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Atualizado: 2 horas 11 minutos atrás

Paulo Carvalho lança 'Carvão', álbum que reúne Tim Bernardes, Jeneci e Arnaldo

sab, 03/10/2018 - 00:05
Produzido por Alexandre Kassin e gravado em fevereiro de 2017, o terceiro álbum de Paulo Carvalho, Carvão, chega ao mercado fonográfico em 20 de março, um ano após ter sido formatado em estúdio da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Além da produção ter a assinatura de Kassin, o álbum alinha outros nomes-grifes na ficha técnica com a missão de projetar a obra autoral do cantor, compositor e poeta. O maestro Arthur Verocai fez alguns arranjos de cordas para o repertório inteiramente autoral do disco. Marcelo Jeneci é o convidado e parceiro de Carvalho em Qual o porquê? – música já apresentada na web em agosto de 2016, seis meses antes da gravação do álbum – enquanto Arnaldo Antunes assina com o anfitrião os versos de Área de cobertura, música que tem melodia criada pelo compositor e pianista André Lima, parceiro recorrente de Carvalho na composição de músicas inéditas como Náufrago, Falso sorrir, O amor não é para ser amado, Mesmo lugar e Vamos saber. Capa do álbum 'Carvão', de Paulo Carvalho Arte de Verena Smit Tocando os pianos e teclados do disco, André Lima também integra a banda que gravou o álbum Carvão ao lado dos músicos Stephane San Juan (bateria, percussão) e Tim Bernardes (guitarra e violões), além do próprio produtor Kassin, no baixo acústico. Corroborando a intenção de conectar Paulo Carvalho – em foto de Verena Smit – à geração indie contemporânea de aura mais hype, o disco tem ainda a participação de Mãeana, codinome artístico usado em projetos individuais pela cantora e compositora Ana Cláudia Lomelino, vocalista do grupo carioca Tono.

Voz dos boleros, Edith Veiga tem reeditado álbum em que canta Herivelto e Lupicínio

sab, 03/10/2018 - 00:02
Capa do álbum 'Pensando em ti', de Edith Veiga Divulgação Aos 79 anos, completados em fevereiro, a cantora e compositora paulista Edith Veiga esteve em evidência nas décadas de 1960 e 1970, desafiando o reinado da MPB com gravações de boleros e sambas-canção de arquitetura popular, por vezes kitsch. Não por acaso, foi intitulado Pensando em ti o álbum lançado por Edith em 1982 pela extinta gravadora RGE e reeditado em CD neste mês de março de 2018 pelo selo Discobertas. Trata-se do nome de célebre samba-canção de autoria do compositor Herivelto Martins (1912 – 1992) em parceria com David Nasser (1917 – 1980). Sucesso em 1957 na voz do cantor Nelson Gonçalves (1919 – 1998), Pensando em ti ganhou a voz de Edith Veiga neste disco em que a cantora regravou uma então recente canção de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, Na hora da raiva, lançada em 1981 na voz de Wanderléa. Neste álbum Pensando em ti, produzido por Reinaldo Barriga Brito, Edith Veiga também regravou o samba-canção Vingança (Lupicínio Rodrigues, 1951), além de ter apresentado duas músicas de autoria própria, Agora vá e Preciso tanto de você. Aliás e a propósito, Vingança abriu o mais recente álbum da cantora, Edith Veiga canta Lupicínio Rodrigues (2011), lançado há sete anos e inteiramente dedicado ao repertório deste compositor gaúcho que tanto contribuiu para a trilha folhetinesca do samba-canção, gênero musical ideologicamente próximo do bolero e, por isso mesmo, tão presente no repertório de cantoras de aura kitsch identificadas com o romantismo mais popular e passional, caso de Edith Veiga.

Fenômeno na web, Mariana Nolasco prepara 1º CD, elogia Tiago Iorc e grava single com rapper Rael; ouça trecho

sex, 03/09/2018 - 07:10
Cantora de 20 anos lança canção sobre amor neste mês e fará 1ª turnê da carreira a partir do segundo semestre. Ela começou como youtuber e canal dela já teve 314,8 milhões de visualizações. Mariana e Rael fizeram parceria em 'Sons de Amor' Marcelo Meirelles Brasileiro Fenômeno na web desde adolescente, a cantora paulista Mariana Nolasco decidiu criar uma ponte entre lembranças e sonhos ao convidar o rapper Rael para dividir a música autoral "Sons de Amor", que será lançada até o fim de março. Em bate-papo com o G1, ela apresentou um trecho da canção (assista ao vídeo), falou sobre as expectativas para o 1º CD, início da turnê e elogiou Tiago Iorc. Aos 20 anos, ela segue carreira independente e com o estilo "banquinho e violão" que já atraiu 314,8 milhões de visualizações ao canal dela no YouTube. O número é superior ao alcançado por artistas populares como Thiaguinho (216,8 milhões) e Valesca Popozuda (134,5 milhões). Além disso, se aproxima aos poucos de nomes como Ivete Sangalo, que tem 335 milhões de visitas. Cantora Mariana Nolasco apresenta trecho de nova música "Escolhi o Rael porque eu ouço as músicas dele há seis anos. Além de admirar muito o trabalho, já fiz vários covers, um dos vídeos mais acessados na página é 'Não dá mais/Ela me faz [13,7 milhões de acessos]", conta sobre a primeira vez em que compartilha uma letra própria com outro artista. Mariana trocou há três anos o sossego de Mogi Guaçu (SP) pela confusão sonora da capital, onde para ela "tudo acontece" quando se trata do cenário cultural. Entretanto, a inspiração para o novo single surgiu em viagem ao litoral com o namorado e músico Pedro Pascual, com o qual trabalha. "Ele fala sobre o amor em inúmeras formas. Comecei a escrever e estava para um lado mais carnal, mas acabou ficando uma coisa mais fofa", diz a jovem que nasceu em Campinas (SP). Reconhecida sobretudo por apresentar novas leituras de hits em outros ritmos, incluindo funk e MPB, Mariana destaca que a parceria com o rapper permitiu união de estilos diferentes, mas a música preserva a individualidade de cada um. "O foco é casal [...] Acho que a inspiração é meu namorado, ele está comigo no dia a dia", brinca ao destacar contribuições dele no trabalho. Apoio dos fãs e 1º CD Em meio aos preparativos para a nova fase, a cantora é acompanhada de perto por 3,9 milhões no Instagram e ainda curte as repercussões positivas do cover de "What Lovers Do", gravado com o Boyce Avenue e aprovação do Maroon 5; além de nova versão para "Só Hoje" ao lado do Jota Quest. Mariana Nolasco e Boyce Avenue Reprodução Além disso, a popularidade também facilita o lançamento do primeiro CD da carreira, previsto para abril. Por meio de uma plataforma colaborativa, ela já conseguiu pelo menos R$ 48 mil, quantidade acima da meta estipulada em R$ 45 mil para viabilizar o trabalho com dez faixas inéditas. "O CD é uma coisa que eu sempre sonhei em fazer [...] Quem me acompanha sempre perguntava das músicas autorais, porque eu sempre fiz covers. Está sendo uma realização muito grande, é um baita trabalho porque não tenho gravadora por trás e com certeza vai valer muito a pena." 'Ao vivo' e referências Mariana lembra que a participação no Rock in Rio 2017, onde fez um cover de "Não Existe Amor em SP" (Criolo), e outras dez apresentações durante o ano passado serviram de preparação para ela definir a primeira turnê. Ela deve ser lançada na maior cidade do país, no segundo semestre. "Eu sempre cantei no meu quarto, com a câmera e não tinha noção de como seria a recepção. Essa mini-turnê por dez capitais foi muito legal", conta ao ressaltar que o público esgotou ingressos em quase todas as apresentações, embora a divulgação tenha sido realizada somente em redes sociais. Ao tratar do repertório, adianta aos fãs que os covers também serão mantidos nos shows. Mariana Nolasco durante apresentação intimista GO Eventos Sobre artistas com os quais gostaria de dividir letras, Mariana é categórica ao revelar as referências. "Eu tenho vontade de fazer parcerias com muitas pessoas, tanto nacionais quanto internacionais. Gravar com o Boyce Avenue foi um sonho, sou muito fã [...] Tenho muita vontade de compor com o Tiago Iorc e o Nando Reis, admiro muito os trabalhos deles", ressaltou a cantora. Veja mais notícias da região no G1 Campinas.

Elza Soares faz show em SP e diz que não pensa em parar: 'Aposentar? Por quê?'

sex, 03/09/2018 - 06:35
Aos 80 anos, cantora grava novo CD, e fala sobre racismo, homofobia e preconceito em show na noite desta sexta (9) na Casa Natura, em Pinheiros. Elza Soares faz show em SP e diz que não pensa em parar Elza Soares não para. Com 80 anos de idade e 60 anos de carreira, a cantora está gravando um novo CD, segue fazendo shows e será tema de um musical sobre sua vida e obra, atualmente em fase de audições. Nesta sexta-feira (9) ela faz um show em São Paulo, volta a cantar na capital paulista no dia 20 e diz ao G1 que nem pensa em parar de trabalhar. "Aposentar? Por quê? Você acha que eu deveria? Então não!", diz, com bom humor. "Eu só existo nesse calor".  Na noite desta sexta (9), Elza leva à Casa Natura, em Pinheiros, o show A Voz e a Máquina. A cantora carioca diz que adora se apresentar em São Paulo. "O público de São Paulo é simplesmente maravilhoso. Eu adoro fazer show em São Paulo, lógico, é sempre muito bom". "Nesse show falamos muito da mulher, do preconceito, do racismo, de homofobia. É um show bem dirigido", diz. No novo CD, "Deus é mulher", Elza promete que vai continuar a falar sobre esses temas. E sobre Deus. "Acredito tanto em Deus que Deus é mulher", diz ela. Depois de um acidente em um show no Metropolitan em 1999, Elza passou a se apresentar sentada e já não usa mais seu salto 15, mas não abre mão da vaidade. "Eu sou muito vaidosa. Me gosto muito, me amo muito", diz ela.  Elza Soares se apresenta nesta sexta-feira em São Paulo Celso Tavares/G1 Você tem 60 anos de carreira e está preparando um novo disco. O que a gente pode esperar dele? Pode esperar tudo de bom. Eu espero que vocês ouçam o trabalho. Tudo o que faço é para que gostem. Tem um musical que vem aí também (sobre a vida e a obra de Elza). Qual o segredo dessa disposição, Elza? O que te mantém tão ativa? Isso é um segredo que vai ser dito daqui a alguns dias. Eu ainda não sei. Só sei que eu existo nesse calor todo. Como você cuida da sua voz? Cuido com muito carinho agradecendo muito a Deus. Sem fumar, sem beber. Acho que é isso aí. Você acredita em Deus? Lógico que acredito! E acredito tanto em Deus, que Deus é mulher. Elza Soares diz que acredita tanto em Deus que 'Deus é mulher' Celso Tavares/G1 Esse ano temos eleições. Você é otimista, acredita que as coisas no Brasil podem melhorar? Eu sou muito otimista. Acho que podem melhorar. Depende do povo. Você sempre foi uma mulher à frente do seu tempo. Você acha que o mundo melhorou para as mulheres nos últimos anos? Tem melhorado. Ainda precisa de muita coisa. A gente está caminhando, a gente está buscando. Tem de dar muito duro ainda, entendeu? Mas a mulher de hoje já pode gritar, já pode falar. Já está bem mais aberta a estrada para a mulher. Você teve várias experiências de morte de pessoas próximas. O que você aprendeu com isso? Você tem medo da morte? Não sei nem te responder. Você tem medo? Eu não. Estamos aí para tudo, para isso também. 'Sou muito vaidosa', diz Elza Soares Celso Tavares/G1 Você é vaidosa? Muito vaidosa. Me gosto muito, me amo muito. O Wesley Pachu (maquiador e cabeleireiro de Elza) é um menino que está aí crescendo. Eu tenho de agradecer a Deus porque todos os meninos que trabalham com maquiagem comigo sobem muito na vida porque sempre abro caminho para eles falando deles e agradecendo pelo trabalho que eles fazem. Eu levo ele para onde eu for para trabalhar. Não saio muito, mas quando vou sair eu gosto de estar caprichada e ele capricha muito. Sinto falta do meu salto 15. O que você gosta de fazer nas suas horas vagas?  Filmes. Gosto muito de ver filmes, de escutar umas músicas... E pensar um pouco em mim, pensar um pouco na humanidade... Saber que a coisa está pesando nesse país tão duro, tão difícil... O momento que a gente está atravessando é árido, entendeu? Eu gosto de pensar um pouco nessas coisas. Acho que não é desejo de ninguém, mas você pensa em se aposentar? Por que me aposentar, meu pai, meu Deus? Senhor! Você acha que eu tenho de me aposentar? (A repórter responde 'Jamais'.) Então, não! Você tem um palpite de quem vai ser a nova Elza Soares? Não, não, não... Se eu tivesse esse palpite eu queria ter o palpite de onde que eu ganharia US$ 20 milhões (risos). Elza Soares - A Voz e a Máquina Casa Natura Musical Rua Artur de Azevedo, 2134, Pinheiros - São Paulo Sexta-feira (9), 21h30 Ingressos: R$ 80 (meia) a R$ 300 (camarote)

Faz parte do show cantar (e gravar) Cazuza em bossa nova nos 60 anos de ambos

sex, 03/09/2018 - 06:20
Pela própria natureza assumida e orgulhosamente exagerada, Agenor de Miranda Araújo Neto (4 de abril de 1958 – 7 de julho de 1990), o cantor e compositor carioca que se imortalizou com o apelido de Cazuza, pode ser caracterizado como a antítese da Bossa Nova. Curiosamente, esse artista de vida rock'n'roll veio ao mundo no mesmo ano da bossa inventada por João Gilberto ao violão, há 60 anos. A dupla efeméride gera show que será gravado ao vivo para edição de CD e DVD com músicas de Cazuza no tom suave da bossa. Em abril de 1958, mês em que Cazuza nasceu, foi lançado o álbum Canções do amor demais, da cantora Elizeth Cardoso (1920 – 1990), com a primeira gravação do violão renovador de João, que completaria a revolução em agosto daquele mesmo ano de 1958 ao lançar o compacto com a célebre gravação de Chega de saudade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958). O próprio Cazuza flertou com a bossa nova na segunda fase do cancioneiro autoral que compôs ao longo da década de 1980, notadamente em canções como Faz parte do meu show (Renato Ladeira e Cazuza, 1988) e Doralinda (1998), parceria com João Donato, lançada postumamente em disco, oito anos após a saída de cena do artista conhecido pelo epíteto de Exagerado. Ainda assim, soa inusitado o projeto do show que junta um dos compositores e músicos mais associados à Bossa Nova, Roberto Menescal, com Leila Pinheiro (cantora que alcançou pico de popularidade com disco de bossa nova gravado em 1989 para o Japão) e com Rodrigo Santos, cantor e baixista, egresso de uma das últimas formações do Barão Vermelho, grupo no qual Cazuza despontou em 1982 como vocalista e parceiro de Roberto Frejat na composição do repertório mais relevante da banda. A ideia do espetáculo Faz parte do meu show – Tributo a Cazuza, cuja turnê nacional começa em abril pelas cidades de Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), é rearranjar e apresentar o cancioneiro de Cazuza no ritmo e no clima de bossa nova pelo trio que estará em cena com Leila ao piano, Santos no baixo e Menescal no violão e na guitarra. Menescal e Santos estão mexendo nas harmonias de músicas como Pro dia nascer feliz (Roberto Frejat e Cazuza, 1983), Bete Balanço (Roberto Frejat e Cazuza, 1984), Maior abandonado (Roberto Frejat e Cazuza, 1984), Codinome beija-flor (Reinaldo Arias, Cazuza e Ezequiel Neves, 1985), Preciso dizer que te amo (Dé Palmeira, Cazuza e Bebel Gilberto, 1986) e Um trem para as estrelas (Gilberto Gil e Cazuza, 1987). O show será gravado ao longo da turnê para gerar DVD e CD ao vivo. Porque faz parte do show cantar e gravar Cazuza em ritmo de bossa nova para festejar os 60 anos de ambos. Como a bossa, o poeta está vivo.

Teresa Cristina canta Noel Rosa com a beleza e a fluência do disco de Cartola

sex, 03/09/2018 - 06:02
Foi dando voz ao cancioneiro existencialista de Paulinho da Viola que Teresa Cristina despontou no mercado fonográfico em 2002 com álbum duplo que projetou a cantora carioca além do circuito de bares e casas de shows da Lapa, bairro do centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ) que jogou luz sobre jovem geração de sambistas e chorões no fim do século XX. Só que, em 2002, Teresa Cristina ainda não era a cantora escolada que se ouve no álbum Teresa Cristina canta Noel (Uns Produções / Altafonte), lançado hoje, 9 de março de 2018, dando início a projeto que inclui turnê nacional programada para estrear na segunda quinzena do mês no Rio de Janeiro (RJ), cidade natal tanto da artista quanto do compositor enfocado no disco, Noel Rosa (11 de dezembro de 1910 – 4 de maio de 1937) , herdeiro e depurador das tradições do samba seminal do bairro carioca do Estácio. Teresa Cristina canta Noel é o segundo título de trilogia de songbooks dedicados pela cantora a compositores de samba nascidos na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Iniciada com o sensível álbum Teresa Cristina canta Cartola (2016), lançado há dois anos, a trilogia será encerrada com disco com a obra tão mórbida quanto poética de Nelson Cavaquinho (1911 – 1986). A receita do disco de Noel é a mesma do vitorioso sambabook de Cartola: à voz maturada de Teresa, foi adicionado somente o toque virtuoso do violão de Carlinhos Sete Cordas. De novo, a receita funciona. E nem tinha como dar errado. Se o repertório selecionado é primoroso, o que chega a ser óbvio em se tratando de um gigante na arte da composição como Noel, gracioso cronista de amores e costumes dos anos 1930, a cantora se põe à altura deste repertório. Seja gingando no ritmo e nas ritmas ágeis do samba Seja breve (Noel Rosa, 1933), seja versando com o sambista carioca Mosquito como se a embolada Minha viola (Noel Rosa, 1929) fosse um partido alto. Com toque que evoca o rigor erudito, o violão de sete cordas de Carlinhos tira Minha viola do original ambiente rural e refina a base de Não tem tradução (Noel Rosa, 1933) sem se afastar do terreirão do samba. Teresa Cristina e Carlinhos Sete Cordas Divulgação / Fernando Young A propósito, não há, neste sedutor disco Teresa Cristina canta Noel, a intenção de estilizar ou modernizar a obra de Noel. Melodias e letras têm preservadas as arquiteturas originais, já em si irretocáveis. E, sim, trata-se essencialmente de um disco de samba com todo o esplendor da negritude do gênero matricial do Brasil, como evidencia o toque do violão de Carlinhos Sete Cordas em Filosofia (Noel Rosa e André Filho, 1933). E, se o samba é a tristeza que balança, como dizia o poeta, Teresa Cristina é cantora grande ao expor essa tristeza que é senhora nos versos do enlutado Silêncio de um minuto (Noel Rosa, 1935), do samba Pela décima vez (Noel Rosa, 1935), do samba-canção Deixa de ser convencida (Noel Rosa e Wilson Baptista, 1935) – o título mais raro dentre as 14 composições cantadas por Teresa pela pouca quantidade de registros fonográficos oficiais (cinco, e todos pouco ouvidos) dessa música que tem letra escrita por Noel à revelia do parceiro Wilson Baptista (1913 – 1968), criador da melodia feita com outros versos – e, claro, da obra-prima que abre o disco, Feitio de oração (1933), samba-canção feito por Noel com o compositor paulistano Oswaldo de Almeida Gogliano (1910 – 1962), o Vadico, notável parceiro do Poeta da Vila por ter criado melodias tão belas, e por vezes tão tristes, como a de Feitio de oração. A cantora Teresa Cristina Divulgação / Fernando Young Em repertório escolhido com o mérito de fugir dos sucessos mais óbvios de Noel, embora sabiamente tampouco a cantora os tenha evitado de forma radical, Quando o samba acabou (Noel Rosa, 1933) sobressai como mais um veículo para Teresa Cristina expressar a melancolia tão entranhada em canto que, em contrapartida, se mostra sem (toda) a verve necessária para encarar o samba Gago apaixonado (Noel Rosa, 1930) e o samba-choro Conversa de botequim (Noel Rosa e Vadico, 1935), equivocadamente escolhido para ser o primeiro single do álbum gravado sob a direção musical de Caetano Veloso. Detalhe tão pequeno de disco que transcorre envolvente pela total sintonia da voz da artista com o classudo violão de Carlinhos Sete Cordas, hábil o suficiente para soar seresteiro em O X do problema (Noel Rosa, 1936) e para gingar no ritmo de Positivismo (Noel Rosa e Orestes Barbosa, 1933) e de Onde está a honestidade? (Noel Rosa, 1933), samba que soa atualíssimo face aos escândalos cotidianos sobre patrimônios acumulados de forma ilícita por políticos do Brasil. Enfim, por mais que a trilogia de sambabooks de Teresa Cristina impeça o registro da obra autoral dessa cantora que foi se revelando inspirada compositora a partir do segundo álbum, A vida me fez assim (2004), o fato é que o álbum dedicado ao cancioneiro de Noel Rosa é tão bonito e fluente quanto o disco com a obra de Cartola. (Cotação: * * * *)

Fiel à aldeia mineira, Tavinho Moura renova repertório em poético CD autoral

sex, 03/09/2018 - 06:00
Em 1978, o cantor, compositor e músico mineiro Tavinho Moura lançou o primeiro álbum, Como vai minha aldeia (RCA-Victor), já enturmado com os compositores amigos do Clube da Esquina. Neste disco, Moura apresentou músicas como Cruzada, composta em parceria com Márcio Borges. Decorridos 40 anos, sempre fiel à aldeia e à turma musical das Geraes, o artista renova o repertório autoral no álbum O anjo na varanda, recém-lançado pela gravadora Dubas, da qual Ronaldo Bastos, poeta fluminense associado ao clube mineiro, é um dos diretores artísticos. Amigo das antigas, Bastos é também o parceiro letrista de Moura em três das 14 músicas do disco, assinando os versos de Menino Bente Altas, da canção-título O anjo na varanda e de Eu e mais você. As três músicas são inéditas. Já Chico Amaral é o parceiro mais novo, autor dos versos de Serra da lua, música nascida a partir de viagem de Tavinho a Roraima, à procura de aves aras. Em que pesem as presenças de novos e antigos parceiros, o álbum O anjo na varanda é pautado pela presença de Fernando Brant (1946 – 2015), colaborador habitual do cancioneiro de Moura com a fina escrita poética que engrandece a obra de Milton Nascimento e o próprio disco ora lançado com capa que expõe ilustração de Tereza Moura. Essa presença soa natural pelo fato de o embrião do álbum O anjo na varanda ter sido o projeto de Moura de viabilizar o segundo volume do álbum Conspiração dos poetas, dando sequência ao disco de 1997 assinado com Brant. Capa do álbum 'O anjo na varanda', de Tavinho Moura Divulgação / Dubas O projeto foi inviabilizado com a repentina saída de cena de Brant, em 2015, mas o poeta letrista deixou pronto os versos de músicas como Dona do olhar e Clara Clara Clara, composição registrada no disco com o toque magistral do violão de Chiquito Braga (1936 – 2017), outro ícone da música mineira que saiu de cena antes que Moura lançasse O anjo na varanda. Embora O anjo na varanda seja essencialmente um álbum de músicas inéditas, Moura – em foto de Dario Syl – rebobina algumas composições que sobressaíram em discografia que já contabiliza 40 anos. Encontro das águas (1990), tema originalmente instrumental lançado por Almir Sater, reaparece com a letra posteriormente escrita por Fernando Brant e apresentada em disco em 2004. Outra música regravada no disco é Cabaré mineiro, composta por Moura com versos do poeta (mineiro, claro) Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987). Embebido em poesia, mote de letras escritas em sintonia com melodias delicadas, o CD O anjo na varanda mostra que a aldeia de Tavinho Moura vai muito bem.

Marcos Valle grava álbum autoral para selo inglês enquanto espera CD com Dori e Edu

sex, 03/09/2018 - 00:02
O cantor, compositor e músico Marcos Valle no estúdio em gravação de disco autoral Reprodução / Vídeo A caminho dos 75 anos, a serem festejados em setembro, Marcos Valle continua em plena atividade fonográfica. Enquanto aguarda o já próximo lançamento do disco que gravou em 2017 com os amigos contemporâneos Dori Caymmi e Edu Lobo, CD com novas abordagens de músicas antigas programado para ser lançado em abril pela gravadora Biscoito Fino, o cantor, compositor e músico carioca grava no Brasil um álbum autoral para o selo inglês Far Out Recordings. Iniciadas em fevereiro, as gravações se estendem por este mês de março de 2018. Nesta semana, por exemplo, Valle pôs voz em algumas músicas do disco. Na foto acima, extraída de vídeo postado em fevereiro pela gravadora, o artista é visto em estúdio durante a gravação deste álbum feito para a Far Out. Cabe lembrar que, por esse selo inglês que costuma editar na Europa discos inéditos de artistas brasileiros, Valle registrou músicas então novas em álbuns autorais como Nova bossa nova (1998), Contrasts (2003) e Estática (2010). Embora a obra de Marcos Valle tenha extrapolado o refinado arco estético da música gerada em 1958 pelo movimento rotulado como Bossa Nova, se conectando já a partir da segunda metade da década 1960 com outros sons e ritmos do universo pop, o artista é comumente associado à bossa que completa 60 anos em 2018.

Rincon Sapiência louva o samba em single em que versa criticamente sobre a folia

qui, 03/08/2018 - 08:00
"Avance, no tabuleiro, não seja o mais fuleiro Corpo parado, eu digo que é um pecado, respeite o batuqueiro Louvemos o samba, tem calor e sedução É verão e vocês verão, a mandinga vem de dentro, serião Muitos tentarão e não serão A vida é uma percussão, sem ritmo, sem repercussão Firme, não é como um filme, com cortes e edição" Os versos de Área de conforto, música inédita de autoria de Rincon Sapiência lançada esta semana pelo rapper paulistano, são (mais um) recado certeiro de Danilo Albert Ambrósio, nome deste artista que se consagrou no ano passado com o lançamento do primeiro álbum, Galanga livre, um dos melhores discos de 2017. Com batida envolvente que mistura samba e samba-rock, sem deixar de cair no matricial suingue africano, a gravação de Área de conforto sai simultaneamente em single e em clipe dirigido e roteirizado por Mooc em atmosfera carnavalesca. Na letra da música, Rincon louva o samba e versa sobre os códigos comportamentais do Carnaval e do verão, exaltando os prazeres da folia com a alta dose de crítica e consciência social que caracteriza o discurso do artista. "Ritmo de festa, tudo lindo, posso chapar, posso chocar / Sei que tem gente que odeia índio e, na hora da folia, usa cocar / Vamos tocar, mas a serpentina não vai ofuscar a retina", avisa o rapper, atento aos menores sinais de preconceito. Música que sucede o single Afro rep (2017) na discografia do artista, Área de conforto foi gravada com os toques dos músicos Dudu Afrobrasileiro (percussão e cavaco), Nicolas Carneiro (baixo) e Robson Heloyn (guitarra). Produzido pelo próprio Rincon Sapiência, o single Área de conforto chega às plataformas digitais através do selo Boia Fria Produções.

Ney grava canção lançada por Gal nos anos 1980 para trilha sonora de 'Malhação'

qui, 03/08/2018 - 07:00
Em 1985, Gal Costa gravou pela primeira vez um álbum de músicas inéditas, Bem bom, sem que o repertório tivesse sequer uma única composição de Caetano Veloso, cuja obra norteia a discografia da cantora. Para ter Caetano no álbum, Gal então convidou o cantor para dueto em Sorte, canção pop romântica que projetou a então recente parceria de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos. Sorte abriu o álbum e se tornou um dos hits radiofônicos de Bem bom, no rastro do sucesso nacional alcançado pela balada Um dia de domingo (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1985). Decorridos 33 anos, Sorte ganha a voz plural de Ney Matogrosso. A convite do produtor musical Sacha Amback, Ney gravou Sorte para a trilha sonora da nova temporada de Malhação, intitulada Vidas brasileiras e no ar pela TV Globo desde ontem, 7 de março de 2018. A gravação foi feita pelo cantor com quarteto de cordas, exclusivamente para a trilha sonora de Malhação – Vidas brasileiras.

Cantores iluminam obra lírica de Catulo da Paixão Cearense em CD derivado de show

qui, 03/08/2018 - 00:06
Há certa pompa até no nome do compositor e poeta maranhense Catulo da Paixão Cearense (8 de outubro de 1863 – 10 de maio de 1946), criador de músicas líricas e/ou brejeiras que traduziram a alma do homem do sertão brasileiro no fim do século XIX e início do século XX. Com capa assinada pelo ilustrador Elifas Andreato, grife da indústria brasileira do disco, o álbum A paixão segundo Catulo chega ao mercado fonográfico neste mês de março de 2018 pelo Selo Sesc com o registro de 15 números – gravados no estúdio carioca Radamés Gnattali entre setembro e outubro de 2017 – do ciclo de quatro shows idealizados pelo músico Mário Sève e apresentados na cidade do Rio de Janeiro (RJ) entre março e abril de 2016, sob direção do próprio Sève. Intitulado A paixão segundo Catulo – Um olhar sobre a modinha e a canção brasileira, o ciclo de shows reuniu elenco formado pelos cantores Alfredo Del-Penho, Carol Saboya, Claudio Nucci, Joyce Moreno, Leila Pinheiro, Lui Coimbra, Mariana Baltar e Rodrigo Maranhão. Reverente à arquitetura do cancioneiro do Poeta do sertão, o disco A paixão segundo Catulo mostra que a obra do compositor vai muito além de algumas famosas obras-primas. Entre as músicas mais conhecidas do compositor, há o choro Flor amorosa (Joaquim Antonio da Silva Callado e Catulo da Paixão Cearense, 1880), a dolente canção Ontem ao luar (Choro e poesia) (Pedro de Alcântara e Catulo da Paixão Cearense, 1917) – ouvida no CD na voz de Joyce Moreno com o toque lírico da flauta de Mário Sève, arranjador da faixa – e, claro, Luar do sertão (João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense, 1910), clássico caipira revivido por Claudio Nucci com Mariana Baltar, intérprete solista de Tu passaste por este jardim (Alfredo Dutra e Catulo da Paixão Cearense). No disco, produzido por Sève, Leila Pinheiro joga luz e técnica sobre Os olhos dela (Irineu de Almeida e Catulo da Paixão Cearense, 1905) – faixa arranjada pela artista somente com o toque do piano da própria Leila, em tom mais distante do universo original do compositor – e a valsa Por que sorris? (Juca Kallut e Catulo da Paixão Cearense), além de abordar o já mencionado choro Flor amorosa em dueto com Rodrigo Maranhão, intérprete dono da voz mais opaca entre o elenco de cantores, como evidencia o pálido registro solo de Talento e formosura (Edmundo Otávio Ferreira e Catulo da Paixão Cearense, 1904). Bem mais talhado para a arte de cantar, Claudio Nucci acerta o tom buliçoso de O sertanejo enamorado (Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense, 1905) e canta Cabocla de Caxangá (João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense, 1914) com o reforço do coro formado por todas as vozes solistas do disco. Já Carol Saboya reitera a técnica exemplar ao solar a belíssima Você não me dá (Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense, 1910) com delicadeza e ao entrar com Lui Coimbra no clima brejeiro de Sertaneja (Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense). Única música assinada somente por Catulo, a modinha Amenidade (1913), ouvida na voz de Alfredo Del-Penho, é uma das pérolas guardadas no baú deste poeta compositor que tinha mais o dom da palavra do que o da arte de criar melodias. Dono de obra seresteira que totaliza cerca de 150 composições, Catulo deixou cancioneiro que retrata bem o lirismo apaixonado de época marcada por canções compostas e cantadas à flor da pele. O disco A paixão segundo Catulo é bonito retrato dessa obra.

Filho de Edu, Bernardo Lobo lança o quinto álbum, 'C'ALMA', gravado em Lisboa

qui, 03/08/2018 - 00:02
Seis anos após lançar o CD Ventania (2012), o cantor e compositor carioca Bernardo Lobo se prepara para apresentar o quinto álbum, C'ALMA, programado para chegar ao mercado fonográfico a partir de 30 de março pela gravadora Biscoito Fino. Produzido por Pierre Aderne, artista carioca radicado em Lisboa, cidade portuguesa onde o disco foi gravado, C'ALMA é o primeiro álbum em que o filho do compositor carioca Edu Lobo se apresenta como Bernardo Lobo, deixando para trás o apelido Bena, até então incorporado ao nome artístico. O primeiro single do álbum, Ciranda da lágrima, estará disponível nas plataformas digitais a partir de 16 de março. Composição assinada por Bernardo Lobo em parceria com Mú Chebabi e Ronaldo Semedo, Ciranda da lágrima conjuga a tradição do cancioneiro nordestino – herdada por Bernardo tanto do pai quanto do avô, o jornalista e compositor pernambucano Fernando Lobo (1915 – 1996) – com a melancolia da música portuguesa. O arranjo é assinado por Humberto Araújo, músico carioca que também migrou para Lisboa. Com repertório autoral, o álbum C'ALMA integra os toques de músicos brasileiros, portugueses e cabo-verdianos. Pedro Miranda, Jaques Morelenbaum, Luís Filipe de Lima, Humberto Araújo, Pablo Lapidusas e Miroca Paris, entre outros nomes, são alguns dos músicos presentes na ficha técnica do disco. "É sempre um aprendizado fazer um novo disco, ainda mais fora do meu país e da minha cidade. Acabei absorvendo muita coisa nova que, naturalmente, passou para as canções, os arranjos e a produção. Mas, por incrível que pareça, esse talvez seja o mais brasileiro dos meus discos: o Brasil está dentro de mim e da minha música, onde quer que eu esteja", ressalta Bernardo Lobo (em foto de Sérgio Pagano). O repertório do álbum C'ALMA inclui parcerias do artista com João Cavalcanti (Quererá), Moyseis Marques (Amor de valor) e Mu Chebabi (Terra à vista), entre outras músicas.

Prefeitura de SP recomenda ao público do Lollapalooza que tome vacina contra a febre amarela

qua, 03/07/2018 - 20:05
Festival será realizado entre 23 e 25 de março, em Interlagos, área com recomendação para a vacina. Público mostra seu estilo no segundo dia do Lollapalooza 2017, em São Paulo Marcelo Brandt/G1 A Prefeitura de São Paulo recomenda para quem vai ao Lollapalooza que tome vacina contra a febre amarela com, no mínimo, 10 dias de antecedência, informou a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) nesta quarta-feira (7). O evento acontecerá nos dias 23, 24 e 25 de março, no Autódromo de Interlagos, em Cidade Dutra, um dos 24 distritos com recomendação para a imunização contra a doença. A orientação aos moradores da capital que ainda não foram imunizados e que pretendem ir ao festival é procurar uma unidade de referência para viajante ou um dos postos que esteja participando da atual fase da campanha levando (veja a lista dos postos que aplicam a vacina): Pulseira ou o comprovante de compra de acesso ao festival; Cartão SUS; Comprovante de identidade. Para quem não reside na capital paulista, é importante já tomar a vacina antes da viagem.

Magnetismo de Bethânia engrandece show menor com (alguns) sucessos da artista

qua, 03/07/2018 - 14:27
Maria Bethânia na gravação do DVD em show no Rio Mauro Ferreira Assim que acabou de cantar Olhos nos olhos (Chico Buarque, 1976), Maria Bethânia surpreendeu o público que lotou a casa Vivo Rio na noite de ontem, 6 de março, para assistir ao show da cantora, no primeiro dos dois dias de gravação ao vivo de DVD previsto para ser lançado no segundo semestre deste ano de 2018 pela gravadora Biscoito Fino. "Um momento! Houve um problema gravíssimo de som para mim. Podemos repetir, por favor?", disse Bethânia, interrompendo o fluxo do roteiro desse show de conceito mais fluido, captado para o DVD sob a direção de Marcio Debellian. Liderados pelo baixista Jorge Helder, diretor musical do show, os músicos da banda deram a impressão de que não compreenderam o "problema gravíssimo" apontado pela intérprete, mas acataram o pedido da cantora. Já o público de súditos aplaudiu e saboreou a repetição da canção de Chico Buarque que abriu as portas das emissoras de rádio AM para Bethânia no já longínquo ano de 1976. Maria Bethânia na gravação do DVD em show no Rio Mauro Ferreira Nesse espetáculo caracterizado por Bethânia como "show de rua" e apresentado pelo Brasil desde fevereiro de 2017, a cantora em tese revive sucessos que marcaram os 53 anos de carreira fonográfica. Alguns – como a releitura da balada sertaneja É o amor (Zezé Di Camargo, 1991), refinada por Bethânia em controvertida gravação de 1999 – batem ponto no roteiro desde a estreia da turnê nacional. Outros hits, como Esse cara (Caetano Veloso, 1972) e Terezinha (Chico Buarque, 1977), entraram no roteiro para a gravação do DVD. "É emocionante cantar Chico Buarque, Terezinha, muitos anos depois, no palco que ele acabou de ocupar", disse Bethânia, se referindo ao fato de Chico, compositor da canção, ter encerrado na casa Vivo Rio, em fevereiro, a temporada carioca da turnê do show Caravanas. A bem da verdade, Esse cara e Terezinha foram as únicas novidades de um show que, a rigor, costura números dos roteiros de espetáculos anteriores da artista. Nessas duas músicas, Esse cara e Terezinha, é possível perceber as mudanças no canto maturado de Bethânia, que fará 72 anos em junho. A sensualidade e a impetuosidade das interpretações de outrora soam mais rarefeitas, dando lugar a uma dose maior de suavidade nas abordagens dessas músicas emblemáticas na trajetória da intérprete. Tal suavidade é condizente com a delicadeza terna que pauta as lembranças de Onde estará o meu amor? (Chico César, 1996) e Gostoso demais (Dominguinhos e Nando Cordel, 1986), linkadas no roteiro justamente pela dose de ternura. Maria Bethânia na gravação de DVD em show no Rio Mauro Ferreira Para os súditos que gritaram adjetivos como "necessária" e "rainha" na plateia da casa Vivo Rio, o número escasso de hits possíveis nesse "show de rua" parece ser dado irrelevante. Não há no roteiro o samba Sonho meu (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1978), o hino de sentido originalmente político Explode coração (Gonzaguinha, 1978) e tampouco a canção Grito de alerta (Gonzaguinha, 1979), três retumbantes sucessos que ajudaram a tornar Bethânia a cantora mais popular do Brasil no fim dos anos 1970. Bethânia optou por cantar sucessos de um hit parade particular em que parecem estar eternamente entronizadas músicas do compositor baiano Roque Ferreira, como Doce (2008) e Lágrima (2006), assim como os sambas de roda do Recônvavo Baiano, revividos no já tradicional pot-pourri, ilustrado na gravação do DVD com imagens do documentário Fevereiros (2016), dirigido por Marcio Debellian. Sem falar no bis, infalivelmente encerrado com o samba O que é o que é (Gonzaguinha, 1982). De todo modo, justiça seja feita, o samba-canção Negue (Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos, 1960) e uma das últimas grandes canções do Roberto, Fera ferida (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1982), foram mantidas no roteiro, para deleite da plateia. Quem segue Bethânia pelos palcos sabe que as inflexões, poses e ênfases nas interpretações das músicas permanecem em cena como antes. Mas a mágica sempre parece funcionar. E funcionou ontem. De novo. Mais uma vez. Maria Bethânia na gravação de DVD em show no Rio Mauro Ferreira A grande questão, para estes espectadores fiéis, é saber se a cantora ligará o piloto automático – ação não tão incomum no decorrer das turnês. No show feito ontem no Rio de Janeiro (RJ), cidade reverenciada com o samba Rio de Janeiro (Isto é o meu Brasil) (Ary Barroso, 1950) e com a marcha Cidade maravilhosa (André Filho, 1934), Bethânia não bateu ponto. Até porque tratava-se de apresentação que será perpetuada para a posteridade. No palco do Vivo Rio, Bethânia foi simplesmente Bethânia. Lançou mão do magnetismo habitual que lhe torna soberana em cena, dona do dom, entronizada no direito de reclamar quando acendem a luz da plateia em momento de entusiasmo do público ("Detesto. Caio do trapézio", justificou, poeta). Eterna rainha da cena, Bethânia pode ser dar ao luxo de reverenciar com saudade a figura do percussionista Naná Vasconcellos (1944 – 2016) quando canta Frevo nº 2 do Recife (Antônio Maria, 1954) e, alguns momentos depois, puxar a capella o refrão de massivo sucesso do cantor baiano Pablo, Vingança do amor (Tierry Coringa, Filipe Escandurras e Magno Santanna, 2014). Bethânia pode porque tudo se irmana e se engrandece na magnitude do canto da intérprete-orixá. O que explica o êxtase do público diante de show menor dentro da grandiosa carreira de Maria Bethânia. (Cotação: * * * 1/2) Maria Bethânia na gravação de DVD em show no Rio Mauro Ferreira Eis o roteiro seguido na noite de 6 de março de 2018 por Maria Bethânia na casa Vivo Rio, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), no primeiro dos dois dias de gravação do próximo DVD da cantora: Ato 1 1. Gema (Caetano Veloso, 1980) 2. O quereres (Caetano Veloso, 1984) 3. Dona do raio e do vento (Paulo César Pinheiro, 2006) 4. Onde estará o meu amor? (Chico César, 1996) / 5. Gostoso demais (Dominguinhos e Nando Cordel, 1986) "Mora comigo na minha casa..." (Luiz Carlos Lacerda, 1973) – Texto 6. Esse cara (Caetano Veloso, 1972) 7. Terezinha (Chico Buarque, 1977) 8. Estado de poesia (Chico César, 2012) 9. Fera ferida (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1982) 10. Negue (Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos, 1960) 11. Lágrima (Roque Ferreira, 2006) 12. Balada de Gisberta (Pedro Abrunhosa, 2007) Ato 2 13. Cálice (Gilberto Gil e Chico Buarque, 1973) 14. Sonho impossível (The impossible dream) (Mitch Leigh e Joe Darion, 1965, em versão em português de Chico Buarque e Ruy Guerra, 1972) 15. Rio de Janeiro (Isto é o meu Brasil) (Ary Barroso, 1950) 16. Doce (Roque Ferreira, 2008) 17. Eu e água (Caetano Veloso, 1988) 18. Vento de lá (Roque Ferreira, 2007) 19. Imbelezô (Roque Ferreira, 2014) 20. Frevo nº 2 do Recife (Antônio Maria, 1954) 21. Samba da benção (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966) 22. Âmbar (Adriana Calcanhoto, 1996) Soneto da infidelidade (Vinicius de Moraes) – Texto 23. Vingança do amor (Tierry Coringa, Filipe Escandurras e Magno Santanna, 2014) – a capella 24. Esotérico (Gilberto Gil, 1976) 25. É o amor (Zezé Di Camargo, 1991) / 26. Vai dar namoro (Chico Amado e Dedé Badaró, 2003) 27. Olhos nos olhos (Chico Buarque, 1976) 28. Volta por cima (Paulo Vanzolini, 1962) 29. Meu amor é marinheiro (Alan Oulman sobre versos de Manuel Alegre, 1974) 30. Maria Bethânia, a menina dos olhos de Oyá (Alemão do Cavaco, Almyr, Cadu, Lacyr D Mangueira, Paulinho Bandolim e Renan Brandão, 2016) 31. Santo Amaro Ê Ê (tema tradicional) / 32. Quixabeira (tema tradicional) / 33. Reconvexo (Caetano Veloso, 1989) / 34. Minha Senhora (tema tradicional) / 35. Viola meu bem (tema tradicional) / "Sou eu mesmo o trocado" (Fernando Pessoa) – Texto 36. Non, je ne regrette rien (Charles Dumont e Michel Vaucaire, 1956) Bis: 37. Cidade maravilhosa (André Filho, 1934) 38. O que é o que é (Gonzaguinha, 1982

Cee Lo Green é anunciado como atração do Festival Coolritiba

qua, 03/07/2018 - 12:05
Evento está marcado para 5 de maio, na Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba. Cee Lo Green é anunciado como atração do Festival Coolritiba AP O Festival Coolritiba anunciou, nesta quarta-feira (7), o cantor amerciano Cee Lo Green como uma das atrações deste ano. Com uma pegada de blues moderna, o artista mistura elementos do funk e hip-hop. O show está marcado para 5 de maio, na Pedreira Paulo Leminski. O lineup do festival também tem Sandy, Anavitória, Outro Eu, Nação Zumbi, Black Alien, Maneva, Baiana System, Far from Alaska, O Terno, Rincón Sapiência, Jenni Mosello, Scalene, Dingo Bells e o grupo musical do movimento do passinho Dream Team do Passinho. Em 2017, CeeLo Green encerrou a noite de sábado do Rock in Rio no palco Sunset. Ele levantou o público com sucessos autorais como o hit “Crazy” do duo Gnarls Barkley, do qual fez parte no início dos anos 2000; "Don't Cha", que ele escreveu para as Pussycat Dolls; e “Fuck You", o maior sucesso de sua carreira solo. Duo Anavitória também está no lineup do festival Divulgação Ingressos Os ingressos custam a partir de R$120 (meia-entrada). As entradas podem compradas pela internet Blueticket ou nas lojas Multisom (shoppings Palladium e São José). Veja mais notícias do estado no G1 Paraná.

Elza dá voz a Tulipa, a Alice Coutinho e ao bloco Ilú Obá de Min em álbum feminino

qua, 03/07/2018 - 07:00
Previsto inicialmente para ser lançado em abril, o 33º álbum de Elza Soares vai efetivamente chegar ao mercado fonográfico em maio deste ano de 2018, a um mês da cantora carioca completar 88 anos. Intitulado Deus é mulher, o sucessor do retumbante álbum A mulher do fim do mundo (2015) tem repertório inédito de tom feminino que inclui músicas como Banho (Tulipa Ruiz), Dentro de cada um (Luciano Mello e Pedro Loureiro), Eu quero comer você (Romulo Fróes e Alice Coutinho), Língua solta (Alice Coutinho e Romulo Fróes) e O que se cala (Douglas Germano, compositor do samba Maria da Vila Matilde, sucesso do disco anterior), além do samba-rock Deus há de ser, composto por Pedro Luís com letra que inclui o verso-título do álbum produzido por Guilherme Kastrup sob direção artística de Romulo Fróes. Composto somente por mulheres, o bloco afro paulistano Ilú Obá de Min pôs voz e percussões em Banho e em Dentro de cada um. Aliás, as bases do disco foram gravadas no estúdio Red Bull Station, na cidade de São Paulo (SP), por banda integrada pelos músicos Marcelo Cabral (baixo e bass synth), Rodrigo Campos (cavaquinho e guitarra), Kiko Dinucci (guitarra, sintetizador e sampler), Mariá Portugal (bateria, percussão e MPC) e Maria Beraldo (clarinete e clarone). Já as vozes de Elza – em foto de Daryan Dornelles – foram gravadas no estúdio Tambor, na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

Eis a capa do DVD em que Gessinger festeja 30 anos do álbum 'A revolta dos dândis'

qua, 03/07/2018 - 06:00
Esta é a capa do DVD que exibe a gravação ao vivo do show de 2017 com o qual Humberto Gessinger percorreu o Brasil, celebrando os 30 anos do álbum mais existencialista do grupo gaúcho Engenheiros do Hawaii, A revolta dos dândis, lançado em 1987 com músicas que se tornariam standards no repertório da banda, casos sobretudo de Infinita highway e Terra de gigantes, dois certeiros e memoráveis petardos autorais do compositor gaúcho, carismático vocalista cuja personalidade forte encobriu os outros integrantes da (ora desativada) banda na poeira da estrada. O DVD chega ao mercado fonográfico na segunda quinzena deste mês de março de 2018 em edição dupla produzida pela gravadora Deck com a junção de DVD e CD. Ambos reproduzem a gravação ao vivo captada em 19 de agosto de 2017, feita sob direção de Pietro Grassia diante de público fervoroso, em apresentação do show Desde aquele dia – A revolta dos dândis 30 anos na casa Pepsi on stage, em Porto Alegre (RS). O roteiro perpetuado no DVD agrega 21 músicas em 17 faixas, incluindo as 11 composições lançadas pelo grupo Engenheiros do Hawaii no álbum de 1987. O título do DVD, Ao vivo pra caramba – A revolta dos dândis 30 anos, cita uma das quatro músicas novas, Pra caramba, inseridas no registro audiovisual do show feito por Gessinger com o guitarrista Felipe Rotta (também no violão e no bandolim) e o baterista Rafael Bisogno (também na percussão). Baterista da formação original do grupo Engenheiro dos Hawaii, o músico gaúcho Carlos Maltz toca timbales em Filmes de guerra, canções de amor (Humberto Gessinger, 1987). Gravadas com o toque do baixista Nando Peters, as músicas Pra caramba (Humberto Gessinger), Cadê? (Humberto Gessinger e Nando Peters), Das tripas coração (Humberto Gessinger) e Saudade zero (Humberto Gessinger e Nando Peters) formam o lote de novidades do repertório do DVD, ainda que todas já tenham sido paulatinamente lançadas em singles por Gessinger de novembro de 2017 a fevereiro deste ano de 2018. Contracapa do DVD 'Ao vivo pra caramba – A revolta dos dândis 30 anos', de Humberto Gessinger Divulgação Eis, na disposição do DVD, as 21 músicas alocadas nas 17 faixas de Ao vivo pra caramba – A revolta dos dândis 30 anos: 1. A revolta dos dândis I (Humberto Gessinger, 1987) 2. Infinita highway (Humberto Gessinger, 1987) + Até o fim (Humberto Gessinger, 2003) 3. Quem tem pressa não se interessa (Humberto Gessinger e Carlos Maltz, 1987) 4. Vozes (Humberto Gessinger, 1987) + Terra de gigantes (Humberto Gessinger, 1987) 5. Desde aquele dia (Humberto Gessinger, 1987) 6. Além dos outdoors (Humberto Gessinger, 1987) 7. Guardas da fronteira (Humberto Gessinger, 1987) 8. Refrão de bolero (Humberto Gessinger, 1987) + Piano bar (Humberto Gessinger, 1991) 9. Filmes de guerra, canções de amor (Humberto Gessinger, 1987) 10. A revolta dos dândis II (Humberto Gessinger, 1987) 11. Das tripas coração (Humberto Gessinger, 2018) 12. Pra caramba (Humberto Gessinger, 2017) 13. Saudade zero (Humberto Gessinger e Nando Peters, 2018) 14. Cadê? (Humberto Gessinger e Nando Peters, 2017) 15. Pose (Anos 90) (Humberto Gessinger, 1992) 16. Faz parte (Humberto Gessinger, 1997) + Vida real (Humberto Gessinger, 1996) 17. Alexandria (Humberto Gessinger e Tiago Iorc, 2015)

Lançado há 50 anos, álbum instrumental da Aladdin Band ganha edição em CD

qua, 03/07/2018 - 00:02
Em 1956, ano em que o rock extrapolou as fronteiras dos Estados Unidos e invadiu todo o universo pop, uma cena roqueira começou a ser formada no Brasil. Foi nesse contexto que o guitarrista Romeu Montovani Sobrinho fundou na cidade de São Paulo (SP), naquele ano de 1956, o grupo instrumental The Jordans. O grupo gravou discos a partir de 1961 e chegou a fazer sucesso, mas, em 1967, Montovani – conhecido pelo apelido de Aladim – deixou o grupo The Jordans e formou a Aladdin Band, grupo instrumental que seria desfeito no início da década de 1970 após a gravação do segundo e último álbum, levando Montovani a voltar para o Jordans. Item de colecionador, o primeiro álbum da Aladdin Band, lançado em 1968 pela já extinta gravadora Fermata, volta ao catálogo após 50 anos, relançado em CD neste mês de março de 2018 dentro de série de reedições produzidas pelo pesquisador Marcelo Fróes para o selo Discobertas. Título raríssimo da discografia do pop brasileiro, o álbum Aladdin Band trouxe repertório majoritariamente estrangeiro que incluiu o registro instrumental de Harley Davidson, tema de autoria do compositor francês Serge Gainsbourg (1928 – 1991) que tinha obtido certa repercussão mundial em gravação feita pela atriz francesa Brigitte Bardot em 1967. Outra curiosidade do repertório do álbum Aladdin Band é o solo vocal de Mantovani, cantor eventual, em Maldade, música de autoria desse guitarrista que também se aventurava na arte da composição. Com ou sem voz, o som da Aladdin Band não fez sucesso, talvez porque o momento da música do Brasil em 1968, com a agonia da Jovem Guarda e o apogeu da Tropicália, já fosse outro. Neste álbum essencialmente instrumental de 1968, produzido por José Mauro Pires, a Aladdin Band era formada por Romeu Montovani (na guitarra solo) com os músicos Edmundo Santana, o Ligeirinho (baixo), Joaquim Alves Barreto, o Jota (guitarra base), José Vieira da Silva, o Zezinho (bateria), Antônio Chiaratto Sobrinho, o Kiarato (saxofones e clarinete), Mário Ferreira Ramos, o Baixinho (saxofones), Paulo Santos, o Lothar (pistom) e Bill Vogel (pistom).

Baleiro revive hit do rapper Rael em single que anuncia coletânea de gravações raras

ter, 03/06/2018 - 08:00
Em 2014, o rapper paulistano Rael lançou Envolvidão, parceria com Nave que se tornaria um dos maiores sucessos da carreira de Rael. Quatro anos depois, Envolvidão ganha gravação oficial de Zeca Baleiro em single que chega às plataformas digitais na próxima sexta-feira, 9 de março, anunciando coletânea de gravações avulsas que o cantor e compositor maranhense vai lançar em abril pelo próprio selo, Saravá Discos. O single foi produzido por Érico Theobaldo. O envolvimento do cantor com essa música de Rael já vem desde 2016, ano em que Baleiro decidiu incluir Envolvidão no roteiro de alguns shows da turnê baseada no álbum Era domingo (2016), lançado em maio daquele ano. Na sequência, Baleiro – em foto de Silvia Zamboni – decidiu gravar Envolvidão para disco com abordagens de músicas alheias, mas o projeto teve a produção interrompida pelo artista. É essa gravação que Baleiro decidiu finalizar para se tornar o primeiro single do terceiro título da série de coletâneas Arquivo, lançadas somente em edição digital. Envolvidão promove a vindoura compilação Arquivo_Raridades, que reunirá sobras de estúdio, gravações de músicas compostas por Baleiro para séries e fonogramas do artista em tributos a artistas como Luiz Gonzaga (1912 – 1989) e Maysa (1936 – 1977). Capa do single 'Envolvidão', de Zeca Baleiro Divulgação / Saravá Discos Baleiro explica a opção por gravar o hit de Rael: "Sou grande fã dessa mistura de canção com rap que o Rael faz e gravei a canção para um disco de releituras que eu estava planejando. Para a produção convoquei um dos três produtores do meu quarto álbum, Pet shop mundo cão, Érico Theobaldo, que tem pegada mezzo produtor, mezzo DJ". Já o produtor detalha a concepção da gravação: "A base da ideia do arranjo de Envolvidão foi a junção da linguagem do hip hop com a da canção brasileira. Fiz a programação de bateria eletrônica com um baixo de sintetizador bem minimalista, para deixar bastante espaço para a voz e para a letra da canção. Depois toquei as guitarras, o Adriano Magoo tocou um piano de cauda e o Zeca gravou violão de nylon. Esses instrumentos foram editados e tratados como loops em alguns momentos, fazendo referência à linguagem do hip hop, mas sem perder a essência da canção", ressalta Érico Theobaldo.

Música de Milton norteia releitura barroca de 'Hoje é dia de rock' por Gabriel Villela

ter, 03/06/2018 - 07:00
Em 1971, ano da encenação consagradora de Hoje é dia de rock no Teatro Ipanema, palco carioca da contracultura, Milton Nascimento já era um dos grandes compositores do Brasil. Mas ainda não tinha lançado a maioria das músicas que norteiam a atual remontagem do texto teatral, escrito pelo dramaturgo mineiro José Vicente (1945 – 2007) em uma época em que o mundo ainda alimentava um ideal humanitário, hippie. Contudo, é a música de Milton, o mais mineiro dos compositores nascidos na cidade do Rio de Janeiro (RJ), que ajuda a dar sentido à releitura onírica de Hoje é dia de rock pelo diretor (também) mineiro Gabriel Villela com o elenco do Teatro de Comédia do Paraná (TCP), companhia fundada em 1963. Com o tom barroco e as cores vivas recorrentes nas encenações de Villela, a atual abordagem de Hoje é dia de rock estreou em Curitiba (PR) em 2017, passou por São Paulo (SP) e chegou no último fim de semana à cidade do Rio de Janeiro (RJ), no mesmo e já mítico palco do Teatro Ipanema, onde ficará em cartaz, de sexta-feira à segunda-feira, até 19 de março de 2018. Não por acaso, San Vicente (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1972) abre a encenação na voz do afinado elenco. Com elementos de música ibérica e da música andina, San Vicente tem versos oníricos condizentes com o tom da fábula em que José Vicente narra a saga existencial de família que migra do sertão de Minas Gerais, mais especificamente da interiorana e fictícia Ventania, para a cidade grande. A poesia dos parceiros letristas de Milton, notadamente Fernando Brant (1946 – 2015) e Ronaldo Bastos, sublinha os sonhos, os anseios e o sabor de vidro e corte que fazem pulsar os corações americanos da família formada por pai, mãe repressora e cinco filhos que querem voar. O ator Rodrigo Ferrarini como Pedro Fogueteiro em 'Hoje é dia de rock' Divulgação / Vitor Dias O patriarca, Pedro Fogueteiro (Rodrigo Ferrarini), é músico que alimenta o sonho de encontrar nova clave musical. Já a mãe, Adélia (Rosana Stavis), simboliza a repressão que impede os voos e castra os sonhos, sobretudo os dos filhos, em trama mais fantástica do que realista em que o dramaturgo discutiu liberdades sexuais, religiosas e ideológicas em tempos ditatoriais. Há humor, sobretudo no tom intencionalmente afetado do gay Valente (Cesar Mathew), mas há também densidade, evidenciada quando Rosana Stavis sobressai como intérprete ao dar voz, com emoção, a Um gosto de sol (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972), música do emblemático álbum duplo Clube da esquina (1972), do qual Gabriel Villela pesca pérolas como Cais (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972) – ouvida em citação instrumental do inconfundível arranjo do maestro Wagner Tiso – e O trem azul (Lô Borges e Ronaldo Bastos, 1972). Cena da peça 'Hoje é dia de rock' Divulgação / Vitor Dias A delicadeza da encenação de Gabriel Villela é valorizada pelo repertório de Milton Nascimento, encaixado com perfeição no texto. Até parece que músicas como Caçador de mim (Sérgio Magrão e Luiz Carlos Sá, 1980) e Encontros e despedidas (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981) – outro solo de Rosana Stavis na pele da matriarca Adélia – foram feitas para sublinhar as angústias, as chegadas e as partidas dos membros daquela família, que se (des)encontram em lugares externos ou em recônditos invioláveis da alma humana. Enfim, com a música atemporal de Milton Nascimento, Gabriel Villela consegue revitalizar Hoje é dia de rock, texto que põe em cena a figura do cantor norte-americano que simboliza o nascimento do rock, Elvis Presley (1935 – 1977). Uma obra da contracultura que, inclusive por conta desse contexto original, poderia até soar datada nas mãos de encenador sem a personalidade forte deste mineiro de alma barroca, mas não soa porque, tanto na música de Milton Nascimento como no teatro de Gabriel Villela, os sonhos nunca envelhecem. (Cotação: * * * *)

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