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Cenário Musical

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Confira as principais notícias sobre música: shows, festivais, premiações e eventos musicais de bandas e cantores do Brasil e do mundo.
Atualizado: 2 horas 14 minutos atrás

Música indignada composta há 40 anos por Renato Russo ganha regravação coletiva

dom, 03/25/2018 - 16:50
Música composta em 1978 por Renato Russo (1960 – 1996) para o repertório do grupo brasiliense de punk rock Aborto Elétrico, fundado por Russo naquele ano, Que país é este tem uma das letras mais virulentas e políticas da história do rock brasileiro. Uma letra com versos indignados que continuam atuais diante da situação social do país. Tal atualidade motivou a reunião do grupo CPM 22 com a banda de reggae Maneva, com o funkeiro MC Zaac e com a cantora Clau em regravação de Que país é este que será lançada em single nas plataformas digitais na última semana deste mês de março de 2018. O single será lançado 40 anos após a composição da música, embora Que país é este somente tenha tido o primeiro registro fonográfico oficial em 1987, feito para álbum da Legião Urbana, banda fundada por Renato Russo em 1982 na sequência da dissolução do pioneiro Aborto Elétrico. A música inclusive batizou o álbum intitulado Que país é este 1978 / 1987.

Show solo de Paula Toller surte efeito e vibrações de apresentação do Kid Abelha

dom, 03/25/2018 - 16:12
Ao saudar o público que compareceu à casa Vivo Rio na noite de ontem, 24 de março de 2018, para assistir à estreia carioca do show solo Como eu quero!, Paula Toller prometeu apresentação cheia de "boas vibrações". Dito e feito. Tanto que, cerca de uma hora e meia depois, a cantora e compositora carioca saiu do palco consagrada e ovacionada pela plateia, após o bis iniciado com duas apaixonantes baladas, Grand' hotel (George Israel, Paula Toller e Lui Farias, 1991) e Os outros (Leoni, 1985), e encerrado com as duas músicas lançadas há 35 anos pelo ora desativado Kid Abelha no primeiro disco do grupo, um compacto editado em 1983 com as gravações originais de Por que não eu? (Leoni, Paula Toller e Herbert Vianna, 1983) e Pintura íntima (Leoni e Paula Toller, 1983). Ao fim do show, pessoas de meia-idade que adolesceram ao som pop do Kid Abelha, jovens e até algumas crianças estavam extasiadas pela sucessão de hits enfileirados por Paula no roteiro alinhavado com arranjos do diretor musical do show, Liminha, presente na banda como violonista. O fato é que, ao chegar na cidade do Rio de Janeiro (RJ) após passagens por algumas capitais do Brasil, o atual show solo de Paula Toller surtiu o mesmo efeito e as boas vibrações das apresentações do Kid Abelha. A cantora e compositora Paula Toller Divulgação Vivo Rio / Ricardo Nunes Afinal, quem ia aos shows do Kid Abelha queria ver e ouvir a platinada Toller dar voz (afinada com o passar dos anos) a uma cancioneiro pautado pela excelência pop. Escorado na figura eternamente jovial da artista, o show Como eu quero! seduziu o público carioca, revendendo todos os hits do grupo em embalagem que jamais diluiu a pegada pop dessas canções que atravessaram gerações, ainda ressoando luminosas, irresistíveis, após três décadas, a despeito de alguns críticos de música atuantes nos anos 1980 terem minimizado na época o Kid Abelha no confronto com outras bandas por puro preconceito contra repertório tão pop quanto popular que versava sobre anseios e amores juvenis em vez de rebobinar o discurso político de grupos mais engajados. Não, não houve o toque do saxofone de George Israel, integrante mais destacado do Kid após a saída de Leoni, e nem de nenhum outro saxofonista. Mas ninguém pareceu sentir tal ausência e muito menos pareceu se lembrar de que havia (bom) guitarrista, Bruno Fortunato, no grupo. O roteiro tampouco se restringiu ao repertório do Kid, incluindo uma canção fruto da vivência pessoal de Paula como mãe – Oito anos (Paula Toller e Dunga, 1998), lançada há 20 anos no primeiro álbum solo da abelha rainha com letra que relacionava perguntas feitas pelo então pequeno Gabriel, filho da artista – e pálida versão em português de música da lavra nobre de Stevie Wonder, Don't you worry 'bout a thing (1973). Intitulada Deixa a vibe te levar, em alusão ao nome do samba lançado em 2002 por Zeca Pagodinho, a inédita versão escrita por Paula foi um dos poucos momentos frios da primeira apresentação do show Como eu quero! no Rio. A cantora e compositora Paula Toller Divulgação Vivo Rio / Ricardo Nunes Contudo, em essência, foi como se o público estivesse assistindo a um show do Kid Abelha sem o Kid Abelha, mas com a voz de Paula Toller e com o repertório do grupo. O que, na prática, bastou para fazer a festa desse público. Com os toques de músicos jovens como Pedro Dias (no baixo) e Gustavo Camardella (nos violões), integrantes de banda pautada pela elegância pop, Paula Toller sustentou a leveza dos hits do Kid Abelha, já abrindo o roteiro essencialmente autoral com Fixação (Beni Borja, Leoni e Paula Toller, 1984), e relembrou algumas composições de discografia solo que resultou titubeante com a edição do recente álbum Transbordada (2014), lançado há quatro anos com repertório calcado na parceria da artista com o produtor Liminha, saudado efusivamente no palco da casa Vivo Rio pela cantora como "o maior produtor de rock do Brasil". Da safra menos imponente do disco Transbordada, Paula rebobinou no roteiro de Como eu quero! as músicas Calmaí (Paula Toller e Liminha, 2014) e O sol desaparece (Paula Toller e Liminha, 2014), número de brilho reduzido na estreia carioca do show. Do repertório solo de Toller, a melhor surpresa foi À noite sonhei contigo (Kevin Johansen em versão em português de Paula Toller, 2007), pérola do mais inspirado disco solo da abelha, Só nós (2007), lançado há 11 anos sem a merecida repercussão nacional. A cantora e compositora Paula Toller Divulgação Vivo Rio / Ricardo Nunes A cinco meses de completar 56 anos de vida, Paula Toller provou na estreia carioca do show que faz bem em insistir na juventude. O tempo pareceu não ter efeito sobre a cantora quando ela deu voz às músicas adolescentes Educação sentimental II (Leoni, Paula Toller e Herbert Vianna, 1985) e A fórmula do amor (Leoni e Leo Jaime, 1985) – esta cantada pela primeira vez ao vivo por ter ficado mais famosa na gravação feita por Paula para álbum de Leo Jaime do que no registro quase simultâneo do Kid – como se ainda tivesse vinte e poucos anos. Baseado nos toques do violões de Liminha e Gustavo Camardella, o arranjo de Educação sentimental II exemplificou bem o suave tom pop, por vezes folk, com que Toller anda revisitando os hits da juventude. Mesmo que a vocalista tenha esboçado certa intensidade no canto de Lágrimas e chuva (Leoni, George Israel e Bruno Fortunato, 1985), o show Como eu quero! chegou ao Rio sustentado pela leveza da música pop. Só que, sintomaticamente, sem guitarra e sem saxofone. Nem por isso o toque da bateria de Adal Fonseca deixou de sobressair, bem marcado, no arranjo de No seu lugar (Paula Toller, George Israel e Lui Faria, 1991). Fora do eixo autoral, a cantora deu voz a Ando meio desligado (Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sérgio Dias, 1970) com arranjo minimalista de tom levemente etéreo – música justificada no roteiro pelo fato de estar sendo tocada com a presença do ex-Mutantes Liminha na banda – e a Céu azul (Chorão e Thiago Castanho, 2011), canção melódica do repertório hard do grupo Charlie Brown Jr. que foi calorosamente recebida pelo público de Paula na estreia carioca do show. A cantora e compositora Paula Toller Divulgação Vivo Rio / Ricardo Nunes Contudo, foi mesmo nos sucessos do Kid Abelha que a comunhão entre artista e público se fez de forma mais plena. O hit acústico Nada sei (Apneia) (Paula Toller e George Israel, 2002) e a canção-título Como eu quero (Paula Toller e Leoni, 1984) – cuja interpretação foi confiada por Paula ao público, com o microfone virado para a plateia – geraram momento catárticos. Nem por isso o show deixou de evidenciar que, sim, existem músicas simplórias no cancioneiro pop da compositora. Reapresentada com pegada mais roqueira, com toque político e com discurso em que a cantora se referiu ao assassinato da vereadora Marielle Franco (1979 – 2018), Eu tô tentando (Paula Toller e George Israel, 2005) tangenciou o primarismo. Em contrapartida, como não reconhecer a beleza eternamente sedutora da balada Nada por mim (Paula Toller e Herbert Vianna, 1985), revivida no show com as luzes dos celulares da plateia, a pedido da própria Paula? Uma canção que, como a autora lembrou orgulhosamente no palco, já ganhou as vozes de cantores como Ney Matogrosso e Nelson Gonçalves (1919 – 1998) desde que foi lançada em 1985 em gravação de Marina Lima. Enfim, Como eu quero! é show que coloca Paula Toller no devido lugar de cantora e compositora com pleno domínio da língua da música pop. É fato que tal domínio somente foi alcançado porque a melhor parte desse cancioneiro foi composto por ela com parceiros como Leoni (fundamental para que os dois primeiros álbuns do Kid Abelha soem hoje como greatest hits do grupo) e o próprio George Israel. Mas é fato também que, sem a voz, o carisma e a jovialidade (eterna?) da cantora, esse cancioneiro talvez não surtisse o efeito e as boas vibrações perceptíveis na estreia carioca de Como eu quero! – um show solo de Paula Toller que soa como se fosse uma apresentação do Kid Abelha. (Cotação: * * * *)

Alaíde e Claudette se unem para cantar Alf, João e Vinicius na gravação de disco ao vivo

dom, 03/25/2018 - 11:48
Em 1955, João Donato tocou acordeom – primeiro instrumento desse músico acriano que ganharia projeção como pianista de toque cheio de bossa e latinidade – na gravação do samba Minha saudade feita pelo compositor e violonista carioca Luiz Bonfá (1922 – 2001) para álbum instrumental lançado naquele ano de 1955. Além de tocar na faixa, Donato é o autor do samba. Três anos mais tarde, em 1958, foi a vez do próprio Donato registrar Minha saudade em álbum também instrumental intitulado Dance conosco. Contudo, foi somente em 1959 que Minha saudade foi lançada em disco com a letra escrita por ninguém menos do que João Gilberto, parceiro bissexto de Donato nessa composição. Coube à cantora carioca Alaíde Costa apresentar a letra do samba Minha saudade em gravação lançada no álbum Gosto de você (1959) e também em disco de 78 rotações por minuto. Quase 60 anos depois, Alaíde voltou a cantar Minha saudade. Desta vez, em dueto com Claudette Soares. Minha saudade foi um dos cinco números que as cantoras cariocas – vistas ao alto em foto de Murilo Alvesso – fizeram juntas na noite de sexta-feira, 23 de março de 2018, em show no Teatro Itália, na cidade de São Paulo (SP), que foi captado ao vivo para gerar disco previsto para chegar ao mercado fonográfico entre junho e julho pela gravadora Kuarup. Claudette Soares e Alaíde Costa na gravação ao vivo de show Divulgação / Murilo Alvesso Além de Minha saudade, revivida pelas intérpretes com a letra original aprendida por Alaíde em 1959, as cantoras uniram vozes em Dindi (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, 1959), em Ilusão à toa (Johnny Alf, 1961), na Marcha da quarta-feira de cinzas (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1962) e em Primavera (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1964), última música do pot-pourri que abriu o show com sucessos alternados das cantoras. Produtor do show que junta Alaíde Costa e Claudette Soares nos 60 anos da Bossa Nova, Thiago Marques Luiz assinará também a produção do primeiro disco em dupla das cantoras. Claudette Soares e Alaíde Costa na gravação ao vivo de show Divulgação / Murilo Alvesso

Pianista paulista Hamleto Stamato cruza 'Ponte aérea' para tocar Baden e Jobim

dom, 03/25/2018 - 10:14
Músico profissional desde 1988, o pianista paulista Hamleto Stamato Júnior celebra 30 anos de carreira com a edição do oitavo álbum solo, Ponte aérea (Fina Flor, 2018). Neste disco, produzido pelo próprio Stamato, o pianista – em foto de Márcia Moreira – forma trio com o baixista Augusto Mattoso e com baterista Erivelton Silva para reconstituir a atmosfera dos grupos que proliferaram ao longo da década de 1960, nas boates das cidades de Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), para tocar o samba-jazz derivado da carioca bossa nova. O repertório do álbum Ponte aérea inclui duas músicas inéditas de autoria de Stamato, Samba pro pai (dedicado ao saxofonista e flautista paulista Hamleto Stamato Sobrinho, músico que saiu de cena em 1976) e a composição que dá nome ao disco. Contudo, o repertório é formado basicamente por standards do cancioneiro de compositores projetados na efervescência da cena musical gerada pela bossa já sexagenária. Entre estes compositores, há os fundamentais Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994) e Vinicius de Moraes (1913 – 1980), de cuja parceria Hamleto recria Garota de Ipanema (1962) e O morro não tem vez (1963), com liberdade estilística na criação dos arranjos e na interpretação dos temas. Capa do álbum 'Ponte aérea', de Hamleto Stamato Márcia Moreira O repertório do álbum também abarca A rã (João Donato e Caetano Veloso, 1974) e Berimbau (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963), além de duas composições do músico e maestro pernambucano Moacir Santos (1926 – 2006), Coisa nº 2 (1965) e April child (1972, parceria com Jay Livingston e Raymond Evans). O título do álbum, Ponte aérea, alude tanto ao fato de o pianista viver entre Brasil e Holanda como à conexão entre as cenas musicais de Rio e São Paulo promovida nos anos 1960 pelo samba-jazz que pauta o disco instrumental de Hamleto Stamato.

Lâmina afiada de Dalva é evocada em álbum que celebra 100 anos da estrela

sab, 03/24/2018 - 15:35
Lâmina aguda que atravessou os anos 1950 como facho luminoso a irradiar fracassos afetivos em repertório folhetinesco que aglutinava sambas-canção, boleros, tangos e sambas, a voz matricial da cantora paulista Dalva de Oliveira (5 de maio de 1917 – 30 de agosto de 1972) reverbera em álbum duplo lançado pela gravadora Biscoito Fino neste mês de março de 2018 com o registro ao vivo dos dois shows realizados entre julho e agosto de 2017 para celebrar os 100 anos de nascimento da estrela ainda reluzente, inspiração do canto de outra diva daquela década, Angela Maria, não por acaso escalada para abrir o disco 1 com interpretação outonal do samba-canção Neste mesmo lugar (Klécius Caldas e Armando Cavalcanti, 1956). Idealizado e produzido por Thiago Marques Luiz, o tributo duplo Dalva de Oliveira – 100 anos ao vivo oscila como todo disco coletivo do gênero, mas o saldo é positivo. Inclusive por misturar cantores musicalmente identificados com o tempo artístico de Dalva – vista em foto cedida pelo Arquivo Público de São Paulo para o encarte da edição em CD do disco – com vozes emergentes na multifacetada cena contemporânea nativa. Cabe ressaltar, a propósito, que o rigor estilístico do jovem Ayrton Montarroyos sobressai nesse disco 1 que reproduz 16 números do show roteirizado por Ricardo Cravo Albin e apresentado em 8 de julho de 2017 no Teatro J. Safra, em São Paulo (SP), cidade onde se radicou Montarroyos, cantor pernambucano que dá voz precisa a uma música pouco ouvida do repertório de Dalva, Não tem mais fim (Hervé Cordovil e René Cordovil, 1956). Cantor que ombreia com Montarroyos no posto de melhor voz masculina da atual geração, o gaúcho cosmopolita Filipe Catto reacende a aura sentimental do registro andrógino de contratenor para inventariar dores conjugais em medley que agrega Tudo acabado (J. Piedade e Osvaldo Martins, 1950) e Errei, sim (Ataulfo Alves, 1950), títulos alusivos à ruidosa separação de Dalva e Herivelto Martins (1912 – 1992), partner da cantora desde os tempos pioneiros do Trio de Ouro. O inventário dessa dor de amor expiada em praça pública e em discos rendeu sambas-canção como Calúnia (Paulo Soledade e Marino Pinto, 1951), revivido com classe e emoção por Alaíde Costa em grande interpretação. A mesma classe foi posta por Célia (1947 – 2017) no canto de Mentira de amor (Lourival Faissal e Gustavo de Carvalho, 1950) na última gravação desta grande cantora que saiu de cena no ano passado e a quem o produtor Thiago Marques Luiz dedica o disco. Capa do álbum 'Dalva de Oliveira – 100 anos ao vivo' Divulgação / Biscoito Fino Com agudos virtuosos que remetem ao canto lírico de Dalva, Tetê Espíndola solta os pássaros na garganta, deixando escapar também parte da ternura melancólica que pauta o pioneiro samba-canção Linda flor (Yayá) (Luiz Peixoto, Marques Peixoto, Henrique Vogeler e Cândido Costa, 1929). Também lançando mão dos agudos, a digna dama do cabaré Cida Moreira soa mais atenta aos versos de Velhos tempos (1959), parceria improvável do carioca bossa-nova Carlos Lyra com o compositor fluminense Marino Pinto (1916 – 1965), hábil letrista de cinzentos sambas-canções como Segredo (1947), parceria com Herivelto Martins confiada a Claudette Soares, intérprete de mais bossa do que dramaticidade. Já Maria Alcina dribla a insufiência do arranjo de Kalu (Humberto Teixeira, 1952) – baião que pedia instrumentos típicos da música nordestina –com a habitual vivacidade, se comunicando bem com a plateia. Edy Star também brilha ao simular um cabaré particular para interpretar o tango Fumando espero (Juan Villadomat Masanas e Félix Garso em versão de Eugênio Paes, 1955) com a devida passionalidade. Márcio Gomes enfatiza a opulência vocal ao emendar Ave Maria (Vicente Paiva e Jayme Redondo, 1950) e Ave Maria no morro (Herivelto Martins, 1942) sem feitio de oração. Sem a preocupação de mostrar virtuosismo, Virgínia Rosa se prova intérprete segura ao cantar Teus ciúmes (Lacy Martins e Aldo Cabral, 1935) assim como a dupla As Bahia e a Cozinha Mineira se revela grata surpresa ao cantar o tango Eu tenho um pecado novo (Mariano Mores e Alberto Laureano Martínez em versão em português de Lourival Faissal, 1958) sem os clichês do gênero argentino e fora do natural ambiente sonoro das cantoras Assucena Assucena e Raquel Virgínia. Também merecem menções as intervenções das cantoras Xênia França, intérprete do samba-canção Pela décima vez (Noel Rosa, 1935), e Verônica Ferriani, que se confirma ótima cantora ao dar voz ao medley que junta Fim de comédia (Ataulfo Alves, 1953) com Não te esquecerei (Ana Luisa Costa Teixeira, 1960), música creditada equivocadamente no encarte do álbum aos compositores e ao autor da homônima versão em português de California dreamin' (1965), suceso do grupo norte-americano The Mamas and The Papas. Com resultado mais irregular, a gravação ao vivo do show da cidade do Rio de Janeiro (RJ) – também roteirizado por Ricardo Cravo Albin e apresentado em 24 de agosto de 2017 na casa de shows Imperator – tem aura mais kitsch. Entre altos e baixos, sobressaem a tarimba vocal das cantoras Áurea Martins, Júlia Vargas e Leny Andrade – intérpretes de Bom dia (Herivelto Martins e Aldo Cabral, 1972), Que será (Marino Pinto e Mário Rossi, 1950) e Há um Deus (Lupicínio Rodrigues, 1957), respectivamente – e a potência dramática da voz de Simone Mazzer, que acertou o passo do tango Lencinho Querido (El Pañuelito) (Juan de Dios Filiberto e Gabino Coria Peñaloza), na versão em português escrita por Maugeri Neto e lançada em 1954, sendo popularizada por Dalva em 1956. Cabe destacar também as ótimas participações de João Cavalcanti e Zé Renato, dois cantores que se desviaram do trilho dramático que conduziu tributo em sintonia com o tom sentimental de grande parte do repertório de Dalva. Cavalcanti caiu no suingue ao cantar o samba sincopado Copacabana beach (Armando Cavalcanti e Klécius Caldas, 1958), pérola rara do baú da estrela. Já Zé Renato solou Palhaço (Nelson Cavaquinho, Oswaldo Martins e Washington Fernandes, 1952) somente com o toque do violão eletroacústico. Contudo, é justo ressaltar que o canto exacerbado de Dalva ficou eternizado na história da música brasileira pela alta voltagem emocional. O que justifica que o tributo fonográfico seja encerrado com a interpretação sentimental de Hino ao amor (Hymne a l'amour) (Edith Piaf e Marguerite Monnot, 1950, em versão em português de Odair Marsano, 1956) na voz opulenta de Gottsha. A lâmina afiada da estrela Dalva de Oliveira cortava corações por expor emoções à flor da pele da alma humana. (Cotação: * * * 1/2)

'Herói' do punk brasileiro, Billy Bond tem o primeiro álbum solo reeditado em CD

sab, 03/24/2018 - 10:43
Atualmente com 73 anos, Giuliano Canterini se tornou bem-sucedido produtor de comportados musicais de teatro encenados no Brasil. Contudo, a biografia de Canterini, vulgo Billy Bond na juventude roqueira, inclui passado punk conhecido por poucos. Nascido na Itália em 19 de novembro de 1944, mas criado na Argentina desde a infância, Canterini integrou banda de rock progressivo nessa estada portenha, na década de 1960, anos antes de vir para o Brasil. Foi aqui no Brasil que, com o nome artístico de Billy Bond, o cantor e compositor flertou pioneiramente com o punk ao se tornar vocalista do Joelho de Porco na segunda metade dos anos 1970, período em que o grupo paulistano aderiu ao punk que revolucionava o rock nos Estados Unidos e, sobretudo, na Inglaterra. Mas logo Bond partiu para a carreira individual, lançando em 1979 o primeiro álbum solo, O herói, que já expôs na foto da capa a inspiração punk. Até então raríssimo, este disco – produzido pelo próprio Bond e lançado pela gravadora Som Livre – está sendo reeditado pela primeira vez no formato de CD pelo selo carioca Discobertas. O relançamento do álbum O herói possibilita a redescoberta do som roqueiro de Bond, parceiro de Pisca na música-título do disco e em composições como Porco de ouro, Yanka (Ela) e Mick Jagger. Detalhe: o repertório inteiramente autoral de O herói também inclui duas parcerias – Amigo da sua família e Tudo o que eu quero é um fixo – de Bond com Lee Marcucci, guitarrista e compositor do grupo Tutti Frutti. Mesmo sem a fúria virulenta do genuíno punk, o som de Billy Bond influenciaria nomes do futuro rock brasileiro, como o lendário multimídia Kid Vinil (1955 – 2017). Curiosamente, foi ao longo da temporada de shows promocionais do álbum O herói que Billy Bond começou a se envolver com teatro, saindo dos holofotes para trabalhar nos bastidores como Giuliano Canterini.

RC na Veia dá peso ao soul pop de Roberto Carlos no pulso da guitarra de Kisser

sab, 03/24/2018 - 09:38
O maior sucesso do repertório do álbum lançado por Roberto Carlos em 1975, Além do horizonte, pode ser caracterizado como o derradeiro flerte do cantor com a soul music norte-americana. O arranjo orquestral da gravação original diluiu um pouco o espírito soul dessa luminosa canção composta por Roberto em parceria com Erasmo Carlos. Mas, em essência, Além do horizonte é soul. Tanto que a composição ganharia sintomaticamente registros posteriores de Tim Maia (1942 – 1998) – em tremendo dueto com Erasmo gravado para álbum gregário lançado em 1980 pelo parceiro de Roberto – e do grupo Jota Quest, que reviveu Além do horizonte em 2005. Contudo, a abordagem de Além do horizonte lançada em single neste fim de semana pelo RC na Veia – quarteto paulistano formado pelo baterista Dudu Braga, filho de Roberto, com Alex Capella (voz), Fernando Miyata (guitarra) e Juninho Chrispim (baixo) – é fiel à proposta do grupo de revisitar o cancioneiro de Roberto Carlos com pegada roqueira. No caso, o RC na Veia dá peso adicional ao derradeiro soul de Roberto, tocando Além do horizonte com o pulso da guitarra de Andreas Kisser. O músico do grupo mineiro Sepultura foi um dos convidados da gravação ao vivo de show captado em outubro de 2017, em apresentação na cidade de São Paulo (SP). Já disponível nas plataformas digitais, o single Além do horizonte é a primeira amostra oficial desse registro ao vivo que chega ao mercado fonográfico em abril em CD, DVD e em edição digital. Andreas Kisser, aliás, também participa da regravação do funk Não vou ficar (Tim Maia, 1969) feita com a adesão de Rogério Flausino, vocalista do grupo Jota Quest. O próprio Roberto Carlos entra em cena e se junta ao RC na Veia e em Se você pensa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968) e no número coletivo que encerrou a apresentação com o recado de É preciso saber viver (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969). Rafael Ramos assina a produção musical da gravação do show do grupo RC na Veia.

Sobrinho de Caetano, J. Velloso carnavaliza a sofrência em single no ritmo do galope

sab, 03/24/2018 - 08:28
"Ela me deixou...". Cantado duas vezes em tom esmaecido, logo no início da gravação, o verso da música inédita lançada neste fim de semana por J. Velloso sinaliza uma canção sentimental, embebida na sofrência. Mas logo depois a música cai em ritmo agalopado que realça a ironia destilada na letra de Em paz, composição assinada por esse cantor e compositor baiano – sobrinho de Caetano Veloso e de Maria Bethânia – em parceria com a conterrânea Thati. Produzida por Luciano Salvador Bahia, a gravação foi feita com o toque do grupo Skanibais. Lançado simultaneamente com clipe filmado com a participação do cantor e compositor Gerônimo Santana, o single Em paz carnavaliza a sofrência e é a primeira música revelada do repertório do terceiro álbum de estúdio de J. Velloso, Não sei se te contei, previsto para ser lançado em maio pelo selo Alá Comunicação e Cultura em edição viabilizada em parceria com a Altafonte. Em cena desde 1984, o cantor e compositor J. Velloso é também produtor musical, área em que obteve mais relevância por ter dado forma a discos como Diplomacia (1998), projeto lançado há 20 anos em tributo ao então recém-falecido sambista soteropolitano Oscar da Penha (5 de agosto de 1924 – 3 de janeiro de 1997), o Batatinha. Com repertório autoral, o álbum Não sei se te contei sucederá os CDs Aboio para um rinoceronte (2004) e J. Velloso e os Cavaleiros de Jorge (2009) na discografia do artista, cujo cancioneiro inclui músicas registradas nas vozes de Maria Bethânia, Mariene de Castro, Gal Costa e Daniela Mercury.

LCD SoundSystem no Lollapalooza 2018: veja fotos do show

sex, 03/23/2018 - 21:03
Banda liderada por James Murphy mistura rock e eletrônico no 1º dia do festival. James Murphy é o líder da banda LCD SoundSystem, que tocou no 1º dia de Lollapalooza 2018 Celso Tavares/G1 LCD SoundSystem se apresenta no palco Onix Marcelo Brandt/G1 LCD SoundSystem toca no palo Onix do Lollapalooza 2018 Marcelo Brandt/G1 Show do LCD SoundSystem no palco Onix do Lollapalooza 2018 no Autódromo de Interlagos, em São Paulo Marcelo Brandt/G1 LCD SoundSystem durante show no Lollapalooza 2018, em São Paulo Marcelo Brandt/G1 LCD SoundSystem durante show no 1º dia de Lollapalooza 2018 Marcelo Brandt/G1 LCD SoundSystem durante show no 1º dia de Lollapalooza 2018 Marcelo Brandt/G1 LCD SoundSystem durante show no 1º dia de Lollapalooza 2018 Marcelo Brandt/G1 LCD SoundSystem durante show no 1º dia de Lollapalooza 2018 Marcelo Brandt/G1 LCD SoundSystem durante show no 1º dia de Lollapalooza 2018 Marcelo Brandt/G1 LCD SoundSystem durante show no 1º dia de Lollapalooza 2018 Marcelo Brandt/G1

Frejat lança música com cordas e versos de poeta, gravada sem baixo e sem bateria

sex, 03/23/2018 - 20:44
A música inédita lançada hoje por Roberto Frejat, Tudo ainda, distancia o artista carioca do mundo do rock, embora a gravação tenha sido formatada por Liminha, produtor musical associado ao gênero. Tudo ainda é composição assinada por Frejat em parceria com o poeta alagoano Adriano Nunes e com Mauro Santa Cecília, letrista de Por você, canção de 1998 que se tornou um dos maiores sucessos do Barão Vermelho na fase em que Frejat era o vocalista do grupo carioca. A distância do universo do rock se deve pela forma como Tudo ainda foi registrada em estúdio, sem baixo e sem bateria, tendo como base as cordas orquestradas pelo maestro e violoncelista Jaques Morelenbaum. Diferente da linha mais pop seguida pelo cantor na discografia solo iniciada em 2001, a gravação de Tudo ainda pode ser ouvida em single disponível nas plataformas digitais a partir de hoje, 23 de março de 2018, com distribuição feita via ONErpm.

G1 transmite ao vivo shows do Lollapalooza 2018

sex, 03/23/2018 - 19:54
Shows dos palcos 3 e 4 e as três primeiras músicas dos palcos 1 e 2 terão exibição ao vivo. Globo terá programa com os melhores momentos. O Lollapalooza 2018 tem trasmissão ao vivo no G1 com os principais shows do festival, que acontece de sexta-feira (23) a domingo (25), no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Veja como assistir no G1: AO VIVO 1: trechos de shows dos palcos Budweiser, Onix, Axe e Perry's AO VIVO 2: todos os shows do palco Axe AO VIVO 3: todos os shows do palco Perry's Lollapalooza na TV Globo A Globo fará uma um programa com os melhores momentos de cada dia. A apresentadora Mari Moon dá todas as informações sobre as apresentações e os artistas que passarão pelos quatro palcos do evento. Na sexta-feira, dia 23, a exibição é após a série "Empire"; no sábado, dia 24, logo após o "Zero 1"; e no domingo, dia 25, depois do "Domingo Maior". No sábado seguinte, dia 31 de março, a Globo apresenta um especial com o que de mais importante aconteceu nos três dias de evento, logo depois do "Flash Big Brother Brasil". Veja também os shows nas playlists: Por palco: Axe Budweiser Perry's Onix Por dia: Sexta-feira (23) Sueca Zara Larsson se empolga em show no Lollapalooza 2018 Fábio Tito/G1

Zara Larsson no Lollapalooza 2018: veja fotos do show

sex, 03/23/2018 - 19:35
Popstar sueca de 20 anos é atração do 1º dia de Lollapalloza. A popstar sueca Zara Larsson no Lollapalooza 2018 Fábio Tito/G1 Zara Larsson canta no Lollapalooza 2018 nesta sexta-feira (23) Fábio Tito/G1 Posptar sueca Zara Larsson em fotografia feita com múltipla exposição Fábio Tito/G1 Zara Larsson no 1º dia de Lollapalooza 2018 Fábio Tito/G1 Sueca Zara Larsson se empolga em show no Lollapalooza 2018 Fábio Tito/G1 Sueca Zara Larsson se empolga em show no Lollapalooza 2018 Fábio Tito/G1 Público curte show da sueca Zara Larsson no Lollapalooza 2018 Fábio Tito/G1 Público curte show da sueca Zara Larsson no Lollapalooza 2018 Fábio Tito/G1 Show de Zara Larsson no Lollapalooza 2018 Fábio Tito/G1 Zara Larsson no Lollapalooza 2018 Fábio Tito/G1 Zara Larsson no Lollapalooza 2018 Fábio Tito/G1 Zara Larsson no Lollapalooza 2018 Fábio Tito/G1 Sueca Zara Larsson é um dos destaques do 1º dia de Lollapalooza 2018 Fábio Tito/G1 Público curte show de Zara Larsson no Lollapalooza 2018 Fábio Tito/G1 Show de Zara Larsson no Lollapalooza 2018 Fábio Tito/G1

Luan Santana se une ao grupo de pop latino CNCO na reciclagem de reggaeton

sex, 03/23/2018 - 18:59
Quatro anos após ter feito participação em remix de gravação do cantor espanhol Enrique Iglesias, Luan Santana faz outra conexão internacional no universo pop. Apresentada esta semana, a parceria gera single e clipe gravados por Luan com nome mais condizente com o perfil do público majoritariamente jovem e feminino do astro brasileiro. Trata-se da boyband norte-americana CNCO, formatada em dezembro de 2015 com cantores que venceram o reality La banda, exibido nos Estados Unidos por rede de TV dirigida à comunidade hispânica. Prestes a lançar o segundo álbum, intitulado CNCO e previsto para abril, o quinteto de pop latino reapresenta o reggaeton Mamita (Andres David Restrepo Echavarria, Carlos Alejandro Patino Gomez, Claudia Alejandra Menkarski e Salomon Villada Hoyos, 2018) com a adesão de Luan, recrutado para dar voz aos versos em português incorporados à música nessa versão lançada em clipe – filmado em estúdio em dezembro, em Miami (EUA), com a participação de Luan – e em single disponível nas plataformas digitais a partir de hoje, 23 de março. A gravação original do reggaeton Mamita foi lançada em janeiro e se transformou num dos maiores sucessos da curta trajetória do CNCO.

Lollapalooza 2018: veja fotos do 1º dia

sex, 03/23/2018 - 14:49
Festival acontece de sexta (23) a domingo (25) no Autódromo de Interlagos. Ator Rodrigo Simas curte o Lollapalooza 2018 Celso Tavares/G1 Mariana e Maria Clara curtem o Lollapalooza nesta sexta-feira (23), em São Paulo Tatiana Regadas/G1 Letícia e Jennifer no Lollapalooza 2018 Tatiana Regadas/G1 Fernando e Luís resistindo ao sol no Lollapalooza 2018 Tatiana Regadas/G1

Nenhum de Nós faz conexão com Uruguai em faixas do primeiro EP do grupo gaúcho

sex, 03/23/2018 - 09:52
Doble chapa é expressão do Sul do Brasil que caracteriza os gaúchos que vivem próximos da fronteira com o Uruguai. Por isso mesmo, Doble chapa é o título do EP que o grupo gaúcho Nenhum de Nós lança em abril via Imã Records. Neste primeiro EP de discografia iniciada em 1987, o quinteto de Porto Alegre (RS) – em foto de Raul Krebs – faz conexões com músicos e músicas do Uruguai. A começar pela composição Uma vida ordinária, parceria do compositor e vocalista Thedy Corrêa com o compositor e músico uruguaio Federico Lima, conhecido pelo codinome artístico de Socio. Música que abre o EP Doble chapa, Uma vida ordinária está sendo lançada hoje, 23 de março de 2018, em single disponível nas plataformas digitais. A rigor, trata-se de dois singles distintos, apresentados de forma avulsa. Um traz a gravação em português da composição. Outro toca a versão em espanhol, Una vida ordinaria. Fede Lima participa da gravação. Capa do single 'Uma vida ordinária' Reprodução / Twitter Nenhum de Nós O EP Doble chapa inclui também abordagens das músicas Fã de Faith No More – sucesso do repertório do Socio, o projeto solo de Fede Lima – e O aprendiz, versão para o português de composição do repertório da banda uruguaia Cuarteto de Nos.

Paixão pela música é o legado de  Miranda, produtor que renovou o rock nos anos 1990

sex, 03/23/2018 - 07:18
Talvez somente o amor genuíno pela música explique o fato de o produtor Carlos Eduardo Miranda (21 de março de 1962 – 22 de março de 2018) ter sido o responsável pelo lançamento do grupo brasiliense de rock Raimundos no mercado fonográfico através do selo Banguela, em 1994, e também o cara que deu forma ao primeiro elogiado álbum da cantora paraense de tecnobrega Gaby Amarantos, Treme (Som Livre), editado em 2012 no embalo da redescoberta dos sons de Belém (PA) pelo Brasil. No caso, o elo improvável entre Raimundos e Gaby foi a paixão pelo sons que moveu o músico e produtor gaúcho em vida encerrada na noite de ontem, por conta de mal súbito, sofrido por Miranda em casa, na cidade de São Paulo (SP), um dia após ter festejado o 56º aniversário. Esse elo abarca o Skank, grupo mineiro que lamentou publicamente em redes sociais a saída de cena do produtor que, no início dos anos 1990, chamou a atenção do Brasil para aquele até então desconhecido quarteto de Belo Horizonte (MG) que misturava reggae com pop. Talvez Miranda atualmente seja mais conhecido pelo público pela atuação nos anos 2000 como jurado em programas de TV como Ídolos e Astros, mas a grande contribuição deste produtor à música brasileira foi dada nos bastidores. De início, ele tentou ficar sob os holofotes do palco. Nascido em Porto Alegre (RS), Miranda se iniciou na música como um tecladista aspirante a compositor que integrou bandas locais como Taranatiriça, Urubu Rei e Atahualpa Y Us Panquis. Ao migrar para São Paulo (SP), Miranda se aventurou na função de crítico musical sem deixar de atuar na cena independente. Mesmo quando deixou o jornalismo musical, Miranda continuou crítico. Ele questionou publicamente os caminhos musicais seguidos por Gaby Amarantos após o primeiro álbum e falou mal do rock produzido atualmente no Brasil. O produtor musical Carlos Eduardo Miranda Divulgação / Sesc Thermas Só que, além de ter falado, Miranda também fez. Nos anos 2000, em associação com a gravadora Trama, criou a Trama Virtual, pioneira plataforma que permitiu que bandas independentes postassem músicas e discos na web. Nos presentes anos 2010, Miranda foi o diretor artístico do efêmero selo fonográfico StereoMono, patrocinado por marca de cerveja. Por esse selo, projetou em 2014 nomes como Jaloo, destaque da atual cena eletrônica paraense. Contudo, a contribuição mais relevante de Miranda à música pop do Brasil foi dada nos anos 1990. Miranda foi fundamental para renovar a cena roqueira daquela década ao lançar os Raimundos (em selo aberto com o aval e o patrocínio do grupo Titãs), ao propagar o Skank e ao trazer à tona o então emergente grupo pernambucano Mundo Livre S/A, entre outras proezas. Miranda foi do rock, mas também de todo o universo pop, porque sabia que a música desconhece fronteiras. Por isso, a precoce saída de cena do artista enluta nomes como a cantora Maria Rita, que já manifestou em rede social a tristeza pela morte de Carlos Eduardo Miranda, um apaixonado pela música que nunca cessa no universo pop.

Morre Carlos Eduardo Miranda, produtor musical que lançou Skank e Raimundos

sex, 03/23/2018 - 06:44
Na música, ele ajudou a revelar Skank, O Rappa, Raimundos e Gaby Amarantos. Na TV, foi jurado em 'Ídolos'. Produtor musical Carlos Eduardo Miranda Divulgação/Sesc Thermas O produtor musical gaúcho Carlos Eduardo Miranda, de 56 anos, morreu nesta quinta-feira (22), em São Paulo. Ele sofreu um mal súbito em sua casa, informou o Bom Dia São Paulo. Miranda foi jurado no reality musical “Ídolos” em 2006 e 2007. Também foi jurado dos programas “Astros” e “Qual é seu talento”, do SBT. Na música, ajudou a revelar Skank, O Rappa, Raimundos e Gaby Amarantos. “Foi ele quem chamou a atenção da imprensa do eixo Rio-SP sobre um quarteto que vinha de Minas Gerais. Vá em paz, amigo”, postou o perfil oficial da banda Skank no Facebook. Carlos Eduardo Miranda também participou da equipe da revista “Bizz”. Skank lamenta a morte de Carlos Miranda Reprodução / Facebook / Skank O Rappa também homenageou o produtor em sua página no Facebook "Vai em paz, irmão, força pra sua família e fique com a certeza de que você não veio a este a passeio, sua obra por aqui é eterna!". O Rappa também lamentou a morte do produtor Reprodução / Facebook / O Rappa

Pré-Lollapalooza 2018: programação tem Wiz Khalifa, LCD SoundSystem e Liam Gallagher; FOTOS

qui, 03/22/2018 - 20:16
Rapper abriu o #OnixDay nesta quinta-feira (22), um dia antes de o festival começar oficialmente. O rapper Wiz Khalifa durante seu show nesta quinta-feira (22) no pré-Lollapalooza; evento chamado #OnixDay acontece um dia antes do festival Celso Tavares/G1 Wiz Khalifa transformou o Autódromo de Interlagos em fumódromo no pré-Lollapalooza 2018, nesta quinta-feira (22) Celso Tavares/G1 Wiz Khalifa no pré-Lolla 2018, nesta quinta-feira (22); rapper faz show no festival no domingo (25) Celso Tavares/G1 Wiz Khalifa acena para o público no show pré-Lollapalooza 2018, nesta quinta-feira (22), no Autódromo de Interlagos, um dia antes de o festival começar oficialmente Celso Tavares/G1 Wiz Khalifa canta, nesta quinta-feira (22), no OnixDay, evento promocional para convidados que serve de pré-Lollapalooza Celso Tavares/G1 Wiz Khalifa lança 'baseado inflável' para o público do pré-Lollapalooza 2018 Celso Tavares/G1 Wiz Khalifa e o 'baseado inflável' no palco do pré-Lolla 2018 nesta quinta-feira (22) Celso Tavares/G1

Voz que se calou desde 1968, Vandré volta a caminhar após 50 anos de exílio e enigma

qui, 03/22/2018 - 18:02
A volta à cena de Geraldo Vandré após 50 anos de silêncio – em dois shows sinfônicos programados para hoje e amanhã, 22 e 23 de março, na Sala de Concertos Maestro José Siqueira, no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa (PB) – é por si só um dos acontecimentos mais importantes da música brasileira em 2018. Talvez o mais emblemático de um ano que ainda não terminou. Assim como 1968, ano em que o cantor, compositor e músico paraibano Geraldo Pedrosa de Araújo Dias começou a ser visto como um mártir da música brasileira, vítima da ditadura comandada pelo regime militar instaurado no Brasil em 1964. Naquele efervescente ano de 1968, Vandré virou herói da resistência ao defender a marcha autoral Pra não dizer que não falei de flores, popularmente conhecida como Caminhando, na polarizada terceira edição do Festival Internacional da Canção (FIC). A canção imperativa de Vandré acabou em segundo lugar, derrotada por Sabiá (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1968), mas nem por isso o autor deixou de ser um dos alvos preferenciais da censura aos compositores. Talvez o alvo preferencial, no que seria seguido de perto pelo concorrente Chico Buarque. Vandré então saiu de cena. O parceiro de Theo de Barros em Disparada (1966) preferiu calar a própria voz – uma voz que se levantara contra a opressão com o uso da canção como arma política. Não foi torturado e tampouco enlouqueceu, como esclareceu a biografia Geraldo Vandré – Uma canção interrompida (2015), escrita pelo jornalista Vitor Nuzzi e publicada há três anos. Mas virou um refugiado, um enigma cuja solução foi sendo progressivamente dificultada pelo temperamento forte e arisco do artista, imerso desde sempre em imutáveis convicções nacionalistas. Mas eis que Vandré volta à cena e se faz ouvir novamente em concerto que, na segunda parte, será feito com a Orquestra Sinfônica da Paraíba (a primeira parte é um recital de voz & piano que juntará o artista com a pianista Beatriz Malnic). Enfim, o Brasil poderá ver e ouvir um homem que virou mito por força das circunstâncias. Quando a vida artística de Vandré foi interrompida, a única saída foi o exílio em países como Chile e França, onde gravou em 1970 um último álbum, Das terras de benvirá, editado no Brasil em 1973, ano em que Vandré voltou ao país para se exilar na própria terra natal, ficando arredio na cidade de São Paulo (SP) até decidir voltar, nos últimos tempos, para João Pessoa (PB), onde veio ao mundo em 12 de setembro de 1935. Cidade onde solta novamente a voz na estrada pela qual começou a caminhar com firmeza na década de 1960.

Funkeira MC Carol mira alvo certo em música que faz jus ao nome de Marielle

qui, 03/22/2018 - 16:56
A música lançada ontem pela funkeira fluminense MC Carol se chama Marielle Franco e faz jus ao nome da vereadora carioca assassinada na semana passada, aos 38 anos, em emboscada no centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Nascida em Niterói (RJ) em outubro de 1993, a cantora e compositora Carolina de Oliveira Lourenço, de 24 anos, mira o alvo certo ao discorrer com indignação sobre o assassinato cotidiano de pessoas negras na selva da cidade. "Vocês querem notas matar / Vocês querem nos controlar / Vocês não vão nos calar", brada MC Carol, com discurso feito na batida nervosa do funk, mas com a prosódia do rap. "Sou a preta que podia ser sua filha". "Mulheres negras não têm direitos / Não têm direitos". "Eu não aguento mais ser oprimida". Os versos revoltados da letra da música Marielle Franco são disparados contra um inimigo não nominado que simboliza o sistema opressor. Feito com a adesão de Heavy Baile, o clipe da música abre com o depoimento emocionado de avó que perdeu o neto – vítima da guerra cotidiana que assusta a cidade do Rio de Janeiro (RJ) – e lembra também casos de violência ocorridos em Niterói (RJ), cidade natal da funkeira. Dentre as centenas de homenagens a Marielle Franco, a música de MC Carol sobressai como a mais contundente e a mais sintonizada com a ideologia política da vereadora.

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