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Cenário Musical

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Atualizado: 2 horas 14 minutos atrás

Nando Reis se une ao duo Anavitória em turnê com show que celebra namorados

sex, 03/30/2018 - 12:10
Nem bem chegou da Europa, onde apresentou com Gal Costa e Gilberto Gil o show Trinca de ases por sete países neste mês de março de 2018, Nando Reis se prepara para iniciar outra turnê de natureza gregária. O cantor, compositor e músico paulistano vai se juntar ao duo Anavitória em miniturnê que passará por cinco cidades do Brasil – Recife (PE), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) – entre 8 e 12 de junho. Nando, Ana Caetano e Vitória Falcão – em foto de Victor Affaro – apresentarão show inédito criado para celebrar o Dia dos Namorados com ênfase em repertório romântico de autoria de Nando e de Ana Caetano, principal compositora do duo Anavitória. O trio irá se revezar nas interpretações das músicas. Eis o cronograma da turnê: ♪ 8 de junho (21h) – Recife (PE) – Teatro Guararapes ♪ 9 de junho (21h) – Belo Horizonte (MG) – Palácio das Artes ♪ 10 de junho (19h) – Curitiba (PR) – Teatro Positivo ♪ 11 de junho (21h30m) – São Paulo (SP) – Espaço das Américas ♪ 12 de junho (21h30m) – Rio de Janeiro (RJ) – KM de Vantagens Hall

Lançado 30 anos após a gravação, álbum feito por Donato em 1988 soa atemporal

sex, 03/30/2018 - 11:39
Segundo dos três álbuns inéditos de João Donato lançados na caixa A mad João Donato (Selo Discobertas), de acordo com a ordem cronológica de gravação, Naquela base foi feito com dose de experimentação bem menor do que a que moldou o antecessor Gozando a existência (1977 / 1978). A loucura maior reside na forma como o disco foi gravado e arquivado há 30 anos. Um admirador japonês da música de Donato, Yoichi Ogawa, ia todos os shows feitos pelos pianista e compositor acriano na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Tanto que despertou a atenção do próprio Donato. Da admiração nasceu uma amizade entre Ogawa e o artista. A ponto de o fã japonês ter proposto a Donato a gravação de um disco com os custos arcados por Ogawa. Assim foi feito Naquela base, álbum gravado em 24 canais nos Estúdios Transamérica, entre 31 de maio e 8 de junho de 1988. Só que Ogawa voltou para o Japão, deixou as fitas da gravação com Donato e o disco acabou arquivado até ser encontrado pelo pesquisador musical Marcelo Fróes no acervo pessoal do pianista, vasculhado por Fróes desde 2014. Capa da caixa 'A mad João Donato' Divulgação / Selo Discobertas Lançado enfim após 30 anos, o álbum Naquela base mistura registros instrumentais do cancioneiro de Donato – casos de composições então recentes como O fundo (João Donato e Caetano Veloso, 1986) e A paz (João Donato e Gilberto Gil, 1987), lançadas nas vozes das cantoras Leila Pinheiro e Zizi Possi, respectivamente – com músicas que o compositor nunca mais gravaria de forma oficial. São os casos de Varanda e de Som montuno, salsa que explicita a latinidade inerente à obra de Donato. Som montuno e a música-título Naquela base – composição lançada por Donato em álbum de 1964 – são as faixas de maior efervescência rítmica do álbum. Ambas expõem a fina sintonia de Donato com os músicos – Edson Lobo (baixo), Luiz Alves (contrabaixo), Márcio Montarroyos (trompete), Ohana (percussão), Robertinho Silva (bateria), Tita Lobo (violão e vocais) e Zé Carlos (percussão) – que formaram a big-band arregimentada para o disco produzido por Yoichi Ogawa e conduzido pelo piano de Donato. Ouvido 30 anos depois da gravação, o álbum Naquela base soa coeso e atemporal porque, assim como a bossa nova, a música de João Donato parece não ter prazo de validade. (Cotação: * * * *)

Compositor gaúcho Bebeto Alves volta com canções contaminadas pela indignação

sex, 03/30/2018 - 10:22
"Você pode crer que está do lado certo / E é esse mesmo lado que te aperta", canta Bebeto Alves em Um dia, sem tomar partido, mas mandando recado ao ouvinte no tom indignado que pauta o repertório inédito e autoral de Oh Blackbagual – Canção contaminada, álbum lançado neste primeiro trimestre de 2018 com distribuição de Produto Oficial. Destaque desse repertório, Um dia é uma das dez músicas do disco assinado por esse cantor, compositor e guitarrista gaúcho com o nome do alter-ego Blackbagual, que vem a ser um quarteto de pegada roqueira formado por Bebeto Alves (voz, guitarra e violão) com Rodrigo Reinheimer (baixo e vocal), Luke Faro (bateria) e Marcelo Corsetti (guitarra). O quarteto Blackbagual Divulgação Expoente do autossuficiente universo musical do sul do Brasil desde a década de 1980, Bebeto Alves assina sozinho – ou com parceiros como o compositor uruguaio Walter Bordoni, coautor de Bajo la misma ciudad e Quimera – as dez músicas do álbum, nascido da urgência do movimento político e social do Brasil e também da "urgência da palavra poética", como conceitua o próprio Bebeto no texto que escreveu para apresentar o CD Oh Blackbagual – Canção contaminada. Mesmo que as palavras sejam eventualmente cantadas em espanhol, idioma das duas parcerias com Bordoni, o disco fala a língua universal do rock com citações e toques sutis de sons do sul do Brasil. Conterrâneo de Bebeto Alves, o gaúcho Humberto Gessinger é coautor e convidado de Outro nada. Já o poeta André Bolivar responde pelos versos de Águas barrentas e Você. No álbum Oh Blackbagual – Canção contaminada, o toque afiado das guitarras se afina com o tom urgente da poética geralmente verborrágica deste disco atual que toma partido da indignação como dose rarefeita de esperança. "Uma palavra desencapada / Um choque elétrico, a dor / Não há mais o que se escreva / Com o vocabulário do amor", avalia Bebeto Alves nos versos desiludidos de O espírito da coisa. O recado está dado.

Pianista toca músicas do Brasil em CD com sons de outros países da América do Sul

sex, 03/30/2018 - 09:21
Ao gravar em 1959 Chiclete com banana (Gordurinha e Almira Castilho, 1958), música lançada em disco no ano anterior na voz da cantora Odete Amaral (1917 – 1984), o cantor e ritmista paraibano Jackson do Pandeiro (1919 – 1982) decretou que somente iria pôr bebop no samba quando o Tio Sam pegasse o tamborim. Decorridos 60 anos, todos os muros estéticos já foram derrubados no universo pop em nome da miscigenação musical. Tanto que o pianista, compositor e arranjador cearense Ricardo Bacelar – integrante do grupo carioca Hanoi Hanoi nas décadas de 1980 e 1990 – reapresenta outro grande sucesso de Jackson do Pandeiro, o coco Sebastiana (Rosil Cavalcanti, 1953), com o toque de um ritmo venezuelano denominado sangueo e evocado na gravação pela percussão tocada por Anderson Quintero, músico da Venezuela. Feita com inserção de registro da voz do próprio Jackson, essa gravação de Sebastiana intitula e sintetiza o terceiro álbum de Bacelar. Lançado em CD e em LP, além da edição digital, o álbum Sebastiana ganha distribuição planetária, chegando ao mercado do Brasil via Tratore. A intenção de Bacelar no disco gravado em julho de 2017 em Miami (Flórida, EUA), com produção de Cesar Lemos, foi tocar músicas do Brasil com sons de (outros) países da América do Sul e com a influência do jazz. Se Vento de maio (1979), parceria de Márcio Borges com Telo Borges (e não com Lô Borges, como creditado erroneamente no luxuoso libreto da edição em CD do álbum Sebastiana), é soprado com o toque de um charango boliviano, o baião A volta da Asa Branca (Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1950) retorna na pisada do vallenato, ritmo da Colômbia. Já a canção Depois dos temporais (Ivan Lins e Vitor Martins, 1983) reaparece no disco com o toque de um bandoneón, instrumento associado ao tango argentino. Com capa que expõe a pintura Carnaval (1969 / 1970), óleo sobre tela do modernista artista plástico brasileiro Emiliano Di Cavalcanti, o álbum Sebastiana extrapola as fronteiras da América do Sul ao longo das 15 faixas, sendo 11 instrumentais e quatro cantadas. Músicos norte-americanos e cubanos também tocam no disco, cujo repertório inclui quatro temas de autoria do próprio Ricardo Bacelar (Parts of me, River of emotions, The best years – ouvido em registro feito com a inserção da voz de Jackson do Pandeiro – e Suco verde, este composto em parceria com Cesar Lemos). Pena que o capricho da arte gráfica da edição em CD do álbum Sebastiana não tenha se reproduzido nos créditos das músicas. Além da troca do nome de Telo Borges por Lô Borges no crédito da canção Vento de maio, Toda menina baiana (1979), música de Gilberto Gil, é creditada somente como Menina baiana, sem o toda do título oficial.

Caixa com 10 DVDs registra diversos movimentos do violão no Brasil

qui, 03/29/2018 - 16:28
Iniciado em 2003, o projeto Movimento violão completa 15 anos em 2018 sem dar sinais de esgotamento. Idealizador e curador do projeto, o violonista Paulo Martelli caracteriza o violão, no texto que escreveu para o libreto encartado na caixa de DVDs Movimento violão, como "o instrumento que ilustra a música brasileira de maneira mais pujante". Editada pelo Selo Sesc neste mês de março de 2018, a caixa Movimento violão embala 10 DVDs que exibem os registros integrais dos dez shows da programação da edição de 2012 dessa série de música instrumental. Os dez shows totalizam 92 números musicais, apresentados no DVD com linguagem cinematográfica e com opções de legendas em quatro idiomas (inglês, francês e espanhol, além do português). Estruturada sob a direção artística de Flávio Rodrigues, a temporada do projeto Movimento violão foi marcada naquele ano de 2012 pela diversidade de estilos dos artistas convidados a se apresentar na rede paulistana do Sesc. "Essa caixa de DVDs ilustra a variedade de escolas e tendências que permitiram ao violão incorporar-se à música de diversas gerações ao longo de nossa história", ressalta Martelli. Eis os artistas que têm shows exibidos na caixa de DVDs Movimento violão: ♪ Carlos Barbosa Lima – Violonista paulistano que tem sobressaído pelo virtuosismo no toque de temas eruditos e pela criação de arranjos elaborados. ♪ Daniel Wolff – Compositor, arranjador e professor. Um dos primeiros músicos a receber no Brasil o título de Doutor em violão. ♪ Duo Assad – Virtuoso duo formado pelos irmãos Odair Assad e Sérgio Assad que se impôs no Brasil e no mundo pela técnica extraordinária. ♪ Eduardo Isaac – Violonista argentino, considerado um dos expoentes da atualidade no toque do instrumento. ♪ João Carlos Victor – Jovem violonista que vem se destacando em concursos nacionais e estrangeiros. ♪ João Kouyoumdjian – Outra revelação da nova geração de violonistas brasileiros. ♪ Marco Pereira – Violonista celebrado no Brasil pela técnica e pelo repertório autoral, tendo ficado conhecido por tocar com cantoras populares como Gal Costa. ♪ Pablo Márquez – Violonista argentino que ganhou o mundo a partir de 1987. ♪ Paulo Martelli – Músico reverenciado no Brasil e fora dele pelo toque do violão de onze cordas. ♪ Paulo Porto Alegre – Violonista que transita pelo universo erudito e pelo mundo da música popular, tocando composições próprias e criando arranjos para composições dos repertórios de nomes como o grupo inglês The Beatles. ♪ Pedro Martelli – Violonista e professor, mestre em música pela Julliard School de Nova York (EUA). ♪ Quarteto Abayomy – Formado por Adriano Paes, Josiane Gonçalves, Juliana Oliveira e Marcelly Rosa, o quarteto de violões e voz (de nome em tupi-guarani que significa "encontro feliz") foi formado com o objetivo de pesquisar e propagar a música folclórica e urbana composta no Brasil no começo do século XX.

Joyce apresenta 'A velha maluca' que entrará no 'remake' de álbum de 1968

qui, 03/29/2018 - 14:24
Aos 70 anos, Joyce Moreno insiste na juventude da música que compõe desde a década de 1960. Mesmo quando revisita o passado, põe um pé no futuro. Tanto que decidiu incluir duas faixas-bônus no remake do primeiro álbum, Joyce (Philips, 1968), lançado há 50 anos. Uma delas, o inédito samba autoral A velha maluca, foi apresentado pela cantora, compositora e violonista carioca – em foto de Leo Aversa – ao fim da entrevista biográfica que concedeu na cidade natal do Rio de Janeiro (RJ) na tarde de ontem, 28 de março de 2018, na série Depoimentos para a posteridade do Museu da Imagem e do Som (MIS). A velha maluca é música com o suingue e a assinatura pessoal desta artista cheia de bossa.

Lucas Lucco apresenta primeiro single de EP acústico gravado à beira de lagoa

qui, 03/29/2018 - 11:06
Lucas Lucco lança no fim de abril um projeto acústico intitulado De boa na lagoa que compreende a edição de EP com cinco músicas captadas ao vivo, na beira de uma lagoa, e os lançamentos dos clipes dessas cinco músicas com imagens da gravação ao vivo feita pelo cantor em clima de luau com os músicos André Tavares (baixo), Cleyton Pekois (violão e ukelele), Eder Miranda (bateria) e Wilibaldo (violão). Capa do single 'Tamanho P', de Lucas Lucco e Thiago Brava Divulgação / Sony Music A primeira amostra do projeto é o single Tamanho P, apresentado esta semana simultaneamente com o clipe da gravação dessa música inédita de autoria dos compositores Juan Marcus, Hiago, Vinícius e Elcio di Carvalho. Lucco dá voz à música Tamanho P em dueto com o cantor Thiago Brava. De acordo com depoimento de Lucco no comunicado que anuncia a gravação, o projeto De boa na lagoa foi idealizado para mostrar a "diversidade musical" do artista e a "versatilidade" da voz do cantor e compositor mineiro. O tom do repertório é mais ameno, com ênfase no romantismo popular.

Tributo de Conka a Sabotage em 'Cabeça de nêgo' lembra que rap é compromisso

qui, 03/29/2018 - 10:04
"Salve Sabotage, MC de compromisso Cumpre seu papel no céu Que aqui a gente te mantém vivo" Essa saudação ao cantor e compositor paulistano Mauro Mateus dos Santos (3 de abril de 1973 – 24 de janeiro de 2003), rapper conhecido como Sabotage, foi feita há sete anos por Karol Conka em versos de Boa noite (Vinicius Leonard Moreira e Karoline dos Santos de Oliveira), música lançada em 2011 como primeiro single do álbum de estreia da rapper curitibana, Batuk freak (2013). Desde então, Conka vem dando voz ativa às mulheres no universo do hip hop com a consciência de que o rap é compromisso, como sentenciou Sabotage no título do segundo e derradeiro álbum de estúdio desse artista assassinado há 15 anos na cidade natal de São Paulo (SP). Por isso mesmo, soa coerente e nada oportunista a regravação de Cabeça de nêgo, música de Sabotage, em single que será lançado nas plataformas digitais em 6 de abril. Feita com toque de reggae, a gravação foi produzida pelo Instituto com Boss in Drama. Cabeça de nêgo é música composta e produzida por Sabotage com Rica Amabis e Tejo Damasceno, integrantes do Instituto, que foi lançada no álbum Coleção nacional (2002) em gravação referencial para Karol Conka. No comunicado que anuncia o single, a rapper contextualiza a gravação e a influência de Sabotage na vida da artista. Com a palavra, Karol Conka: "Além de ser fã do Sabotage desde que comecei a escutar rap, ele é bem presente no meu dia-a-dia, tanto quando ouço os sons dele como nas conversas que tenho com o DJ Hadji, que toca comigo há muitos anos e que foi o DJ do Sabotage. Hadji sempre diz que a gente se parece na forma leve e divertida de levar a vida". Acho Cabeça de nêgo uma música forte, uma história intensa que ele escreveu de uma vez. Fiz uma versão com influência do reggae e com o maior respeito. É uma responsa muito grande e uma honra para mim. Minha raiz é o rap, embora tenha me aventurado por outros estilos, e o Sabotage precisa ser sempre lembrado não somente no rap, mas na história da música brasileira".

Balada lançada por Luan reitera habilidade melódica do compositor Bruno Caliman

qua, 03/28/2018 - 11:29
Compositor baiano cujo nome é recorrente nas fichas técnicas de discos de artistas do universo sertanejo, como as duplas Fernando & Sorocaba e Marcos & Belutti, Bruno Caliman provavelmente vai acrescentar mais um sucesso à coleção de hits incrementada ao longo dos atuais anos 2010. Caliman é o parceiro de Rafael Torres na composição da bonita balada romântica 2050, lançada esta semana na voz de Luan Santana. Cantor que já emplacou algumas músicas do compositor, como Te esperando (2013) e Escreve aí (2015), Luan promove a gravação da inédita canção 2050 com single e clipe que estão em rotação na web desde ontem, 27 de março. Com melodia simples, mas envolvente, a balada 2050 explicita amor romântico na letra no qual o cantor se imagina em 2050, daqui a 32 anos, como um taxista de meia-idade que fala orgulhosa e apaixonadamente da véia, a mulher para quem fez a "melhor corrida" e com a qual ainda está casado. Balada encorpada na gravação de Luan com arranjo pop de crescente intensidade e pressão, 2050 reitera a habilidade do compositor baiano para criar melodias sedutoras. Basta dizer que é de autoria de Caliman a canção Amuleto, música mais inspirada do repertório do repertório do oscilante quarto álbum de Tiê, Gaya (2017), lançado em outubro. Eis a letra de 2050: 2050 (Bruno Caliman e Rafael Torres) Em 2050 posso ser um taxista de aeroporto Contando minha história a um garoto Falando de quando eu te conheci Em 2050 eu vou ter algumas rugas no meu rosto E uma foto sua no meu bolso E vou mostrar sorrindo pra esse moço (E dizer assim:) Olha aqui a minha "véia" Torce pra você achar uma dessas Na vida isso é tudo que interessa Minha melhor corrida foi pra ela Olha aqui a minha "véia" Torce pra você achar uma dessas Na vida isso é tudo o que interessa Desculpa te alugar com essa conversa

Primeira turnê dos Tribalistas começa em julho na Bahia e passa por nove capitais

qua, 03/28/2018 - 10:15
Confirmada oficialmente em 19 de dezembro em rede social de Marisa Monte, após rumores na web, a primeira turnê do trio Tribalistas tem rota anunciada hoje, 28 de março, exatos quatro meses antes da primeira apresentação. A estreia do show está programada para 28 de julho na Arena Fonte Nova, em Salvador (BA), cidade natal de Carlinhos Brown e ponto de partida para a composição do repertório do segundo álbum do trio, Tribalistas (2017), lançado em agosto do ano passado. Com direção geral assinada por Leonardo Netto com o trio Tribalistas, direção de arte de Batman Zavareze e direção de produção de Simon Fuller, o primeiro show conjunto de Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte – vistos acima em foto de Daniel Mattar – será apresentado em grandes espaços, percorrendo nove capitais do Brasil de julho a setembro deste ano de 2018 com roteiro que entrelaça músicas do disco do ano passado e composições do primeiro álbum, de 2002. Na sequência da estreia nacional do show em Salvador (BA), a turnê segue para Rio de Janeiro (3 e 4 de agosto, Marina da Glória), Recife (10 de agosto, Centro de Convenções), Fortaleza (11 de agosto, Centro de Formação Olímpica), São Paulo (18 de agosto, Allianz Parque), Porto Alegre (24 de agosto, Arena Beira Rio), Curitiba (25 de agosto, Pedreira Paulo Leminski), Brasília (1 de setembro, Arena Mané Garrincha) e, por fim, Belo Horizonte (7 de setembro, Esplanada do Mineirão). Tribalistas Divulgação / Marco Froner As vendas dos ingressos começarão em abril. Entre os dias 5 e 9 de abril, será feita uma pré-venda exclusiva de lote promocional, com número limitado de ingressos, aberta a qualquer pessoa. Para ter acesso ao benefício, é necessário se cadastrar em endereço específico do site da empresa de vendas Eventim até as 11h do dia 4 de abril. A venda de ingressos para o público em geral começa no dia 10 de abril, às 11h, através do site da Eventim e nos pontos de venda oficiais da empresa que comercializa os ingressos da turnê. O limite de compra é de até quatro ingressos por CPF.

Feito há 40 anos, inédito disco 'maluco' de Donato goza de plenas faculdades musicais

qua, 03/28/2018 - 09:04
Em novembro de 1977, o jornalista e produtor Nelson Motta noticiou a gravação de álbum triplo de João Donato na coluna musical que mantinha no Jornal O Globo. Gravado de forma livre e experimental entre setembro e outubro daquele ano de 1977, tendo sido concluído com sessões adicionais de estúdio em julho de 1978, o disco acabou arquivado e abandonado pelo próprio Donato. A razão do arquivamento foi o fato de o álbum ter sido considerado "maluco" numa época em que os executivos das gravadoras e o público já estavam habituados a ouvir canções mais palatáveis do compositor e pianista acriano, letradas com sucesso por compositores populares como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Decorridos 40 anos, eis que o álbum inédito ressurge (em parte) na caixa A mad João Donato, lançada pelo selo carioca Discobertas neste mês de março de 2018 com edições em CD de outros dois álbuns inéditos do artista e de também inédita coletânea de gravações raras. Capa da caixa 'A mad João Donato' Divulgação / Selo Discobertas Intitulado Gozando a existência nessa primeira edição oficial, o disco – que tinha até nome alternativo, Prossiga – vem à tona na forma de álbum simples, gozando de plenas faculdades musicais a julgar pelas nove faixas recuperadas pelo pesquisador musical Marcelo Fróes desde que, em 2014, começou a investigar o acervo de Donato. Tanto que o som (tecnicamente) esmaecido é redimido pelo alto valor documental da edição. Contrariando a natureza habitualmente autoral da discografia do artista, Gozando a existência é álbum de intérprete, apresentando somente uma única música assinada por Donato, a composição que dá nome ao disco. Gozando a existência, a música, aparece com o vocal de Alaíde Costa no único registro realmente experimental do repertório, de 11 minutos e 23 segundos (consta que a gravação integral contabilizava 26 minutos). Contudo, mesmo sendo trabalho de caráter gregário por ter sido gravado com diversos músicos e cantores (não creditados na edição pela inexistência de ficha técnica), o disco tem a reconhecível assinatura de Donato, seja no balanço da bossa Praia (Helvius Vilela) – composição sem letra, de melodia conduzida pelos vocalizes de Donato – seja no suingue de Zra Zra (Fernando Leporace), tema instrumental que abre o disco. Em contrapartida, o canto empostado de José Amin (cunhado de Donato) em Acalanto para enganar Regina (Lysias Enio e Esdras Silva) se distancia da modernidade e da leveza que pautam a música de Donato desde a década de 1950. De qualquer forma, não há, a rigor, maluquices ao longo do disco. Há, sim, a liberdade musical que norteia a jam feita ao fim do registro inicialmente convencional do Canto da Lira, cujo solista vocal é ninguém menos do que Djavan, compositor da música que seria gravada por Wanderléa em 1978 no álbum Mais que a paixão e que somente seria registrada oficialmente pelo autor seis anos mais tarde no álbum Lilás (1984). Canto da Lira representa flerte de Donato com a música nordestina, natural para quem se iniciou na música no toque do acordeom, antes de se consagrar como pianista e compositor cheio de bossa latina. Mais inusitadas são as conexões do artista com o repertório dos compositores ligados ao mineiro Clube da Esquina. Músicas que seriam lançadas por Milton Nascimento no álbum Clube da Esquina 2 (1978), Testamento (Nelson Angelo e Milton Nascimento, 1978) e Toshiro (Novelli) integram o repertório de Gozando a existência ao lado de Olho d'água (Paulo Jobim e Ronaldo Bastos), outra composição que iria para o álbum duplo de Milton por conta do abandono do disco de Donato. Completa o repertório o tema instrumental Fibra (Eloir de Moraes e Paulo Moura). Enfim, ainda que o título engenhoso da caixa A mad João Donato brinque com a fama de maluco do disco (mad, em inglês, significa louco), com alusão ao título do elétrico álbum norte-americano A bad Donato (1970), a maior insanidade é de quem não percebe a razão (sem a lógica da música comercial) que guia o som de João Donato. (Cotação: * * * 1/2)

Dez anos após estreia solo, Camelo faz o primeiro álbum de estúdio desde 2011

qua, 03/28/2018 - 07:31
Dez anos após ter apresentado o primeiro álbum solo, Sou (2008), Marcelo Camelo prepara volta ao mercado fonográfico como cantor e compositor. O artista carioca lança neste ano de 2018 o terceiro álbum de estúdio, o primeiro desde Toque dela (2011), disco autoral editado há sete anos. De lá para cá, Camelo – em foto de Caroline Bittencourt – documentou o registro do show Voz & violão no CD Ao vivo no Theatro São Pedro (2013) e no correspondente DVD Mormaço (2013), além de ter atuado como produtor musical de discos de artistas como Mallu Magalhães e Momo. Como compositor, Camelo forneceu em 2017 o samba Pra Maria para o mais recente álbum da cantora Maria Rita, Amor e música (2018), lançado em janeiro.

Single com tema de 'Orgulho & paixão' confirma a guinada pop de Lucy Alves

ter, 03/27/2018 - 19:28
Já disponível nas plataformas digitais, o single com a gravação feita por Lucy Alves para o tema de abertura da novela Orgulho & paixão – atual atração da TV Globo no horário das 18h – dá continuidade à guinada pop esboçada pela artista há quase um ano, em abril de 2017, com a edição de single com a então inédita música Caçadora (Bruno Caliman e Cesar Lemos). Se Lucy forjou sensualidade em Caçadora, correndo o risco de se transformar em mais uma vítima da natureza predatória da indústria da música, a cantora experimenta em Doce companhia um tom de delicadeza romântica. Mas com apelo pop maior do que o do registro original da música por Fernanda Takai, lançado há quatro anos pela vocalista do grupo mineio Pato Fu no álbum solo Na medida do impossível (2014). A música Doce companhia é versão em português – escrita por Takai – de Dulce compañia, canção da estrela mexicana Julieta Venegas, lançada há 12 anos pela compositora no álbum Limón y sal (2006). Produzida por Felipe Rodarte, a sedutora gravação de Doce companhia por Lucy Alves sinaliza que a cantora, compositora e sanfoneira paraibana se distancia cada vez mais da música nordestina para se consolidar no universo pop.

Música de Caetano ressurge com toque indiano em álbum de cantora budista

ter, 03/27/2018 - 18:23
Monja-zen-budista, a cantora e compositora carioca Valeria Sattamini criou a música Os olhos da menina durante viagem ao Nepal feita com intuito de prestar ajuda humanitária às vítimas do terremoto de 2015 que devastou várias regiões daquele país e matou mais de 8,5 mil pessoas. A composição acabou batizando e norteando o terceiro álbum da artista, Os olhos da menina, produzido pelo maestro Flavio Mendes. O álbum está programado para ser lançado em maio deste ano de 2018 pelo selo carioca Lab 344. Mas o single com a faixa-título já chega às plataformas digitais na próxima sexta-feira, 30 de março, com a gravação feita com os toques dos músicos Flavio Mendes (violões e guitarra), Alberto Continentino (baixo), Domenico Lancellotti (bateria) e Carlos César (percussão). Sattamini – em foto de Denise Cathilina – explica a gênese da música. "Comecei a cantarolar a melodia e alguns versos que dariam origem à canção em Lumbini, local de nascimento do Buda, no Nepal, durante passeio de bicicleta. Terminei de escrevê-la em Kathmandu, depois de ver de perto os efeitos do terremoto. O Nepal realmente abalou minhas estruturas. Como um povo que havia passado por uma tragédia daquele tamanho conseguia manter a serenidade e o coração aberto? Os olhos da menina fala de resiliência, amor e compaixão, qualidades que eles têm de sobra", explica a compositora. Capa do single 'Os olhos da menina', de Valeria Sattamini Divulgação / Lab 344 O fio condutor do álbum Os olhos da menina é o conjunto de ensinamentos do Dharma, propagados por Sattamini sob a forma de inéditas canções autorais inéditas e de regravações de músicas de compositores Alceu Valença, Caetano Veloso, Dom Salvador e Moraes Moreira. Do ponto de vista musical, o disco foi gravado com a intenção de agregar sons do Ocidente e do Oriente com linguagem pop contemporânea. Composição lançada por Caetano Veloso em 1984 e regravada pelo autor em 2017 para a abertura da novela A força do querer (TV Globo, 2017), O quereres ressurge no disco de Sattamini com toque da tradicional música indiana. O álbum Os olhos da menina sucede La vie en bossa (2014) – álbum de tom bossa-lounge que alinhou sucessos da música francesa e versões em francês de clássicos da música brasileira – na discografia dessa cantora que debutou no mercado fonográfico há 14 anos com a edição do álbum Samba blim (2004).

Rogê celebra herança de imigrantes na travessia intercontinental de 'Nômade'

ter, 03/27/2018 - 10:50
"Hoje muitos milhões de esperanças / Celebram a herança de imigrantes ancestrais / Carregando o passado na mente / E olhando de frente o que ficou para trás", canta Roger José Cury, vulgo Rogê, dando voz aos versos de Nei Lopes, também ouvidos na declamação feita por Jorge Aragão. Bamba carioca com autoridade respeitada no universo cultural afro-brasileiro, Nei Lopes é o parceiro do conterrâneo Rogê em Diáspora negra, uma das músicas mais fortes de Nômade (Edição independente da produtora Muito Amor e Música), disco lançado neste mês de março de 2018. Capa do álbum 'Nômade', de Rogê Colagem de Duda Simões e Rafael Doria Nômade é o melhor álbum deste cantor e compositor carioca que está em cena desde 1998. Vinte anos após a estreia fonográfica com o CD Rogê & BandaVera, o artista apresenta azeitado disco em que versa sobre a migração e a miscigenação de povos desde antes de o samba – ritmo recorrente no repertório autoral e inédito – ser samba. Nesta ponte intercontinental erguida pelos produtores Kassin e Mario Caldato Jr., Rogê expõe o orgulho de ser tropical em Imigrantes, samba composto com Arlindo Cruz, bamba ora fora de cena, cuja voz ressoa na introdução de Deixa de ser criança, outra parceria de Arlindo com Rogê. Trata-se de outro samba, gravado com o toque da percussão de Pretinho da Serrinha e encerrado com a voz do filho de Rogê. Sintonizado com a pureza infantil, com musicalidade de gente grande, Arlindo também assina com o dono do disco o tema instrumental, Erê afro Powell, música que arremata o álbum Nômade no toque do violão de Rogê, posto em nítido tributo ao violonista Baden Powell (1937 – 2000), arquiteto dos afro-sambas. O cantor e compositor carioca Rogê Divulgação Mesmo que não escape da sina de soar como diluidor do suingue matricial de Jorge Ben Jor, cujo samba-rock é evocado em músicas como They live in América (Rogê), Pra você, amigo (Rogê) e Paz & amor (Rogê, Gabriel Moura, Leandro Fab e Pretinho da Serrinha), o artista carioca de quase 43 anos – a serem festejados em abril – progride neste disco feito a partir de gregária conexão internacional. Se Lina linda (Rogê) tem o toque gringo do piano do músico fluminense Sergio Mendes, símbolo da exportação da bossa brasileira para o mundo nos anos 1960, O escambau segue a rota do intercâmbio planetário que partiu da África. A gravação da música foi feita com a adesão do baixista africano de jazz Richard Bona, parceiro de Rogê e de Gabriel Moura nessa composição que abre o álbum Nômade. Enfim, mesmo sem delinear assinatura original como compositor, Rogê chega a um ponto de maturação na discografia com Nômade, CD que celebra a herança de imigrantes ancestrais com coesão que faltou ao anterior álbum solo do artista, Brenguelé (2012), lançado há seis anos com produção formatada por Kassin, um dos pilotos do álbum atual. Com capa que expõe colagem dos artistas plásticos Duda Simões e Rafael Doria, Nômade vai além na travessia transatlântica. Como sentencia o título de Vai tudo acabar bem, samba feito por Rogê com Marcelinho Moreira e apresentado quase ao fim do disco, o saldo é positivo, com as bençãos de Arlindo Cruz, de Nei Lopes e, claro, do inimitável Jorge Ben Jor. (Cotação: * * * 1/2)

Disco de inéditas e musical de teatro põem em cena o presente e o passado de Elza

ter, 03/27/2018 - 09:10
A três meses de completar 88 anos de vida, Elza Soares sempre afirma que o tempo dela é hoje. "My name is now", costuma dizer Elza em entrevistas, proferindo em inglês a frase que, traduzida em português, significa "Meu tempo é agora". Contudo, entre maio e julho deste ano de 2018, o presente e o passado da cantora carioca – em foto de Daryan Dornelles – entrarão quase simultaneamente em cena nas formas de um disco somente com músicas inéditas e de um musical de teatro. Intitulado Deus é mulher, o 33º álbum de Elza sai em maio com músicas como Banho (Tulipa Ruiz), Dentro de cada um (Luciano Mello e Pedro Loureiro), Deus há de ser (Pedro Luís), Eu quero comer você (Romulo Fróes e Alice Coutinho), Língua solta (Alice Coutinho e Romulo Fróes) e O que se cala (Douglas Germano). Já o espetáculo Elza Soares – O musical estreia em 23 de julho no Rio de Janeiro (RJ), cidade natal da artista, com direção musical de Pedro Luís (compositor carioca da música que inspirou o título do disco Deus é mulher) e texto assinado por Rafael Gomes com Vinicius Calderoni (dramaturgo, ator e compositor que integra o quinteto paulistano 5 a seco). Em cena, nada menos do que sete atrizes Janamo, Julia Dias, Késia Estácio, Khrystal, Larissa Luz, Nivea Magno e Verônica Bonfim. A direção do musical é de Duda Maia.

Após flertes com a MPB, padre Fábio de Melo volta às origens em disco 'diferente'

seg, 03/26/2018 - 18:18
Após ter se aproximado da linguagem da MPB nos últimos dois álbuns de estúdio de discografia iniciada em 1997, Deus no esconderijo do verso (2015) e Clareou (2017), o padre cantor Fábio de Melo volta a entoar músicas religiosas de formato mais tradicional no álbum O amor me elegeu, previsto para ser lançado no início de abril através da Canção Nova. Com quatro músicas inéditas entre as 13 composições de repertório que inclui somente quatro canções de autoria do artista mineiro, o disco inclui músicas como Deus cuida de mim e Sinal de misericórdia, cujos títulos já dão o tom de oração do cancioneiro do álbum. Fábio de Melo caracteriza o álbum O amor me elegeu como um "retorno à simplicidade", como um disco "diferente". Chagas abertas, Filho de Davi, Minha raiz, Perdas necessárias e Vivo teu louvor são outras músicas gravadas pelo artista nesse 21º álbum da carreira fonográfica.

Parceria de Kassin com artista britânico promove edição brasileira do álbum 'Relax'

seg, 03/26/2018 - 13:33
Música composta por Alexandre Kassin com letra escrita pelo compositor e músico britânico Rob Gallagher (ex-Incognito), Seria o Donut? está sendo promovida pelo músico e compositor carioca como o segundo single da edição nacional de Relax (2017), álbum solo de Kassin que será lançado no Brasil na próxima sexta-feira, 30 de março de 2018. O disco foi lançado originalmente no Japão em junho de 2017. O clipe de Seria o Donut? entrou em rotação na web a partir de hoje, 26 de março. Produzido com recursos de animação criados e editados por Rafael Moreira, o clipe tem direção assinada por Fábio Audi. Já o single (capa acima) chegou às plataformas digitais um mês após o single com a regravação de Coisinha estúpida (Something stupid) (Carson Parks, 1966, em versão em português de Leno, 1967) feita por Kassin em dueto com a cantora Clarice Falcão. Além de Clarice, o soulman baiano Hyldon e o grupo português Orelha Negra também participam do álbum Relax, reeditando na música Estrada errada o encontro com Kassin articulado para a edição de 2012 do festival Rock in Rio Lisboa.

Segundo álbum de Domenico Lancellotti é lançado nos EUA por selo de David Byrne

seg, 03/26/2018 - 12:57
Segundo álbum solo de Domenico Lancellotti, Serra dos órgãos (2017) será editado nos Estados Unidos e na Europa em maio deste ano de 2018 através de parceria firmada com os selos Luaka Bop – selo fonográfico do ex-Talking Heads David Byrne, cantor e compositor de origem escocesa e vivência norte-americana que está no Brasil neste mês de março para shows nas cidades de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) – e !K7 Records. Capa do álbum 'Serra dos órgãos' Divulgação Sucessor do álbum Cine privê (2011) na discografia solo do baterista e compositor fluminense, Serra dos órgãos foi lançado primeiramente no Japão, em abril de 2017, ano em que o disco também foi editado no mercado brasileiro, meses mais tarde, através do selo carioca Lab 344. No disco, Domenico – em foto de Caroline Bittencourt – registra músicas autorais como Aracne (parceria de Domenico com Alberto Continentino e Alexandre Kassin), Dama da noite (parceria com Bruno Di Lullo), Pare de correr (música composta e registrada com Pedro Sá, cuja voz e guitarra figuram na gravação), Tudo ao redor (composta e gravada com Moreno Veloso) e Voltar-se (gravada com o toque do violão de Bem Gil). Capa do single 'Tudo ao redor', de Domenico Lancellotti com Moreno Veloso Divulgação A faixa Tudo ao redor, aliás, foi lançada como single, disponibilizado nas plataformas digitais na última sexta-feira, 23 de março.

'Romeu e Julieta' com hits de Marisa paira acima do padrão do 'musical de barzinho'

seg, 03/26/2018 - 10:52
Por mais que haja eventuais desajustes no encaixe do repertório de Marisa Monte na narrativa lírica de Romeu e Julieta, tragédia romântica presumivelmente escrita em 1595 pelo dramaturgo inglês William Shakespeare (1564 – 1616), o espetáculo recém-estreado na cidade do Rio de Janeiro (RJ) paira acima do padrão populista de um subgênero que pode ser rotulado como musical de barzinho. Em bom português, há dramaturgia sólida – ainda que bastante diluída por Gustavo Gasparani e Eduardo Rieche para adaptar o texto aos tempos modernos – e não somente um fio tênue de ação posto em cena como mero condutor para o canto coletivo de músicas conhecidas. O refinado padrão estético do espetáculo Romeu + Julieta ao som de Marisa Monte se torna visível desde que as cortinas se abrem e o público vê as torres de pedra que compõem cenário verticalizado, erguido com a assinatura da arquitetura concreta de Daniela Thomas. Esse alto padrão é sublinhado pela luz de Monique Gardenberg, pela excelência dos atores – mais um mérito da produtora de elenco Marcela Altberg – e pelos arranjos vocais de Jules Vandystadt. Por mais que o diretor musical Apollo Nove tenha posto batidas contemporâneas em cena, sobretudo nos números musicais do irregular primeiro ato, o tratamento vocal dado ao cancioneiro de Marisa Monte por Vandystadt muitas vezes vai contra a própria natureza pop do espetáculo idealizado e dirigido por Guilherme Leme Garcia. E isso contribui positivamente para que Romeu + Julieta ao som de Marisa Monte se distancie do formato do musical moderninho de barzinho. Thiago Machado e Bárbara Sut em 'Romeu + Julieta ao som de Marisa Monte' Divulgação / Felipe Panfili É arrepiante o arremate da ação trágica ao som de A primeira pedra (Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, 2006), bela canção do versos "Atire a primeira pedra / Quem não sofreu / Quem não morreu por amor". Aliás, se Romeu + Julieta muitas vezes flui bem ao som do cancioneiro de Marisa Monte, é porque o amor é muitas vezes abordado na obra da compositora carioca sob prisma exacerbadamente romântico, com passionalidade adolescente que se ajusta ao tom fatalista da tragédia de Shakespeare. Como Romeu e como Julieta, Marisa Monte – vista ao lato em foto de Leo Aversa – ama o amor e a condição de estar amando. É da paixão pelo amor que tratam os versos de Amor, I love you (Marisa Monte e Carlinhos Brown, 2000) e de Ainda bem (Marisa Monte e Arnaldo Antunes, 2006), ouvidos nas vozes de Julieta (Bárbara Sut) e Romeu (Thiago Machado), respectivamente. Por conta desse arrebatamento pelo romantismo, mote do texto de Shakespeare, texto e música se afinam como se tivessem sido feitos um para o outro quando Julieta pede para Romeu ficar mais ao som de Não vá embora (Marisa Monte e Arnaldo Antunes, 2000) ou quando Romeu e Julieta reverberam juntos a decisão de seguirem incondicionalmente lado a lado em É você (Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, 2002). No caso de Não vá embora, essa harmonia é potencializada pelo arranjo vocal que engrandece o número. O belo efeito sonoro de Vilarejo (Marisa Monte, Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes e Pedro Baby, 2006), em número puxado pelo Frei Lourenço (Claudio Galvan) e encorpado pelo coro na cena do casamento que fecha o primeiro ato, também exemplifica a sofisticação inerente ao espetáculo, ainda que a inserção da canção Vilarejo na narrativa soe menos natural. Claudio Galvan no musical 'Romeu + Julieta ao som de Marisa Monte' Divulgação / Felipe Panfili Esse, a propósito, é o problema mais grave de Romeu + Julieta ao som de Marisa Monte, sobretudo no primeiro ato. Na primeira metade do espetáculo, há forçados links entre o texto de Shakespeare e o repertório de Marisa Monte. Nada justifica a inclusão de Infinito particular (Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, 2006) na voz de Teobaldo (Pedro Caetano). Instantes depois, chega a soar risível a interpretação de Esqueça (Forget him) (Mark Anthony, 1963, em versão de Roberto Corte Real, 1966) – canção do reino pueril da Jovem Guarda que Marisa gravou para a trilha sonora de filme de 2003 – na voz do mesmo Teobaldo somente porque este integrante da família Capuleto proferiu que não iria esquecer ofensa do impulsivo Romeu. Os números musicais do baile da família de Julieta, aliás, soam artificiais, ainda que Panis et circenses (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1968) faça algum sentido na cena, com a curiosidade adicional de ser música puxada por Kacau Gomes (Sra. Capuleto), atriz e cantora que já foi backing-vocal de Marisa Monte na época do show e disco Memórias, crônicas e declarações de amor (2000). Há também excesso de músicas no primeiro ato, o que provoca o desperdício de boas canções como Noturna (Marisa Monte, Lúcio Silva e Lucas Silva, 2016). Em contrapartida, soa charmosa a recorrente citação instrumental de Negro gato (Getúlio Côrtes, 1965) nas aparições de Mercuccio, personagem que ganhou composição andrógina na pele do expressivo ator Ícaro Silva. Da mesma forma, merece menção honrosa o uso de Volte para seu lar (Arnaldo Antunes, 1991) na cena que abre o segundo ato com o enfrentamento das gangues das famílias rivais. Engenhosa também é a cena em que Julieta canta Perdão você (Carlinhos Brown e Alain Tavares, 2000) após beber o elixir que provocará a sensação de falsa morte da jovem. O segundo ato redime o espetáculo das forçações do primeiro, soando mais fluente e dramático – o que oferece mais chance de brilho para atores tarimbados como Stella Maria Rodrigues (Ama, personagem alvo de humor quase caricato no primeiro ato). E por falar no elenco, a escalação do par central resulta acertada tanto do ponto de vista musical quanto teatral. Além de cantarem bem, Thiago Machado e Bárbara Sut dão a devida intensidade a Romeu e Julieta, tornando crível tanto a ardência do casal na fogueira das paixões desvairadas como a interpretação de canções como De mais ninguém (Marisa Monte e Arnaldo Antunes, 1994), doído solo do rapaz. Pedro Caetano e Ícaro Silva em 'Romeu + Julieta ao som de Marisa Monte' Divulgação / Felipe Panfili Em cartaz no Teatro Riachuelo de sexta-feira a domingo até 27 de maio, Romeu + Julieta ao som de Marisa Monte fragmenta o texto romântico de Shakespeare em nome da agilidade pretendida para um espetáculo pop, gerando musical moderno que se desvia do trilho nostálgico que conduz a maior parte das encenações do gênero no Rio de Janeiro, geralmente direcionadas a um público mais idoso e saudosista. O espetáculo de Guilherme Leme Garcia tem ótimo acabamento plástico e propicia a constatação da força e da coerência do cancioneiro de Marisa Monte ao lançar mão de músicas gravadas pela cantora desde o primeiro álbum, apresentado em janeiro de 1989, ao recente segundo disco dos Tribalistas, lançado em agosto de 2017 com repertório do qual o roteiro musical de Romeu + Julieta aproveita Um só (Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Brás Antunes, 2017). Enfim, aproximar o texto de Romeu e Julieta do universo pop, com linguagem contemporânea, é algo já feito pelo cineasta Baz Luhrmann em filme norte-americano de 1996 estrelado pelo ator Leonardo DiCaprio. A sagaz ideia do atual musical carioca é inserir a música de Marisa Monte neste contexto pop. Felizmente, a equipe de criação de Romeu + Julieta ao som de Marisa Monte entendeu que musicais não podem se igualar a shows de barzinhos em que tudo se resume a fazer o público cantar junto um punhado de sucessos. Quando essa natureza populista se manifesta no espetáculo de Guilherme Leme Garcia, ao som do canto coletivo de Bem que se quis (E po' che fà) (Pino Danielle, 1982, em versão em português de Nelson Motta, 1989) nos agradecimentos do elenco, já é tarde. O público já viu um espetáculo que, mesmo com desajustes, se eleva no panorama atualmente preguiçoso da produção carioca de musicais de teatro. (Cotação: * * * 1/2)

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