arlindo Cruz, Maurição e Fred Camacho, 2007) 18. Nos passos da emoção (Davi Moraes, Moraes Moreira, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, 2018) 19. Tá perdoado (Arlindo Cruz e Franco, 2007) 20. Maltratar não é direito (Arlindo Cruz e Franco, 2007) 21. Perfeita sintonia (Fred Camacho, Leandro Fab e Marcelinho Moreira, 2018) Bis: 22. Pra Maria (Marcelo Camelo, 2018) 23. É (Gonzaguinha, 1988) 24. O homem falou (Gonzaguinha, 1985) 25. Vou festejar (Jorge Aragão, Dida e Neoci, 1978)

Cordel apresenta single que puxa o fio condutor do quarto álbum do grupo

seg, 03/05/2018 - 00:02
Composição de autoria de José Paes Lira, Liberdade, a filha do vento foi a música inédita escolhida para ser o primeiro single de Viagem ao coração do sol, álbum autoral que marca a volta à cena do grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado após hiato de oito anos. Com capa assinada pelo estúdio Savia Design & Branding, o single vai ser lançado nas plataformas digitais na próxima sexta-feira, 9 de março. Capa do single 'Liberdade, a filha do vento', do Cordel do Fogo Encantado Divulgação "Essa música nasceu com os primeiros contatos para o retorno da banda e traduz o sentimento do nosso novo disco", explica o vocalista Lirinha, que se reuniu em 2017 com Clayton Barros (violão e voz), Emerson Calado (percussão e voz), Nego Henrique (percussão e voz) e Rafa Almeida (percussão e voz) para a gravação do álbum programado para ser lançado em 6 de abril. Produtor do álbum Viagem ao coração do sol, Fernando Catatau toca guitarra e teclados na música Liberdade, a filha do vento, apontada como o fio contudor da história narrada pelo Cordel do Fogo Encantado no conceitual quarto álbum da discografia do grupo (visto ao alto em foto de Tiago Calazans).

Sá apresenta primeira parceria com Beto Guedes em disco solo sem Guarabyra

dom, 03/04/2018 - 15:45
Beto Guedes e Luiz Carlos Sá Laura Camarani Gravado ao longo de 2017 e mixado em fevereiro deste ano de 2018, no estúdio carioca Cia. dos Técnicos, o primeiro álbum solo de Luiz Carlos Sá – cantor, compositor e violonista carioca que forma desde 1973 a dupla Sá & Guarabyra com o baiano Guttemberg Guarabyra – será lançado em breve. No disco, projeto idealizado há quase 20 anos e cujo repertório inédito e autoral inclui músicas como Sem uma luz (Pedrão Baldanza, Vinícius Sá e Luiz Carlos Sá), Sá apresenta a primeira parceria com o compositor mineiro Beto Guedes, feita após mais de 40 anos de amizade. Intitulado Solo e bem acompanhado, o álbum de Sá foi gravado com os músicos Flávio Senna, Lourival Franco e Vinícius Sá. Com música que tem letra inédita do poeta tropicalista Torquato Neto (1944 – 1972), Solo e bem acompanhado é o primeiro disco gravado por Sá sem Guarabyra. Contudo, a dupla continua em plena atividade, fazendo shows pelo Brasil e se preparando para lançar disco em que recria os velhos sucessos com novos arranjos.

Banda Placa Luminosa tem o primeiro (e já raro) álbum, de 1977, lançado em CD

dom, 03/04/2018 - 12:38
Em 1989, o público telespectador que acompanhava a novela Top model, sucesso da TV Globo no horário das 19h, certamente ouviu diversas vezes a gravação da música Fica comigo (Thomas Roth e Arnaldo Saccomani), lançada pela banda paulista Placa Luminosa naquele ano no álbum Parece real (1989). Escolhida para ser tema de um dos casais adolescentes da trama, Fica comigo virou o maior sucesso da discografia desse grupo cujas origens remontam ao ano de 1975, quando o cantor fluminense Jessé (1952 – 1993) formou o conjunto Corrente de Força em Brasília (DF) com os músicos Ari Nascimento (baixo), Ribah Nascimento (guitarra), Mário Lúcio Marques (saxofones e flauta) e Luiz (bateria e percussão). Esse conjunto gerou, no estado de São Paulo, o grupo Placa Luminosa, criado em 1977, ano em que o quinteto gravou e lançou o primeiro álbum, batizado com o nome da banda. É esse até então raríssimo álbum, lançado originalmente pela extinta gravadora RGE e muito cobiçado por colecionadores de discos, que ganha a primeira edição em CD neste mês de março de 2018 através de série de relançamentos produzidos por Marcelo Fróes para o selo Discobertas. Produzido por Reinaldo Barriga Brito, o álbum Placa Luminosa apresentou músicas como Velho demais (Clodo e Zeca Bahia) e Rock no rolo (Ribah Nascimento). Jessé, cantor que seguiria carreira solo na década de 1980, ainda era o vocalista da banda. Trata-se de disco lançado numa época em que começou a ser esboçada uma cena de música pop brasileira feita sem devoção cega aos cânones então vigentes da MPB. Não por acaso, 1977 também é o ano da fundação da banda A Cor do Som. Contudo, embora tenha sido requisitada para tocar em discos e/ou shows de cantores como Ney Matogrosso e Tim Maia (1942 – 1998) nos anos 1980, a banda Placa Luminosa não conquistou sucesso imediato ou massivo, embora tenha alcançado projeção nacional ao ajudar a defender a música Mira ira (Povo mel) (Lula Barbosa e Wanderley de Castro) na primeira e única edição do Festival dos festivais (TV Globo, 1985). De todo modo, o grupo continuou em atividade ao longo desses 41 anos de vida, se apresentando sobretudo em bailes pelo interior do Brasil – com Willian Sant'ana se revezando nos vocais com Marcos Falcão – e dando prosseguimento a uma história iniciada em 1977 com o álbum Placa Luminosa, ora oportunamente reeditado em CD.

Trilha sonora da novela 'Orgulho & paixão' inclui primeira parceria de Iorc e Milton

dom, 03/04/2018 - 06:00
A trama da próxima novela das 18h da TV Globo – Orgulho & paixão, escrita por Marcos Bernstein com livre inspiração em romances da escritora inglesa Jane Austen (1775 – 1817) – é situada no início do século XX. Nem por isso o público deixará de ouvir músicas dos dias de hoje na trilha sonora da novela programada para estrear em 20 de março. Uma dessas músicas atuais, já propagada nas chamadas da novela, é Mais bonito não há. Composição que abriu a parceria de Milton Nascimento com Tiago Iorc (vistos em foto de Rafael Trindade), Mais bonito não há foi lançada em single disponibilizado em outubro do ano passado nas plataformas digitais. A música impulsionou a turnê nacional feita pelos artistas no segundo semestre de 2017.

Time de compositores cria música que vai reunir Luan, Vittar e Simone & Simaria

dom, 03/04/2018 - 00:02
Caberá ao Brabo Music Team assinar, com o produtor musical Dudu Borges, a música inédita que será gravada e lançada em single pelo cantor Luan Santana com a cantora Pabllo Vittar e com a dupla Simone & Simaria. O Brabo Music Team é um conglomerado formado pelos compositores Arthur Marques, Maffalda (codinome artístico do produtor Arthur Gomes), Pablo Bispo, Rodrigo Gorky e Zebu para produzir hits em escala industrial para os cantores mais populares do universo pop brasileiro. O coletivo empresarial é similar aos que unem, nos Estados Unidos, diversos compositores e produtores musicais com o mesmo objetivo. O single que juntará Luan, Vittar e Simone & Simaria é resultante de campanha publicitária lançada em dezembro de 2017 por marca de refrigerante que promoveu eleição popular para apontar os artistas que serão reunidos na gravação. Além da música inédita, os artistas eleitos gravarão clipe que será filmado sob direção de Bruno Iglotti. Single e clipe serão lançados neste primeiro semestre de 2018.

Funkeiro Guimê divide fãs ao adotar batida e prosódia do rap no single 'Pare o mundo'

sab, 03/03/2018 - 18:20
"Pare o mundo que ela quer descer / Ela vai descer, até o chão / Ao som do Guimê e do RD / Ela vai descer, até o chão" Os versos autorreferentes do refrão do single lançado ontem por MC Guimê, Pare o mundo, sugerem tratar-se de funk. Mas a música inédita que chegou às plataformas digitais na sexta-feira, 2 de março de 2018, marca a aproximação do cantor e compositor paulista com o universo do hip hop. O RD citado no refrão é o DJ RD, responsável pela batida do single, calcada na pulsação do rap. O próprio canto de Guimê é influenciado pela prosódia típica dos rappers. Capa do single 'Pare o mundo', de MC Guimê Divulgação Justamente pela proximidade com os códigos do hip hop, a gravação de Pare o mundo dividiu opiniões entre os fãs do artista, frustrando quem esperava ouvir mais um funk de Guimê – visto em foto de Léo Caldas, do Canal KondZilla. Assim como o single anterior do ostensivo funkeiro, No auge (2017), Pare o mundo gerou clipe e produzido por KondZilla, nome artístico de Konrad Cunha Dantas, diretor e roteirista paulista que fez fama com vídeos de artistas ligados ao funk. Com ares futuristas, o vídeo foi filmado sob direção de Thiago Fernandes (conhecido como Tico Fernandes) em galpão no bairro paulistano do Brás (SP).

Com samba raro de Paulinho da Viola, álbum de Sonia Santos é editado em CD

sab, 03/03/2018 - 12:33
Seis meses após o primeiro álbum da cantora carioca Sonia Santos ter sido lançado pela primeira vez em CD, o segundo álbum dessa voz do samba que migrou para os Estados Unidos na década de 1980, Crioula, volta ao catálogo neste mês de março de 2018 no mesmo formato de CD. Tal como o antecessor Sonia Santos (1975), Crioula (1977) é álbum originalmente editado pela gravadora Som Livre com produção dirigida por Guto Graça Mello. Com arranjos do maestro carioca Edson Frederico (1948 – 2011), Crioula apresentou no repertório um então inédito samba-acalanto da lavra nobre de Paulinho da Viola, Quando nasce o filho de um sambista, título que se tornaria obscuro e raro na obra do compositor carioca pelo fato de nunca ter ganhado registro posterior do autor ou de qualquer outro intérprete ao longo desses 41 anos. Parceira de Angela Suarez na composição do sacolejante samba que batiza o disco, Crioula, Sonia Santos dá voz no álbum aos nostálgicos e melancólicos sambas-canção A distância (Dedé da Portela e Sérgio Fonseca, 1977) e Fracasso (Mário Lago, 1946), este lançado na voz do cantor carioca Francisco Alves (1898 – 1952). Menos sedutor do que o primeiro álbum de Sonia Santos, Crioula ganha a primeira edição em CD dentro de coleção de reedições produzidas pelo pesquisador Marcelo Fróes para o selo Discobertas com títulos das gravadoras Som Livre e RGE, todos inéditos no formato de CD. O relançamento é oportuno para que novas gerações de colecionares de CDs descubram a voz dessa artista surgida em 1975 no boom de cantoras propagadas como sambistas pela indústria do disco no rastro do estouro, em 1974, da cantora mineira Clara Nunes (1942 – 1983). Algumas, como Alcione, se firmaram na carreira. Outras, como Geovana e Sonia Santos, não conseguiram pavimentar trajetória regular no mercado fonográfico.

Enquanto faz disco de samba, Wado lança gravação ao vivo de show que inclui Otto

sab, 03/03/2018 - 11:37
Enquanto prepara álbum de samba, ainda sem data para ser lançado, o cantor e compositor catarinense Oswaldo Schlikmann Filho, o Wado, apresenta na próxima sexta-feira, 9 de março de 2018, o álbum Ao vivo no Rex Jazzbar. O registro audiovisual será lançado nos formatos de filme e de disco, que trará o áudio da gravação ao vivo captada em show feito pelo artista em 15 de junho de 2017 no bar situado na cidade de Maceió (AL), na qual Wado reside desde a década de 1980. No show, Otto faz dueto com Wado em Crua (2009), música da lavra solitária do cantor e compositor pernambucano. Já amigos, parceiros e/ou simpatizantes de Wado – como André Abujamra, Carlos Eduardo Miranda, Curumin e Zeca Baleiro, entre outros – avalizam o artista através de depoimentos inseridos no filme gerado a partir das imagens captadas no Rex Jazzbar. Ao longo do roteiro do show, além do dueto com Otto em Crua, Wado se exercita como intérprete ao dar voz às músicas Filhos de Gandhi (Gilberto Gil, 1973) e Um passo à frente (Moreno Veloso e Quito Ribeiro, 2005), ambas sintonizas com o universo musical do último álbum do artista, Ivete (2016), lançado há dois anos com repertório inspirado na música afro-pop-baiana rotulada como axé music. Em que pesem as abordagens de obras alheias, Wado segue por trilho essencialmente autoral ao apresentar o repertório do show, rebobinando parcerias com Chico César (Surdos de escolas de samba, de 2011), Cícero (Rosa, de 2013) e Thiago Silva (Alabama e Sexo, ambas de 2016). Duas músicas, Cidade grande (Wado, 2011) e Fortalece aí (Wado e Adriano Siri, 2008), foram alocadas como faixas-bônus exclusivas da edição em disco da gravação ao vivo.

Marina junta samba, funk e até tecnobrega na atualidade do álbum 'Novas famílias'

sab, 03/03/2018 - 10:22
Capa do álbum 'Novas famílias', de Marina Lima Rogério Cavalcanti Com capa que expõe Marina Lima com adereço de black bloc na foto de Rogério Cavalcanti, o 21º álbum da cantora, compositora e instrumentista carioca, Novas famílias, chega ao mercado fonográfico a partir de 16 de março com repertório autoral composto por oito músicas inéditas e pela regravação de Pra começar (Marina Lima e Antonio Cicero), sucesso dos anos 1980 lançado por Marina no álbum Todas as vivo (1986). Primeiro disco de estúdio e de músicas inéditas da artista deste o subestimado Clímax (2011), lançado há sete anos, Novas famílias é álbum em que, como sugere o título, Marina aborda temas e ritmos atuais no repertório composto com parceiros como Arthur Kunz, Letícia Novaes, Marcelo Jeneci e Silva, além do irmão Antonio Cicero, com quem retoma parceria interrompida momentaneamente no fim dos anos 2000. Trata-se do terceiro disco gestado por Marina na cidade de São Paulo (SP), para onde a artista se mudou em 2010. Marina Lima Rogério Cavalcanti O leque rítmico do disco Novas famílias vai do funk (Só os coxinhas, controvertida parceria com Cicero lançada previamente em 23 de fevereiro como primeiro single do álbum) ao tecnobrega (É sexy, é gostoso), passando por samba (Climática), balada (Do Mercosul) e por samba-funk (Juntas). Antenada com o universo da música eletrônica desde os anos 1990, Marina põe beats sintetizados em Mãe gentil – parceria da artista com Arthur Kunz e com Letícia Novaes, convidada da faixa – e em Árvores alheias, música composta pela artista para a trilha sonora do ainda inédito filme Baleia, no qual Marina também aparece como atriz na ficha técnica.

Show de Bethânia com Zeca marca reunião da cantora com o maestro Jaime Alem

sex, 03/02/2018 - 22:33
Zeca Pagodinho e Maria Bethânia Divulgação / Daryan Dornelles Além de promover a inusitada reunião de Maria Bethânia com o sambista carioca Zeca Pagodinho no palco, o vindouro show De Santo Amaro a Xerém – cuja turnê nacional prevê apresentações em cinco cidades do Brasil entre abril e maio deste ano de 2018 – marca o reencontro da cantora baiana com Jaime Alem, escalado para tocar um dos violões da banda formada para o espetáculo com os músicos Jaguara (percussão), Marcelo Costa (percussão), Marcos Esguleba (percussão), Paulão Sete Cordas (violão), Paulo Galeto (cavaquinho), Rômulo Gomes (baixo) e Vitor Motta (saxofone e flauta). O reencontro da cantora com Alem é emblemático. Compositor, arranjador e músico paulista, Jaime Além cuidou da direção musical dos discos e shows de Bethânia a partir de 1988, ano em que a intérprete lançou um dos mais belos e um dos menos ouvidos álbuns da carreira, Maria. Por 22 anos, de 1988 a 2010, Alem foi o maestro de Bethânia em conexão profissional que, a rigor, tinha sido iniciada em 1982, quando Alem assinou os arranjos vocais do show Nossos momentos, perpetuado em estupendo álbum ao vivo naquele mesmo ano de 1982. Na função de maestro de Bethânia, ele trabalhou com a cantora do mencionado álbum Maria ao show Amor, festa, devoção (2009), lançado em CD e DVD em 2010. Em outubro de 2012, a interrupção da parceria profissional de Bethânia com Alem ficou evidenciada com o anúncio de que o maestro mineiro Wagner Tiso faria a direção musical do então inédito show Carta de amor, estreado em novembro daquele ano de 2012 e lançado em CD e DVD em 2013.

Cantora maranhense Alexandra Nícolas faz política no apimentado 'Coco fulero'

sex, 03/02/2018 - 17:57
Seis anos após cair no samba com o álbum Festejos (2012), sem esquecer as origens nordestinas, a cantora maranhense Alexandra Nícolas volta ao mercado fonográfico com álbum de tom igualmente brejeiro, mas mais arretado, temperado com a malícia dos vivazes ritmos musicais agrupados sob o genérico rótulo de forró. O álbum Feita na pimenta será lançado em 23 de março, mas o primeiro single, Coco fulero, já está disponível desde hoje, 2 de março, nas plataformas digitais. O coco é parceria de Zeh Rocha com o violonista João Lyra, arranjador e músico da gravação formatada com o toque da sanfona de Adelson Viana, com a batida da zabumba e dos pandeiros de Durval Pereira e com a percussão do triângulo e do pandeiro de Zé Leal. A letra de Coco fulero mete a mão na cumbuca da política nacional, pregando contra o voto nulo na voz de Alexandra Nícolas (em foto de Veruska de Oliveira). Capa do single 'Coco fulero', de Alexandra Nícolas Divulgação Coco Fulero (João Lyra e Zeh Rocha) Coqueiro rala cunhão Comendo coco e cocada Dá um pipoco Brasileiro no sufoco Meu pandeiro quer o troco Fulero voto mais não Foi um quixote tanto miolo de pote Presepeiro deu um bote Urucubaca do patrão Coqueiro rala cunhão Comendo coco e cocada Acorda povo coco maneiro Anima o fuá de mão em mão De fé que dá pé Brasileiro quando quer Bota pimenta na panela Fulero voto mais não Coqueiro rala cunhão Comendo coco e cocada No vuco-vuco a cambada de canalha Empresário de cangalha Na Papuda dá mais não Emparelhado coco sem rima eu deixo Mexe-­mexe quebra-­queixo Fulero voto mais não Coqueiro rala cunhão Comendo coco e cocada

Titane percorre em segurança a estrada do sertão que a conduz à obra de Elomar

sex, 03/02/2018 - 11:07
A obra do compositor baiano Elomar Figueira Mello está entranhada nos rincões do Brasil sertanejo. Mas o sertão de Elomar nada tem a ver com os campos em que, na década de 1930, brotou a música inicialmente rotulada como caipira. Produto singular, resultante da conjunção de elementos do folk e da música ibérica, o cancioneiro ruralista deste compositor de atuais 80 anos é a trilha sonora de cantoria nordestina que se enquadra até em moldura sinfônica tal o refinamento com que a obra foi burilada pelo ourives. Voz de Minas Gerais, estado também sertanejo, a cantora Titane aborda a obra de Elomar com respeito às estruturas básicas do repertório autoral do cantador em disco que se desvia dos clichês ruralistas. Na recriação da moda O violeiro (1973), a viola (no caso, de 14 cordas) está lá, sobressalente no toque de André Siqueira, mas o álbum Titane canta Elomar – Na estrada das areias de ouro (Edição independente) expõe diversos matizes da obra do compositor, cronista da vida, dos costumes, dos amores e dos dissabores do homem do sertão. Por estar situada intrinsecamente nesse universo sertanejo, o sotaque caipira de temas como Chula no terreiro (1979) soa perfeitamente natural nessa faixa em que a voz aguda de Titane se harmoniza com o canto grave de Pereira da Viola. Violeiro respeitado no universo musical do Brasil rural, Pereira é o convidado da gravação conduzida pelos violões de Hudson Lacerda, colaborador de Kristoff Silva, diretor musical do disco produzido pela própria Titane em parceria com Kristoff. Capa do álbum 'Titane canta Elomar – Na estrada das areias de ouro' Divulgação Contudo, o álbum Titane canta Elomar – Na estrada das areias de ouro abre a porteira do sertão, expondo em Corban (1983), no toque do violão de Hudson, a influência ibérica que pauta parte do cancioneiro do inimitável compositor. Na música-título Na estrada das areias de ouro (1973), a voz de Titane – já em si responsável pelo tom de salutar estranheza do disco pelo fato de ser um timbre feminino a se fazer ouvir no mundo predominantemente masculino dos cantadores e violeiros – se afina somente com o toque do acordeom Toninho Ferragutti. O mesmo acordeom virtuoso de Ferragutti vai dar o tom forrozeiro de Clariô (1979), faixa de maior vivacidade rítmica de álbum enraizado no folk à moda do sertão brasileiro. Em Acalanto (1973), o toque da marimba de porcelana manuseada por Kristoff Silva evoca um tempo de delicadeza onírica em sintonia com a letra em que Elomar narra fábula de amor medieval. Aliás, os versos de Elomar são construídos no idioma particular do homem sertanejo, prosódia que Titane respeita ao dar voz a composições como Segundo pidido (1983). A cantora Titane Divulgação Ao caminhar pelas estradas sertanejas de Elomar, a cantora também carrega melancolia de amores desfeitos e saudade de um sertão já corroído pela força da natureza e do bicho homem. Esses sentimentos brotam na bela estrada melódica percorrida por Cavaleiro do São Joaquim (1973) e também na rota da Cantiga do estradar (1983). Como sinalizam versos de Na quadrada das águas perdidas (1979), música que deu título ao segundo álbum do cantador, há muito desencanto no caminho que conduz ao reino onírico e sertanejo de Elomar. Cruzando tons flamencos e caipiras, a épica gravação de Na quadrada das águas perdidas representa o fim do caminho de Titane pela estrada que a conduz com propriedade pela obra de Elomar Figueira Mello, ourives de cancioneiro que merece ser revisitado sem ranços folclóricos, como faz essa cantora do sertão mineiro neste disco tão bonito quanto relevante. (Cotação: * * * *)

Autor de hits de Roberto Carlos, Getúlio Côrtes lança primeiro álbum aos 80 anos

sex, 03/02/2018 - 08:27
O compositor carioca Getúlio Côrtes faz 80 anos neste mês de março e, no embalo da efeméride, lança o primeiro álbum de carreira iniciada no alvorecer da década de 1960. Intitulado As histórias de Getúlio Côrtes, o álbum reapresenta as principais músicas do cancioneiro autoral do artista com o toque contemporâneo de músicos como Gustavo Benjão, Marcelo Callado e Melvin. Nascido em 22 de março de 1938 na cidade do Rio de Janeiro (RJ), Getúlio Francisco Côrtes – irmão de Gérson Rodrigues Côrtes, o cantor de funk conhecido como Gerson King Combo – se criou no bairro de Madureira, um dos berços do samba carioca, mas contrariou a lógica racista da época de que negro tinha que ser sambista ao entrar no mundo da música. Roqueiro pela própria natureza musical, Getúlio se associou nos anos 1960 à turma da Jovem Guarda e, com isso, teve músicas gravadas por Roberto Carlos, o rei da juventude daquela década. A música de Getúlio que alcançou maior projeção na voz do cantor, sobrevivendo inclusive ao fim da Jovem Guarda, foi Negro gato (1965), gravada por Roberto em 1966, um ano após ter sido lançada pelo grupo Renato e seus Blue Caps no álbum Viva a juventude! (1965), e desde então revisitada por intérpretes como Marisa Monte. Mas são da lavra de Getúlio várias outras músicas gravadas por Roberto Carlos, com quem o compositor se enturmou em 1961, anos antes do estouro do cantor. Entre essas músicas, há O feio (1965), Pega ladrão (1965), O gênio (1966), O sósia (1967), Quase fui lhe procurar (1968), O tempo vai apagar (parceria com Paulo César Barros, lançada por Roberto em 1968), Nada tenho a perder (1969), Uma palavra amiga (1970), Eu só tenho um caminho (1971) e Atitudes (1973). Algumas dessas composições são repaginadas no álbum As histórias de Getúlio Côrtes na voz do autor, que esboçou carreira de cantor na década de 1960 ao formar o grupo vocal The Wonderful Boys. O disco foi gravado com produção musical de André Paixão, sob a direção artística de Marcelo Fróes.

Família Lima anuncia que o patriarca Zeca sai do grupo gaúcho após 24 anos

qui, 03/01/2018 - 21:01
Em cena desde 1994 com mistura digestiva de música erudita e música pop, o grupo gaúcho Família Lima passa a ser um quarteto a partir de hoje, 1º de março de 2018. Após 24 anos, o patriarca da família, Zeca Lima, está deixando o grupo para se dedicar a projetos individuais, em especial ao show Dançando a bordo. O anúncio da saída de Zeca foi feito por um dos filhos do patriarca, Lucas Lima, em texto publicado em redes sociais. A Família Lima segue em cena com os irmãos Amon-Rá, Lucas e Moisés, além do primo Allen. Eis o texto publicado por Lucas Lima sobre a saída de Zeca Lima do grupo: "Fala, gurizada!!!! Lucas aqui!! Cresci ouvindo meu pai dizendo que 'os filhos devem seguir seus próprios caminhos tão logo suas asas estejam prontas para isso. Os pais devem desbravar o caminho para os filhos e depois passar o bastão'. Na história dele como professor, a função também era a mesma: formar alunos e abrir espaço para que estes pudessem voar independentes do mestre. Agora que sou pai, entendo perfeitamente esse sentimento e dá um certo orgulho de ver que ele nos enxerga assim: prontos para escrevermos a nossa história! A Família Lima “banda” agora segue sem ele no palco, mas para sempre com ele no legado! A nossa família “Família” permanece unida, sempre um torcendo pelo outro e o pai já tá chegando com vários projetos incríveis que a gente vai divulgar por aqui. Já aproveita e segue ele nos perfis oficiais para ficar sabendo de todas as novidades que já começaram a rolar! Muito sucesso pra todos nós!!!"

Caio Prado resiste no calor da poesia e da temperatura oscilante do disco 'Incendeia'

qui, 03/01/2018 - 20:18
Cantor e compositor carioca inserido em cena artística que batalha pela afirmação política de minorias, inclusive sexuais e raciais, Caio Prado faz o que caracteriza de "poesia de resistência" no segundo álbum, Incendeia (Maianga Discos). Disponível no mercado fonográfico a partir de amanhã, 2 de março, Incendeia mira a fervura da música negra ao longo das dez músicas, sendo que as nove inéditas são todas assinadas solitariamente por esse artista projetado como integrante do trio queer carioca Não Recomendados. Ritmos matriciais como soul, funk e R&B são diluídos em soluções contemporâneas do produtor Alê Siqueira, com a providencial dose de eletrônica. As programações do tecladista baiano Mikael Mutti (re)forçam a atualidade de músicas como É proibido estacionar na merda, faixa já previamente apresentada em novembro, como primeiro single do álbum Incendeia. Conceituada como "trap baiano" por Prado, É proibido estacionar na merda ostenta discurso menos sutil do que a ideologia exposta nos versos de Turbilhão e de Pífio, músicas em que a "poesia de resistência" soa mais burilada e afinada com a música. Contudo, Incendeia é disco pautado pela urgência, pela explosão do calor da hora e dos metais soprados por Marcelus Leone. Capa do álbum 'Incendeia', de Caio Prado Rafo Coelho Dentro desse contexto musical e poético, Personagem entojado esquenta a chapa tanto no som cortante quanto no discurso que descortina hipocrisias sociais. Já O mesmo e o outro tem poesia que resiste até sem a música menos imponente. Se a música-título Incendeia expõe a tentativa do artista de se comunicar com público maior do que o círculo indie que ouviu o independente álbum anterior Variável eloquente (2014), Nossa sorte reitera essa veia em tese popular com melodia mais serena e com a participação da cantora amiga Maria Gadú. No fecho, a majestosa regravação no toque do ijexá de Zera a reza (2000) – música pouco ouvida da lavra de Caetano Veloso, artista referencial na formação de Prado, compositor ainda em progresso – eleva a temperatura de Incendeia, com citação da gravação de Estórias de Ganhadeiras nas vozes do grupo baiano Ganhadeiras de Itapuã. Juntamente com Mera, bela canção de melodia e poesia transcendental que ameniza o calor sonoro do disco, a abordagem de Zera a reza recomenda o nome de Caio Prado nessa cena que busca a afirmação da diversidade ao dar voz ativa às minorias, dispensando a servidão. (Cotação: * * *)

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